{"id":34070,"date":"2017-11-02T23:30:58","date_gmt":"2017-11-02T23:30:58","guid":{"rendered":"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=34070"},"modified":"2017-11-02T23:30:58","modified_gmt":"2017-11-02T23:30:58","slug":"estar-e-nao-estar-uma-questao-dos-nossos-dias","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=34070","title":{"rendered":"Estar e n\u00e3o estar &#8211; uma quest\u00e3o dos nossos dias"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #d8070f;\"><strong>Ant\u00f3nio Jo\u00e3o Maia, Jornal i online<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><a href=\"https:\/\/ionline.sapo.pt\/artigo\/587115\/estar-e-nao-estar-uma-questao-dos-nossos-dias?seccao=Opiniao_i\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-19\" title=\"Liga\u00e7\u00e3o \u00e0 Publica\u00e7\u00e3o\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/go2.png\" alt=\"\" width=\"16\" height=\"16\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><a href=\"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/Ji092.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-2032\" title=\"Ficheiro PDF\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/pdf_button.png\" alt=\"\" width=\"14\" height=\"14\" \/>Este \u00e9 um mundo em que tudo tende a ser mais r\u00e1pido, mais intenso, mas tamb\u00e9m mais superficial, mais descart\u00e1vel, mais de \u201cpl\u00e1stico\u201d<\/a><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>H\u00e1 dias, enquanto jantava num restaurante, n\u00e3o pude deixar de observar o jovem casal que estava na mesa ao lado, dada a din\u00e2mica comunicacional em que estavam envolvidos. E enquanto comia e os observava pelo canto do olho, fui reflectindo sobre o mundo em que nos encontramos...<\/p>\n<p>Mas vejamos primeiro a cena, para irmos depois \u00e0 reflex\u00e3o que ela suscitou.<\/p>\n<p>Os dois jovens, ambos na casa dos vinte e poucos anos, sentaram-se na mesa, um em frente ao outro. Depois, para l\u00e1 do agradecimento mec\u00e2nico que ele dirigiu ao empregado que lhes indicou a mesa, n\u00e3o proferiram outra qualquer palavra durante longos instantes. Preferiram ficar com o nariz e os olhos literalmente colados aos ecr\u00e3s dos telem\u00f3veis que ambos j\u00e1 traziam nas m\u00e3os. E assim ficaram, entregues \u00e0s mensagens que lhes iam chegando, \u00e0s quais iam reagindo com ligeiros esgares faciais, a que se seguiam as respostas, que faziam sair dos seus \u00e1geis e r\u00e1pidos polegares.<\/p>\n<p>E o registo que tiveram durante todo o jantar n\u00e3o se afastou muito disto. Entre garfadas na comida escolhida e muito breves trocas de palavras entre ambos, preferiram sempre tempos mais longos com as comunica\u00e7\u00f5es que cada um fazia com algu\u00e9m situado algures no mundo.<\/p>\n<p>\u00c9 esta a realidade que as tecnologias da comunica\u00e7\u00e3o nos trouxeram para a din\u00e2mica da vida social, pensei. A possibilidade de estarmos permanentemente em contacto, focados, com algu\u00e9m algures no planeta. Esta \u00e9 a revolu\u00e7\u00e3o comunicacional que est\u00e1 associada \u00e0 globaliza\u00e7\u00e3o. A revolu\u00e7\u00e3o que tornou o mundo numa \u201caldeia global\u201d, onde o \u201caqui e agora\u201d parece estar a ser substitu\u00eddo por um \u201calgures e agora\u201d.<\/p>\n<p>Em si mesma, a possibilidade de contactarmos uns com os outros, a todo o tempo e em tempo real, independentemente do local onde nos encontremos, parece uma coisa positiva. E \u00e9 seguramente de grande utilidade relativamente a determinadas quest\u00f5es e problemas concretos do nosso dia-a-dia, como seja o simples facto de podermos pedir apoio a todo o tempo a algu\u00e9m das nossas rela\u00e7\u00f5es que sabemos estar dispon\u00edvel para nos ajudar.<\/p>\n<p>Mas por outro lado julgo que n\u00e3o podemos deixar de verificar que este novo mundo traz consigo tamb\u00e9m um potencial para alterar algumas vertentes fundamentais das rela\u00e7\u00f5es entre os indiv\u00edduos.<\/p>\n<p>Hoje em dia, por exemplo, qualquer jovem refere facilmente ter mais de mil amigos na sua rede social, reconhecendo, ao mesmo tempo, n\u00e3o conhecer pessoalmente uma parte consider\u00e1vel dessas pessoas. S\u00e3o sinais estranhos sobre a no\u00e7\u00e3o de amizade e sobre os processos sociais e culturais de constru\u00e7\u00e3o da amizade e das pr\u00f3prias rela\u00e7\u00f5es sociais entre os indiv\u00edduos. Pelo menos de um certo ponto de vista mais tradicional, que alicer\u00e7a as rela\u00e7\u00f5es sociais e culturais directamente nas pessoas de carne e osso, olhos nos olhos, e menos em imagens projectadas que surgem \u201cdilu\u00eddas\u201d nas redes sociais, associadas a nomes que muitas vezes nem conseguimos perceber que sejam os aut\u00eanticos.<br \/>\nN\u00e3o restar\u00e3o muitas d\u00favidas de que este seja j\u00e1 um novo mundo, como se afirmou.<\/p>\n<p>\u00c9 um mundo em que tudo tende a ser mais r\u00e1pido, mais intenso, mas tamb\u00e9m mais superficial, mais descart\u00e1vel, mais de \u201cpl\u00e1stico\u201d, como por vezes surge caracterizado. Um mundo que nos reconduz a uma realidade demasiado absorvente, que verdadeiramente nos engole com in\u00fameras solicita\u00e7\u00f5es \u2013 basta vermos por exemplo o n\u00famero de convites que a todo o tempo nos chegam para vermos aquele filme, para lermos um determinado livro, para visitarmos uma exposi\u00e7\u00e3o de fotografia e, j\u00e1 agora, outra de pintura, e porque n\u00e3o uma de arquitectura, para irmos ao teatro, para fazermos aquelas f\u00e9rias de sonho, ah e aquela caminhada, enfim tantas coisas\u2026 \u2013 sabendo n\u00f3s claramente, de antem\u00e3o, que n\u00e3o h\u00e1 nenhuma agenda que permita satisfazer todas as solicita\u00e7\u00f5es. Mas ainda assim continuamos neste verdadeiro af\u00e3 de querermos ir a todas, quando na realidade acabamos por n\u00e3o ir verdadeiramente a nenhuma, no sentido de estarmos l\u00e1 de corpo e alma. Porque estamos ali, mas a cabe\u00e7a e o esp\u00edrito est\u00e3o noutro local. Est\u00e3o a rever o que marcou mais a nossa aten\u00e7\u00e3o do que fizemos anteriormente, ou ent\u00e3o a antecipar o que faremos de seguida.<\/p>\n<p>Em certo sentido, parece que o \u201caqui e agora, de corpo e alma\u201d tende a perder-se. E este efeito ser\u00e1 tanto mais estranho, como disse anteriormente, quando \u201ceste aqui e agora, de corpo e alma\u201d se tenha de fazer na presen\u00e7a real e efectiva de outra ou de outras pessoas. A din\u00e2mica deste mundo est\u00e1 com maior ou menor incid\u00eancia a contribuir para alterar as rela\u00e7\u00f5es sociais entre as pessoas.<\/p>\n<p>E foi precisamente este o efeito que me pareceu estar ali ao meu lado durante aquele jantar. Aquele casal, aquele rapaz e aquela rapariga pareciam estar menos um com o outro e mais com outras pessoas. Com pessoas que n\u00e3o estando ali, por n\u00e3o serem vis\u00edveis, acabavam por ser efectivamente as suas companhias. Estes jovens estando ali, n\u00e3o estavam ali. Faziam companhia um ao outro enquanto jantavam, \u00e9 certo, mas estavam na realidade na companhia dos seus interlocutores. Daqueles com quem t\u00e3o intensamente trocavam mensagens escritas.<\/p>\n<p>N\u00e3o me consigo esquecer da inscri\u00e7\u00e3o que uma vez li manuscrita num papel colado na parede de um simples caf\u00e9 de bairro, e que dizia muito simplesmente o seguinte:<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o temos wi-fi. Falem uns com os outros!\u201d<\/p>\n<section id=\"content\">\n<article><\/article>\n<\/section>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ant\u00f3nio Jo\u00e3o Maia, Jornal i online Este \u00e9 um mundo em que tudo tende a ser mais r\u00e1pido, mais intenso, mas tamb\u00e9m mais superficial, mais descart\u00e1vel, mais de \u201cpl\u00e1stico\u201d<\/p>\n","protected":false},"author":34,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_bbp_topic_count":0,"_bbp_reply_count":0,"_bbp_total_topic_count":0,"_bbp_total_reply_count":0,"_bbp_voice_count":0,"_bbp_anonymous_reply_count":0,"_bbp_topic_count_hidden":0,"_bbp_reply_count_hidden":0,"_bbp_forum_subforum_count":0,"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[72,129],"tags":[],"class_list":["post-34070","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-cronicas","category-jornal-i-online"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/34070","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/34"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=34070"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/34070\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":34071,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/34070\/revisions\/34071"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=34070"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=34070"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=34070"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}