{"id":23786,"date":"2015-12-08T12:24:51","date_gmt":"2015-12-08T12:24:51","guid":{"rendered":"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=23786"},"modified":"2015-12-07T16:30:19","modified_gmt":"2015-12-07T16:30:19","slug":"o-futuro-passa-pela-criacao-de-valor-partilhado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=23786","title":{"rendered":"O futuro passa pela cria\u00e7\u00e3o de valor partilhado"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #d8070f;\"><strong>Manuel Carlos Nogueira, P\u00fablico<\/strong><\/span>,<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><a href=\"http:\/\/www.publico.pt\/economia\/noticia\/o-futuro-passa-pela-criacao-de-valor-partilhado-1716575\" target=\"_blank\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-19 alignleft\" title=\"Liga\u00e7\u00e3o \u00e0 Publica\u00e7\u00e3o\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/go2.png\" alt=\"\" width=\"16\" height=\"16\" \/><\/a><a href=\"http:\/\/www.publico.pt\/portugal\/noticia\/apologia-do-crime-economico-1703133\" target=\"_blank\">\u00a0<\/a><a href=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/Publico008.pdf\" target=\"_blank\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-2032\" title=\"Ficheiro PDF\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/pdf_button.png\" alt=\"\" width=\"14\" height=\"14\" \/><\/a><\/p>\n<p>Nas \u00faltimas d\u00e9cadas do s\u00e9culo passado, assistimos a diversas evolu\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas e a um aumento da globaliza\u00e7\u00e3o. As empresas para sobreviverem <!--more-->viram-se for\u00e7adas a efetuar melhorias cont\u00ednuas. As que n\u00e3o aderiram a estes processos de melhoria cont\u00ednua acabaram por entrar em insolv\u00eancia, ou foram adquiridas por outras mais capazes de se adaptar a esta constante e crescente concorr\u00eancia.<\/p>\n<p>Em nome do aumento dos lucros para os seus <em>shareholders<\/em>, muitas foram deslocadas para pa\u00edses onde muitas vezes a m\u00e3o-de-obra apesar de ser mais qualificada \u00e9 mais barata, j\u00e1 que qualquer empresa pretende criar valor e todas as decis\u00f5es e investimentos destinam-se a incrementar esse mesmo valor.<\/p>\n<p>No atual ambiente conturbado que vivemos, os gestores apenas se preocupam em criar valor para os <em>shareholders<\/em>, promovendo decis\u00f5es ajustadas \u00e0 moderna gest\u00e3o baseada em valor. Chegam mesmo a quantificar esse valor criado, atrav\u00e9s de m\u00e9tricas pr\u00f3prias. Autores como Rappaport (1998), criaram modelos que permitem calcular o valor criado para os <em>shareholders<\/em>.<\/p>\n<p>O principal impacto que uma empresa tem na sociedade s\u00e3o os produtos e servi\u00e7os que ela p\u00f5e \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o dos seus clientes. Para os produzir s\u00e3o consumidos recursos dessa sociedade o que provoca um l\u00f3gico desgaste na rela\u00e7\u00e3o entre empresas e sociedade, pois estas apenas pensavam em maximizar a cria\u00e7\u00e3o de valor para si pr\u00f3prias.<\/p>\n<p>Assim, surgiram as preocupa\u00e7\u00f5es com a chamada responsabilidade social das empresas como resposta ao desgaste que estas provocam. Felizmente que nos \u00faltimos tempos, o tema da cria\u00e7\u00e3o de valor pelas empresas tem sido mais alargado, fruto de Michael Porter e Mark Kramer (2011). Estes autores lan\u00e7aram o desafio da cria\u00e7\u00e3o de valor partilhado (CVP).<\/p>\n<p>\u00c1 partida parece tarefa dif\u00edcil distinguir as diferen\u00e7as entre a responsabilidade social corporativa e a cria\u00e7\u00e3o de valor partilhado., mas n\u00e3o o \u00e9. Em termos gerais, o valor partilhado \u00e9 criado quando as empresas al\u00e9m de criarem valor para si, tamb\u00e9m criam valor para a sociedade, nomeadamente em termos sociais e ambientais. Para Porter e Kramer a abordagem da cria\u00e7\u00e3o de valor para os <em>shareholders<\/em> que surgiu nas \u00faltimas d\u00e9cadas, est\u00e1 ultrapassada. Para estes autores, as empresas que continuem a ignorar as necessidades mais importantes dos seus clientes est\u00e3o condenadas ao insucesso e ao encerramento.<\/p>\n<p>Uma boa forma das empresas perceberem como podem criar valor partilhado \u00e9 identificar as necessidades e anseios que podem estar associados aos seus produtos por parte dos seus clientes, e atrav\u00e9s dessa identifica\u00e7\u00e3o descobrir novas oportunidades que lhe permitir\u00e3o diferenciar-se dos seus concorrentes. Muitas as empresas globais j\u00e1 est\u00e3o a implementar esta nova abordagem, permitindo o progresso da sociedade e o crescimento mais acelerado das suas atividades empresariais.<\/p>\n<p>As empresas podem criar oportunidades de valor partilhado de tr\u00eas formas distintas:<\/p>\n<ul>\n<li>Atender \u00e0s necessidades sociais inovando;<\/li>\n<li>Redefinir a produtividade na cadeia de valor, administrando corretamente os recursos naturais essenciais;<\/li>\n<li>Incentivar o desenvolvimento de <em>clusters<\/em><\/li>\n<\/ul>\n<p>Uma empresa pode criar valor para si e criar valor social ao mesmo tempo, basta que para isso por exemplo, redefina a sua produtividade na cadeia de valor atrav\u00e9s da diminui\u00e7\u00e3o do consumo de recursos naturais que por norma s\u00e3o escassos, o que criar\u00e1 uma empatia das comunidades locais para com a empresa. Outro exemplo existe quando a empresa incentive fortemente a cria\u00e7\u00e3o de <em>clusters<\/em> locais. Para Porter e Kramer, quando uma empresa cria um <em>cluster<\/em> ao redor das suas principais bases de opera\u00e7\u00e3o, o elo entre esta e as comunidades locais sai refor\u00e7ado, pois isso permite lan\u00e7ar novos neg\u00f3cios, tanto principais como auxiliares o que gera emprego direto e indireto. A comunidade local certamente ficar\u00e1 grata por isso. Estes autores chamam particular aten\u00e7\u00e3o para a forma como a sociedade penaliza as empresas que n\u00e3o incorporam na sua estrat\u00e9gia a preocupa\u00e7\u00e3o em resolver os problemas sociais e ambientais, como seja o caso de empresas que n\u00e3o se preocupam em diminuir ou eliminar a polui\u00e7\u00e3o que provocam.<\/p>\n<p>Uma pergunta pode ser feita nesta altura. A preocupa\u00e7\u00e3o que as empresas devem ter com os problemas sociais e ambientais v\u00e3o aumentar os seus custos? A nossa resposta \u00e9 que n\u00e3o, at\u00e9 pelo contr\u00e1rio. Atrav\u00e9s do investimento em tecnologias mais limpas e mais eficientes, atrav\u00e9s da melhoria da sua gest\u00e3o e da sua constante inova\u00e7\u00e3o a empresa aumenta a sua produtividade e por consequ\u00eancia o seu lucro. Assim, esfor\u00e7os para promover a cria\u00e7\u00e3o de valor partilhado reduzem os custos para as empresas e aumentam a sua rentabilidade.<\/p>\n<p>Importa real\u00e7ar que a filosofia que est\u00e1 na g\u00e9nese da cria\u00e7\u00e3o do valor partilhado, n\u00e3o \u00e9 pura e simplesmente as empresas redistribu\u00edrem pela sociedade o seu valor, mas sim obter valor acrescido atrav\u00e9s de melhores pr\u00e1ticas sociais e ambientais e \u00e9 esse acr\u00e9scimo que vai ser distribu\u00eddo pela sociedade de diversas formas. Assim, as empresas e os empres\u00e1rios contribuem para uma sociedade mais justa e para um ambiente mais limpo, ao mesmo tempo que respeitam os valores e princ\u00edpios da sociedade em que se inserem.<\/p>\n<p>Ainda para Porter e Kramer, criar valor partilhado por via de preocupa\u00e7\u00f5es sociais e ambientais, trar\u00e1 um grande contributo para o crescimento econ\u00f3mico mundial, reinventado o capitalismo com benef\u00edcios para todos.<\/p>\n<p>Para bem de todos, j\u00e1 muitas empresas a n\u00edvel mundial aderiram a este conceito, pois perceberam a tempo que, para terem sucesso a longo prazo e para continuarem a criar valor para os seus <em>shareholders<\/em> dever\u00e3o em simult\u00e2neo gerar e partilhar valor com a sociedade. Uma conhecida multinacional do ramo alimentar reorientou a sua produ\u00e7\u00e3o para a necessidade fundamental de melhorar a nutri\u00e7\u00e3o em detrimento de gerar maior consumo. Basta ler com aten\u00e7\u00e3o os seus relat\u00f3rios anuais de cria\u00e7\u00e3o de valor partilhado, para perceber a sua preocupa\u00e7\u00e3o e o seu comprometimento com a partilha de valor.<\/p>\n<p>As oportunidades para a cria\u00e7\u00e3o de valor partilhado est\u00e3o a crescer, pois este abre novas necessidades a satisfazer. Para aproveitar essas oportunidades basta que os gestores estejam atentos aos sinais que a sociedade emite.<\/p>\n<p>Os governos tamb\u00e9m t\u00eam um papel importante neste assunto, pois devem emitir legisla\u00e7\u00e3o no sentido de incentivar a partilha de valor, quer atrav\u00e9s de benef\u00edcios fiscais, quer atrav\u00e9s de apoios \u00e0 utiliza\u00e7\u00e3o de tecnologias que proporcionem um desenvolvimento sustent\u00e1vel. Porque n\u00e3o incluir no novo quadro comunit\u00e1rio de apoio verbas pr\u00f3prias para apoiar projetos que tenham como prioridade a aposta num desenvolvimento sustent\u00e1vel?<\/p>\n<p>O caminho para chegarmos a uma plena cria\u00e7\u00e3o de valor partilhado \u00e9 longo, mas sem d\u00favida que j\u00e1 come\u00e7ou a ser percorrido e como tudo na vida, quem vislumbra primeiro uma mudan\u00e7a positiva \u00e9 aquele que acaba primeiro por lucrar com isso. Ser\u00e1 que os gestores portugueses j\u00e1 perceberam corretamente as vantagens desta grande transforma\u00e7\u00e3o no pensamento de gest\u00e3o?<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Manuel Carlos Nogueira, P\u00fablico, \u00a0 Nas \u00faltimas d\u00e9cadas do s\u00e9culo passado, assistimos a diversas evolu\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas e a um aumento da globaliza\u00e7\u00e3o. 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