{"id":23168,"date":"2015-10-29T14:38:35","date_gmt":"2015-10-29T14:38:35","guid":{"rendered":"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=23168"},"modified":"2015-12-04T19:11:32","modified_gmt":"2015-12-04T19:11:32","slug":"o-premio-nobel-que-afinal-nao-existe","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=23168","title":{"rendered":"O pr\u00e9mio Nobel que afinal n\u00e3o existe"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #d8070f;\"><strong>Manuel Castelo Branco, Vis\u00e3o on line<\/strong><\/span>,<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><a href=\"http:\/\/visao.sapo.pt\/opiniao\/silnciodafraude\/2015-10-29-O-premio-Nobel-que-afinal-nao-existe\" target=\"_blank\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-19 alignleft\" title=\"Liga\u00e7\u00e3o \u00e0 Publica\u00e7\u00e3o\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/go2.png\" alt=\"\" width=\"16\" height=\"16\" \/>\u00a0<\/a><a href=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/VisaoE354.pdf\" target=\"_blank\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-2032\" title=\"Ficheiro PDF\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/pdf_button.png\" alt=\"\" width=\"14\" height=\"14\" \/><\/a><\/p>\n<div>\n<p>Nunca nenhum economista obteve um pr\u00e9mio Nobel da economia porque tal pr\u00e9mio n\u00e3o existe. O que existe de facto \u00e9 um pr\u00e9mio institu\u00eddo no final da d\u00e9cada de 60 do s\u00e9culo passado pelo <em>Sveriges Riksbank<\/em>, o banco central da Su\u00e9cia.<\/p>\n<p>...<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p><span style=\"font-size: 0.75rem; line-height: 1.25rem;\"><!--more--><\/span><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-23171\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/mw-280.jpg\" alt=\"Imagem com que apareceu na Vis\u00e3o online.\" width=\"280\" height=\"197\" \/><\/p>\n<p>O mais recente \u201cpr\u00e9mio <em>Sveriges Riksbank<\/em> de ci\u00eancias econ\u00f3micas em mem\u00f3ria de Alfred Nobel\u201d foi atribu\u00eddo\u00a0no passado dia 12 de Outubro a Angus Deaton, economista de origem escocesa, mas com dupla nacionalidade, norte-americana e brit\u00e2nica.<\/p>\n<p>Angus Deaton n\u00e3o ganhou o pr\u00e9mio Nobel da Economia. Nunca nenhum economista obteve tal distin\u00e7\u00e3o porque esse pr\u00e9mio n\u00e3o existe. O primeiro economista a ganhar um verdadeiro pr\u00e9mio Nobel foi Muhammad Yunus quando, em 2006, foi agraciado com o pr\u00e9mio Nobel da Paz.<\/p>\n<p>O que existe de facto \u00e9 um pr\u00e9mio institu\u00eddo no final da d\u00e9cada de 60 do s\u00e9culo passado pelo <em>Sveriges Riksbank<\/em>, o banco central da Su\u00e9cia. Embora os galardoados com esta distin\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m sejam selecionados pela Academia Sueca Real de Ci\u00eancias, ele n\u00e3o tem qualquer liga\u00e7\u00e3o com Alfred Nobel. Mais ainda, ele n\u00e3o \u00e9, como os pr\u00e9mios Nobel, financiado pela Funda\u00e7\u00e3o Nobel, portanto por dinheiro privado, mas antes por dinheiro p\u00fablico da organiza\u00e7\u00e3o que o instituiu.<\/p>\n<p>Trata-se de um pr\u00e9mio bastante controverso. H\u00e1 mesmo quem o designe de \u201ch\u00e1bil mistifica\u00e7\u00e3o\u201d ou se refira a ele como a \u201cfraude do pr\u00e9mio Nobel da economia\u201d. Como quer que seja, a verdade \u00e9 que os pr\u00f3prios descendentes de Alfred Nobel se t\u00eam pronunciado contra a associa\u00e7\u00e3o usualmente estabelecida entre este pr\u00e9mio e os verdadeiros pr\u00e9mios Nobel. Por exemplo, em 2001, declararam a necessidade de os dissociar e<em>\u00a0<\/em>afirmaram que o pr\u00e9mio do <em>Sveriges Riksbank<\/em> degrada e banaliza os verdadeiros pr\u00e9mios Nobel. Peter Nobel ter\u00e1 at\u00e9 afirmado que se tratava de \u201cuma jogada de rela\u00e7\u00f5es p\u00fablicas para os economistas melhorarem a sua reputa\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>H\u00e1 quem afirme que n\u00e3o nos devemos deixar \u201cenganar pelo pr\u00e9mio Nobel\u201d porque, na verdade, \u201ca economia n\u00e3o \u00e9 uma ci\u00eancia\u201d ou que \u201cn\u00e3o \u00e9 um Nobel verdadeiro e a economia n\u00e3o \u00e9 uma verdadeira ci\u00eancia\u201d. A exist\u00eancia de um pr\u00e9mio \u201cNobel\u201d da economia atribui-lhe uma aura de cientificidade que talvez esta \u00e1rea do conhecimento n\u00e3o deva possuir. No discurso proferido durante o banquete de rece\u00e7\u00e3o do pr\u00e9mio do banco central da Su\u00e9cia, em 1974, Friedrich Hayek afirmou que se tivesse sido consultado sobre a eventualidade da cria\u00e7\u00e3o de um pr\u00e9mio Nobel da economia se teria pronunciado contra. Uma das raz\u00f5es que apresentou para isso foi a de que esse pr\u00e9mio confere a um indiv\u00edduo uma autoridade que no caso da economia ningu\u00e9m devia possuir. Estas afirma\u00e7\u00f5es s\u00e3o melhor compreendidas se lidas \u00e0 luz da sua palestra em mem\u00f3ria de Alfred Nobel com o t\u00edtulo \u201cA pretens\u00e3o do conhecimento\u201d, na qual, debru\u00e7ando-se sobre a diferen\u00e7a entre a economia e as ci\u00eancias f\u00edsicas, afirmou que, ao contr\u00e1rio do que sucede nestas, \u201cna economia e noutras disciplinas que lidam com fen\u00f3menos essencialmente complexos, os aspetos dos eventos a serem estudados sobre os quais podemos obter dados quantitativos s\u00e3o necessariamente limitados e podem n\u00e3o incluir os mais importantes.\u00a0 Enquanto nas ci\u00eancias f\u00edsicas geralmente se assume (\u2026) que qualquer fator importante que determina os eventos observados ser\u00e1 ele pr\u00f3prio diretamente observ\u00e1vel e mensur\u00e1vel, no estudo de fen\u00f3menos t\u00e3o complexos como o mercado, que depende das a\u00e7\u00f5es de muitos indiv\u00edduos, (\u2026) todas as circunst\u00e2ncias que determinar\u00e3o o resultado de um processo dificilmente ser\u00e3o alguma vez totalmente conhecidas ou mesmo mensur\u00e1veis.\u201d<\/p>\n<p>Por isso, \u00e9 muito perigoso aceitar, com base na autoridade que se lhe atribui por a economia ser considerada uma ci\u00eancia, afirma\u00e7\u00f5es de que esta ou aquela forma de resolver um problema de natureza social \u00e9 a correta por ser a que est\u00e1 de acordo com o que diz a an\u00e1lise econ\u00f3mica. A realidade n\u00e3o \u00e9 assim t\u00e3o simples. A economia enquanto \u00e1rea do conhecimento \u00e9 constitu\u00edda por m\u00faltiplas vis\u00f5es da realidade, algumas verdadeiramente contradit\u00f3rias, e entre economistas h\u00e1 in\u00fameros debates sem solu\u00e7\u00e3o \u00e0 vista. O facto de algumas dessas perspetivas passarem uma imagem de cientificidade por recorrerem fortemente \u00e0 matem\u00e1tica nos modelos que da realidade oferecem n\u00e3o \u00e9 motivo para se ter maior confian\u00e7a nelas. A verdade \u00e9 que a validade destas perspetivas est\u00e1 limitada pela verifica\u00e7\u00e3o de pressupos\u00adtos muito espec\u00edficos de que raramente se fala, de t\u00e3o enterrados que ficam nas obras da especialidade.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Manuel Castelo Branco, Vis\u00e3o on line, \u00a0 Nunca nenhum economista obteve um pr\u00e9mio Nobel da economia porque tal pr\u00e9mio n\u00e3o existe. 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