{"id":3230,"date":"2013-06-07T00:00:00","date_gmt":"2013-06-07T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=3230"},"modified":"2015-12-04T19:07:39","modified_gmt":"2015-12-04T19:07:39","slug":"a-matematica-a-matematica-e-dificil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=3230","title":{"rendered":"A matem\u00e1tica? A matem\u00e1tica \u00e9 dif\u00edcil?"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #d8070f;\"><strong>Ant\u00f3nio Jo\u00e3o Maia\u00a0,\u00a0[types field=\"pub\" class=\"\" style=\"\"][\/types]<\/strong><\/span>,<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><a style=\"font-size: 0.75rem; line-height: 1.25rem;\" href=\"http:\/\/www.ionline.pt\/iOpiniao\/matematica-matematica-dificil\" target=\"_blank\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-19 alignleft\" title=\"Liga\u00e7\u00e3o \u00e0 Publica\u00e7\u00e3o\" alt=\"\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/go2.png\" width=\"16\" height=\"16\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><a title=\"O \u201cburaco\u201d de Chipre: andam a enganar-nos\" href=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2013\/06\/I_Fraude254.pdf\" target=\"_blank\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-2032 alignleft\" title=\"Ficheiro PDF\" alt=\"\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/pdf_button.png\" width=\"14\" height=\"14\" \/><\/a><\/p>\n<div>\n<div>\n<div>Costumo contra-argumentar com o Jo\u00e3o que a matem\u00e1tica at\u00e9 pode ser um pouco mais complexa que as outras mat\u00e9rias escolares, pois cada uma tem a sua natureza e l\u00f3gica.<!--more--><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div>\n<p>O homem \u00e9 por vezes v\u00edtima das ratoeiras que constr\u00f3i inadvertidamente com as suas pr\u00f3prias palavras?<\/p>\n<p>As palavras permitem a comunica\u00e7\u00e3o. \u00c9 atrav\u00e9s delas que expressamos ideias, ansiedades, projectos, a nossa forma de ver e sentir o mundo. As palavras tamb\u00e9m t\u00eam o poder de induzir ideias nos outros, de os levar a ver o mundo com um determinado sentido?<\/p>\n<p>Nesta reflex\u00e3o aborda-se o discurso, simples e in\u00f3cuo (haver\u00e1 discursos verdadeiramente in\u00f3cuos?), que expressa o que pensamos sobre a realidade, e sobretudo que efeitos podem ser induzidos por ele.<\/p>\n<p>Parto de algo t\u00e3o simples como a afirma\u00e7\u00e3o que muitas vezes ou\u00e7o da boca do meu filho acerca do estudo da matem\u00e1tica. Sinto que, como numa armadilha, o Jo\u00e3o e tantos outros colegas caiem inadvertidamente na ratoeira de um certo discurso reinante:<\/p>\n<p>- A matem\u00e1tica? A matem\u00e1tica \u00e9 dif\u00edcil?<\/p>\n<p>E a partir desta ideia, sem querer e sem se darem conta - porque n\u00e3o t\u00eam consci\u00eancia disso -, quase assumem que podem, leg\u00edtima e naturalmente, deixar de aspirar a melhores classifica\u00e7\u00f5es, precisamente porque todos - os colegas e alguns pais (?) - dizem que a matem\u00e1tica \u00e9 dif\u00edcil?<\/p>\n<p>Costumo contra-argumentar com o Jo\u00e3o que a matem\u00e1tica at\u00e9 pode ser um pouco mais complexa, que as outras mat\u00e9rias escolares, pois cada uma tem a sua natureza e a sua l\u00f3gica. Por\u00e9m, e apesar disso, n\u00e3o \u00e9 imposs\u00edvel compreend\u00ea-la! Simplesmente requer mais treino, mais tempo e disponibilidade para exercitar a mente, para a perceber e entender, para entrar na sua l\u00f3gica.<\/p>\n<p>N\u00e3o se sabe, nem se imagina o esfor\u00e7o acrescido que \u00e9 necess\u00e1rio fazer para inverter o efeito induzido por este tipo de discurso, para suscitar atitudes de maior envolvimento e curiosidade pela descoberta do conhecimento. O Jo\u00e3o, com a ajuda dos professores e dos pais, mas sobretudo com o seu esfor\u00e7o, vai conseguindo alcan\u00e7ar resultados satisfat\u00f3rios. Por\u00e9m, sente-se que com outro discurso envolvente, mais positivo, talvez n\u00e3o necessitasse de gastar tanta energia para alcan\u00e7ar os mesmos ou porventura melhores resultados.<\/p>\n<p>Este poder das palavras recorda-me um epis\u00f3dio da minha inf\u00e2ncia. Segu\u00edamos no velho Opel da fam\u00edlia quando, j\u00e1 ca\u00edda a noite, ao passarmos algures, numa estrada sem ilumina\u00e7\u00e3o e no meio de um pinhal, minha m\u00e3e, por n\u00e3o ver sinaliza\u00e7\u00e3o nenhuma e sem encontrar refer\u00eancias no mapa, evidenciou preocupa\u00e7\u00e3o e receio por podermos estar perdidos. Nesse momento, o meu pai, com a calma e convic\u00e7\u00e3o, disse:<\/p>\n<p>- Calma! N\u00e3o estamos nada perdidos! Podemos n\u00e3o saber exactamente onde estamos, mas n\u00e3o estamos perdidos!<\/p>\n<p>E de facto n\u00e3o est\u00e1vamos perdidos! Para l\u00e1 de, pouco depois, termos encontrado a direc\u00e7\u00e3o pretendida, aquelas palavras foram \u00e2ncoras. Evitaram uma reac\u00e7\u00e3o negativa, que, a ter-se instalado, talvez nos tivesse deixado mesmo perdidos. Talvez nos tivesse feito desistir de procurar as refer\u00eancias de localiza\u00e7\u00e3o que ali, naquele momento, nos escapavam?<\/p>\n<p>A palavra - refere Jos\u00e9 Saramago em \"A Jangada de Pedra\" -, quando dita, dura mais que o som e os sons que a formam, fica por a\u00ed, invis\u00edvel e inaud\u00edvel para poder guardar o seu pr\u00f3prio segredo, uma esp\u00e9cie de semente oculta debaixo da terra, que germina longe dos olhos, at\u00e9 que de repente afasta o torr\u00e3o e aparece \u00e0 luz, um talo enrolado, uma folha amarrotada que lentamente se desdobra?<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ant\u00f3nio Jo\u00e3o Maia\u00a0,\u00a0[types field=&#8221;pub&#8221; class=&#8221;&#8221; style=&#8221;&#8221;][\/types], Costumo contra-argumentar com o Jo\u00e3o que a matem\u00e1tica at\u00e9 pode ser um pouco mais complexa que as outras mat\u00e9rias escolares, pois cada uma tem a sua natureza e l\u00f3gica.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_bbp_topic_count":0,"_bbp_reply_count":0,"_bbp_total_topic_count":0,"_bbp_total_reply_count":0,"_bbp_voice_count":0,"_bbp_anonymous_reply_count":0,"_bbp_topic_count_hidden":0,"_bbp_reply_count_hidden":0,"_bbp_forum_subforum_count":0,"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[72,124],"tags":[],"class_list":["post-3230","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-cronicas","category-jornal-i"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/3230","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=3230"}],"version-history":[{"count":8,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/3230\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":23755,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/3230\/revisions\/23755"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=3230"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=3230"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=3230"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}