{"id":29648,"date":"2017-02-09T22:56:53","date_gmt":"2017-02-09T22:56:53","guid":{"rendered":"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=29648"},"modified":"2017-02-26T17:44:24","modified_gmt":"2017-02-26T17:44:24","slug":"corrupcao-que-impacto-em-processos-de-internacionalizacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=29648","title":{"rendered":"Corrup\u00e7\u00e3o &#8211; que impacto em processos de internacionaliza\u00e7\u00e3o?"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #d8070f;\"><strong>Tiago Marcos, Jornal i<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><a href=\"https:\/\/ionline.sapo.pt\/547824?source=social\" target=\"_blank\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-19\" title=\"Liga\u00e7\u00e3o \u00e0 Publica\u00e7\u00e3o\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/go2.png\" alt=\"\" width=\"16\" height=\"16\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><a href=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/Ji054.pdf\" target=\"_blank\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-2032\" title=\"Ficheiro PDF\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/pdf_button.png\" alt=\"\" width=\"14\" height=\"14\" \/><\/a><\/p>\n<p>Grande parte do investimento das nossas empresas ocorre em pa\u00edses em que o \u00edndice de perce\u00e7\u00e3o da corrup\u00e7\u00e3o \u00e9 elevado (e) muitas t\u00eam descurado a gest\u00e3o dos riscos de corrup\u00e7\u00e3o.<br \/>\n<!--more--><\/p>\n<p>O que \u00e9 a corrup\u00e7\u00e3o? Cada vez mais, todos n\u00f3s ouvimos este termo de forma recorrente, mas ser\u00e1 que percebemos o seu significado? Ser\u00e1 que a internacionaliza\u00e7\u00e3o pode aumentar o risco de corrup\u00e7\u00e3o a que uma empresa nacional est\u00e1 exposta? Ser\u00e1 que percebemos as reais consequ\u00eancias, para uma empresa, de estar envolvida em situa\u00e7\u00f5es de corrup\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p>Corrup\u00e7\u00e3o \u00e9 um termo que simplificadamente pode ser definido como o aproveitamento, de forma desonesta, de uma posi\u00e7\u00e3o pr\u00e9-existente para o benef\u00edcio de algo ou algu\u00e9m, frequentemente em preju\u00edzo de outrem. Exemplos desta realidade incluem situa\u00e7\u00f5es de suborno (especialmente de detentores de cargos p\u00fablicos), peculato, ou mesmo de tr\u00e1fego de influ\u00eancias.<\/p>\n<p>Infelizmente, a corrup\u00e7\u00e3o \u00e9 uma realidade que certamente ocorre, ou j\u00e1 ocorreu, em todos os pa\u00edses do mundo. No entanto, importa referir a exist\u00eancia de diferentes n\u00edveis de incid\u00eancia por pa\u00eds. Este tipo de qualifica\u00e7\u00e3o est\u00e1 espelhada nos resultados do recente estudo relativo ao \u00edndice de perce\u00e7\u00e3o de corrup\u00e7\u00e3o por pa\u00eds, em 2016, da Transparency International.<\/p>\n<p>Este estudo permite confirmar que a corrup\u00e7\u00e3o \u00e9 percebida em todos os pa\u00edses do mundo, sendo genericamente mais elevada nos pa\u00edses em desenvolvimento. Sobre os resultados dos 174 pa\u00edses estudados, em que as \u00faltimas posi\u00e7\u00f5es do estudo s\u00e3o aquelas em que a corrup\u00e7\u00e3o \u00e9 mais percebida (i.e., teoricamente tem mais incid\u00eancia), pode-se destacar a posi\u00e7\u00e3o da Guin\u00e9-Bissau (168\u00ba), de Angola (164\u00ba), de Mo\u00e7ambique (142\u00ba), ou mesmo do Brasil (79\u00ba).<\/p>\n<p>Estes resultados foram destacados porque, de facto, se referem a alguns dos pa\u00edses em que mais empresas portuguesas investem (alguns dos PALOPs), tendo uma posi\u00e7\u00e3o menos favor\u00e1vel neste \u00edndice. Assim, o estudo demonstra claramente os elevados n\u00edveis de corrup\u00e7\u00e3o percebida, muito acima da m\u00e9dia do estudo, a que muitas empresas portuguesas est\u00e3o expostas, quando investem fora de Portugal, que se encontra na 29\u00aa posi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>E na pr\u00e1tica, como se revela a corrup\u00e7\u00e3o no dia-a-dia de uma empresa? V\u00e1rias situa\u00e7\u00f5es s\u00e3o frequentes e incluem a realiza\u00e7\u00e3o de pagamentos \u201cn\u00e3o oficiais\u201dde modo a garantir a concess\u00e3o de licen\u00e7as, a obten\u00e7\u00e3o de bens retidos em alf\u00e2ndegas, a garantia de ser poss\u00edvel a distribui\u00e7\u00e3o de bens, ou simplesmente a cria\u00e7\u00e3o de empresas locais com capitais estrangeiros.<\/p>\n<p>Mas, sabendo que est\u00e3o expostas a esta realidade, porque s\u00e3o estes dados relevantes para as nossas empresas?<\/p>\n<p>Considerando que grande parte do investimento das nossas empresas fora de Portugal ocorre em pa\u00edses em que o \u00edndice de perce\u00e7\u00e3o da corrup\u00e7\u00e3o \u00e9 elevado, e n\u00e3o obstante das ineg\u00e1veis oportunidades existentes, muitas empresas t\u00eam descurado a gest\u00e3o dos riscos de corrup\u00e7\u00e3o, i.e., muitas empresas n\u00e3o definiram um plano para a gest\u00e3o destes riscos.<\/p>\n<p>E que tipo de consequ\u00eancias poder\u00e1 ter a materializa\u00e7\u00e3o destes riscos, especialmente para uma empresa que venha a ser publicamente exposta como tendo estado envolvida neste tipo de situa\u00e7\u00f5es? Estas consequ\u00eancias podem incluir:<\/p>\n<p>Perdas de credibilidade e reputa\u00e7\u00e3o e inerente perda de respetiva atratividade, em especial para clientes e investidores;<\/p>\n<p>Prolifera\u00e7\u00e3o de situa\u00e7\u00f5es de apropria\u00e7\u00e3o indevida de fundos que s\u00e3o conexas \u00e0s situa\u00e7\u00f5es de corrup\u00e7\u00e3o e que podem reduzir significativamente os lucros;<\/p>\n<p>Consequ\u00eancias legais severas, especialmente quando as empresas est\u00e3o presentes em pa\u00edses com legisla\u00e7\u00e3o antifraude, e que tem vindo a ser crescentemente implementada em pa\u00edses como os EUA, Reino Unido, Espanha, ou mesmo no Brasil. Este tipo de legisla\u00e7\u00e3o prev\u00ea a aplica\u00e7\u00e3o de multas pesadas para as empresas e prevaricadores, penas de pris\u00e3o efetiva para gestores e prevaricadores, ou mesmo a perda de licen\u00e7as para operar.<\/p>\n<p>Logo, e atendendo a que a corrup\u00e7\u00e3o e os respetivos riscos podem trazer consequ\u00eancias que podem ultrapassar largamente o benef\u00edcio dos atos de corrup\u00e7\u00e3o em si mesmos, importa pensar o que podem as nossas empresas fazer para mitigar estes riscos, i.e. mitigar a probabilidade de ocorr\u00eancia, bem como o respetivo impacto.<\/p>\n<p>Neste sentido, julgo pertinente convidar os leitores a analisarem os resultados do projeto <a href=\"http:\/\/gestaotransparente.org\/\">gestaotransparente.org<\/a>, apoiado por in\u00fameras empresas e institui\u00e7\u00f5es de refer\u00eancia em Portugal, e que visa criar um guia pr\u00e1tico para a gest\u00e3o de riscos de corrup\u00e7\u00e3o. Este guia inclui um simulador que permite a cada empresa conhecer o seu grau te\u00f3rico de risco, de acordo com a sua atividade, bem como um guia para o plano de atividades a implementar para o mitigar, n\u00e3o descurando a necessidade de ser realizada uma an\u00e1lise personalizada.<\/p>\n<p>Deste modo, e independentemente da fase em que esteja o seu processo de internacionaliza\u00e7\u00e3o, as empresas podem utilizar esta ferramenta de modo a come\u00e7ar a planear uma abordagem para mitigar os riscos de corrup\u00e7\u00e3o a que est\u00e3o expostas.<\/p>\n<p>Concluindo, importa refor\u00e7ar a ideia de que a gest\u00e3o dos riscos de corrup\u00e7\u00e3o n\u00e3o tem s\u00f3 potenciais vantagens aos n\u00edveis financeiro e \/ ou legal, mas tamb\u00e9m ao n\u00edvel reputacional, tornando as empresas mais atrativas para parceiros, clientes e investidores e mais preparadas para lidar com situa\u00e7\u00f5es que venham a ocorrer.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tiago Marcos, Jornal i Grande parte do investimento das nossas empresas ocorre em pa\u00edses em que o \u00edndice de perce\u00e7\u00e3o da corrup\u00e7\u00e3o \u00e9 elevado (e) muitas t\u00eam descurado a gest\u00e3o dos riscos de corrup\u00e7\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"author":34,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_bbp_topic_count":0,"_bbp_reply_count":0,"_bbp_total_topic_count":0,"_bbp_total_reply_count":0,"_bbp_voice_count":0,"_bbp_anonymous_reply_count":0,"_bbp_topic_count_hidden":0,"_bbp_reply_count_hidden":0,"_bbp_forum_subforum_count":0,"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[72,124],"tags":[],"class_list":["post-29648","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-cronicas","category-jornal-i"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/29648","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/34"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=29648"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/29648\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":29660,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/29648\/revisions\/29660"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=29648"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=29648"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=29648"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}