{"id":22505,"date":"2015-10-20T20:09:40","date_gmt":"2015-10-20T20:09:40","guid":{"rendered":"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=22505"},"modified":"2015-12-04T19:01:46","modified_gmt":"2015-12-04T19:01:46","slug":"evolucao-recente-da-economia-do-meu-pais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=22505","title":{"rendered":"Evolu\u00e7\u00e3o recente da economia do meu pa\u00eds"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #d8070f;\"><strong>\u00d3scar Afonso, P\u00fablico<\/strong><\/span>,<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><a href=\"http:\/\/www.publico.pt\/economia\/noticia\/evolucao-recente-da-economia-do-meu-pais-1711489\" target=\"_blank\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-19 alignleft\" title=\"Liga\u00e7\u00e3o \u00e0 Publica\u00e7\u00e3o\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/go2.png\" alt=\"\" width=\"16\" height=\"16\" \/><\/a><a href=\"http:\/\/www.publico.pt\/portugal\/noticia\/apologia-do-crime-economico-1703133\" target=\"_blank\">\u00a0<\/a><a href=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/Publico006.pdf\" target=\"_blank\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-2032\" title=\"Ficheiro PDF\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/pdf_button.png\" alt=\"\" width=\"14\" height=\"14\" \/><\/a><\/p>\n<div>\u00a0Depois de uma fase inicial de converg\u00eancia real com a m\u00e9dia europeia, na sequ\u00eancia da ades\u00e3o \u00e0 ent\u00e3o Comunidade Econ\u00f3mica Europeia, Portugal entrou num processo de diverg\u00eancia real e a descida das taxas de juro induziram um endividamento excessivo. Na sequ\u00eancia desse endividamento e do descontrolo or\u00e7amental, a poupan\u00e7a da na\u00e7\u00e3o reduziu-se e, conjugada com a perda de competitividade, tamb\u00e9m as contas externas se deterioraram.<!--more--> Mais despesa p\u00fablica significou puro gasto p\u00fablico em lugar de investimento produtivo, acabando por representar mais carga fiscal e, por isso, menos poupan\u00e7a, que foi tamb\u00e9m negativamente incentivada. A par de tudo isto, ou por tudo isto, a economia paralela n\u00e3o parou de crescer, motivada pelo acr\u00e9scimo da evas\u00e3o fiscal face ao \u201cincentivo\u201d para operar fora da economia oficial. \u00c9 certo que a ru\u00edna na competitividade foi o resultado de causas externas (perda do instrumento taxa de c\u00e2mbio, alargamento da Uni\u00e3o Europeia a leste e maior penetra\u00e7\u00e3o no mercado europeu de pa\u00edses como a China), mas tamb\u00e9m \u00e9 verdade que foi o resultado de causas internas, com a aposta no ex\u00edguo mercado interno.O resultado de pol\u00edticas nacionais desajustadas foi pois um crescimento econ\u00f3mico marginal e fict\u00edcio porque se baseou num conjunto de importantes desequil\u00edbrios macroecon\u00f3micos, especialmente nas contas oficiais (p\u00fablicas e externas), insustent\u00e1veis no longo prazo e que, num primeiro momento, incentivaram ataques especulativos \u00e0 d\u00edvida p\u00fablica portuguesa e, numa segunda fase, obrigaram o pa\u00eds a recorrer ao mecanismo de assist\u00eancia financeira externa, em 2011, financiado pela zona euro e pelo FMI. Efectivamente, os PECs eram apenas paliativos para adiar o ajustamento. Na altura, a um passo da bancarrota e sem acesso aos mercados, a sensatez e a responsabilidade levaram o Estado a seguir esse caminho para evitar o cessamento de pagamentos a funcion\u00e1rios p\u00fablicos, pensionistas, fornecedores e credores. Foi ent\u00e3o adoptado um programa de ajustamento com medidas restritivas de curto prazo, com custos significativos no produto e no emprego, e \u201creformas estruturais\u201d de longo prazo. Dada a dimens\u00e3o dos desequil\u00edbrios, o processo de ajustamento foi naturalmente dur\u00edssimo.<\/p>\n<p>Quanto \u00e0s contas p\u00fablicas, refira-se que um d\u00e9fice or\u00e7amental tem de ser financiado por venda de activos, e\/ou atrav\u00e9s do financiamento monet\u00e1rio (proibido na zona euro e tendencialmente inflacionista) e\/ou atrav\u00e9s da emiss\u00e3o de d\u00edvida p\u00fablica. Neste \u00faltimo caso, no entanto, h\u00e1 tend\u00eancia para o aumento da taxa de juro da d\u00edvida p\u00fablica que, se superar a taxa de crescimento do PIB, faz com que o seu peso no PIB aumente. Assim, se o d\u00e9fice or\u00e7amental for persistente e de dimens\u00e3o significativa, mais cedo ou mais tarde, a situa\u00e7\u00e3o tem de ser corrigida. Para o efeito, podem, como sucedeu, diminuir-se os gastos p\u00fablicos, comprometendo a promo\u00e7\u00e3o da efici\u00eancia econ\u00f3mica, da equidade, da estabilidade macroecon\u00f3mica e do crescimento econ\u00f3mico. Podem ainda aumentar-se impostos, via taxas, como sucedeu, ou via combate \u00e0 economia paralela, j\u00e1 que sendo anualmente superior a 40 mil milh\u00f5es de euros h\u00e1 uma parcela muito relevante de impostos que fica por cobrar.<\/p>\n<p>Quanto \u00e0s contas externas, a balan\u00e7a corrente corresponde \u00e0 diferen\u00e7a entre a poupan\u00e7a da na\u00e7\u00e3o e o investimento. Um d\u00e9fice significa que o pa\u00eds est\u00e1 a viver \u201cacima das possibilidades\u201d e necessita de ser financiado (aumentando a d\u00edvida externa). Tal n\u00e3o pode perdurar no longo prazo, uma vez que, como aconteceu, as taxas de juro sobem e\/ou o financiamento torna-se dif\u00edcil. Assim, face \u00e0 exig\u00eancia dos mercados financeiros, algures no tempo o ajustamento torna-se, como naturalmente sucedeu, inevit\u00e1vel, remetendo para medidas promotoras do crescimento econ\u00f3mico, do emprego, da melhoria da competitividade internacional, que, por sua vez, gera aumento das exporta\u00e7\u00f5es; era esta a l\u00f3gica das reformas estruturais. Alternativamente ou supletivamente, o ajustamento pode originar medidas de austeridade, que gerem redu\u00e7\u00e3o do consumo (p\u00fablico e privado) e, dessa forma, das importa\u00e7\u00f5es, como foi o caso.<\/p>\n<p>Neste processo emergem muitas quest\u00f5es interrelacionadas. Entre as quais, podemos perguntar-nos como foi poss\u00edvel: registar d\u00e9fices correntes oficiais t\u00e3o significativos e persistentes desde 1995; a exist\u00eancia de governos <em>imp\u00e1vidos e serenos perante o <\/em>descalabro observado na competitividade externa e no valor da d\u00edvida externa; atingir um endividamento t\u00e3o elevado de todos os agentes econ\u00f3micos (indiv\u00edduos, empresas e Estado); n\u00e3o antecipar as dificuldades de financiamento nos mercados internacionais; conviver com a traject\u00f3ria de crescimento da economia paralela. Em suma, como foi poss\u00edvel que a crise financeira internacional p\u00f3s-2007 tivesse imediatamente gerado escassez de cr\u00e9dito e subida do seu pre\u00e7o, precipitando o pedido de ajuda externa.<\/p>\n<p>Responder a estas quest\u00f5es exigiria uma cr\u00f3nica adicional. Por hoje, resta-nos referir que o programa de assist\u00eancia apresentou tr\u00eas objectivos complementares: consolida\u00e7\u00e3o or\u00e7amental, desalavancagem e estabilidade financeira, e transforma\u00e7\u00e3o estrutural da economia. O 1\u00ba objectivo originou pol\u00edticas or\u00e7amentais e de rendimentos restritivas, o 2\u00ba ac\u00e7\u00f5es de recapitaliza\u00e7\u00e3o dos bancos e altera\u00e7\u00f5es no enquadramento regulat\u00f3rio, e o 3\u00ba um programa de reformas estruturais. O ajustamento externo parece conseguido, j\u00e1 que pela primeira vez desde 1985 se observou super\u00e1vite corrente em 2013 e 2014. A correc\u00e7\u00e3o do desequil\u00edbrio das contas p\u00fablicas tem sido bem mais dif\u00edcil. A recess\u00e3o produziu um aumento das despesas sociais e, juntamente com o aumento do peso da economia paralela, uma redu\u00e7\u00e3o das receita fiscal. Apesar das medidas restritivas, os objectivos para o peso do d\u00e9fice p\u00fablico no PIB oficial foram sucessivamente alterados e o peso da d\u00edvida p\u00fablica no PIB oficial continua elevado. O programa originou pois custos importantes no curto prazo, com uma profunda depress\u00e3o da procura interna, uma forte quebra do PIB oficial e do investimento, e a coes\u00e3o social evidenciou sinais de deteriora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Apesar de tudo, Portugal acabou por ter \u201cuma sa\u00edda limpa\u201d do processo e a hip\u00f3tese de uma \u201cespiral recessiva\u201d parece afastada. Em vez da aposta no consumo e no investimento p\u00fablico; ou seja, no reduzido mercado interno, a aposta tem passado pela sa\u00fade financeira do Estado e pela iniciativa privada voltada para o mercado externo, na expectativa de que, desse modo, haja uma transforma\u00e7\u00e3o da estrutura produtiva e crescimento econ\u00f3mico sustentado. \u00c9 certo que h\u00e1 que investir mais na qualifica\u00e7\u00e3o dos recursos humanos, no empreendedorismo, na melhoria da qualidade das institui\u00e7\u00f5es, com a justi\u00e7a \u00e0 cabe\u00e7a, e no combate \u00e0 economia paralela. \u00c9 ainda certo que a taxa de desemprego \u00e9 significativa e h\u00e1 desigualdades gritantes. Mas, apesar de tudo, face \u00e0 dimens\u00e3o dos desequil\u00edbrios as coisas poderiamter sido bem piores.<\/p>\n<\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00d3scar Afonso, P\u00fablico, \u00a0 \u00a0Depois de uma fase inicial de converg\u00eancia real com a m\u00e9dia europeia, na sequ\u00eancia da ades\u00e3o \u00e0 ent\u00e3o Comunidade Econ\u00f3mica Europeia, Portugal entrou num processo de diverg\u00eancia real e a descida das taxas de juro induziram um endividamento excessivo. 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