{"id":19503,"date":"2015-06-02T07:49:06","date_gmt":"2015-06-02T07:49:06","guid":{"rendered":"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=19503"},"modified":"2015-12-04T19:01:48","modified_gmt":"2015-12-04T19:01:48","slug":"presente-e-futuro-para-quem","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=19503","title":{"rendered":"Presente e futuro: para quem?"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #d8070f;\"><strong>Carlos Pimenta, P\u00fablico<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><a title=\"Transa\u00e7\u00f5es para Offshore. Mais transpar\u00eancia.\" href=\"http:\/\/www.publico.pt\/economia\/noticia\/presente-e-futuro-para-quem-1697405?page=-1\" target=\"_blank\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-19 size-full\" title=\"Liga\u00e7\u00e3o \u00e0 publica\u00e7\u00e3o\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/go2.png\" alt=\"\" width=\"16\" height=\"16\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><a title=\"Transa\u00e7\u00f5es para Offshore. Mais transpar\u00eancia.\" href=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/CP002.pdf\" target=\"_blank\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-2032\" title=\"Ficheiro pdf\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/pdf_button.png\" alt=\"\" width=\"14\" height=\"14\" \/><\/a><\/p>\n<p align=\"LEFT\">O condicionamento do homem pelos mercados gera uma degeneresc\u00eancia das rela\u00e7\u00f5es \u00e9ticas. O curto prazo, transit\u00f3rio e manipul\u00e1vel, sobrep\u00f5e-se ao estrat\u00e9gico, frequentemente de longo prazo.<\/p>\n<p align=\"LEFT\">...<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>1. Quando uma empresa declara fal\u00eancia cessa a sua actividade e os seus activos s\u00e3o utilizados para pagar as d\u00edvidas, segundo uma ordem estabelecida por lei.<\/p>\n<p>Quando uma fam\u00edlia n\u00e3o tem capacidade para pagar as suas d\u00edvidas fiscais os seus bens s\u00e3o penhorados e leiloados para pagar as d\u00edvidas.<\/p>\n<p>Quando um Estado n\u00e3o tem capacidade para pagar as suas d\u00edvidas aos credores internacionais privatiza partes do pa\u00eds.<\/p>\n<p>No primeiro caso a empresa desaparece. A sua vida econ\u00f3mica dilui-se. No segundo a fam\u00edlia e os seus membros continuam a existir. A vida humana degrada-se. No terceiro os cidad\u00e3os persistem em viver e o Estado continua no mapa. A vida social desagrega-se na dignidade de existir, a vida humana avilta-se.<\/p>\n<p>O economista regozija-se com o funcionamento das leis do mercado que ele pr\u00f3prio concebeu. O antrop\u00f3logo lamenta que a sua explicita\u00e7\u00e3o da vida humana secular tivesse sido ignorada. Os mais ricos rejubilam com as leis do mercado a enriquec\u00ea-los inexoravelmente. Os homens sobrevivem como pe\u00e7as descart\u00e1veis das leis do mercado, esmagados pela religi\u00e3o da riqueza e do poder. Os Estados enfraquecem, a coes\u00e3o social eteriza-se, a democracia esfarela-se na subservi\u00eancia \u00e0 inexorabilidade da economia.<\/p>\n<p>O c\u00edrculo vicioso est\u00e1 a laborar! Quanto mais doente estiver a vida humana melhor est\u00e1 a riqueza dos grandes donos da riqueza mundial.<\/p>\n<p>2. A partilha do rendimento deixou de ser, maioritariamente, a apropria\u00e7\u00e3o do rendimento novo criado no processo produtivo porque os mercados financeiros e o poder de alguns operadores, associados \u00e0 coniv\u00eancia, imobilismo e subordina\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gica dos Estados, transformaram o enriquecimento de uns no menor enriquecimento, mesmo no empobrecimento, dos outros.<\/p>\n<p>\u201cComo \u00e9 bela a guerra econ\u00f3mica\u201d, ironizam uns. Como \u00e9 triste a apropria\u00e7\u00e3o do rendimento alheio, recordam outros. Primeiro a situa\u00e7\u00e3o passava-se nos mercados financeiros, com a intensifica\u00e7\u00e3o das formas tradicionais de obten\u00e7\u00e3o de valor novo criado pelos outros (mais intensidade do trabalho, diminui\u00e7\u00e3o salarial, gest\u00e3o mundializada, neg\u00f3cios desiguais com os pa\u00edses subdesenvolvidos). Mas quem mais tem exige sempre mais, privatiza-se a seguran\u00e7a social e ampliam-se os fundos de pens\u00f5es e de investimento, especula-se com os mercados energ\u00e9tico, de mat\u00e9rias-primas e de produtos alimentares.<\/p>\n<p>A crise econ\u00f3mico-financeira iniciada em 2007\/8 gerou aumento da d\u00edvida p\u00fablica, seja porque eram conhecidos h\u00e1 muito os ensinamentos de Roosevelt e Keynes em tais situa\u00e7\u00f5es catastr\u00f3ficas, seja porque muitos bancos e operadores financeiros, desmoronaram. Eis que amplia-se estrondosamente um novo mecanismo de transfer\u00eancia de rendimento \u00e0 escala mundial: a d\u00edvida dos Estados. Para tal bastava um pequeno truque h\u00e1 muito defendido pelos liberais: os bancos centrais emprestam aos bancos e estes \u00e9 que emprestam aos Estados. E assim foi poss\u00edvel colocar os povos a transferirem rendimento para o sector financeiro, exactamente aquele que, com a complac\u00eancia dos Estados, reguladores e fiscalizadores, gerou a crise.<\/p>\n<p>3. Mas n\u00e3o basta fazer, \u00e9 preciso parecer, convencer. Revelam-se \u00fateis as frases feitas facilmente assimil\u00e1veis pelo \u201cZ\u00e9 Povinho\u201d: \u201c\u00e9 preciso investimento privado para criar emprego\u201d; \u201co Estado, como as fam\u00edlias n\u00e3o podem gastar o que n\u00e3o t\u00eam; \u201cn\u00e3o sabe gerir\u201d.<\/p>\n<p>O investimento privado nos sectores produtores de bens e servi\u00e7os podem gerar postos de trabalhos, dependendo das condi\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas adoptadas, da divis\u00e3o social do trabalho numa dada economia e das repercuss\u00f5es em cadeia sobre outros sectores. Mas n\u00e3o acontecer\u00e1 nada disso se a aquisi\u00e7\u00e3o tiver como objectivo dominante as opera\u00e7\u00f5es de bolsa, as transac\u00e7\u00f5es sobre t\u00edtulos, o desmantelamento das empresas para venda a retalho. Tamb\u00e9m n\u00e3o acontecer\u00e1 se a aquisi\u00e7\u00e3o e o encerramento for a forma de salvaguardar a empresa adquirente da concorr\u00eancia.<\/p>\n<p>Estado e fam\u00edlias: \u00e9 comparar o incompar\u00e1vel. A despesa de uma fam\u00edlia \u00e9, para si, uma sa\u00edda de rendimento. Sem qualquer contrapartida nas receitas. Contudo para o Estado, representante de uma sociedade, a despesa n\u00e3o \u00e9 apenas utiliza\u00e7\u00e3o de receitas, tamb\u00e9m \u00e9 de cria\u00e7\u00e3o de novos rendimentos e novas receitas. Em propor\u00e7\u00f5es que dependem da estrutura da economia, do destino da despesa, da exig\u00eancia de importa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Quanto ao Estado ser mau gestor h\u00e1 que ter tino com as palavras. A quest\u00e3o n\u00e3o \u00e9 de boa ou m\u00e1 gest\u00e3o, mas de gest\u00e3o para quem. Para os conselhos de administra\u00e7\u00e3o, para as coniv\u00eancias pol\u00edtico-econ\u00f3micas ou para a popula\u00e7\u00e3o. O problema \u00e9 de objectivos. Parafraseando Tommy Douglas (social-democrata canadiano, j\u00e1 falecido) quando os ratos elegem gatos, pretos ou brancos, para os governar n\u00e3o \u00e9 plaus\u00edvel que os gatos tenham nos seus objectivos o bem-estar dos ratos.<\/p>\n<p>4. O que eram boas pr\u00e1ticas foram adulteradas e corrompidas. O condicionamento do homem pelos mercados gera uma degeneresc\u00eancia das rela\u00e7\u00f5es \u00e9ticas. O curto prazo, transit\u00f3rio e manipul\u00e1vel, sobrep\u00f5e-se ao estrat\u00e9gico, frequentemente de longo prazo. A capacidade de decis\u00e3o dos Estados dilui-se nas regras do mercado, com a capa de argumentos ideol\u00f3gicos que assumem a dimens\u00e3o aparente da inevitabilidade. Com esse empobrecimento gera-se uma pol\u00edtica econ\u00f3mica condescendente para os economicamente fortes e feroz para os economicamente d\u00e9beis. O planeamento assente na iniciativa privada transforma-se em regula\u00e7\u00e3o e esta tende para a desregula\u00e7\u00e3o. A fiscaliza\u00e7\u00e3o \u00e9 assumida como um pernicioso entrave \u00e0 possibilidade de circula\u00e7\u00e3o do capital sem barreiras. E porque os conflitos de interesse entre o econ\u00f3mico e o pol\u00edtico s\u00e3o estreitos, o melhor \u00e9 mesmo descriminalizar o crime.<\/p>\n<p>S\u00f3 um tal ambiente justifica que grande parte do capital financeiro, as manobras fraudulentas com pre\u00e7os de transfer\u00eancia e movimentos contabil\u00edsticos financeiros, residam pacatamente nos para\u00edsos fiscais e judici\u00e1rios, enquanto a comunidade pol\u00edtica e econ\u00f3mica internacional finge que eles n\u00e3o existem ou que s\u00e3o, como os abutres, domestic\u00e1veis. E para o fazer confiam na OCDE, uma organiza\u00e7\u00e3o que engloba no seio os pa\u00edses mais respons\u00e1veis por estes desvarios.<\/p>\n<p>5. \u00c9 este o mundo de \u00e9tica esparsa e fraude densa que n\u00f3s queremos para os nossos filhos?<\/p>\n<p>\u00c9 preciso encontrar respostas e vontades.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/Grafico.jpg\">\u00a0<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Carlos Pimenta, P\u00fablico O condicionamento do homem pelos mercados gera uma degeneresc\u00eancia das rela\u00e7\u00f5es \u00e9ticas. 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