{"id":31884,"date":"2017-07-02T22:49:33","date_gmt":"2017-07-02T22:49:33","guid":{"rendered":"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=31884"},"modified":"2017-07-02T22:54:35","modified_gmt":"2017-07-02T22:54:35","slug":"o-lado-oculto-dos-festivais-de-verao-em-portugal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=31884","title":{"rendered":"O lado oculto dos festivais de ver\u00e3o em Portugal"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left\"><span style=\"color: #d8070f\"><strong>\u00d3scar Afonso, P\u00fablico<br \/>\n<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left\"><a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2017\/07\/01\/sociedade\/noticia\/o-lado-oculto-dos-festivais-de-verao-em-portugal-1777491\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-19 alignleft\" title=\"Liga\u00e7\u00e3o \u00e0 Publica\u00e7\u00e3o\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/go2.png\" alt=\"\" width=\"16\" height=\"16\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: left\"><a href=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/Cronica-Publico-27.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-2032\" title=\"Ficheiro PDF\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/pdf_button.png\" alt=\"\" width=\"14\" height=\"14\" \/><\/a><\/p>\n<div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Como d\u00e1 conta a disserta\u00e7\u00e3o de mestrado do Roberto Arnone, todos os anos, ao longo da primavera\/ver\u00e3o, Portugal \u00e9 um palco festivaleiro, com mais de 150 iniciativas \u2013 m\u00fasica, concertos, <em>raves<\/em> e representa\u00e7\u00f5es diversas \u2013, com impacto no turismo e na economia local. Os maiores envolvem verbas directas \u2013 bilheteiras, patroc\u00ednios privados e apoios institucionais \u2013 que ultrapassam os 100 milh\u00f5es de euros.<br \/>\n<!--more--><\/p>\n<\/div>\n<p>Milhares de portugueses e turistas, com pouca conviv\u00eancia social de uns com os outros, n\u00e3o se importam de passar v\u00e1rios dias em campos enlameados por chuva ou empoeirados pelo efeito de um calor intenso, a ouvir a m\u00fasica preferida no meio de pessoas \u00e9brias, sob o efeito de estupefacientes, com sistemas sanit\u00e1rios com m\u00e1s condi\u00e7\u00f5es de salubridade e sem higiene, e com proximidade a um <em>cocktail<\/em> de crimes \u2013 confrontos f\u00edsicos, assaltos, furtos, roubos, tentativas de viola\u00e7\u00e3o, ass\u00e9dio sexual, prostitui\u00e7\u00e3o, fugas ao fisco, branqueamento de capitais, infra\u00e7\u00f5es a normas econ\u00f3mico-alimentares por falta de higiene e outros delitos. A m\u00fasica, as conversas e o bom ambiente escondem, pois, um lado ap\u00f3crifo, arcano e viciante de modo que, no seu lado rec\u00f4ndito, a delinqu\u00eancia est\u00e1 presente.<\/p>\n<p>Existe uma simbiose de g\u00e9neros e estilos de m\u00fasica que se adaptam e adoptam em cada festival, que diferem nos distintos eventos que caracterizam determinados movimentos \u2013 <em>house<\/em>, <em>mods<\/em>, <em>new age travellers<\/em>, <em>punk<\/em>, <em>rastaf\u00e1ris<\/em>, <em>rock<\/em>&amp;<em>roll<\/em>, <em>seapunks<\/em>, <em>skinheads<\/em> e <em>techno<\/em> \u2013 e que remetem para distintos crimes. Podemos considerar que o \u00e1lcool e as drogas formam uma simbiose de consumo e tendem a ser frequentes em todos, alcan\u00e7ando, em alguns casos, propor\u00e7\u00f5es inquietantes. Aparentemente a venda chega a publicitar-se em manuscritos em papel sujo e amarrotado tipo \u201cpromo\u00e7\u00e3o LSD 25 gramas, 200 euros\u201d, sem preocupa\u00e7\u00e3o com a seguran\u00e7a. Os criminosos, presentes nos recintos ou nos parques de campismo dos eventos, parecem n\u00e3o encontrar dificuldades, introduzindo \u201cprodutos il\u00edcitos\u201d nos espa\u00e7os f\u00edsicos algum tempo antes da sua ocorr\u00eancia. Com uma fiscaliza\u00e7\u00e3o aparentemente t\u00e3o m\u00e1, encontram, pois, muita liberdade para actos proibidos.<\/p>\n<p>As v\u00edtimas, geralmente sob o efeito de \u00e1lcool e drogas, s\u00e3o muito vulner\u00e1veis, sendo f\u00e1cil de, por exemplo, furtar, roubar e at\u00e9 violar. Entre furtos e roubos destacam-se valores monet\u00e1rios, objectos de valor, carteiras com documentos, telem\u00f3veis, bebidas, bilhetes e chaves de autom\u00f3veis. Os festivaleiros s\u00e3o tamb\u00e9m v\u00edtimas de <em>new travellers<\/em>, que, sem habita\u00e7\u00e3o fixa e em constante viagem, s\u00e3o dif\u00edceis de identificar. Vivem ilegais e vendem produtos baratos em barracas improvisadas, sem factura\/recibo e, assim, livres de impostos.<\/p>\n<p>Nos bares dos recintos, geralmente pertencem aos promotores, as vendas tendem tamb\u00e9m a ser n\u00e3o registadas, j\u00e1 que acaba por se instalar\/patrocinar a desordem nas trocas. Acresce que nos bares para <em>Very Important Person<\/em> (VIP) o consumo oferecido permite a camuflagem de uma quantia significativa de aquisi\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>O n\u00famero de espectadores \u00e9 tamb\u00e9m uma quest\u00e3o delicada. Na rela\u00e7\u00e3o com patrocinadores e institui\u00e7\u00f5es locais, o trunfo de argumenta\u00e7\u00e3o de promotores para negociar valores depende da respectiva grandeza, que chega a ser multiplicado por quatro, embora geralmente se contem pernas em vez das cabe\u00e7as! Na rela\u00e7\u00e3o com a autoridade tribut\u00e1ria, interessa, aos promotores, apresentar o menor n\u00famero poss\u00edvel, de modo a justificar menores receitas, pelo que o n\u00famero tende a ser dividido. Para \u201cenganar\u201d a autoridade tribut\u00e1ria a estampagem dos bilhetes \u00e9 muitas vezes impressa em s\u00e9ries sequenciais, que podem ser duplicadas (ou triplicadas), pelo que o n\u00famero \u00e9 dividido por dois (ou tr\u00eas). Como o p\u00fablico tende a n\u00e3o solicitar factura e a pagar em numer\u00e1rio, a fuga ao fisco fica assegurada.<\/p>\n<p>O recrutamento de pessoal para as diferentes tarefas, incluindo de seguran\u00e7a, comporta at\u00e9 elementos das for\u00e7as e servi\u00e7os de seguran\u00e7a p\u00fablica. Recorrendo \u00e0s designa\u00e7\u00f5es \u201cvolunt\u00e1rio\u201d ou \u201capoio ao cliente\u201d e sendo pago em dinheiro, o trabalho tende a ser n\u00e3o declarado. Deste modo obt\u00e9m-se (a m\u00e1) seguran\u00e7a privada barata e ilegal. Falando em recrutamento, n\u00e3o podemos ignorar que a assinatura dos contratos da maioria das bandas estrangeiras ocorre fora do pa\u00eds.<\/p>\n<p>As estat\u00edsticas oficiais revelam que, ao longo da \u00faltima d\u00e9cada, a quantidade e diversidade de festivais tem aumentado. Mas existem ainda os festivais isolados, clandestinos, com um tipo de m\u00fasica muito pr\u00f3pria. Um recinto improvisado, no meio de um monte, negociado com os propriet\u00e1rios dos terrenos por um valor pago em notas e moedas, e sempre sem factura. Com uma tenda instalada \u00e0 socapa, sem licen\u00e7a de ru\u00eddo, nem licen\u00e7a camar\u00e1ria, nem t\u00e3o pouco a declara\u00e7\u00e3o do evento na Inspec\u00e7\u00e3o Geral das Actividades Culturais (IGAC). Mas, existem bares e barracas onde abundam produtos alimentares e \u00e1lcool vendidos sem condi\u00e7\u00f5es de higiene e sem factura, e h\u00e1 droga. N\u00e3o existem sanit\u00e1rios e o meio ambiente n\u00e3o \u00e9 respeitado. O lixo permanece no local, o gerador de produ\u00e7\u00e3o de energia e as aparelhagens usadas s\u00e3o alugadas, dispensadas ou furtadas. Os DJ\u00b4s n\u00e3o s\u00e3o portadores de licen\u00e7a de autoriza\u00e7\u00e3o da IGAC e a m\u00fasica \u00e9 previamente extra\u00edda da net sem a anu\u00eancia de Sociedade Portuguesa de Autores.<\/p>\n<p>No contexto descrito, n\u00e3o admira que a comunica\u00e7\u00e3o social d\u00ea conta do aumento da criminalidade no per\u00edodo festivaleiro, apesar de, aparentemente e para n\u00e3o \u201csujar\u201d o nome dos eventos, haja muitas ocorr\u00eancias omitidas. Em suma, a criminalidade nos festivais tem aumentado, pelo que, para evitar (mais) uma desgra\u00e7a nacional, h\u00e1 que desenvolver um trabalho conjunto, respons\u00e1vel e s\u00e9rio, entre as autoridades e os agentes privados envolvidos, de modo a erradicar ou diminuir significativamente o (risco de) crime.<\/p>\n<p>\u00d3scar Afonso \u2013 Presidente do OBEGEF \u2013 Observat\u00f3rio de Economia e Gest\u00e3o de Fraude<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00d3scar Afonso, P\u00fablico &nbsp; Como d\u00e1 conta a disserta\u00e7\u00e3o de mestrado do Roberto Arnone, todos os anos, ao longo da primavera\/ver\u00e3o, Portugal \u00e9 um palco festivaleiro, com mais de 150 iniciativas \u2013 m\u00fasica, concertos, raves e representa\u00e7\u00f5es diversas \u2013, com impacto no turismo e na economia local. 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