{"id":27614,"date":"2016-09-15T23:12:11","date_gmt":"2016-09-15T23:12:11","guid":{"rendered":"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=27614"},"modified":"2016-09-15T23:12:11","modified_gmt":"2016-09-15T23:12:11","slug":"ou-sacrificio-ou-suicidio-economico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=27614","title":{"rendered":"Ou sacr\u00edficio ou suic\u00eddio econ\u00f3mico"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #d8070f;\"><strong>\u00d3scar Afonso, Jornal i online<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><a href=\"http:\/\/ionline.sapo.pt\/artigo\/523702\/ou-sacrificio-ou-suicidio-economico?seccao=Opiniao_i\" target=\"_blank\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-19 alignleft\" title=\"Liga\u00e7\u00e3o \u00e0 Publica\u00e7\u00e3o\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/go2.png\" alt=\"\" width=\"16\" height=\"16\" \/><\/a><em><a href=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/JiE032.pdf\" target=\"_blank\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-2032\" title=\"Ficheiro PDF\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/pdf_button.png\" alt=\"\" width=\"14\" height=\"14\" \/><\/a><\/em><\/p>\n<p>O consumo \u201cacima das possibilidades\u201d afunda o investimento e, ao inv\u00e9s de promover o crescimento, aumenta a d\u00edvida externa. Ter\u00e1, por isso, de ser corrigido.<\/p>\n<div>\n<p><span style=\"font-size: 0.75rem; line-height: 1.25rem;\"><!--more-->\u00a0<\/span><\/p>\n<p>A Economia, sendo uma ci\u00eancia social, alimenta muitas conversas de caf\u00e9, estando demasiado sujeita a cren\u00e7as de \u201ctreinadores de bancada\u201d. Efectivamente, a maioria dos temas econ\u00f3micos s\u00e3o facilmente resolvidos por certezas de pregoeiros, sendo que as solu\u00e7\u00f5es s\u00e3o, no essencial, decididas por mecanismos ad-hoc, banais, que, no imediato ou no curto prazo e directa ou indirectamente, n\u00e3o mexam com o seu \u201cbolso\u201d. Acresce que, por vezes, tais pregoeiros chegam a ministros, secret\u00e1rios de estado e deputados e, nesse caso, passam a atormentar-nos a todos.<\/p>\n<p>Assim, \u201couvindo dizer\u201d que o crescimento econ\u00f3mico determina o n\u00edvel de vida, geralmente atiram com a certeza \u2013 errada, porque efectivamente pouco sabem \u2013 de que o motor do crescimento \u00e9 o consumo e que n\u00e3o h\u00e1 mais investimento (e, portanto, consumo futuro) por culpa dos \u201cmalfeitores\u201d empres\u00e1rios. \u00c0 primeira vista, tal como uma crian\u00e7a decide porque \u201csim\u201d, seriam ent\u00e3o boas ideias defender a promo\u00e7\u00e3o do consumo, j\u00e1 que os \u201cmalfeitores\u201d empres\u00e1rios n\u00e3o investem o suficiente. \u00c9 assim? N\u00e3o! E importa, portanto, desmascarar essas ideias.<\/p>\n<p>\u00c9 certo que o consumo pressup\u00f5e produ\u00e7\u00e3o e que a produ\u00e7\u00e3o requer investimento. Por\u00e9m, no contexto de uma (pequena) economia aberta ao exterior, como \u00e9 o caso da portuguesa, tal produ\u00e7\u00e3o pode ocorrer no exterior e ser obtida com importa\u00e7\u00f5es, desequilibrando as contas externas: o consumo \u201cacima das possibilidades\u201d afunda o investimento e, ao inv\u00e9s de promover o crescimento, aumenta a d\u00edvida externa. Ter\u00e1, por isso, de ser corrigido. No limite, por for\u00e7a dos mercados financeiros, quando o financiamento se tornar dif\u00edcil e o indesej\u00e1vel, mas esperado, futuro chegar.<\/p>\n<p>Mas afinal o investimento e consumo de que dependem? N\u00e3o precisamos de um modelo muito complicado para responder. Basta considerar uma tecnologia de produ\u00e7\u00e3o simples com tr\u00eas factores de produ\u00e7\u00e3o \u2013 capital, capital humano e conhecimento tecnol\u00f3gico, inclu\u00eddo a qualidade das institui\u00e7\u00f5es, associado ao capital humano \u2013 e com rendimentos constantes \u00e0 escala.<\/p>\n<p>Nesse caso, em equil\u00edbrio, a taxa de retorno do capital depende positivamente do n\u00edvel e da qualidade do factor trabalho, do n\u00edvel de conhecimento tecnol\u00f3gico e da qualidade das institui\u00e7\u00f5es. Ou seja, pa\u00edses com taxas de retorno superiores e, portanto, com mais investimento decidido racionalmente por empres\u00e1rios \u2013 logo com mais crescimento econ\u00f3mico \u2013 s\u00e3o os que possuem mais trabalhadores e com mais qualifica\u00e7\u00f5es, maior n\u00edvel de conhecimento tecnol\u00f3gico e tamb\u00e9m melhores institui\u00e7\u00f5es. Ou seja, o problema do n\u00edvel de investimento n\u00e3o est\u00e1 na \u201cmalfeitorice\u201d dos empres\u00e1rios, mas na sua racionalidade que requer quantidade e qualidade do factor trabalho, qualidade do factor capital, qualidade das leis, nomeadamente das fiscais, protec\u00e7\u00e3o dos direitos de propriedade, servi\u00e7os governamentais eficientes, condi\u00e7\u00f5es sociais adequadas, e reduzidos n\u00edveis de economia n\u00e3o registada, de fraude e de corrup\u00e7\u00e3o. Um bom registo nesses factores cr\u00edticos \u00e9 que torna de facto uns pa\u00edses mais atractivos que outros para investimento e, consequentemente, mais produtivos, mais ricos e com maior consumo no futuro.<\/p>\n<p>Em condi\u00e7\u00f5es normais, o consumo per capita depende positivamente do produto per capita, que, por sua vez, \u00e9 tanto maior quanto maior for a taxa de poupan\u00e7a, o n\u00edvel de capital humano, o conhecimento tecnol\u00f3gico, a qualidade das leis, a protec\u00e7\u00e3o dos direitos de propriedade, a qualidade dos servi\u00e7os governamentais e a paz social. O consumo per capita \u00e9 tamb\u00e9m tanto maior quanto menor for a economia n\u00e3o registada, a fraude e a corrup\u00e7\u00e3o, bem como as respectivas interpenetra\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>\u00c9 certo e sabido que a estrutura produtiva de um pa\u00eds n\u00e3o se altera num ano, nem num par de anos, podendo demorar at\u00e9 mais que uma d\u00e9cada. Mas isso \u00e9 agora, creio, facilmente percebido. A forma\u00e7\u00e3o de pessoas qualificadas, a altera\u00e7\u00e3o da taxa de natalidade, a forma\u00e7\u00e3o e importa\u00e7\u00e3o de capital assim como de conhecimento tecnol\u00f3gico, a transpar\u00eancia fiscal, a melhoria dos servi\u00e7os p\u00fablicos, a diminui\u00e7\u00e3o da economia n\u00e3o registada, da fraude e da corrup\u00e7\u00e3o requerem tempo.<\/p>\n<p>\u00c9 portanto certo que a aposta no investimento representa sacrif\u00edcio (de consumo presente), e que a aposta no consumo \u00e9 decididamente um suic\u00eddio: desgra\u00e7a o investimento, o crescimento econ\u00f3mico e o consumo futuro, funcionando at\u00e9 que o indesej\u00e1vel, mas previs\u00edvel, futuro se torne um horr\u00edvel presente e adiando por muito mais tempo o enriquecimento do pa\u00eds.<\/p>\n<\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00d3scar Afonso, Jornal i online O consumo \u201cacima das possibilidades\u201d afunda o investimento e, ao inv\u00e9s de promover o crescimento, aumenta a d\u00edvida externa. 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