{"id":28459,"date":"2016-11-25T02:34:39","date_gmt":"2016-11-25T02:34:39","guid":{"rendered":"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=28459"},"modified":"2016-11-25T02:34:39","modified_gmt":"2016-11-25T02:34:39","slug":"a-insustentavel-leveza-de-uma-vida-online","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=28459","title":{"rendered":"A insustent\u00e1vel leveza de uma vida online"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #d8070f;\"><strong>Rute Serra, Jornal i online<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><a href=\"http:\/\/ionline.sapo.pt\/535411?source=social\" target=\"_blank\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-19 alignleft\" title=\"Liga\u00e7\u00e3o \u00e0 Publica\u00e7\u00e3o\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/go2.png\" alt=\"\" width=\"16\" height=\"16\" \/><\/a><em><a href=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/Ji043.pdf\" target=\"_blank\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-2032\" title=\"Ficheiro PDF\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/pdf_button.png\" alt=\"\" width=\"14\" height=\"14\" \/><\/a><\/em><\/p>\n<p>O ciberespa\u00e7o, essa alucina\u00e7\u00e3o consensual, como o novelista William Ford Gibson o definiu, constitui hoje o palco privilegiado para a pr\u00e1tica de condutas il\u00edcitas e lesivas<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Desloc\u00e1mo-nos quase inteiramente para uma realidade virtual que nos embra\u00e7a, expurgados da imperfei\u00e7\u00e3o. Confort\u00e1vel? Talvez. Aliciante? Provavelmente. Seguro? N\u00e3o, de todo.<\/p>\n<p>\u00c9 naquele mundo digital, representa\u00e7\u00e3o da nossa individualidade suspensa, que nos nossos dias, a criminalidade est\u00e1 mais presente. Sim, faz sentido, se a grande maioria das pessoas se \u201cteletransportou\u201d, tamb\u00e9m os meliantes perceberam estar por ali a sua oportunidade de neg\u00f3cio.<\/p>\n<p>O ciberespa\u00e7o, essa alucina\u00e7\u00e3o consensual, como o novelista William Ford Gibson o definiu, constitui hoje o palco privilegiado para a pr\u00e1tica de condutas il\u00edcitas e lesivas, antes do seu PC, hoje da sua vida, da sua empresa e das institui\u00e7\u00f5es. Desatentamente, as PME portuguesas n\u00e3o demonstram preocupa\u00e7\u00e3o assinal\u00e1vel, com este tipo de criminalidade, n\u00e3o obstante os 2528 inqu\u00e9ritos registados, apenas na comarca de Lisboa, no ano de 2015. Remetendo-nos para a estat\u00edstica internacional, o cibercrime surge no segundo lugar do <em>Global Economic Crime Survey 2016<\/em>, da PWC, do ranking relativo \u00e0 criminalidade econ\u00f3mica.<\/p>\n<p>O fraudulento ataque de h\u00e1 dias, perpetrado virtualmente ao TESCO Bank, no qual milhares de contas dos clientes foram saqueadas, num valor estimado pr\u00f3ximo dos 3 milh\u00f5es de euros, \u00e9 adit\u00e1vel a uma semelhante pan\u00f3plia criminosa galopante, expondo as vulnerabilidades dos m\u00e9todos at\u00e9 aqui encontrados para lidar com o problema, pelas autoridades. As caracter\u00edsticas intr\u00ednsecas deste tipo de crime \u2013 geografia transnacional, a-temporalidade, perman\u00eancia do facto criminoso, camuflagem de identidade, alta tecnicidade exigida e profusa rentabilidade \u2013 facilitam a comiss\u00e3o do crime e dificultam a investiga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>E \u00e9 quando confrontados com casos como este, que nos damos conta da exist\u00eancia de uma zona disruptiva entre n\u00f3s e a responsabilidade emergente do nosso pr\u00f3prio projeto reflexivo, no mundo virtual. Os problemas (esses bem reais), surgem.<\/p>\n<p>E que resposta tem o direito penal portugu\u00eas, para o acontecimento? Na verdade, a mutabilidade r\u00e1pida dos bens jur\u00eddicos postos em causa, condiciona os mecanismos penais existentes. Os hodiernos contornos poliss\u00e9micos da palavra \u201crisco\u201d, catapultados pelo progresso tecnol\u00f3gico e cient\u00edfico redefinem a sociedade global. Mediante ju\u00edzos <em>ex ante<\/em> de perigosidade, aptos a debelar poss\u00edveis les\u00f5es a bens jur\u00eddicos supra-individuais, exige-se que o direito penal atue de modo preventivo e centrado na \u201cgest\u00e3o do risco\u201d, sempre balizado pelos princ\u00edpios de imputa\u00e7\u00e3o jur\u00eddico-penal pr\u00f3prias de um Estado de Direito, por justaposi\u00e7\u00e3o ao tradicional car\u00e1ter repressivo deste ramo do direito (como defende o dogm\u00e1tico do direito penal alem\u00e3o, Claus Roxin).<\/p>\n<p>Imersos nesta vida moderna de aqu\u00e1rio (que se espraia em redes sociais, e-mails, cart\u00f5es de cr\u00e9dito, <em>smartphones<\/em>, conex\u00f5es de internet), aperaltados num <em>outfit<\/em> de anonimato, sucumbe a nossa privacidade \u2013 esse aspeto das nossas vidas, hipotecado em nome da exist\u00eancia virtual. Ser\u00e1 esse o momento em que mais facilmente nos compenetraremos na necessidade de defesa.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Rute Serra, Jornal i online O ciberespa\u00e7o, essa alucina\u00e7\u00e3o consensual, como o novelista William Ford Gibson o definiu, constitui hoje o palco privilegiado para a pr\u00e1tica de condutas il\u00edcitas e lesivas<\/p>\n","protected":false},"author":34,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_bbp_topic_count":0,"_bbp_reply_count":0,"_bbp_total_topic_count":0,"_bbp_total_reply_count":0,"_bbp_voice_count":0,"_bbp_anonymous_reply_count":0,"_bbp_topic_count_hidden":0,"_bbp_reply_count_hidden":0,"_bbp_forum_subforum_count":0,"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[72,129],"tags":[],"class_list":["post-28459","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-cronicas","category-jornal-i-online"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/28459","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/34"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=28459"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/28459\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":28460,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/28459\/revisions\/28460"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=28459"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=28459"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=28459"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}