{"id":26177,"date":"2016-05-05T23:08:30","date_gmt":"2016-05-05T23:08:30","guid":{"rendered":"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=26177"},"modified":"2016-05-13T16:37:44","modified_gmt":"2016-05-13T16:37:44","slug":"iliteracia-financeira-ou-algo-mais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=26177","title":{"rendered":"Iliteracia financeira ou algo mais?"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #d8070f;\"><strong>Jos\u00e9 Ant\u00f3nio Moreira, Jornal i Online<\/strong><\/span>,<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><a href=\"http:\/\/www.ionline.pt\/artigo\/509620\/iliteracia-financeira-ou-algo-mais-?seccao=Opiniao_i\" target=\"_blank\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-19 alignleft\" title=\"Liga\u00e7\u00e3o \u00e0 Publica\u00e7\u00e3o\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/go2.png\" alt=\"\" width=\"16\" height=\"16\" \/><\/a><a href=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/Ji014a.pdf\" target=\"_blank\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-2032\" title=\"Ficheiro PDF\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/pdf_button.png\" alt=\"\" width=\"14\" height=\"14\" \/><\/a><\/p>\n<p>\u201c25 portugueses mais ricos re\u00fanem 8,5% da riqueza nacional\u201d<\/p>\n<div>\n<p><span style=\"font-size: 0.75rem; line-height: 1.25rem;\"><!--more--><\/span>1 - O t\u00edtulo sobressa\u00eda no alinhamento do jornal P\u00fablico: <strong>\u201c<\/strong><strong>25 portugueses mais ricos re\u00fanem 8,5% da riqueza nacional\u201d<\/strong>. Em id\u00eanticos termos, a RTP1 e a Ag\u00eancia Lusa, entre muitos outros, tamb\u00e9m pegaram na pe\u00e7a.<\/p>\n<p><em>\u201cParte significativa da riqueza nacional \u00e9 controlada pelos 25 mais ricos de Portugal. Mais uma vez, o estudo levado a cabo pela revista Exame conclui que o total combinado das 25 maiores fortunas voltou a aumentar este ano.A riqueza deste grupo ascende a 14,7 mil milh\u00f5es de euros (14,3 mil milh\u00f5es em 2014), o que equivale a 8,5% do Produto Interno Bruto portugu\u00eas de 2014.\u201d<\/em><\/p>\n<p>2 - Do ponto de vista pedag\u00f3gico, a not\u00edcia \u00e9 um bom caso de estudo para ser ministrado a alunos de uma qualquer unidade curricular introdut\u00f3ria de Contabilidade ou de Economia, destinado a discutir a diferen\u00e7a entre uma vari\u00e1vel \u201cstock\u201d (a riqueza) e uma vari\u00e1vel \u201cfluxo\u201d (o PIB).<\/p>\n<p>A primeira, tem subjacente a ideia de acumula\u00e7\u00e3o. A riqueza dos ditos cidad\u00e3os \u00e9 uma medida do que eles acumularam ao longo das suas vidas, at\u00e9 ao momento. A segunda, est\u00e1 ligada \u00e0 mensura\u00e7\u00e3o do que ocorreu num determinado per\u00edodo de tempo.<\/p>\n<p>Tome-se como exemplo a albufeira de uma barragem. A \u00e1gua que nela est\u00e1 contida num determinado momento \u00e9 uma vari\u00e1vel \u201cstock\u201d, \u00e9 o volume que existe acumulado por via de todasas entradas e sa\u00eddas de \u00e1gua do reservat\u00f3rio. Partilha as carater\u00edsticas da vari\u00e1vel riqueza acima referida.<\/p>\n<p>A \u00e1gua que nela \u00e9 despejada por um rio durante um determinado per\u00edodo, por exemplo, um ano, \u00e9 uma vari\u00e1vel fluxo, tem subjacente a ideia do movimento ocorrido desde que se inicia a contagem do per\u00edodo. Equivale, no caso referido, \u00e0 vari\u00e1vel PIB, que \u00e9 o valor dos bens e servi\u00e7os produzidos durante um ano pela economia nacional.<\/p>\n<p>A varia\u00e7\u00e3o do \u201cstock\u201d de \u00e1gua na albufeira num determinado ano corresponder\u00e1 ao fluxo de entrada (a \u00e1gua que chega) deduzido do fluxo de sa\u00edda (a \u00e1gua que \u00e9 libertada para seguir rio abaixo).De id\u00eantico modo, no caso da riqueza nacional a varia\u00e7\u00e3o corresponde, aproximadamente, ao efeito do PIB gerado num dado per\u00edodo (o efeito positivo), deduzido do consumo agregado efetuado nesse mesmo per\u00edodo (o efeito negativo). Ou seja, em termos aproximados, a riqueza nacional varia em cada ano pelo valor da poupan\u00e7a agregada. O mesmo acontece no caso da riqueza dos referidos cidad\u00e3os.<\/p>\n<p>3 - Do ponto de vista informativo, esta breve explica\u00e7\u00e3o dos conceitos permite perceber o que de errado existe na not\u00edcia acima.Relaciona, sem cuidado, uma vari\u00e1vel \u201cstock\u201d com uma vari\u00e1vel \u201cfluxo\u201d, produzindo um resultado sem sentido. A pretender-se relativizar a riqueza desses cidad\u00e3os, deveria ter-se comparado o respetivo montante com o \u201cstock\u201d de riqueza do pa\u00eds (o valor acumulado). Alternativamente, por dificuldade em calcular tal \u201cstock\u201d, poderia comparar-se a varia\u00e7\u00e3o da riqueza dos cidad\u00e3os no ano em causa (400 milh\u00f5es) com a do pa\u00eds, tomada esta, grosso modo, como sendo a poupan\u00e7a bruta agregada (9,8 mil milh\u00f5es,em 2013, <em>Pordata<\/em>).<\/p>\n<p>O t\u00edtulo da not\u00edcia reflete ainda em maior grau a iliteracia contabil\u00edstico-financeira de quem a produziu, e de quem a reproduziu acriticamente. \u00c9 assumido, implicitamente, que o PIB \u00e9 uma medida da riqueza do pa\u00eds. N\u00e3o \u00e9. \u00c9 apenas, como se referiu, a vertente positiva da respetiva varia\u00e7\u00e3o num dado per\u00edodo, sendo necess\u00e1rio retirar a vertente negativa, relativa ao consumo.<\/p>\n<p>4 - Reli o texto. Ser\u00e1 que me est\u00e1 a passar algo ao lado? Tratar-se-\u00e1 de iliteracia financeira, ou poder\u00e3o tais erros concetuais ser deliberados?<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jos\u00e9 Ant\u00f3nio Moreira, Jornal i Online, \u201c25 portugueses mais ricos re\u00fanem 8,5% da riqueza nacional\u201d<\/p>\n","protected":false},"author":34,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_bbp_topic_count":0,"_bbp_reply_count":0,"_bbp_total_topic_count":0,"_bbp_total_reply_count":0,"_bbp_voice_count":0,"_bbp_anonymous_reply_count":0,"_bbp_topic_count_hidden":0,"_bbp_reply_count_hidden":0,"_bbp_forum_subforum_count":0,"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[72,129],"tags":[],"class_list":["post-26177","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-cronicas","category-jornal-i-online"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/26177","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/34"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=26177"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/26177\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":26207,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/26177\/revisions\/26207"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=26177"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=26177"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=26177"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}