{"id":21666,"date":"2015-08-13T23:03:06","date_gmt":"2015-08-13T23:03:06","guid":{"rendered":"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=21666"},"modified":"2015-12-04T19:27:28","modified_gmt":"2015-12-04T19:27:28","slug":"dinamicas-individuais-e-colectivas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=21666","title":{"rendered":"Din\u00e2micas individuais e colectivas"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #d8070f;\"><strong>Carlos Pimenta, OBEGEF<br \/>\n<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><a href=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=21666&amp;preview=true\" target=\"_blank\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-19 size-full\" title=\"Liga\u00e7\u00e3o \u00e0 publica\u00e7\u00e3o\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/go2.png\" alt=\"\" width=\"16\" height=\"16\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><a title=\"A banca do jogo\" href=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/NaoI_035.pdf\" target=\"_blank\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-2032\" title=\"Ficheiro pdf\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/pdf_button.png\" alt=\"\" width=\"14\" height=\"14\" \/><\/a>A passagem do individual para o colectivo representa uma ruptura qualitativa<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>1, Fui um compulsivo leitor de teatro e romances. Fizeram-me viajar por tempos e espa\u00e7os que nunca alcan\u00e7aria, despertaram-me emo\u00e7\u00f5es e dedu\u00e7\u00f5es, deram-me informa\u00e7\u00e3o, imagina\u00e7\u00e3o e conhecimento. <em>Liberdade ou Morte<\/em> de Nikos Kazantzaki, relatando a luta dos gregos contra a ocupa\u00e7\u00e3o turca, marcou profundamente a minha personalidade, sem que disso me tivesse apercebido quando da leitura.<\/p>\n<p>Escrito em 1950, editado em portugu\u00eas em 1963 e lido pouco tempo depois, permaneceu mais de quarenta anos na estante. H\u00e1 dois anos voltei a desfolh\u00e1-lo e foi com alegria que encontrei algumas raras frases sublinhadas. Uma delas voltou a tocar as cordas da minha sensibilidade e percebi quanto se tinha enraizado no meu inconsciente: \u201ca felicidade individual n\u00e3o existe para as pessoas como n\u00f3s, fica-o sabendo. S\u00f3 poderemos ser felizes se lutarmos pela felicidade de todos\u201d (231).<\/p>\n<p>Associei-a a uma frase bem conhecida de Saint-Just, pronunciada em plena Revolu\u00e7\u00e3o Francesa, na qual participou intensamente: \u201ca ideia da felicidade \u00e9 algo de novo na Europa\u201d.<\/p>\n<p>O capit\u00e3o Micael j\u00e1 tinha sentido a felicidade. Saint-Just sabia que ao longo de mil\u00e9nios muitos homens consideraram-se felizes. Mas quando a colectividade toma consci\u00eancia da sua situa\u00e7\u00e3o, rompe as rotinas e orienta a sua exist\u00eancia pelo futuro, percebe que pode ser criado um sistema social em que haja condi\u00e7\u00f5es para a felicidade duradoira e generalizada. Nesse momento os homens souberam tomar nas suas m\u00e3os o seu destino, passaram a ser obreiros da sua exist\u00eancia.<\/p>\n<p>2. Com a consci\u00eancia que a passagem do individual para o colectivo representa uma ruptura qualitativa, pus-me, sem a convic\u00e7\u00e3o her\u00f3ica de Micael, a pensar na fraude, para tirar li\u00e7\u00f5es para o futuro, para tentar perceber o que fazer para criar uma sociedade mais \u00e9tica e justa em que todos possamos viver.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m podemos atribuir o ambiente fraudulento e corrupto em que estamos afogados \u2012 que ataca intensamente as malhas do poder econ\u00f3mico e pol\u00edtico, tornando a honestidade da maioria dos cidad\u00e3os quase uma excep\u00e7\u00e3o \u00e0 regra \u2012 a uma espec\u00edfica \u00e9poca hist\u00f3rica?<\/p>\n<p>A resposta parece-me afirmativa. Se sempre houve fraudes pontualmente, a Revolu\u00e7\u00e3o Industrial do s\u00e9culo XVIII trouxe-lhes outro significado social e capacidade de propaga\u00e7\u00e3o. N\u00e3o faltam exemplos de grandes defraudadores, burl\u00f5es, que h\u00e1 muitas d\u00e9cadas se tornaram c\u00e9lebres pelo seu engenho e arte de praticar a \u00abArte de Furtar\u00bb; o italiano Carlo Ponzi (1920) e o portugu\u00eas Alves dos Reis (1925) s\u00e3o exemplos paradigm\u00e1ticos. Nos passados anos 40 foi mostrado inequivocamente, por Sutherland, dois aspectos actuais da realidade contempor\u00e2nea: as fraudes econ\u00f3mico-financeiras s\u00e3o avassaladoras e mais graves para a comunidade que os crimes de rua; os criminosos n\u00e3o s\u00e3o pessoas ou organiza\u00e7\u00f5es socialmente marginalizadas, s\u00e3o elites integrantes do poder. Contudo, parece podermos afirmar que \u00e9 depois dos anos 80\/90 que a economia paralela, a fraude e a corrup\u00e7\u00e3o se tornam sist\u00e9micas.<\/p>\n<p>Porqu\u00ea ent\u00e3o? H\u00e1 quatro acontecimentos que podem contribuir para explicar esta mudan\u00e7a. Acontecimentos em parte aut\u00f3nomos e de natureza diferente, em parte inter-relacionados bilateral ou multilateralmente: (1) A difus\u00e3o da microinform\u00e1tica (o primeiro microprocessador inserido nos circuitos comerciais data de 1971, mas \u00e9 em 1981 que a IBM lan\u00e7a nos mercados os computadores pessoais); (2) A pol\u00edtica de Reagan e Thatcher (o primeiro foi presidente dos EUA entre 1981 e 1989 e a segunda foi primeiro-ministro do Reino Unido de 1979 a 1990); (3) A financiariza\u00e7\u00e3o da economia (aumento qualitativo da import\u00e2ncia das actividades financeiras nas economias desenvolvidas e no mundo); (4) A queda do muro de Berlim (\u00faltimo epis\u00f3dio simb\u00f3lico de um enfraquecimento progressivo dos pa\u00edses socialistas durante essa d\u00e9cada).<\/p>\n<p>Porque o primeiro factor \u00e9 tecnicamente aut\u00f3nomo, tanto podendo servir a honestidade como a fraude, \u00e9 nos tr\u00eas \u00faltimos que devemos concentrar a nossa explica\u00e7\u00e3o, a nossa utopia e a nossa vontade de transforma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Carlos Pimenta, OBEGEF A passagem do individual para o colectivo representa uma ruptura qualitativa<\/p>\n","protected":false},"author":34,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_bbp_topic_count":0,"_bbp_reply_count":0,"_bbp_total_topic_count":0,"_bbp_total_reply_count":0,"_bbp_voice_count":0,"_bbp_anonymous_reply_count":0,"_bbp_topic_count_hidden":0,"_bbp_reply_count_hidden":0,"_bbp_forum_subforum_count":0,"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[72,126],"tags":[],"class_list":["post-21666","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-cronicas","category-obegef"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/21666","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/34"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=21666"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/21666\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":21672,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/21666\/revisions\/21672"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=21666"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=21666"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=21666"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}