{"id":27778,"date":"2016-09-30T12:00:09","date_gmt":"2016-09-30T12:00:09","guid":{"rendered":"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=27778"},"modified":"2016-09-30T16:52:45","modified_gmt":"2016-09-30T16:52:45","slug":"pequena-fraude-tao-natural-como-o-respirar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=27778","title":{"rendered":"Pequena fraude, t\u00e3o natural como o respirar"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #d8070f;\"><strong>Jos\u00e9 Ant\u00f3nio Moreira, Jornal i online<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><a href=\"http:\/\/ionline.sapo.pt\/artigo\/525068\/pequena-fraude-tao-natural-como-o-respirar?seccao=Opiniao_i\" target=\"_blank\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-19 alignleft\" title=\"Liga\u00e7\u00e3o \u00e0 Publica\u00e7\u00e3o\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/go2.png\" alt=\"\" width=\"16\" height=\"16\" \/><\/a><em><a href=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/Ji035.pdf\" target=\"_blank\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-2032\" title=\"Ficheiro PDF\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/pdf_button.png\" alt=\"\" width=\"14\" height=\"14\" \/><\/a><\/em><\/p>\n<p>\u201cSe o perder \u2026 ou danificar, deve telefonar-me a dizer que lho roubaram. Depois, deve dirigir-se a uma esquadra da pol\u00edcia, a\u00ed apresentando queixa contra desconhecidos, por roubo.\u201d<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Uma sala modernamente decorada, agrad\u00e1vel, cheia de luz. Num dos lados, algumas pessoas sentadas em confort\u00e1veis poltronas, aguardando pela respetiva consulta; no outro, o secretariado, constitu\u00eddo por um pequeno balc\u00e3o, onde uma din\u00e2mica funcion\u00e1ria atendia quem chegava, ou quem terminara a consulta.<\/p>\n<p>A dada altura, em voz perfeitamente aud\u00edvel em toda a sala, ela explicava a um dos membros de um casal, com alguma idade, como proceder em caso de necessitar de ativar o seguro antirroubo do aparelho auditivo que tinha acabado de adquirir. \u201cSe o perder \u2026 ou danificar, deve telefonar-me a dizer que lho roubaram. Depois, deve dirigir-se a uma esquadra da pol\u00edcia, a\u00ed apresentando queixa contra desconhecidos, por roubo.\u201d Com um amplo sorriso, correspondido pelo casal, ela salientou, no mesmo tom de voz, enfatizando: \u201cPor roubo!\u201d<\/p>\n<p>A fraude contra a empresa seguradora poder\u00e1 nunca se vir a concretizar, e a conversa n\u00e3o ter passado de uma mera teoriza\u00e7\u00e3o de potenciais procedimentos fraudulentos. No entanto, a simplicidade com que a dita senhora instruiu os clientes a adotarem um comportamento associal, sem qualquer pejo de ser ouvida pelas pessoas presentes na sala, deixou entender que o que ela estava a fazer era um comportamento recorrente, e que certamente n\u00e3o estaria consciente de que o que propunha era o perpetrar de uma fraude, na qual ela pr\u00f3pria seria conivente.<\/p>\n<p>Gostaria de saber o que responderia a dita senhora se, fora daquele universo em que t\u00e3o \u00e0 vontade se movia, lhe perguntassem, sem mais, a sua opini\u00e3o quanto \u00e0 aceitabilidade social de comportamentos fraudulentos. Imagino que ela iria afirma ser inequivocamente contra.<\/p>\n<p>Este tende a ser o grande problema no combate aos comportamentos associados \u00e0 pequena fraude. Eles tendem a tornar-se t\u00e3o naturais, que o sujeito que os comete, ou que os prop\u00f5e, deixa de ter consci\u00eancia de que, na realidade, \u00e9 um defraudador.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jos\u00e9 Ant\u00f3nio Moreira, Jornal i online \u201cSe o perder \u2026 ou danificar, deve telefonar-me a dizer que lho roubaram. 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