{"id":28354,"date":"2016-11-18T00:38:09","date_gmt":"2016-11-18T00:38:09","guid":{"rendered":"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=28354"},"modified":"2016-11-18T00:38:09","modified_gmt":"2016-11-18T00:38:09","slug":"jogo-limpo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=28354","title":{"rendered":"Jogo limpo"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #d8070f;\"><strong>Raquel Brito, Jornal i online<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><a href=\"http:\/\/ionline.sapo.pt\/artigo\/534171\/jogo-limpo?seccao=Opiniao_i\" target=\"_blank\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-19 alignleft\" title=\"Liga\u00e7\u00e3o \u00e0 Publica\u00e7\u00e3o\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/go2.png\" alt=\"\" width=\"16\" height=\"16\" \/><\/a><em><a href=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/Ji042.pdf\" target=\"_blank\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-2032\" title=\"Ficheiro PDF\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/pdf_button.png\" alt=\"\" width=\"14\" height=\"14\" \/><\/a><\/em><\/p>\n<p>Alguns estudos apontam para o facto dos apostadores desportivos de todo o mundo concentram as suas apostas em jogos que ocorrem principalmente na Europa, envolvendo bili\u00f5es de euros<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Atualmente a forma de encarar a fraude no desporto dever\u00e1 compadecer-se de outras an\u00e1lises que n\u00e3o as de tempos idos. Nos dias de hoje a fraude, ou mesmo a corrup\u00e7\u00e3o, no desporto n\u00e3o se limita \u00e0 atividade desportiva\/competitiva em si, ou seja, o seu \u00e2mbito de atua\u00e7\u00e3o encontra-se muito mais vasto. J\u00e1 n\u00e3o est\u00e3o, unicamente, em causa subornos a atletas\/equipas que visem a altera\u00e7\u00e3o dos resultados, a\u00e7\u00e3o apontada como uma das mais cl\u00e1ssicas (quer pela antiguidade quer pela frequ\u00eancia) de corrup\u00e7\u00e3o desportiva. S\u00e3o conhecidas e mediaticamente expostas prodigiosas fraudes no sistema desportivo.<\/p>\n<p>S\u00e3o in\u00fameros os fatores que est\u00e3o na origem do alargamento das possibilidades de cometer atos fraudulentos no desporto em geral, nomeadamente a globaliza\u00e7\u00e3o, os avan\u00e7os tecnol\u00f3gicos, a configura\u00e7\u00e3o das associa\u00e7\u00f5es desportivas (e.g. as SAD\u00b4s, as associa\u00e7\u00f5es desportivas com\/sem fins lucrativos, as academias desportivas), entre outros.<\/p>\n<p>No entanto, n\u00e3o se procura analisar as causas da fraude no desporto, nem a sua extens\u00e3o, procura-se tipificar alguns desses comportamentos, quer constituam eles um ato de corrup\u00e7\u00e3o, ou simplesmente um comportamento anti\u00e9tico.<\/p>\n<p>S\u00e3o v\u00e1rios, e em expans\u00e3o, os \u201cesc\u00e2ndalos\u201d que nos s\u00e3o dados a conhecer. Ningu\u00e9m \u00e9 indiferente \u00e0 facilidade com que os agentes desportivos (sejam atletas, dirigentes ou organiza\u00e7\u00f5es) das mais diferentes modalidades, se conseguem envolver em fraudes e, muitas vezes, gozar de impunidade.<\/p>\n<p>De uma forma muito generalista a Gest\u00e3o econ\u00f3mico-financeira das institui\u00e7\u00f5es desportivas \u00e9 ainda suscet\u00edvel de potenciar uma pan\u00f3plia de fraudes e atos de corrup\u00e7\u00e3o. As organiza\u00e7\u00f5es desportivas conduzem a sua gest\u00e3o financeira de forma an\u00e1loga a qualquer outra empresa. Igualmente, n\u00e3o difere a forma como esta gest\u00e3o pode ser danosa. Para al\u00e9m das quest\u00f5es mais comuns, tais como despesas fict\u00edcias, usufruto de bens e servi\u00e7os das institui\u00e7\u00f5es, por parte de elementos externos \u00e0s mesmas, aquisi\u00e7\u00e3o de produtos para favorecimentos pessoais, \u00e9 ainda vis\u00edvel a crescente rela\u00e7\u00e3o entre as institui\u00e7\u00f5es desportivas e os agentes dos atletas. \u00c9 problem\u00e1tico (para a institui\u00e7\u00e3o) quando os seus dirigentes (seja um administrador ou um diretor) s\u00e3o, paralelamente, os agentes dos atletas contratados para a organiza\u00e7\u00e3o desportiva da qual fazem parte. Obviamente, estamos perante um conflito de interesses, no qual se pesa num prato da balan\u00e7a o valor da comiss\u00e3o adquirida e no outro o real interesse da transa\u00e7\u00e3o (interesse no atleta, valor extrapolado, finalidade da contrata\u00e7\u00e3o). Em territ\u00f3rio nacional, no que ao futebol diz respeito, ainda v\u00e3o sendo conhecidos alguns casos, nem sempre por interven\u00e7\u00e3o das entidades reguladoras, mas muitas vezes porque, passando a express\u00e3o, \u201cZangam-se as comadres, descobrem-se as verdades\u201d. As trocas de acusa\u00e7\u00f5es revelam acima de tudo uma gest\u00e3o econ\u00f3mica e financeira perniciosa. Outro ponto controverso s\u00e3o as Apostas \u2013 O mercado das apostas desportivas online tem tido um crescimento exponencial nos \u00faltimos anos. S\u00e3o diversos os fatores que podem ter contribu\u00eddo para este incremento, nomeadamente a internet (seu desenvolvimento, f\u00e1cil acesso, o anonimato associado, elevado n\u00famero de utilizadores), os elevados montantes envolvidos, a falta de regulamenta\u00e7\u00e3o do mercado e o fen\u00f3meno da globaliza\u00e7\u00e3o em geral. No entanto, alguns estudos apontam para o facto dos apostadores desportivos de todo o mundo concentram as suas apostas em jogos que ocorrem principalmente na Europa, envolvendo bili\u00f5es de euros.<\/p>\n<p>Potenciadas pela globaliza\u00e7\u00e3o, as redes criminosas, conscientes deste mercado garantiram a sua presen\u00e7a em institui\u00e7\u00f5es desportivas por toda a Europa, investindo monetariamente com intuito de \u201clibertar\u201d dinheiro de atividades il\u00edcitas (e.g. tr\u00e1fico de droga, tr\u00e1fico humano). A atividade criminal econ\u00f3mica, no desporto, tem vindo a tornar-se muito significativa essencialmente com as apostas relativas aos resultados combinados \u2013 Portugal inclui-se na lista[1] dos pa\u00edses da EU envolvidos em casos de vicia\u00e7\u00e3o de resultados (incluindo s\u00f3 casos do futebol). A problem\u00e1tica da vicia\u00e7\u00e3o de resultados poder\u00e1, a primeira vista, parecer uma quest\u00e3o menor, no entanto, \u00e9-lhe subjacente um mercado obscuro que emerge sem regulamenta\u00e7\u00e3o com baixa dete\u00e7\u00e3o e elevada impunidade.<\/p>\n<p>No entanto, relativamente a outras modalidades, pouco ou nada se ouve. \u201cJogar\u00e1\u201d tudo dentro da legalidade? Ou ser\u00e1 por falta de interesse medi\u00e1tico? Acresce ainda o facto das aten\u00e7\u00f5es medi\u00e1ticas, sociais e reguladoras, estarem voltadas para a competi\u00e7\u00e3o de elite, ignorando (quase) por completo o que se passa nas camadas inferiores, particularmente no que se refere \u00e0 vicia\u00e7\u00e3o de resultados.<\/p>\n<p>Muitas vezes o cidad\u00e3o comum distancia-se destas quest\u00f5es por considerar que as organiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o s\u00e3o alimentadas por dinheiro dos contribuintes, mas sim de s\u00f3cios e associados. O que nem sempre \u00e9 verdadeiro, pois o Estado investe parte do seu or\u00e7amento em clubes de futebol; em associa\u00e7\u00f5es desportivas de basquetebol, andebol, etc; em federa\u00e7\u00f5es portuguesas das mais diversas modalidades\u2026e ainda bem que o faz. Em bom rigor, o investimento no desporto nacional at\u00e9 poderia ser mais elevado, no entanto deveria ser de forma mais profissional, mais estruturado e melhor planeado, bem como mais rigoroso e mais fiscalizado.<\/p>\n<p><em>[1] No ano de 2012 Portugal figura como um dos pa\u00edses da EU onde decorrem investiga\u00e7\u00f5es relativas a vicia\u00e7\u00e3o de resultados (KEA European Affairs cit in Emine Bozkurt, 2012).\u00a0<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Raquel Brito, Jornal i online Alguns estudos apontam para o facto dos apostadores desportivos de todo o mundo concentram as suas apostas em jogos que ocorrem principalmente na Europa, envolvendo bili\u00f5es de euros<\/p>\n","protected":false},"author":34,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_bbp_topic_count":0,"_bbp_reply_count":0,"_bbp_total_topic_count":0,"_bbp_total_reply_count":0,"_bbp_voice_count":0,"_bbp_anonymous_reply_count":0,"_bbp_topic_count_hidden":0,"_bbp_reply_count_hidden":0,"_bbp_forum_subforum_count":0,"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[72,129],"tags":[],"class_list":["post-28354","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-cronicas","category-jornal-i-online"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/28354","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/34"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=28354"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/28354\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":28355,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/28354\/revisions\/28355"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=28354"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=28354"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=28354"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}