{"id":29951,"date":"2017-03-03T00:04:17","date_gmt":"2017-03-03T00:04:17","guid":{"rendered":"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=29951"},"modified":"2017-03-03T00:04:17","modified_gmt":"2017-03-03T00:04:17","slug":"fraude-e-corrupcao-uma-questao-de-consciencia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=29951","title":{"rendered":"Fraude e corrup\u00e7\u00e3o &#8211; uma quest\u00e3o de consci\u00eancia"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #d8070f;\"><strong>Ant\u00f3nio Jo\u00e3o Maia, Jornal i online<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><a href=\"https:\/\/ionline.sapo.pt\/artigo\/551475\/fraude-e-corrupcao-uma-questao-de-consci-ncia?seccao=Opiniao_i\" target=\"_blank\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-19\" title=\"Liga\u00e7\u00e3o \u00e0 Publica\u00e7\u00e3o\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/go2.png\" alt=\"\" width=\"16\" height=\"16\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><a href=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/Ji057.pdf\" target=\"_blank\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-2032\" title=\"Ficheiro PDF\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/pdf_button.png\" alt=\"\" width=\"14\" height=\"14\" \/><\/a><\/p>\n<p>Muitas explica\u00e7\u00f5es existem para ilustrar estas op\u00e7\u00f5es. Quase todas nos conduzem ao mesmo lugar. Ao indiv\u00edduo, \u00e0 sua consci\u00eancia e \u00e0s rela\u00e7\u00f5es com terceiros.<br \/>\n<!--more--><\/p>\n<p>Como j\u00e1 referimos em reflex\u00f5es anteriores, a fraude e a corrup\u00e7\u00e3o \u2013 entendida esta como a fraude na gest\u00e3o e na governa\u00e7\u00e3o p\u00fablica \u2013 decorrem de situa\u00e7\u00f5es concretas de conflitos de interesses. De decis\u00f5es reveladoras de algum ego\u00edsmo por parte daqueles que as tomam, porque est\u00e3o a olhar unicamente para a satisfa\u00e7\u00e3o de interesses pr\u00f3prios, em detrimento ou secundarizando os interesses colectivos que na realidade deveriam assegurar. No caso da fraude, em detrimento dos interesses da organiza\u00e7\u00e3o privada que servem. No caso da corrup\u00e7\u00e3o, em detrimento do interesse geral, que como se sabe \u00e9 um dos pressupostos centrais da gest\u00e3o e da governa\u00e7\u00e3o p\u00fablica.<\/p>\n<p>De uma forma ou de outra, e para l\u00e1 de toda a censura social e moral que lhes est\u00e1 associada, estamos a perceber que estas pr\u00e1ticas s\u00e3o profundamente individualistas. \u00c9 o indiv\u00edduo \u2013 aquele que exerce fun\u00e7\u00f5es na estrutura org\u00e2nica de uma empresa ou de um servi\u00e7o p\u00fablico \u2013 que est\u00e1 mais preocupado com o seu universo particular e menos com o contexto social onde se insere e de que faz parte.<\/p>\n<p>E v\u00e1rias explica\u00e7\u00f5es s\u00e3o conhecidas para perceber estas op\u00e7\u00f5es. Delas podemos destacar algumas:<\/p>\n<p>-\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Sentimentos de impessoalidade dos sujeitos nas suas rela\u00e7\u00f5es sociais com o grupo de que fazem parte, dada a sua dimens\u00e3o alargada, que podem ser a base de explica\u00e7\u00f5es e autojustifica\u00e7\u00f5es do tipo \u201cn\u00e3o estou a prejudicar ningu\u00e9m em concreto\u201d ou \u201cse outros o fazem, tamb\u00e9m posso fazer\u201d;<\/p>\n<p>-\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Percep\u00e7\u00e3o da incapacidade das organiza\u00e7\u00f5es e das estruturas de controlo em sinalizar ou detectar pr\u00e1ticas desta natureza, traduzidas em argumentos como \u201cningu\u00e9m vai saber, por isso posso decidir deste modo\u201d ou \u201cou\u00e7o hist\u00f3rias de outros que o fazem e andam por a\u00ed como se nada tivesse acontecido\u201d;<\/p>\n<p>-\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Percep\u00e7\u00e3o de impunidade face a este tipo de delitos, na medida em que ningu\u00e9m parece aperceber-se ou sinalizar estas pr\u00e1ticas, ou simplesmente por incapacidade do sistema punitivo em perseguir os seus autores, que pode explicar op\u00e7\u00f5es baseadas em argumentos do tipo \u201cningu\u00e9m \u00e9 punido por actos desta natureza\u201d, \u201coutros com fun\u00e7\u00f5es de maior responsabilidade do que a minha fazem coisas semelhante e nada lhes sucede\u201d, ou \u201coutros fazem coisas bem piores e nada lhes acontece\u201d;<\/p>\n<p>-\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Mecanismos de projec\u00e7\u00e3o da culpa, sobre a organiza\u00e7\u00e3o ou sobre terceiros, que contribuem para sentimentos de autolegitima\u00e7\u00e3o pelas op\u00e7\u00f5es tomadas, identificados em explica\u00e7\u00f5es do tipo \u201co meu chefe esteve mal ao n\u00e3o me escolher para a promo\u00e7\u00e3o, por isso agora posso decidir neste sentido, a meu favor\u201d, ou \u201ceu n\u00e3o queria decidir deste modo, ele \u00e9 que me obrigou a isso\u201d.<\/p>\n<p>Muitas outras explica\u00e7\u00f5es existem para ilustrar estas op\u00e7\u00f5es. Quase todas nos conduzem ao mesmo lugar. Ao indiv\u00edduo, \u00e0 sua consci\u00eancia e \u00e0s rela\u00e7\u00f5es com terceiros. Ou, como nos ensina Ortega y Gasset, ao indiv\u00edduo e \u00e0 sua circunst\u00e2ncia.<\/p>\n<p>\u00c9 o indiv\u00edduo que em consci\u00eancia toma a decis\u00e3o de avan\u00e7ar ou n\u00e3o para a pr\u00e1tica da fraude e da corrup\u00e7\u00e3o. \u00c9 no plano individual, no quadro de valores \u00e9ticos de cada um e no contexto de cada situa\u00e7\u00e3o concreta que as decis\u00f5es s\u00e3o tomadas.<\/p>\n<p>Mas como este tipo de decis\u00f5es afectam terceiros, afigura-se-nos necess\u00e1rio introduzir aqui o exerc\u00edcio, sempre de grande import\u00e2ncia, de sermos capazes de nos colocarmos no lugar do outro. E \u00e9 a precisamente partir deste ponto que, a finalizar, se suscitam quest\u00f5es como: Ser\u00e1 que a maioria dos actos de fraude e de corrup\u00e7\u00e3o teriam efectivamente ocorrido se aqueles que optaram por essas vias tivessem previamente tido a capacidade de se colocar no lugar dos outros, daqueles que v\u00e3o ser as suas v\u00edtimas? E se, estando nessa posi\u00e7\u00e3o, sentir-se-iam confort\u00e1veis por se saberem v\u00edtimas de fraude e corrup\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p>\u00c9 que a g\u00e9nese do problema baseia-se tamb\u00e9m, e muito, numa quest\u00e3o de consci\u00eancia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ant\u00f3nio Jo\u00e3o Maia, Jornal i online Muitas explica\u00e7\u00f5es existem para ilustrar estas op\u00e7\u00f5es. Quase todas nos conduzem ao mesmo lugar. 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