{"id":3224,"date":"2013-05-17T00:00:00","date_gmt":"2013-05-17T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=3224"},"modified":"2015-12-04T19:07:40","modified_gmt":"2015-12-04T19:07:40","slug":"no-fio-da-navalha","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=3224","title":{"rendered":"No fio da navalha"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #d8070f;\"><strong>Carlos Pimenta,\u00a0[types field=\"pub\" class=\"\" style=\"\"][\/types]<\/strong><\/span>,<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><a style=\"font-size: 0.75rem; line-height: 1.25rem;\" href=\"http:\/\/www.ionline.pt\/iOpiniao\/no-fio-da-navalha-1\" target=\"_blank\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-19 alignleft\" title=\"Liga\u00e7\u00e3o \u00e0 Publica\u00e7\u00e3o\" alt=\"\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/go2.png\" width=\"16\" height=\"16\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><a title=\"O \u201cburaco\u201d de Chipre: andam a enganar-nos\" href=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/I_Fraude248.pdf\" target=\"_blank\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-2032 alignleft\" title=\"Ficheiro PDF\" alt=\"\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/pdf_button.png\" width=\"14\" height=\"14\" \/><\/a><\/p>\n<div>\n<div>\n<div>A fiscalidade analisa-se pelo que existe, e pelo que n\u00e3o existe. O que n\u00e3o existe alicer\u00e7a-se nos \u201cperigos da crise sist\u00e9mica\u201d ou na \u201cinconveni\u00eancia de afastar os investidores\u201d.<!--more--><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<p>1. Em \u00e9poca de crise seria de esperar uma pol\u00edtica expansionista sem fraude e corrup\u00e7\u00e3o. Li\u00e7\u00e3o secular esquecida pela Europa do capital-dinheiro, onde cada um de n\u00f3s somos \u201canimais falantes\u201d.<br \/>\nO desequil\u00edbrio das contas p\u00fablicas \u00e9 o pretexto para a ruptura com o bom senso, o que nos remete para os impostos e as contribui\u00e7\u00f5es para a seguran\u00e7a social, parcela significativa e permanente das receitas correntes do Estado (88%).<br \/>\nOs impostos indirectos (op\u00e7\u00e3o dos pa\u00edses subdesenvolvidos) predominam em rela\u00e7\u00e3o aos directos (preferidos nos pa\u00edses de maior justi\u00e7a social)<br \/>\n2. A fiscalidade analisa-se pelo que existe, e pelo que n\u00e3o existe.<br \/>\nO que n\u00e3o existe alicer\u00e7a-se nos\u00a0 \u201cperigos da crise sist\u00e9mica\u201d (da sociedade ou da banca?) ou na \u201cinconveni\u00eancia de afastar os investidores\u201d (produtivos ou especulativos?). Mitos que s\u00e3o esquecidos quando prop\u00f5em, descaradamente, a captura e taxa\u00e7\u00e3o dos dep\u00f3sitos banc\u00e1rios.<\/p>\n<p><span style=\"font-size: 0.75rem; line-height: 1.25rem;\">N\u00e3o existe, quando h\u00e1 fuga de declara\u00e7\u00e3o ou pagamento ao er\u00e1rio. N\u00e3o esque\u00e7amos que a economia portuguesa que passa \u00e0 margem do registo na contabilidade nacional por raz\u00f5es fiscais representa, pelo menos, 25% do produto nacional. Se estas actividades pagassem imposto ter\u00edamos um saldo positivo no Or\u00e7amento Geral do Estado, mesmo sem os brutais aumentos de impostos.<\/span><br \/>\nAl\u00e9m disso tamb\u00e9m nas actividades registadas s\u00e3o muitas as formas de fugir aos impostos: empresas em vez de pagarem iva recebem-no; facturas falsas; manipula\u00e7\u00e3o dos pre\u00e7os de transfer\u00eancia entre empresas do grupo; a cria\u00e7\u00e3o de empresas fantasma e, obviamente, os para\u00edsos fiscais e judici\u00e1rios, vulgo offshores.<br \/>\n3. \u00c9 certo que, no \u00faltimo ano, foram tomadas diversas medidas contra a \u201ceconomia paralela\u201d, como a obrigatoriedade de factura em v\u00e1rios sectores de actividade. Trata-se de uma medida moralizadora, embora esque\u00e7a v\u00e1rios espa\u00e7os importantes de fraude. Medidas que seriam de saudar se muitas das empresas visadas j\u00e1 n\u00e3o estivessem com graves dificuldades econ\u00f3micas, se o sistema estimulasse economicamente os participantes, se funcionasse eficientemente, se os recursos de fiscaliza\u00e7\u00e3o canalizados para tais opera\u00e7\u00f5es n\u00e3o deixassem a descoberto outros terrenos de fuga, se as burocracias n\u00e3o reduzissem a produtividade e aumentassem os custos das empresas. Se as exig\u00eancias de informa\u00e7\u00e3o da Administra\u00e7\u00e3o Tribut\u00e1ria, sem as adequadas precau\u00e7\u00f5es de seguran\u00e7a, n\u00e3o pudessem p\u00f4r indirectamente em causa as regras da concorr\u00eancia e do leg\u00edtimo sigilo empresarial.<\/p>\n<p>Medidas isoladas, desarticuladas, de curto prazo, incapazes de alcan\u00e7ar o cerne do problema.<br \/>\n4. O grande objectivo seria conseguir inverter a tend\u00eancia de aumento da economia subterr\u00e2nea, o que exige, al\u00e9m de medidas de longo, m\u00e9dio e curto prazo, o aumento da confian\u00e7a dos cidad\u00e3os e empresas no Estado, e reciprocamente.<\/p>\n<p>Confian\u00e7a que \u00e9 destru\u00edda pelo aumento radical dos impostos, pelas pr\u00e1ticas ditatoriais, pela redu\u00e7\u00e3o calamitosa das fun\u00e7\u00f5es sociais do Estado e canaliza\u00e7\u00e3o do dinheiro para as opera\u00e7\u00f5es de d\u00edvida p\u00fablica, pela luta de classe revelada no caso BPN &amp; C\u00aa, pelo aumento do desemprego, pela inefic\u00e1cia, insensatez e incompet\u00eancia. At\u00e9 em pequenos sinais, como a permiss\u00e3o dos pr\u00e9mios obscenos aos administradores, a credibilidade desmorona-se.<br \/>\nA confian\u00e7a sangra no fio da navalha da repress\u00e3o fiscal. Ser\u00e1 torturada na apropria\u00e7\u00e3o dos dep\u00f3sitos banc\u00e1rios e outras formas de assalto.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Carlos Pimenta,\u00a0[types field=&#8221;pub&#8221; class=&#8221;&#8221; style=&#8221;&#8221;][\/types], A fiscalidade analisa-se pelo que existe, e pelo que n\u00e3o existe. 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