{"id":3232,"date":"2013-06-14T00:00:00","date_gmt":"2013-06-14T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=3232"},"modified":"2015-12-04T19:07:39","modified_gmt":"2015-12-04T19:07:39","slug":"o-perigo-da-historia-unica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=3232","title":{"rendered":"O perigo da hist\u00f3ria \u00fanica"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #d8070f;\"><strong>Carlos Pimenta,\u00a0[types field=\"pub\" class=\"\" style=\"\"][\/types]<\/strong><\/span>,<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><a style=\"font-size: 0.75rem; line-height: 1.25rem;\" href=\"http:\/\/www.ionline.pt\/iOpiniao\/perigo-da-historia-unica\" target=\"_blank\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-19 alignleft\" title=\"Liga\u00e7\u00e3o \u00e0 Publica\u00e7\u00e3o\" alt=\"\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/go2.png\" width=\"16\" height=\"16\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><a title=\"O \u201cburaco\u201d de Chipre: andam a enganar-nos\" href=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2013\/06\/I_Fraude256.pdf\" target=\"_blank\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-2032 alignleft\" title=\"Ficheiro PDF\" alt=\"\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/pdf_button.png\" width=\"14\" height=\"14\" \/><\/a><\/p>\n<p>Nem s\u00f3 no sector p\u00fablico se manifesta a corrup\u00e7\u00e3o. Ela existe nas empresas privadas, no desporto, no com\u00e9rcio internacional, nas institui\u00e7\u00f5es de ensino, enfim, em qualquer parte da sociedade.<!--more--><!--more--><br \/>\nChimamanda Adichie, escritora nigeriana, autora do magn\u00edfico romance \"Meio Sol Amarelo\", sobre a dram\u00e1tica guerra do Biafra, numa confer\u00eancia sobre a sua experi\u00eancia profissional (http:\/\/www.youtube.com\/watch? v=EC-bh1YARsc), alerta para \"o perigo de uma hist\u00f3ria \u00fanica\", a atroz simplifica\u00e7\u00e3o da realidade atrav\u00e9s de frases feitas e generaliza\u00e7\u00f5es abusivas.<\/p>\n<p>As declara\u00e7\u00f5es sobre a fraude, esse comportamento ilegal e imoral que se processa veladamente e prejudica a sociedade, est\u00e3o repletas de \"hist\u00f3rias \u00fanicas\", para o que tamb\u00e9m contribui o sensacionalismo dos meios de informa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Reconhecendo-se que h\u00e1 pol\u00edticos corruptos conclui-se, por exemplo, que \"todos os pol\u00edticos s\u00e3o corruptos\". No entanto, esta afirma\u00e7\u00e3o n\u00e3o resiste a uma leitura atenta da realidade.<\/p>\n<p>Para o demonstrarmos fa\u00e7amos uma observa\u00e7\u00e3o da passada legislatura da Assembleia da Rep\u00fablica. Os deputados s\u00e3o obrigados a preencher um \"Registo de Interesse\", em que mencionem \"todas as actividades suscept\u00edveis de gerar incompatibilidades ou impedimentos ao exerc\u00edcio do respectivo mandato\". Elas relevam conflitos de interesse, possibilidade de confus\u00e3o entre as pr\u00e1ticas p\u00fablicas e privadas. Constatamos que s\u00e3o declaradas 412 entidades nessa situa\u00e7\u00e3o. 193 s\u00e3o declaradas por deputados do PSD, 155 do PS, 48 do CDS-PP, 10 do BE e 6 do PCP. Porque estes dados reflectem a situa\u00e7\u00e3o dos deputados e o peso das representa\u00e7\u00f5es partid\u00e1rias, o n\u00famero m\u00e9dio de entidades por deputado reflecte mais claramente a probabilidade de os deputados de cada um dos partidos incorrerem em viola\u00e7\u00f5es dos interesses p\u00fablicos em detrimento das vantagens pessoais. Quanto mais elevado for o r\u00e1cio maior \u00e9 a probabilidade. Os seus valores s\u00e3o 2,38 para o PSD; 2,29 para o CDS-PP; 1,60 para o PS; 0,63 para o BE e 0,46 para o PCP.<\/p>\n<p>Uma an\u00e1lise individual tamb\u00e9m releva diferen\u00e7as. Enquanto alguns deputados t\u00eam liga\u00e7\u00f5es a uma dezena de empresas capazes de influenciar a nossa economia, outros n\u00e3o est\u00e3o associados a nenhuma. Enquanto alguns chegam \u00e0 Assembleia da Rep\u00fablica sem quaisquer compromissos privados e assim se encontram no fim do mandato, outros v\u00e3o preenchendo a sua \"carteira privada\" (hoje \"consultores\", depois \"colaboradores\", amanh\u00e3 \"administradores\") durante o exerc\u00edcio da fun\u00e7\u00e3o p\u00fablica. Enquanto para uns esses conflitos de interesse nunca se concretizam em comportamentos n\u00e3o \u00e9ticos, outros est\u00e3o em comiss\u00f5es especializadas para arranjarem contratos para as empresas a que est\u00e3o ligados. Enquanto alguns cumprem escrupulosamente a obrigatoriedade de revelar os interesses privados, outros apenas revelam amn\u00e9sia.<\/p>\n<p>Com a grandiloqu\u00eancia das generaliza\u00e7\u00f5es esquece-se que o financiamento informal das campanhas eleitorais \u00e9 uma forma \"institucional\" e incolor de \"comprar\" as posi\u00e7\u00f5es pol\u00edticas dos eleitos. Esquece-se que a utiliza\u00e7\u00e3o da informa\u00e7\u00e3o privilegiada e as manipula\u00e7\u00f5es das contas em para\u00edsos fiscais e judiciais podem ser t\u00e3o gravosas quanto a corrup\u00e7\u00e3o. Esquece-se a velada aproxima\u00e7\u00e3o de institui\u00e7\u00f5es criminosas a alguns \"pol\u00edticos empreendedores\".<\/p>\n<p>Ignora-se que nem s\u00f3 no sector p\u00fablico se manifesta a corrup\u00e7\u00e3o. Ela existe nas empresas privadas, no desporto, no com\u00e9rcio internacional, nas institui\u00e7\u00f5es de ensino, enfim, em qualquer parte da sociedade.<\/p>\n<p>Uma \"leitura \u00fanica\", para acabarmos como come\u00e7\u00e1mos, distorce profundamente a interpreta\u00e7\u00e3o da realidade e, consequentemente, debilita a nossa capacidade de lutar contra esses cancros sociais.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Carlos Pimenta,\u00a0[types field=&#8221;pub&#8221; class=&#8221;&#8221; style=&#8221;&#8221;][\/types], Nem s\u00f3 no sector p\u00fablico se manifesta a corrup\u00e7\u00e3o. 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