{"id":27874,"date":"2016-10-06T22:19:44","date_gmt":"2016-10-06T22:19:44","guid":{"rendered":"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=27874"},"modified":"2016-10-06T22:19:44","modified_gmt":"2016-10-06T22:19:44","slug":"o-veto-a-ingerencia-na-vida-privada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=27874","title":{"rendered":"O veto \u00e0 inger\u00eancia na vida privada"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #d8070f;\"><strong>Jos\u00e9 Leal, Jornal i online<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><a href=\"http:\/\/assinatura.ionline.pt\/artigo\/525778\/o-veto-a-inger-ncia-na-vida-privada?seccao=Opiniao_i\" target=\"_blank\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-19 alignleft\" title=\"Liga\u00e7\u00e3o \u00e0 Publica\u00e7\u00e3o\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/go2.png\" alt=\"\" width=\"16\" height=\"16\" \/><\/a><em><a href=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/Ji036.pdf\" target=\"_blank\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-2032\" title=\"Ficheiro PDF\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/pdf_button.png\" alt=\"\" width=\"14\" height=\"14\" \/><\/a><\/em><\/p>\n<p>A\u00e7\u00f5es indiscriminadas do Estado sobre a vida pessoal dos indiv\u00edduos revelam uma estranha sobranceria moral do Estado sobre a vida da comunidade dos indiv\u00edduos.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>O recente veto do Presidente da Republica sobre o diploma legislativo do Governo da Republica que pretendia conceder \u00e0 Administra\u00e7\u00e3o Fiscal a possibilidade de monitorizar as contas banc\u00e1rias de qualquer cidad\u00e3o a partir de determinado valor sem que ao mesmo estivesse imputada qualquer suspeita de ilegalidade ou de qualquer irregularidade revelou-se uma decis\u00e3o de elevada maturidade democr\u00e1tica e de preserva\u00e7\u00e3o da dignidade humana. \u00c9 que, face \u00e0 realidade da evas\u00e3o fiscal, e \u00e0 dificuldade latente de monitorizar o comportamento dos indiv\u00edduos, das empresas e institui\u00e7\u00f5es, tal n\u00e3o pressup\u00f5e um vale-tudo ou uma exacerbada inger\u00eancia na vida econ\u00f3mica, e das economias, e por isso da vida privada das pessoas.<\/p>\n<p>Os modelos e os programas de preven\u00e7\u00e3o e de repress\u00e3o \u00e0s mais diversas formas de criminalidade, num mundo democr\u00e1tico e de respeito pelos diretos, liberdades e garantias elementares da vida humana, devem pressupor limites de \u00e2mbito \u00e9tico, e moral que ultrapassam quaisquer imponder\u00e1veis de natureza legal justificativos para que o quadro civilizacional alcan\u00e7ado possa, sem que nos apercebamos, ser infletido noutras dire\u00e7\u00f5es mais f\u00e1ceis \u00e0 puls\u00e3o de uma imediata e indiscriminat\u00f3ria solu\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica, sustentada pela legalidade, de pan-controlo da vida econ\u00f3mica em raz\u00e3o de necessidades de preven\u00e7\u00e3o e repress\u00e3o da fraude ao fisco.<\/p>\n<p>A preven\u00e7\u00e3o e a repress\u00e3o constituem-se simultaneamente em dimens\u00f5es e em instrumentos que devem ser implementados de forma dirigida, obedecendo a uma estrat\u00e9gia que pressuponha investimentos adequados de modo a alcan\u00e7ar com efic\u00e1cia e efici\u00eancia determinados objetivos, mas no limite do toler\u00e1vel \u00e0 condi\u00e7\u00e3o e \u00e0 dignidade humana. Efetivamente a\u00e7\u00f5es indiscriminadas do Estado sobre a vida pessoal dos indiv\u00edduos revelam uma estranha sobranceria moral do Estado sobre a vida da comunidade dos indiv\u00edduos.<\/p>\n<p>No est\u00e1dio civilizacional atual, n\u00e3o \u00e9 admiss\u00edvel que se arquitetem modelos e instrumentos de preven\u00e7\u00e3o ou de repress\u00e3o que atinjam a liberdade e a reserva da vida privada de todos, coartando-as, devido ao comportamento lesivo de alguns. Para tal, e ao inv\u00e9s de tal, incumbe ao Estado atrav\u00e9s dos meios pr\u00f3prios e adequados que proceda \u00e0 recolha de informa\u00e7\u00e3o que conduza \u00e0 constru\u00e7\u00e3o da suspeita fundamentada, e assim, e s\u00f3 assim, a prossecu\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria e proporcional, e essa sim, conforme a legalidade.<\/p>\n<p>Mas a efetiva fraude sobre os valores democr\u00e1ticos, e de respeito pela vida privada, encontramo-la enunciadas na estrat\u00e9gia seguida. Travestindo determinada possibilidade ou instrumento sob a capa de uma alegada legalidade, legitima-se a inger\u00eancia, e a viola\u00e7\u00e3o de princ\u00edpios basilares sobre os quais assentam a nossa forma de viver, esquecendo que a legalidade enquanto forma de legitima\u00e7\u00e3o social deve ser sempre erigida sobre a moral dominante, e os valores que lhe subjazem.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jos\u00e9 Leal, Jornal i online A\u00e7\u00f5es indiscriminadas do Estado sobre a vida pessoal dos indiv\u00edduos revelam uma estranha sobranceria moral do Estado sobre a vida da comunidade dos indiv\u00edduos.<\/p>\n","protected":false},"author":34,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_bbp_topic_count":0,"_bbp_reply_count":0,"_bbp_total_topic_count":0,"_bbp_total_reply_count":0,"_bbp_voice_count":0,"_bbp_anonymous_reply_count":0,"_bbp_topic_count_hidden":0,"_bbp_reply_count_hidden":0,"_bbp_forum_subforum_count":0,"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[72,129],"tags":[],"class_list":["post-27874","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-cronicas","category-jornal-i-online"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/27874","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/34"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=27874"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/27874\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":27876,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/27874\/revisions\/27876"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=27874"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=27874"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=27874"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}