{"id":32808,"date":"2017-09-21T22:33:44","date_gmt":"2017-09-21T22:33:44","guid":{"rendered":"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=32808"},"modified":"2017-09-21T22:34:08","modified_gmt":"2017-09-21T22:34:08","slug":"ainda-as-praxes-academicas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=32808","title":{"rendered":"Ainda as praxes acad\u00e9micas"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #d8070f;\"><strong>Jos\u00e9 Ant\u00f3nio Moreira, Jornal i online<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><a href=\"https:\/\/ionline.sapo.pt\/artigo\/581179\/ainda-as-praxes-academicas?seccao=Opiniao_i\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-19\" title=\"Liga\u00e7\u00e3o \u00e0 Publica\u00e7\u00e3o\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/go2.png\" alt=\"\" width=\"16\" height=\"16\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><a href=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/Ji086.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-2032\" title=\"Ficheiro PDF\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/pdf_button.png\" alt=\"\" width=\"14\" height=\"14\" \/><\/a><\/p>\n<div class=\"large-9 medium-12 small-12 columns\">\n<article>Por mais voltas que d\u00ea n\u00e3o consigo obter uma aritm\u00e9tica positiva, em que os aspectos positivos das praxes que presencio suplantem os negativos<\/article>\n<\/div>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Mais um ano lectivo que se inicia. Com ele vem o ainda n\u00e3o resolvido caso das praxes acad\u00e9micas.<\/p>\n<p>Tenho de come\u00e7ar por dizer que sou contra este tipo de actividades \u201cl\u00fadicas\u201d, alicer\u00e7adas na viol\u00eancia psicol\u00f3gica, por vezes f\u00edsica, de um conjunto de alunos \u2013 os \u201cdoutores\u201d \u2013 sobre um outro conjunto, mais vasto, o dos \u201ccaloiros\u201d que entram nas universidades.<\/p>\n<p>H\u00e1 dias, um pai dizia-me todo contente: \u201ca esta hora o meu filho est\u00e1 a ser praxado na Faculdade X\u201d. Pensei: ou este pai n\u00e3o sabe o que \u00e9 a praxe, ou sou eu que tenho uma vis\u00e3o distorcida da mesma, estando preso naquilo que de mais negativo ela tem, incapaz de ver os seus aspetos positivos. O facto \u00e9 que por mais voltas que d\u00ea n\u00e3o consigo obter uma aritm\u00e9tica positiva, em que os aspectos positivos das praxes que presencio suplantem os negativos.<\/p>\n<p>A sociedade, como um todo, as autoridades em particular, apesar de situa\u00e7\u00f5es dram\u00e1ticas ocorridas no passado \u2013 estou-me a lembrar dos seis jovens que morreram em dezembro de 2013, numa praxe \u00e0 beira-mar \u2013, continuam a assobiar para o lado relativamente a este problema. \u201cAh! S\u00e3o novos, precisam de se divertir depois da press\u00e3o por que passaram para entrar na universidade \u2026\u201d, \u00e9 discurso benevolente, permissivo, quando se aborda o assunto. Mas, pergunto, n\u00e3o haver\u00e1 formas alternativas de divers\u00e3o que n\u00e3o passem pela exist\u00eancia de humilha\u00e7\u00e3o e subjuga\u00e7\u00e3o do segundo grupo pelo primeiro?<\/p>\n<p>Um argumento muitas vezes atirado para a discuss\u00e3o sobre as praxes \u00e9 o facto de os \u201ccaloiros\u201d n\u00e3o serem obrigados a participar nas mesmas. Errado. Pode n\u00e3o ser vis\u00edvel, mas as ditas \u201ccomiss\u00f5es de praxe\u201d chegam a ter piquetes \u00e0 sa\u00edda das Faculdades, em dia de praxe, condicionando a sa\u00edda dos alunos mais novos, depois das aulas,e amea\u00e7ando-os com a impossibilidade de participarem, futuramente, em qualquer atividade acad\u00e9mica de promo\u00e7\u00e3o estudantil. Numa idade em que a preocupa\u00e7\u00e3o dos jovens \u00e9 serem aceites pelo grupo, quantos deles s\u00e3o suficientemente fortes para dizerem n\u00e3o e declinarem a participa\u00e7\u00e3o nesse tipo de atividades? Portanto, mesmo que os \u201ccaloiros\u201d n\u00e3o sejam fisicamente obrigados a participarem na praxe, s\u00e3o-no psicologicamente. N\u00e3o \u00e9 isto uma forma de viol\u00eancia? Porqu\u00ea, ent\u00e3o, tanta benevol\u00eancia da parte da sociedade relativamente a estas atividades, quando (felizmente) \u00e9 t\u00e3o ac\u00e9rrima oponente de todo o tipo de viol\u00eancia de um ser humano sobre outro?<\/p>\n<p>\u00c0s vezes ponho-me a pensar como \u00e9 que reagir\u00edamos, socialmente, se cada vez que algu\u00e9m mudasse de empresa, fosse \u201cpraxado\u201d, \u00e0 chegada, na nova organiza\u00e7\u00e3o e emprego, por um grupo de energ\u00famenos (\u00e9 o termo adequado), sob o pretexto de doutrinarem o(a) rec\u00e9m-chegado(a) nas regras, tradi\u00e7\u00f5es e cultura da organiza\u00e7\u00e3o. Cairia, certamente, o Carmo e a Trindade, e a sociedade, como um todo, mover-se-ia contra um tipo de viol\u00eancia inaceit\u00e1vel numa sociedade evolu\u00edda. A pergunta volta a surgir: porqu\u00ea, ent\u00e3o, a permissividade que usa para com o que se continua a passar nas institui\u00e7\u00f5es de ensino superior portuguesas?<\/p>\n<p>Responda quem puder. No futuro, ningu\u00e9m diga que n\u00e3o viu ou n\u00e3o sabia.<\/p>\n<section id=\"content\">\n<article><\/article>\n<\/section>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jos\u00e9 Ant\u00f3nio Moreira, Jornal i online Por mais voltas que d\u00ea n\u00e3o consigo obter uma aritm\u00e9tica positiva, em que os aspectos positivos das praxes que presencio suplantem os negativos<\/p>\n","protected":false},"author":34,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_bbp_topic_count":0,"_bbp_reply_count":0,"_bbp_total_topic_count":0,"_bbp_total_reply_count":0,"_bbp_voice_count":0,"_bbp_anonymous_reply_count":0,"_bbp_topic_count_hidden":0,"_bbp_reply_count_hidden":0,"_bbp_forum_subforum_count":0,"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[72,129],"tags":[],"class_list":["post-32808","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-cronicas","category-jornal-i-online"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/32808","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/34"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=32808"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/32808\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":32809,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/32808\/revisions\/32809"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=32808"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=32808"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=32808"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}