{"id":32377,"date":"2017-08-24T13:21:37","date_gmt":"2017-08-24T13:21:37","guid":{"rendered":"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=32377"},"modified":"2017-08-24T13:21:37","modified_gmt":"2017-08-24T13:21:37","slug":"corrupcao-terrorismo-e-racionalidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=32377","title":{"rendered":"Corrup\u00e7\u00e3o, Terrorismo e Racionalidade"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #d8070f;\"><strong>Ant\u00f3nio Jo\u00e3o Maia<\/strong><\/span>, Vis\u00e3o online,<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><a href=\"http:\/\/visao.sapo.pt\/opiniao\/silnciodafraude\/2017-08-24-Corrupcao-Terrorismo-e-Racionalidade\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-19 alignleft\" title=\"Liga\u00e7\u00e3o \u00e0 Publica\u00e7\u00e3o\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/go2.png\" alt=\"\" width=\"16\" height=\"16\" \/><\/a><a href=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/VisaoE449.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-2032\" title=\"Ficheiro PDF\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/pdf_button.png\" alt=\"\" width=\"14\" height=\"14\" \/><\/a><\/p>\n<div>\n<p>\u00c9 relativamente f\u00e1cil percebermos as motiva\u00e7\u00f5es racionais que levam alguns indiv\u00edduos a corromper o sistema (\u2026) Mas que dizer relativamente \u00e0 racionalidade que possa estar associada \u00e0s a\u00e7\u00f5es terroristas?<\/p>\n<p>...<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>A corrup\u00e7\u00e3o e o terrorismo s\u00e3o inquestionavelmente dois dos grandes problemas da atualidade!<\/p>\n<p>N\u00e3o tem havido, infelizmente, dia nenhum em que os media n\u00e3o deixem de nos trazer not\u00edcias de atos de uma ou de outra realidade, quando, n\u00e3o raro, de ambas.<\/p>\n<p>As not\u00edcias de corrup\u00e7\u00e3o, ou as suspeitas da sua ocorr\u00eancia, surgem associadas geralmente a pol\u00edticos e a homens de neg\u00f3cios e contribuem para a redu\u00e7\u00e3o da confian\u00e7a dos cidad\u00e3os sobre os l\u00edderes e as elites da sociedade e do Estado.<\/p>\n<p>As not\u00edcias dos atentados terroristas, de que s\u00e3o exemplo mais recente os tristes factos ocorridos em Barcelona, surgem associadas a elementos mais difusos e dif\u00edceis de caraterizar, apesar de muitos analistas tenderem a associar estes atos horrendos \u00e0s din\u00e2micas da globaliza\u00e7\u00e3o, particularmente aos choques de culturas e de religi\u00f5es.<\/p>\n<p>Esta reflex\u00e3o olha para ambos os problemas um pouco \u00e0 luz da racionalidade que possa estar associada \u00e0s motiva\u00e7\u00f5es daqueles que os p\u00f5em em pr\u00e1tica. Trata-se de um modesto exerc\u00edcio que pretende contribuir, um pouco que seja, para a explica\u00e7\u00e3o destes fen\u00f3menos humanos, pois \u00e9 disso mesmo que estamos a falar, de atos praticados deliberadamente por homens contra outros homens.<\/p>\n<p>Comecemos ent\u00e3o pela corrup\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Relativamente a estas pr\u00e1ticas julgo que \u00e9 relativamente f\u00e1cil percebermos as motiva\u00e7\u00f5es racionais que levam alguns indiv\u00edduos a corromper o sistema. A defraudar as expectativas sociais. A optarem por solu\u00e7\u00f5es \u00ednvias e caminhos alternativos para alcan\u00e7arem os seus intentos, na maior parte das vezes associados \u00e0 garantia da obten\u00e7\u00e3o e maximiza\u00e7\u00e3o de um lucro f\u00e1cil.<\/p>\n<p>Neste \u00e2mbito, ser\u00e1 f\u00e1cil perceber, por exemplo, que algu\u00e9m menos escrupuloso se disponibilize a corromper o j\u00fari de um concurso como forma de garantir previamente a constru\u00e7\u00e3o de uma infraestrutura p\u00fablica (por exemplo um tro\u00e7o de auto-estrada), e que os membros desse j\u00fari, tamb\u00e9m eles necessariamente menos escrupulosos, aceitem esse suborno em troca da garantia da adjudica\u00e7\u00e3o da obra em conformidade com essa expectativa.<\/p>\n<p>A racionalidade daquele que pratica o suborno reside na garantia pr\u00e9via da execu\u00e7\u00e3o dos trabalhos, por anula\u00e7\u00e3o da concorr\u00eancia e conseguindo provavelmente um valor de adjudica\u00e7\u00e3o bem superior ao real. E a dos que s\u00e3o subornados fica a dever-se ao somat\u00f3rio do valor do suborno recebido com o dos sal\u00e1rios legalmente auferidos em raz\u00e3o das fun\u00e7\u00f5es p\u00fablicas que exercem. Todos eles colocam os seus interesses imediatos \u2013 o aumento do lucro \u2013 acima de quaisquer outros, designadamente do interesse geral. Por isso n\u00e3o t\u00eam qualquer problema em subvertem os pressupostos legais pr\u00f3prios do procedimento concursal. Por isso corrompem o sistema existente e defraudam as expectativas sociais quanto ao cumprimento das normas e dos princ\u00edpios que lhes est\u00e3o associados.<\/p>\n<p>Mas que dizer relativamente \u00e0 racionalidade que possa estar associada \u00e0s a\u00e7\u00f5es terroristas?<\/p>\n<p>Confesso que esse elemento racional se afigure mais dif\u00edcil de ser encontrado.<\/p>\n<p>Desde logo, e numa primeira linha de an\u00e1lise, importa verificar que a quase totalidade dos autores dos atos terroristas perde a vida nesses mesmos atos (no caso das a\u00e7\u00f5es suicidas) ou na sequ\u00eancia deles (em resultado da rea\u00e7\u00e3o das pol\u00edcias e das for\u00e7as de seguran\u00e7a).<\/p>\n<p>Deste ponto de vista, estas a\u00e7\u00f5es n\u00e3o podem deixar de ser entendidas como um fim em si mesmo. O prop\u00f3sito de um terrorista de primeira linha, chamemos-lhe assim, passa pelo fim f\u00edsico do eu. A ser verdadeira esta possibilidade, ela \u00e9 claramente uma solu\u00e7\u00e3o que do nosso ponto de vista de ocidentais \u00e9 desprovida de qualquer sentido, por ser claramente irracional e il\u00f3gica. Julgo que para compreendermos estas op\u00e7\u00f5es t\u00e3o bem quanto poss\u00edvel teremos de estudar aprofundadamente os contextos de toda a cultura de onde s\u00e3o provenientes estes indiv\u00edduos.<\/p>\n<p>Por outro lado e ainda do ponto de vista da racionalidade, julgo que estes terroristas de primeira linha s\u00e3o tamb\u00e9m v\u00edtimas \u2013 talvez as primeiras \u2013 dos mentores do terrorismo.<\/p>\n<p>Quanto aos mentores, eles constituem a segunda linha do fen\u00f3meno e ser\u00e1 provavelmente onde possamos encontrar a raiz do problema. Esta linha \u00e9 composta por aqueles que arquitetam os planos terroristas e que, direta ou indiretamente, induzem terceiros a oferecerem a vida para os colocar em pr\u00e1tica. Ao que parece conseguem a ades\u00e3o de volunt\u00e1rios \u2013 quase sempre rapazes jovens \u2013 em troca do mart\u00edrio por uma causa superior.<\/p>\n<p>Talvez aqui consigamos vislumbrar sinais concretos de alguma racionalidade. Estes terroristas de segunda linha, podem de facto apresentar, aqui e ali, uma racionalidade um pouco mais percept\u00edvel ao n\u00edvel nas metodologias que adotam. Sobretudo na capacidade de recrutamento de volunt\u00e1rios e nas estrat\u00e9gias indutoras para o cometimento de atos suicidas, e tamb\u00e9m na escolha dos locais e dos momentos da pr\u00e1tica dos atentados.<\/p>\n<p>Mas quanto aos prop\u00f3sitos, que racionalidade lhe encontramos?<\/p>\n<p>Sinceramente, julgo que nos continua a escapar uma resposta satisfat\u00f3ria a esta quest\u00e3o. A capacidade do olhar ocidental \u00e9 muito limitada neste \u00e2mbito. Ela n\u00e3o nos tem permitido \u2013 n\u00e3o sei se algum dia o permitir\u00e1 \u2013 perceber que quadro racional esteja verdadeiramente por detr\u00e1s destas a\u00e7\u00f5es e destes projetos, se assim lhes podemos chamar. O terror pelo terror? A imposi\u00e7\u00e3o de uma certa ordem cultural e sobretudo religiosa de dimens\u00e3o planet\u00e1ria? O que querem? O que pretendem? Porque lan\u00e7am estas sementes de desespero, de \u00f3dio e de medo por todo o lado? Porqu\u00ea?<\/p>\n<p>Julgo que tamb\u00e9m relativamente a esta segunda linha do fen\u00f3meno e \u00e0s suas eventuais motiva\u00e7\u00f5es seja imperioso o estudo aprofundado de todo o contexto social e cultural que permite a produ\u00e7\u00e3o destes modos de ser e de estar na vida. Passar\u00e1 por a\u00ed o conhecimento da raiz do problema, de o tornarmos intelig\u00edvel e compreens\u00edvel aos nossos olhos.<\/p>\n<p>De outro modo e enquanto n\u00e3o conseguirmos passar este patamar, esta ser\u00e1 sempre uma luta desigual, sobretudo porque do outro lado estar\u00e1 algo estranho, il\u00f3gico, irracional, fantasmag\u00f3rico e sobretudo medonho, mas sempre pronto a atacar do modo mais surpreendente, vil e trai\u00e7oeiro que possamos imaginar.<\/p>\n<p>S\u00f3 a racionalidade conjugada com uma coopera\u00e7\u00e3o efetiva entre os Estados na partilha de informa\u00e7\u00f5es permitir\u00e1 um conhecimento mais detalhado sobre este fen\u00f3meno e as m\u00faltiplas facetas que o caraterizam.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ant\u00f3nio Jo\u00e3o Maia, Vis\u00e3o online, \u00c9 relativamente f\u00e1cil percebermos as motiva\u00e7\u00f5es racionais que levam alguns indiv\u00edduos a corromper o sistema (\u2026) Mas que dizer relativamente \u00e0 racionalidade que possa estar associada \u00e0s a\u00e7\u00f5es terroristas? &#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_bbp_topic_count":0,"_bbp_reply_count":0,"_bbp_total_topic_count":0,"_bbp_total_reply_count":0,"_bbp_voice_count":0,"_bbp_anonymous_reply_count":0,"_bbp_topic_count_hidden":0,"_bbp_reply_count_hidden":0,"_bbp_forum_subforum_count":0,"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[72,123],"tags":[],"class_list":["post-32377","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-cronicas","category-visao-online"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/32377","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=32377"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/32377\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":32381,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/32377\/revisions\/32381"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=32377"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=32377"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=32377"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}