{"id":32207,"date":"2017-08-04T00:39:49","date_gmt":"2017-08-04T00:39:49","guid":{"rendered":"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=32207"},"modified":"2017-08-04T00:39:49","modified_gmt":"2017-08-04T00:39:49","slug":"os-incendios-em-portugal-alguns-contornos-estranhos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=32207","title":{"rendered":"Os inc\u00eandios em Portugal &#8211; alguns contornos estranhos"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #d8070f;\"><strong>Ant\u00f3nio Jo\u00e3o Maia, Jornal i online<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><a href=\"https:\/\/ionline.sapo.pt\/artigo\/574793\/os-inc-ndios-em-portugal-alguns-contornos-estranhos?seccao=Opiniao_i\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-19\" title=\"Liga\u00e7\u00e3o \u00e0 Publica\u00e7\u00e3o\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/go2.png\" alt=\"\" width=\"16\" height=\"16\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><a href=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/Ji079.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-2032\" title=\"Ficheiro PDF\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/pdf_button.png\" alt=\"\" width=\"14\" height=\"14\" \/><\/a><\/p>\n<div class=\"large-9 medium-12 small-12 columns\">\n<article>\n<h5 class=\"nobg\">Se h\u00e1 uma \u00e9poca de fogos, isso significa que invariavelmente tenha de haver fogos. Com a abertura da \u00e9poca dos fogos ficamos todos psicologicamente preparados para essa situa\u00e7\u00e3o, como se de uma inevitabilidade se tratasse<\/h5>\n<\/article>\n<\/div>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Todos os anos, por altura do ver\u00e3o, \u00e9 sempre a mesma coisa \u2013 vivemos a afli\u00e7\u00e3o dos inc\u00eandios. Quer porque acompanhemos os notici\u00e1rios nas televis\u00f5es e nas r\u00e1dios, quer porque, experi\u00eancia mais dolorosa, vejamos o fogo nas nossas terras, nas imedia\u00e7\u00f5es das nossas casas e dos nossos terrenos, n\u00e3o h\u00e1 infelizmente nos \u00faltimos anos nenhum ver\u00e3o em que a realidade n\u00e3o tenha sido esta.<\/p>\n<p>Neste cen\u00e1rio, confesso muito sinceramente que j\u00e1 me questionei, por diversas vezes, se em Portugal ainda existem \u00e1reas verdes, ou alguma outra coisa que reste para arder, a n\u00e3o ser o rasto de destrui\u00e7\u00e3o e cinza que resulta desta verdadeira trag\u00e9dia. E a deste ano superou j\u00e1 todos os limites que se conheciam, tendo em considera\u00e7\u00e3o o n\u00famero de v\u00edtimas mortais do inc\u00eandio de Pedr\u00f3g\u00e3o do m\u00eas passado.<\/p>\n<p>Devo dizer, antes de avan\u00e7ar, que sou um absoluto leigo nestas quest\u00f5es. Que n\u00e3o percebo nada de m\u00e9todos nem das estrat\u00e9gias de combate, nem de gest\u00e3o das florestas, nem de preven\u00e7\u00e3o de fogos. Nada de nada!<\/p>\n<p>Por isso, assumo-o, estou a por o p\u00e9 em ramo verde e a correr riscos de opinar erradamente ou com menor rigor e precis\u00e3o, e, desta forma, a poder induzir em erro o leitor. Mas assumo o risco e vou em frente, na medida em que h\u00e1 um conjunto de quest\u00f5es sobre as quais tenho refletido e que gostaria de partilhar aqui.<\/p>\n<p>Em primeiro lugar, confesso que sempre me pareceu estranho que sendo os meios a\u00e9reos t\u00e3o importantes no combate aos inc\u00eandios \u2013 \u00e9 pelo menos isso que se ouve e l\u00ea nos notici\u00e1rios \u2013, Portugal n\u00e3o disponha dos seus pr\u00f3prios equipamentos. T\u00eam sido sempre os de Fran\u00e7a, de It\u00e1lia, de Marrocos, entre outros, que acabam por nos apoiar. Neste ponto importar\u00e1 questionar, quanto \u00e9 que estas op\u00e7\u00f5es nos custam a todos? Quem \u00e9 que lucra com este estado de coisas?, admitindo, claro, que possam existir op\u00e7\u00f5es mais eficazes e menos onerosas. Recordo apenas que h\u00e1 poucos anos surgiram na imprensa not\u00edcias que davam conta da possibilidade de envolver os meios da for\u00e7a a\u00e9rea Portuguesa neste combate, mas que as sucessivas op\u00e7\u00f5es pol\u00edticas se foram afastando sempre delas.<\/p>\n<p>Depois, noutra vertente, questiono-me se o problema dos inc\u00eandios florestais n\u00e3o deveria preferencialmente ser equacionado, publicamente discutido e objeto de trabalho preventivo, no inverno. Na denominada \u00e9poca das chuvas. \u00c9 que \u00e9 precisamente nessa \u00e9poca que se renovam e fortalecem os matos, que v\u00e3o ser, meses depois, a massa combust\u00edvel que alimenta o inferno dos fogos. Talvez neste ponto seja importante equacionar a necessidade de se estudarem e adotarem medidas concretas de corte e limpeza dos matos, tanto por particulares, como pelo Estado, ou mesmo s\u00f3 pelo Estado, uma vez que \u00e9 bem sabido que na grande maioria das situa\u00e7\u00f5es, o valor monet\u00e1rio dos terrenos \u00e9 inferior aos custos da sua desmata\u00e7\u00e3o em anos sucessivos, e que muitas das fam\u00edlias n\u00e3o disp\u00f5em de recursos econ\u00f3micos capazes de cumprir esta tarefa. N\u00e3o conhe\u00e7o nenhum estudo, mas admito como prov\u00e1vel que o custo suportado pelo Estado com a limpeza dos matos seria menor do que o do combate aos fogos no ver\u00e3o. Al\u00e9m do mais, a grande maioria \u2013 se n\u00e3o mesmo a totalidade \u2013 dos munic\u00edpios disp\u00f5e de maquinaria e outros equipamentos e de funcion\u00e1rios que poderiam ser utilizados numa estrat\u00e9gia preventiva planeada com este prop\u00f3sito.<\/p>\n<p>H\u00e1 ainda uma vertente do contexto medi\u00e1tico e do verdadeiro circo que anualmente se monta em torno dos inc\u00eandios, que n\u00e3o posso deixar de partilhar. Refiro-me a no\u00e7\u00f5es como a \u00e9poca dos fogos ou o calend\u00e1rio dos fogos, que geralmente compreende os meses do ver\u00e3o, e que nos deixa a todos \u2013 os dez milh\u00f5es de portugueses \u2013 \u00e0 espera dos eventos, ou seja \u00e0 espera dos ditos fogos. Efetivamente, se h\u00e1 uma \u00e9poca de fogos, isso significa que invariavelmente tenha de haver fogos. Com a abertura da \u00e9poca dos fogos ficamos todos psicologicamente preparados para essa situa\u00e7\u00e3o, como se de uma inevitabilidade se tratasse. Imagine-se o que seria uma \u00e9poca balnear em que ningu\u00e9m fosse \u00e0 praia, ou uma \u00e9poca desportiva sem qualquer jogo? N\u00e3o \u00e9 expect\u00e1vel, nem poss\u00edvel.<\/p>\n<p>Por isso esta coisas da\u00a0<em>\u00e9poca dos inc\u00eandios<\/em>, do\u00a0<em>mapa dos inc\u00eandios<\/em>, dos briefings e dos pontos de situa\u00e7\u00e3o das autoridades, dos comandantes dos bombeiros e da prote\u00e7\u00e3o civil, a que se assiste nas TVs, s\u00e3o, para l\u00e1 de tudo o mais, modelos de conformidade \u2013 e de aceita\u00e7\u00e3o social \u2013 com uma determinada realidade. A de que os fogos s\u00e3o uma inevitabilidade que temos de suportar no ver\u00e3o.<\/p>\n<p>Por outro lado ainda, a cria\u00e7\u00e3o deste circo e a sua mediatiza\u00e7\u00e3o acaba por ser explorada em termos de rentabilidade econ\u00f3mica. Faz aumentar as audi\u00eancias das Tvs e, com elas, os neg\u00f3cios em redor da publicidade. Enfim, parece haver uma estranha coincid\u00eancia em Portugal. Parece que quando acaba a \u00e9poca futebolista come\u00e7a a dos inc\u00eandios\u2026<\/p>\n<p>A finalizar, julgo ainda que as imagens, sempre impressionantes, dos fogos nas TVs e nas fotos coloridas dos jornais, possam ser, aqui e ali, fatores indutores de novos fogos, ateados por pir\u00f3manos. De facto s\u00e3o conhecidos \u2013 as ci\u00eancias da antropologia e da psicologia estudam estas quest\u00f5es \u2013 os efeitos irracionais e subconscientes do apelo da magia do fogo sobre a mente humana. E, em situa\u00e7\u00f5es de alguma desestrutura\u00e7\u00e3o mental, surgem ou podem surgir as op\u00e7\u00f5es pir\u00f3manas. As not\u00edcias tamb\u00e9m nos d\u00e3o conta dessas situa\u00e7\u00f5es todos os anos.<\/p>\n<p>De resto, temos, como sempre tivemos, os inc\u00eandios de causa natural e fortuita e os deliberadamente ateados, com inten\u00e7\u00e3o de causar algum preju\u00edzo a algu\u00e9m. Todos eles, \u00e9 bom de ver, v\u00e3o continuar a ocorrer. Por isso, acredito que se existir uma adequada estrat\u00e9gia preventiva sobretudo na \u00e9poca das chuvas \u2013 para mantermos o registo \u2013, os efeitos causados pelo fogo ser\u00e3o muito provavelmente menos nefastos do que aqueles que infelizmente temos vindo a testemunhar e a sofrer.<\/p>\n<p>O futuro e as gera\u00e7\u00f5es vindouras merecem inquestionavelmente todos os cuidados que sejamos capazes de fazer hoje na preserva\u00e7\u00e3o do ambiente e das condi\u00e7\u00f5es da qualidade de vida. O futuro e as gera\u00e7\u00f5es vindouras v\u00e3o agradecer!<\/p>\n<section id=\"content\">\n<article><\/article>\n<\/section>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ant\u00f3nio Jo\u00e3o Maia, Jornal i online Se h\u00e1 uma \u00e9poca de fogos, isso significa que invariavelmente tenha de haver fogos. Com a abertura da \u00e9poca dos fogos ficamos todos psicologicamente preparados para essa situa\u00e7\u00e3o, como se de uma inevitabilidade se tratasse<\/p>\n","protected":false},"author":34,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_bbp_topic_count":0,"_bbp_reply_count":0,"_bbp_total_topic_count":0,"_bbp_total_reply_count":0,"_bbp_voice_count":0,"_bbp_anonymous_reply_count":0,"_bbp_topic_count_hidden":0,"_bbp_reply_count_hidden":0,"_bbp_forum_subforum_count":0,"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[72,129],"tags":[],"class_list":["post-32207","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-cronicas","category-jornal-i-online"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/32207","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/34"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=32207"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/32207\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":32208,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/32207\/revisions\/32208"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=32207"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=32207"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=32207"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}