{"id":28211,"date":"2016-11-03T23:31:23","date_gmt":"2016-11-03T23:31:23","guid":{"rendered":"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=28211"},"modified":"2016-11-03T23:31:23","modified_gmt":"2016-11-03T23:31:23","slug":"da-etica-individual-ao-compliance-organizacional","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=28211","title":{"rendered":"Da \u00e9tica individual ao Compliance Organizacional"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #d8070f;\"><strong>Nuno Guita, Jornal i online<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><a href=\"http:\/\/ionline.sapo.pt\/artigo\/532683\/da-etica-individual-ao-compliance-organizacional?seccao=Opiniao_i\" target=\"_blank\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-19 alignleft\" title=\"Liga\u00e7\u00e3o \u00e0 Publica\u00e7\u00e3o\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/go2.png\" alt=\"\" width=\"16\" height=\"16\" \/><\/a><em><a href=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/Ji040.pdf\" target=\"_blank\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-2032\" title=\"Ficheiro PDF\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/pdf_button.png\" alt=\"\" width=\"14\" height=\"14\" \/><\/a><\/em><\/p>\n<p>Num mundo em mudan\u00e7a a \u00e9tica n\u00e3o pode ser apenas um conjunto de regras a cumprir \u2013 pois tornou-se numa condi\u00e7\u00e3o din\u00e2mica que importa gerir constantemente.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Os preju\u00edzos que os lesados e o pa\u00eds sofrem diretamente com a criminalidade financeira justificam um olhar atento, tamb\u00e9m para as solu\u00e7\u00f5es, mesmo que a gan\u00e2ncia e ambi\u00e7\u00e3o pessoais n\u00e3o sejam os \u00fanicos motivos para o ardil enganoso. H\u00e1 quem defenda que acabando com o enriquecimento tamb\u00e9m acabaremos com a ilicitude associada, mas n\u00e3o consta que haja mais integridade onde exista menos dinheiro. Por isso \u00e9 compreens\u00edvel que a economia de mercado n\u00e3o seja o contexto mais prop\u00edcio \u00e0 pratica da escese com um sentido pr\u00e1tico de mortifica\u00e7\u00e3o, aplicando sacrif\u00edcios com vista a eliminar v\u00edcios, dominar e reorientar tend\u00eancias desordenadas e robustecer a liberdade espiritual. Ent\u00e3o como corrigir comportamentos cujos desvios se devem a uma deficiente cultura \u00e9tica? Sobretudo de quadros superiores e l\u00edderes pol\u00edticos.<\/p>\n<p>Ningu\u00e9m se queixa de lhe faltar boa moralidade, nem mesmo os magistrados da turma do CEJ de 2011, pois todos acreditamos saber distinguir entre o bem e o mal. No entanto, quando se trata de traduzir essa moralidade para o comportamento individual ou coletivo, as coisas j\u00e1 se tornam mais complicadas \u2013 a\u00ed temos um problema de \u00e9tica!<br \/>\nManter uma coes\u00e3o \u00e9tica, requer muito mais do que um conjunto est\u00e1vel de regras de conduta inscritos num qualquer c\u00f3digo de conduta - o governo da Rep\u00fablica seguramente que desconhece isto. Pois no contexto cultural em que os comportamentos assumem dimens\u00e3o e significado \u00e9 constante a necessidade de incrementar uma cultura de comportamento \u00e9tico porque as mudan\u00e7as sociais e organizacionais s\u00e3o permanentes, bem como a tecnologia e as abordagens de gest\u00e3o e de lideran\u00e7a. Alinhar a cultura organizacional e incorporar nas respetivas atividades uma \u00e9tica firme e consistente com os seus valores e miss\u00e3o requere iniciativa e lideran\u00e7a em vez de apatia e seguidismo.<br \/>\nNa pr\u00e1tica o que importa \u00e9 que as pessoas de uma determinada organiza\u00e7\u00e3o, p\u00fablica ou privada (um restaurante, um tribunal, um banco, um hospital, um mun\u00edcipio, o pr\u00f3prio governo, etc...) mantenham efetivamente, um comportamento \u00e9tico adequado e alinhado. Quando competentemente elaborados, os c\u00f3digos de conduta, bem como as declara\u00e7\u00f5es de miss\u00e3o, vis\u00e3o e valores, s\u00e3o um instrumento valioso que relembra constantemente os destinat\u00e1rios das expectativas de conduta \u00e9tica, que sobre estes impende. Isto n\u00e3o se verificou na CGD, na GALP, no BES, no governo e em muitas outras organiza\u00e7\u00f5es. \u00c9 neste contexto que surge a exig\u00eancia r\u00edgida para com o COMPLIANCE (conformidade) com uma s\u00e9rie de regras, pol\u00edticas e diretrizes comportamentais.<\/p>\n<p>Impera nas organiza\u00e7\u00f5es modernas de todos os tipos e tamanhos, a diversidade, tanto no setor privado como no p\u00fablico. Todos queremos um reconhecimento diferenciado e exigimos uma filosofia de gest\u00e3o personalizada. Cada um possu\u00ed a sua pr\u00f3pria verdade, com experi\u00eancias, motiva\u00e7\u00f5es e valores distintos.<\/p>\n<p>\u00c9 aqui que surge o paradoxo! Pois, por um lado a diversidade cultural tem reflexos nos valores por via da pluralidade enriquecedora de experi\u00eancias, origens, opini\u00f5es e perspetivas que os protagonistas transportam e por outro lado exige-se uma conformidade com uma \u00e9tica universal que n\u00e3o existe. Haver\u00e1 forma de conciliar este paradoxo? Talvez tenhamos de repensar as expectativas \u00e9ticas e como efetiva-las nas organiza\u00e7\u00f5es?<\/p>\n<p>Pois, o comportamento \u00e9tico n\u00e3o \u00e9 como uma mercadoria, nem um objetivo a ser cumprido num determinado momento. O comportamento \u00e9tico \u00e9 sim uma condi\u00e7\u00e3o organizacional sustent\u00e1vel - e como tal, \u00e9 din\u00e2mico! A busca da \u00e9tica \u00e9 intermin\u00e1vel, porque qualquer organiza\u00e7\u00e3o que a sustente est\u00e1 em constante evolu\u00e7\u00e3o. Tal significa que ao incorporarmos a \u00e9tica na cultura organizacional, as pessoas agir\u00e3o eticamente, independentemente das circunst\u00e2ncias, quer esta alargue ou reduza as suas atividades, assuma novos mercados ou mude o objeto. Atrav\u00e9s de uma gest\u00e3o ou educa\u00e7\u00e3o cuidadosa, da cultura organizacional, pode-se resolver o paradoxo da recompensa individual versus o cumprimento de regras universais. Como nos recorda Kurt Eichenwald a prop\u00f3sito da Enron, quando uma organiza\u00e7\u00e3o j\u00e1 n\u00e3o consegue gerir a sua pr\u00f3pria cultura nem dar prioridade aos valores e \u00e0s considera\u00e7\u00f5es \u00e9ticas torna-se vulner\u00e1vel aos desvios comportamentais, por vezes com resultados catastr\u00f3ficos.<\/p>\n<p><strong>Os escandalos financeiros de amanh\u00e3.<\/strong><\/p>\n<p>V\u00e1rias organiza\u00e7\u00f5es de grande dimens\u00e3o encontram-se presentes nesse plano de vulnerabilidade de Non-Compliance, quer nacionais, quer estrangeiras. Hoje em dia as grandes organiza\u00e7\u00f5es caem por insufici\u00eancias internas e por resistirem \u00e0 transforma\u00e7\u00e3o cultural necess\u00e1ria para sustentar um ambiente mais \u00e9tico. Qualquer processo de transforma\u00e7\u00e3o come\u00e7a com a convic\u00e7\u00e3o de que a mudan\u00e7a \u00e9 necess\u00e1ria, e exequ\u00edvel.<\/p>\n<p>Os l\u00edderes competentes sabem que os bons resultados dependem de um bom planeamento. Mas a gest\u00e3o da cultura n\u00e3o incide apenas sobre os recursos. N\u00e3o se trata apenas de pol\u00edticas e c\u00f3digos de conduta que fiquem a acumular p\u00f3 na estante da sala de rece\u00e7\u00e3o da administra\u00e7\u00e3o. Trata-se de enraizar nos nossos comportamentos individuais \u2013 e como enquanto cidad\u00e3os, profissionais, ou em qualquer outra circunst\u00e2ncia nos comportamos e assumimos as nossas responsabilidades.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nuno Guita, Jornal i online Num mundo em mudan\u00e7a a \u00e9tica n\u00e3o pode ser apenas um conjunto de regras a cumprir \u2013 pois tornou-se numa condi\u00e7\u00e3o din\u00e2mica que importa gerir constantemente.<\/p>\n","protected":false},"author":34,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_bbp_topic_count":0,"_bbp_reply_count":0,"_bbp_total_topic_count":0,"_bbp_total_reply_count":0,"_bbp_voice_count":0,"_bbp_anonymous_reply_count":0,"_bbp_topic_count_hidden":0,"_bbp_reply_count_hidden":0,"_bbp_forum_subforum_count":0,"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[72,129],"tags":[],"class_list":["post-28211","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-cronicas","category-jornal-i-online"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/28211","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/34"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=28211"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/28211\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":28212,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/28211\/revisions\/28212"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=28211"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=28211"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=28211"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}