{"id":28575,"date":"2016-12-02T20:11:31","date_gmt":"2016-12-02T20:11:31","guid":{"rendered":"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=28575"},"modified":"2016-12-02T20:12:09","modified_gmt":"2016-12-02T20:12:09","slug":"trumpolismos-e-abre-olhos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=28575","title":{"rendered":"Trumpolismos e Abre-Olhos"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #d8070f;\"><strong>Pedro Moura, Jornal i online<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><a href=\"http:\/\/ionline.sapo.pt\/artigo\/536695\/trumpolismos-e-abre-olhos?seccao=Opiniao_i\" target=\"_blank\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-19 alignleft\" title=\"Liga\u00e7\u00e3o \u00e0 Publica\u00e7\u00e3o\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/go2.png\" alt=\"\" width=\"16\" height=\"16\" \/><\/a><em><a href=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/Ji044.pdf\" target=\"_blank\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-2032\" title=\"Ficheiro PDF\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/pdf_button.png\" alt=\"\" width=\"14\" height=\"14\" \/><\/a><\/em><\/p>\n<p>Tal como muitos, eu estava certo que Hillary Clinton iria ganhar as recentes elei\u00e7\u00f5es presidenciais nos EUA. Parecia imposs\u00edvel que um \u2018asco\u2019 de ser humano como Donald Trump tivesse alguma hip\u00f3tese.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Semana ap\u00f3s semana ia consultando os sites de sondagens e a minha \u2018opini\u00e3o\u2019 ia-se confirmando. Todos os sinais que recebia dos media, das redes sociais e das pessoas que conhe\u00e7o demonizavam Donald Trump, real\u00e7ando as suas tristes est\u00f3rias e zombando de cada tirada grotesca e epis\u00f3dio do g\u00e9nero \u2018grabthembythepussy\u2019 que regularmente iam sendo revelados.<\/p>\n<p>Eu pr\u00f3prio me encarreguei de fazer parte do grande movimento de luta contra Donald Trump, amplificando todas as est\u00f3rias que iam surgindo sobre ele (todas, naturalmente, negativas). Verdade seja dita nunca \u2018partilhei\u2019 ou \u2018gostei\u2019 nenhum post ou not\u00edcia que falassem sobre as qualidade de Hillary ou sequer sobre as suas propostas. Hillary n\u00e3o era muito carism\u00e1tica, mas entre Belzebu e a Sonsinha, que ganhe a Sonsinha (as Sonsinhas t\u00eam sempre um ar respons\u00e1vel). Havia um monstro a abater, e todos os esfor\u00e7os eram poucos. Al\u00e9m de que as \u2018cenas\u2019 de Trump sempre providenciavam alguma divers\u00e3o e gozo coletivo (o meu coletivo). E as sondagens davam uma margem confort\u00e1vel ao cen\u00e1rio desejado.<\/p>\n<p>Na madrugada das elei\u00e7\u00f5es, acordei a meio da noite para alimentar o bezerro que tenho l\u00e1 por casa, e abri o telem\u00f3vel para constatar a derrota de Trump (n\u00e3o necessariamente a vit\u00f3ria de Hillary, note-se). E apercebo-me que Trump j\u00e1 tinha 276 lugares do col\u00e9gio eleitoral (precisava de 270 para ganhar). Espanto! Belzebu havia ganho. Como era poss\u00edvel? Entro em choque (ligeiro), tal a diferen\u00e7a entre a expectativa e a desgra\u00e7ada realidade que se me apresentava \u00e0quela hora matinal. Trump havia ganho.<\/p>\n<p>Como era poss\u00edvel? Tudo, todos estavam contra ele! Como podia eu (e todos os meus \u2018outros\u2019), estar t\u00e3o enganado? O Brexit tinha acontecido, \u00e9 verdade. Mas o Brexit foi uma brincadeira descuidada, algo que aconteceu por inc\u00faria de um grupo de pol\u00edticos que n\u00e3o se esfor\u00e7ou realmente por n\u00e3o acreditar que alguma vez os cidad\u00e3os brit\u00e2nicos iriam votar como votaram. As elei\u00e7\u00f5es nos EUA foram um processo \u2018a s\u00e9rio\u2019, com oposi\u00e7\u00e3o e luta reais.<\/p>\n<p>E, pelos vistos nem todos estavam contra Trump. Havia pelos vistos um enorme grupo de cidad\u00e3os votantes dos EUA que estavam mais contra Hillary que contra Trump, e que nesse dia sairam de suas casas e, no segredo da cabine de voto, colocaram legitimamente a sua cruz em Trump. E aconteceu o que \u2018todos\u2019 tomavam n\u00e3o s\u00f3 como improv\u00e1vel, mas como imposs\u00edvel. O \u2018populismo\u2019 havia ganho. O mundo ia acabar (em breve), era altura de emigrar para outro planeta. Ou, histericamente, fazer uma revolu\u00e7\u00e3o (abolindo a democracia) para negar a Trump a cadeira mais poderosa do mundo.<\/p>\n<p>Recuperado do choque, confrontado com a minha pr\u00f3pria disson\u00e2ncia cognitiva, tive de colocar em causa a minha pr\u00f3pria \u2018opini\u00e3o\u2019, para tentar perceber o que se havia passado. Tinha de haver uma l\u00f3gica por detr\u00e1s deste absurdo.<\/p>\n<p>Com efeito, a primeira coisa de que me apercebi foi que a grande maioria das pessoas que conhe\u00e7o e dos media que costumo ler estavam t\u00e3o em choque quanto eu. Nenhum deles concebia sequer esta vit\u00f3ria. Porqu\u00ea? Investigando vim mais tarde a aperceber-me de um fen\u00f3meno novo: a cria\u00e7\u00e3o de \u2018bolhas\u2019 de percep\u00e7\u00e3o em grupos hom\u00f3filos de popula\u00e7\u00e3o (i.e., pessoas com gostos e estilos de vida similares). Ou seja, nem eu, nem a minha realidade \u2018social\u2019 lia ou tinha acesso a outras informa\u00e7\u00f5es que n\u00e3o as que eram opostas a Donald Trump (ver <a href=\"https:\/\/www.wired.com\/2016\/11\/filter-bubble-destroying-democracy\/\" target=\"_blank\">https:\/\/www.wired.com\/2016\/11\/filter-bubble-destroying-democracy\/<\/a>). O facto de a maior parte das not\u00edcias chegarem hoje em dia \u00e0s pessoas via redes sociais (que tendem a apresentar-nos conte\u00fados de acordo com os nossos gostos), em conjunto com comportamentos acr\u00edticos do g\u00e9nero \u2018vejo-o-cabe\u00e7alho-a-dizer-mal-do-Trump-e-uma-foto-do-anormal-e-partilho-sem-sequer-ler\u2019 leva a que cada vez o leque e diversidade da informa\u00e7\u00e3o a que temos acesso seja menor. H\u00e1 cada menos o costume de ler a not\u00edcia, e muito menos de verificar se \u00e9 ou n\u00e3o fidedigna. O que interessa s\u00e3o posts fofinhos ou que gerem indigna\u00e7\u00e3o imediata, pois a leitura interfere no scroll-down. A somar a isto houve um claro enviesamento dos meios de comunica\u00e7\u00e3o (muitas vezes prejudicando a imparcialidade noticiosa) contra Trump, mesmo que implicitamente. Tudo isto gera uma onda de consensualidade acr\u00edtica que facilita o \u2018<a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Pensamento_de_grupo\" target=\"_blank\">groupthink<\/a>', prejudicando a confronta\u00e7\u00e3o de perspectivas concorrentes e o debate de ideias contr\u00e1rias.<\/p>\n<p>Senti-me enganado por mim mesmo, por ter ca\u00eddo nesta \u2018bolha\u2019 percecional. Uma li\u00e7\u00e3o para o futuro.<\/p>\n<p>O segundo tema da minha reflex\u00e3o foi o erro clamoroso das sondagens. Trata-se de gente extremamente competente, que usa m\u00e9todos e t\u00e9cnicas estat\u00edsticas imensamente testadas e complexas, que tem tido muito sucesso em anos passados na previs\u00e3o dos resultados. Como haviam falhado t\u00e3o clamorosamente? Neste ponto eu sentia mais seguran\u00e7a, pois consultava sites que agregavam resultados de sondagens de in\u00fameras fontes (neutras, democratas, republicanas), o que, estatisticamente, como aprendi em Probabilidades e Estat\u00edsticas e An\u00e1lise Num\u00e9rica, devia reduzir a probabilidade de erro. Mas falharam, redondamente. Foi ent\u00e3o que ouvi falar do \u2018Efeito Tom Bradley\u2019 (ler <a href=\"http:\/\/www.dailymail.co.uk\/sciencetech\/article-3936374\/Did-voter-s-embarrassment-shame-fear-backing-Donald-Trump-explain-polls-wrong.html\" target=\"_blank\">http:\/\/www.dailymail.co.uk\/sciencetech\/article-3936374\/Did-voter-s-embarrassment-shame-fear-backing-Donald-Trump-explain-polls-wrong.html<\/a>), ou \u2018resposta por vergonha a sondagens\u2019, que na pr\u00e1tica quer dizer que quando inquiridas, as pessoas que iriam votar Trump n\u00e3o o diriam. O clima social anti-Trump foi t\u00e3o forte, a clivagem social t\u00e3o intensa, que as pessoas receavam dizer que estavam a seu favor, mesmo quando respondendo a inqu\u00e9ritos de sondagens supostamente an\u00f3nimos. Em termos mais concretos, eu n\u00e3o conhe\u00e7o ningu\u00e9m que tivesse afirmado ser a favor de Trump, e tenho hoje a certeza que eles existiam. E estas pessoas que \u2018esconderam\u2019 a sua prefer\u00eancia, \u2018falseando\u2019 as sondagens, votaram Trump. \u00c9 um efeito preocupante, e que me parece j\u00e1 haver acontecido no caso Brexit.<\/p>\n<p>Por fim, tentei perceber quem havia, afinal, votado em Trump. E deparei-me com uma s\u00e9rie de explica\u00e7\u00f5es: sobretudo popula\u00e7\u00e3o branca, muitos mais latinos e mulheres votaram em Trump que o esperado, as \u00e1reas rurais deram o voto a Trump, etc, etc (podem ver alguns dados aqui: <a href=\"http:\/\/www.bbc.com\/news\/election-us-2016-37922587\" target=\"_blank\">http:\/\/www.bbc.com\/news\/election-us-2016-37922587<\/a>). Mas isto eram sintomas, e eu sentia que precisava de uma explica\u00e7\u00e3o mais profunda, de encontrar as causas por detr\u00e1s do fen\u00f3meno. E encontrei este artigo (<a href=\"http:\/\/bruegel.org\/2016\/11\/income-inequality-boosted-trump-vote\/\" target=\"_blank\">http:\/\/bruegel.org\/2016\/11\/income-inequality-boosted-trump-vote\/<\/a>) em que um think-thank europeu sobre economia indicava, num estudo, que Trump teve uma vantagem eleitoral em estados em que a desigualdade de rendimentos entre estratos s\u00f3cio-econ\u00f3micos era maior. Fez-se luz. Com efeito, h\u00e1 uma enorme faixa de popula\u00e7\u00e3o (n\u00e3o s\u00f3 nos EUA, mas em muitos pa\u00edses ocidentais) latente e n\u00e3o necessariamente homog\u00e9nea que se sente progressivamente exclu\u00edda, e que se est\u00e1 a transformar na for\u00e7a escondida que alimenta a onda de descontentamento e populismo que pol\u00edticos mais oportunistas s\u00e3o ex\u00edmios a explorar.<\/p>\n<p>Esta faixa de popula\u00e7\u00e3o encontra-se, para mim, claramente identificada no seguinte gr\u00e1fico:<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"\" src=\"http:\/\/cdn1.ionline.pt\/media\/\/2016\/12\/2\/555667.jpg?type=L\" alt=\"\" width=\"490\" height=\"363\" \/><\/p>\n<p>A globaliza\u00e7\u00e3o das \u00faltimas d\u00e9cadas tem resultado em imensos ganhos para a generalidade do mundo, com especial enfoque nos pa\u00edses em vias de desenvolvimento. Tem sido um claro fator de melhoria dos rendimentos e da qualidade de vida da popula\u00e7\u00e3o nestes pa\u00edses, tirando milh\u00f5es de seres humanos de um destino de pobreza miser\u00e1vel. Nem tudo tem sido perfeito, mas o resultado \u00e9 claramente positivo.<\/p>\n<p>Paralelamente, tem havido tamb\u00e9m claros benef\u00edcios para os pa\u00edses desenvolvidos, com uma excep\u00e7\u00e3o: a classe m\u00e9dia-baixa destes pa\u00edses (os \u2019nossos\u2019). Este segmento de popula\u00e7\u00e3o n\u00e3o s\u00f3 n\u00e3o tem visto o seu rendimento subir (ao contr\u00e1rio dos segmentos mais ricos, que t\u00eam conseguido ficar com a fatia de le\u00e3o dos benef\u00edcios conseguidos nos pa\u00edses ocidentais, como se pode constatar no lado direito do gr\u00e1fico acima), como se sente cada vez mais amea\u00e7ado ao n\u00edvel da sua seguran\u00e7a no trabalho (sobretudo devido \u00e0 progressiva press\u00e3o para a substitui\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica do trabalho) e consequentemente no seu modo de vida. Esta segmento de popula\u00e7\u00e3o (classe m\u00e9dia-baixa ocidental) n\u00e3o domina os meios de comunica\u00e7\u00e3o social, n\u00e3o tem influ\u00eancia nos processos econ\u00f3micos e legislativos, e, gra\u00e7as a Hillary Clinton passou a ter um nome: os Deplor\u00e1veis (<a href=\"http:\/\/www.politifact.com\/truth-o-meter\/article\/2016\/sep\/11\/context-hillary-clinton-basket-deplorables\/\" target=\"_blank\">theDeplorables<\/a>). \u00c9 esta gente que ao se sentir amea\u00e7ada tem de dar nomes aos seus medos, sejam eles imigra\u00e7\u00e3o, deslocaliza\u00e7\u00e3o de f\u00e1bricas para o estrangeiro, acordos de com\u00e9rcio livre, establishment, elites, wall street, etc, etc. E foi esta gente, que provavelmente \u2018enganou\u2019 as sondagens por vergonha, e que por sentir uma possibilidade de mudan\u00e7a, de ser ouvida, saiu para votar no dia das elei\u00e7\u00f5es (muitos deles provavelmente pela primeira vez em muitos anos). Foi assim que Trump ganhou, democraticamente, goste-se ou n\u00e3o.<\/p>\n<p>Saindo da bolha de percep\u00e7\u00e3o em que estava, vejo hoje claramente para onde estava Donald Trump a apontar, com um precis\u00e3o inacredit\u00e1vel. E vejo tamb\u00e9m o enviesamento cognitivo em que muita gente (eu inclu\u00eddo) estava. A realidade \u00e9 o que \u00e9, n\u00e3o \u00e9 o que n\u00f3s queremos que ela seja.<\/p>\n<p>\u00c9 bom que aceitemos o resultado (democraticamente) e percebamos o que aconteceu e quais as reais causas por detr\u00e1s desta elei\u00e7\u00e3o. Devemos ser auto-cr\u00edticos, evitar \u2018bolhas\u2019 percepcionais e discutir, debater os problemas de frente, n\u00e3o nos encostarmos ao conforto como se estiv\u00e9ssemos no fim da Hist\u00f3ria e nada mais houvesse a fazer. Grande parte dos pol\u00edticos populistas prometem um retorno a um tempo anterior, conhecido, a um el-dorado civilizacional em que tudo era melhor. E t\u00eam sucesso porque as pessoas est\u00e3o a perder a esperan\u00e7a no futuro, na possibilidade de terem um papel na sua constru\u00e7\u00e3o e no que h\u00e1-de vir. \u00c9 imperativo fazer frente a estas tend\u00eancias retr\u00f3gradas, envolvendo toda a gente.<\/p>\n<p>Se se est\u00e1 contra DonaldTrump e as suas pol\u00edticas, contra populismos e movimentos extremistas, h\u00e1 um bom rem\u00e9dio numa sociedade livre como a nossa: participar, ouvir, discutir, agir, sempre dentro dos princ\u00edpios de liberdade e toler\u00e2ncia que subjazem a sociedade onde queremos estar.<\/p>\n<p>No nosso caminho civilizacional h\u00e1 (demasiada) gente que est\u00e1 a ficar para tr\u00e1s. E quando demasiada gente fica para tr\u00e1s o resultado n\u00e3o pode ser bom. Basta olhar para a hist\u00f3ria do s\u00e9culo passado, e tentar realmente aprender alguma coisa. \u00c9 em alturas de maior desigualdade que as maiores barb\u00e1ries acontecem, que ditaduras ganham vida e se perpetuam.<\/p>\n<p>E pessoalmente, tinha gosto em que nem eu nem os meus filhos tiv\u00e9ssemos de viver uma ditadura ou uma guerra no nosso per\u00edodo de vida.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pedro Moura, Jornal i online Tal como muitos, eu estava certo que Hillary Clinton iria ganhar as recentes elei\u00e7\u00f5es presidenciais nos EUA. 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