{"id":3226,"date":"2013-05-24T00:00:00","date_gmt":"2013-05-24T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=3226"},"modified":"2015-12-04T19:07:40","modified_gmt":"2015-12-04T19:07:40","slug":"a-proposito-de-mais-um-esquema-de-ponzi","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=3226","title":{"rendered":"A prop\u00f3sito de (mais) um esquema de Ponzi"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #d8070f;\"><strong>Jos\u00e9 Ant\u00f3nio Moreira,\u00a0Jornal i,<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><a style=\"font-size: 0.75rem; line-height: 1.25rem;\" href=\"http:\/\/www.ionline.pt\/iOpiniao\/proposito-mais-esquema-ponzi\" target=\"_blank\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-19 alignleft\" title=\"Liga\u00e7\u00e3o \u00e0 Publica\u00e7\u00e3o\" alt=\"\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/go2.png\" width=\"16\" height=\"16\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><a title=\"O \u201cburaco\u201d de Chipre: andam a enganar-nos\" href=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/I_Fraude250.pdf\" target=\"_blank\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-2032 alignleft\" title=\"Ficheiro PDF\" alt=\"\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/pdf_button.png\" width=\"14\" height=\"14\" \/><\/a><\/p>\n<div>\n<div>\n<div>O final \u00e9 conhecido: quem aderiu primeiro at\u00e9 ganhou dinheiro; quem chegou depois ?paga parte da factura?; os \u00faltimos perdem tudo.<!--more--><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<p>Li a not\u00edcia. Distraidamente. Passei ao lado dos detalhes. Mas deu para perceber. Um esquema piramidal - do tipo Ponzi -, com os ingredientes necess\u00e1rios para que mesmo a pessoa mais distra\u00edda possa intuir a fraude.<\/p>\n<p>Tudo se passa no recato da internet. O candidato entra na pir\u00e2mide \"investindo\" cerca de dois mil euros (pode comprar tantas entradas quantas desejar). A partir da\u00ed, \u00e9 \"s\u00f3\" facturar. Semanalmente, \u00e9 remunerado por inserir um an\u00fancio gratuito num determinado s\u00edtio da net. Pequena remunera\u00e7\u00e3o, face ao montante do investimento; remunera\u00e7\u00e3o extravagante face \u00e0 simplicidade da tarefa efectuada. Factura\u00e7\u00e3o mais choruda ocorre quando o \"investidor\" alicia novos \"investidores\" a entrar. Uma parte muito substancial do montante por estes pago reverte directamente para o angariador. O processo emperra quando o n\u00famero de novas entradas se reduz. N\u00e3o h\u00e1 fundos para remunerar os \"investidores\". O final \u00e9 conhecido: quem aderiu primeiro at\u00e9 ganhou dinheiro; quem chegou depois \"paga parte da factura\"; os \u00faltimos perdem tudo.<\/p>\n<p>Lembro-me de ter pensado \"como \u00e9 poss\u00edvel que um esquema repetido milhares de vezes, apenas diferente nos matizes da hist\u00f3ria proposta, ainda fa\u00e7a cair pessoas no 'conto do vig\u00e1rio'?\".<\/p>\n<p>A gan\u00e2ncia. A primeira proposta de resposta que me veio \u00e0 mente. A gan\u00e2ncia que obtura a vis\u00e3o, que tolda o discernimento, que apenas permite ver a possibilidade de se ser rico, rapidamente, sem esfor\u00e7o. A gan\u00e2ncia, que ningu\u00e9m assume possuir. Mas, em maior ou menor grau, tende a estar presente na natureza humana. \"N\u00e3o fosse a gan\u00e2ncia do padeiro e haveria dias em que, pela manh\u00e3, n\u00e3o haveria p\u00e3o fresco\", nas palavras de um pr\u00e9mio Nobel da Economia.<\/p>\n<p>A resposta n\u00e3o me satisfez. \"A perspectiva de ser defraudado n\u00e3o se sobreporia \u00e0 gan\u00e2ncia?\", questionei-me. Talvez. Talvez haja algo mais que gan\u00e2ncia. Talvez seja a impossibilidade de aprender com os erros passados. E de aprender com os erros cometidos pelos outros. \"Da pr\u00f3xima vez vai ser diferente\" ou \"Eu sou diferente e a mim isso n\u00e3o acontecer\u00e1\". Talvez esta impossibilidade seja uma das explica\u00e7\u00f5es. Lembrei-me da intensa actividade pol\u00edtica das \u00faltimas semanas, meses, anos. \"Se votarem em mim, n\u00e3o h\u00e1 aumento de impostos!\" E a primeira coisa que fez o eleito foi aumentar os impostos. E da pr\u00f3xima vez, quando o mote \"n\u00e3o subirei os impostos\" for outra vez glosado, volta-se a acreditar, vota--se para que os problemas se resolvam sem dor, sem sacrif\u00edcio. \"Vamos resolver o problema do d\u00e9fice cortando nas gorduras.\" Continua-se a acreditar. Para que n\u00e3o haja dor nem se corte a \"febra\", vota-se nisso. Vai a carne toda, v\u00e3o os ossos, a gordura continua instalada. \"A solu\u00e7\u00e3o est\u00e1 no crescimento!\" Acredita-se na po\u00e7\u00e3o milagrosa, acriticamente. Vai resolver o problema, todos os problemas. Vota-se nisso. Sem saber como se vai crescer. Como se o crescimento se definisse por decreto.<\/p>\n<p>Se se acredita nos pol\u00edticos, se de cada vez se pensa que desta ser\u00e1 diferente, como n\u00e3o acreditar que se pode ficar rico, de repente, sem esfor\u00e7o, apenas por via de um \"investimento\" que um \"amigo\" aconselha?<\/p>\n<p>Cresci em ambiente rural. Era corrente dizer-se que \"quando a esmola \u00e9 grande, o pobre desconfia\". Agora, aparentemente, ningu\u00e9m desconfia do tamanho da esmola. Talvez porque n\u00e3o somos pobres. Talvez porque o que queremos \u00e9 garantia de que \u00e9 sem dor, sem esfor\u00e7o. A\u00ed estamos. Prontos a alinhar. Por via do voto que concedemos. Por via das poupan\u00e7as que \"investimos\".<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jos\u00e9 Ant\u00f3nio Moreira,\u00a0Jornal i, O final \u00e9 conhecido: quem aderiu primeiro at\u00e9 ganhou dinheiro; quem chegou depois ?paga parte da factura?; os \u00faltimos perdem tudo.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_bbp_topic_count":0,"_bbp_reply_count":0,"_bbp_total_topic_count":0,"_bbp_total_reply_count":0,"_bbp_voice_count":0,"_bbp_anonymous_reply_count":0,"_bbp_topic_count_hidden":0,"_bbp_reply_count_hidden":0,"_bbp_forum_subforum_count":0,"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[72,124],"tags":[],"class_list":["post-3226","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-cronicas","category-jornal-i"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/3226","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=3226"}],"version-history":[{"count":6,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/3226\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":7597,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/3226\/revisions\/7597"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=3226"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=3226"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=3226"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}