{"id":28926,"date":"2016-12-22T23:03:54","date_gmt":"2016-12-22T23:03:54","guid":{"rendered":"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=28926"},"modified":"2016-12-22T23:03:54","modified_gmt":"2016-12-22T23:03:54","slug":"o-processo-caixa-estao-a-brincar-connosco","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=28926","title":{"rendered":"O processo Caixa: est\u00e3o a brincar connosco"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #d8070f;\"><strong>Jos\u00e9 Ant\u00f3nio Moreira, Jornal i online<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><a href=\"http:\/\/ionline.sapo.pt\/artigo\/539587\/o-processo-caixa-estao-a-brincar-connosco?seccao=Opiniao_i\" target=\"_blank\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-19 alignleft\" title=\"Liga\u00e7\u00e3o \u00e0 Publica\u00e7\u00e3o\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/go2.png\" alt=\"\" width=\"16\" height=\"16\" \/><\/a><em><a href=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/Ji047.pdf\" target=\"_blank\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-2032\" title=\"Ficheiro PDF\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/pdf_button.png\" alt=\"\" width=\"14\" height=\"14\" \/><\/a><\/em><\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 respons\u00e1veis. Nunca h\u00e1. Nem os sucessivos governos, que puseram e dispuseram da institui\u00e7\u00e3o; nem os muitos administradores que por l\u00e1 passaram; nem a Assembleia da Rep\u00fablica, que nunca \u00e9 capaz de apurar responsabilidades; nem os auditores, que encontram sempre a f\u00f3rmula liter\u00e1ria que permite descartar responsabilidades<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Recentemente, os portugueses levaram mais uma dose de anestesia para defrontarem calmamente o caso Caixa Geral de Dep\u00f3sitos (CGD). A informa\u00e7\u00e3o vinda a p\u00fablico, aparentemente resultante de uma fuga, referia que as contas da institui\u00e7\u00e3o deste ano v\u00e3o apresentar um preju\u00edzo superior a 3 mil milh\u00f5es de euros. N\u00e3o deu brado. Ali\u00e1s, passou quase despercebida, apesar de, para uma popula\u00e7\u00e3o de cerca de 10 milh\u00f5es de habitantes, tal montante significar que cada um ter\u00e1 mais 300 euros a pagar, sem saber o qu\u00ea, nem porqu\u00ea.<\/p>\n<p>A ocorr\u00eancia desse preju\u00edzo neste momento do tempo merece-me duas breves considera\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Primeira, \u00e9 a aplica\u00e7\u00e3o do c\u00e2none que qualquer gestor que se preze n\u00e3o desconhece. Quando se entra limpa-se a casa, varre-se debaixo do tapete, p\u00f5e-se \u00e0 luz do dia todo o lixo a\u00ed escondido. Uma a\u00e7\u00e3o que na literatura anglo-sax\u00f3nica da especialidade se denomina como \u201cbigbath\u201d. Cria-se espa\u00e7o para responsabilizar a administra\u00e7\u00e3o cessante e, simultaneamente, deixa-se o caminho aplanado para que, pelo menos nos primeiros tempos, a nova gest\u00e3o possa apresentar resultados brilhantes. Mais, n\u00e3o \u00e9 fora do comum se nessa limpeza se varrer mais do que apenas o lixo, favorecendo ainda mais o aparecimento futuro de bons resultados, quando se voltar a colocar no s\u00edtio as \u201cmoedas\u201d que foram varridas juntamente com esse lixo. O que verdadeiramente destoa neste caso de manipula\u00e7\u00e3o dos resultados \u00e9 que, em geral, n\u00e3o se admite que este tipo de coisas aconte\u00e7a em empresas estatais.<\/p>\n<p>Segunda considera\u00e7\u00e3o respeita \u00e0 auditoria. Tendo presente que as contas da CGD eram auditadas anualmente, seria de esperar encontrar no parecer dos auditores reservas quanto \u00e0 qualidade das mesmas, tendo em conta o lixo existente nos ativos reportados no balan\u00e7o da institui\u00e7\u00e3o. N\u00e3o se encontra. Veja-seo relat\u00f3rio de 2015, por exemplo. Uma pequena \u00eanfase (um \u201cpecado venial\u201d), referindo apenas que \u00e0 data das contas a CGD observava os r\u00e1cios de liquidez exigidos, mas que \u201cface \u00e0s crescentes exig\u00eancias regulamentares de capital\u201d \u2013 algo que seria da responsabilidade de terceiros \u2013 ela poderia vir no futuro a necessitar de capital adicional. Como cidad\u00e3o, pergunto: senhores auditores, que an\u00e1lise \u00e9 essa que fazem \u00e0s contas que lhes permite dizer que est\u00e1 tudo bem num ano, e no seguinte ir repetir a mesma opini\u00e3o face a perdas de milhares de milh\u00f5es? Est\u00e3o a brincar com os utilizadores da informa\u00e7\u00e3o, no m\u00ednimo.<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 respons\u00e1veis. Nunca h\u00e1. Nem os sucessivos governos, que puseram e dispuseram da institui\u00e7\u00e3o; nem os muitos administradores que por l\u00e1 passaram; nem a Assembleia da Rep\u00fablica, que com as sucessivas chicanas pol\u00edticas nunca \u00e9 capaz de apurar responsabilidades; nem os auditores, que encontram sempre a f\u00f3rmula liter\u00e1ria adequada que permite descartar responsabilidades e nada dizer do que se passa.<\/p>\n<p>Sobram os contribuintes, que n\u00e3o sendo tidos nem achados \u2013 muitos sem sequer s\u00e3o clientes da CGD \u2013 recebem a fatura para pagar na hora que algu\u00e9m julga mais apropriada. Algu\u00e9m que nem sequer se digna fazer constar dessa fatura o que eles est\u00e3o efetivamente a pagar.<\/p>\n<p>A raiva e impot\u00eancia sobrev\u00eam quando se pensa no caso.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jos\u00e9 Ant\u00f3nio Moreira, Jornal i online N\u00e3o h\u00e1 respons\u00e1veis. Nunca h\u00e1. 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