{"id":16377,"date":"2015-01-29T22:22:45","date_gmt":"2015-01-29T22:22:45","guid":{"rendered":"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=16377"},"modified":"2015-12-04T19:11:40","modified_gmt":"2015-12-04T19:11:40","slug":"para-o-meu-pedro-em-massama","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=16377","title":{"rendered":"Para o meu Pedro, em Massam\u00e1"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #d8070f;\"><strong>Henrique Santos, Vis\u00e3o on line<\/strong><\/span>,<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><a href=\"http:\/\/visao.sapo.pt\/para-o-meu-pedro-em-massama=f808578\" target=\"_blank\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-19 alignleft\" title=\"Liga\u00e7\u00e3o \u00e0 Publica\u00e7\u00e3o\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/go2.png\" alt=\"\" width=\"16\" height=\"16\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><a href=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/VisaoE315.pdf\" target=\"_blank\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-2032 alignleft\" title=\"Ficheiro PDF\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/pdf_button.png\" alt=\"\" width=\"14\" height=\"14\" \/><\/a><\/p>\n<div>\n<p><em>\u201c...<\/em>j\u00e1 te disse v\u00e1rias vezes que t\u00ednhamos de investir na educa\u00e7\u00e3o, na forma\u00e7\u00e3o e na \u00e9tica...<em>\u201d<\/em><\/p>\n<p>...<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p><span style=\"font-size: 0.75rem; line-height: 1.25rem;\"><!--more--><\/span><\/p>\n<p>Ol\u00e1 Pedro,<\/p>\n<p>Como est\u00e1s? H\u00e1 muito que n\u00e3o trocamos impress\u00f5es. N\u00f3s estamos bem, espero que contigo e toda a tua fam\u00edlia tamb\u00e9m esteja tudo a correr pelo melhor.<\/p>\n<p>N\u00e3o me v\u00eas h\u00e1 muito, mas eu, todos os dias te vejo ou ou\u00e7o falar sobre ti.<\/p>\n<p>Nunca deste muitos ouvidos ao que eu te dizia, e de certo ir\u00e1s fazer o mesmo agora, mas n\u00e3o podia deixar de te escrever.<\/p>\n<p>C\u00e1 na terra, como bem sabes, quem n\u00e3o se sente n\u00e3o \u00e9 filho de boa gente! Existem muitas decis\u00f5es que tomaste com as quais eu n\u00e3o concordo, mas estou certo que as deves ter tomado com muito boas inten\u00e7\u00f5es e com a tua consci\u00eancia tranquila, afinal foi essa a educa\u00e7\u00e3o que te deram e, a juntar \u00e0 forma\u00e7\u00e3o que tiveste, te tornaram naquilo que \u00e9s. \u00c9 precisamente nesta quest\u00e3o da educa\u00e7\u00e3o, da forma\u00e7\u00e3o e da \u00e9tica que me dirijo a ti.<\/p>\n<p>N\u00e3o te enviei um e-mail, porque a secret\u00e1ria do teu chefe de gabinete n\u00e3o me conhece, e de certo ia responder-me com um simp\u00e1tico e-mail de agradecimento. Eu sei que, quando vires uma carta com o carimbo dos correios c\u00e1 da terra vais ficar emocionado (do concelho, porque aqui a esta\u00e7\u00e3o de correios dos CTT j\u00e1 fechou, n\u00e3o sei se sabias, a D.\u00aa Alzira anda num pranto,...), e ent\u00e3o quando vires que sou eu o remetente, vais ficar ainda mais feliz.<\/p>\n<p>Bem, mas retomando o assunto, soube que h\u00e1 uns dias atr\u00e1s contrataste mais uns mil inspetores de finan\u00e7as. Sim senhor, quando fazes as coisas \u00e9 \u00e0 grande! Mas sabes, essa malta em breve vai ter de voltar para a mobilidade (ahahah), pois c\u00e1 por cima as empresas est\u00e3o todas a fechar, o qu\u00ea que v\u00e3o fiscalizar, as massas falidas? Bem sei que isso foi uma contrata\u00e7\u00e3o interna (de malta que j\u00e1 trabalhava para o estado, dizem os jornais), mas caramba, j\u00e1 te disse v\u00e1rias vezes que t\u00ednhamos de investir na educa\u00e7\u00e3o, na forma\u00e7\u00e3o e na \u00e9tica nos diversos n\u00edveis de ensino, no setor da fraude, justamente aquela que pretendes combater com estes novos inspetores.<\/p>\n<p>Fizeste l\u00e1 o e-fatura, e fizeste bem, estamos de acordo, mas agora estes mil inspetores s\u00e3o para qu\u00ea? Tantos?! Eu nem tempo tenho de conhecer uma lei e j\u00e1 estou a ser multado, ou coimado, ou l\u00e1 com voc\u00eas chamam a isso. At\u00e9 parece de prop\u00f3sito, s\u00f3 descobrimos a lei quando o inspetor nos bate \u00e0 porta.<\/p>\n<p>Pensa l\u00e1, todos os meses vais precisar de, no m\u00ednimo, 1.500.000,00 \u20ac (um milh\u00e3o e quinhentos mil euros) para pagar a essa malta, que, por ano, d\u00e1 mais de 20.000.000,00 \u20ac (vinte milh\u00f5es de euros). N\u00e3o podias mandar alguma dessa malta ministrar forma\u00e7\u00e3o na \u00e1rea da fraude, para termos cidad\u00e3os de futuro, que valorizem os bens do estado, que n\u00e3o tenham a no\u00e7\u00e3o que os bens p\u00fablicos s\u00e3o de borla, que conhe\u00e7am o valor da honestidade e por a\u00ed fora? Parece que fazes de prop\u00f3sito, arranjar mais inspetores para que as pessoas se sintam revoltadas, fazes sentir que somos todos uma cambada de ladr\u00f5es e prevaricadores. At\u00e9 a mim me incomodou, e sabes que eu nem sou dessas coisas.<\/p>\n<p>Eu sei que a economia paralela \u00e9 elevada, mais elevada que aquela que o teu INE (Instituto Nacional de Estat\u00edstica) diz, mas o e-fatura n\u00e3o est\u00e1 t\u00e3o jeitosinho para j\u00e1?<\/p>\n<p>N\u00e3o te minto, at\u00e9 estou meio revoltado. Oh p\u00e1, a malta por aqui n\u00e3o tem m\u00e9dicos, n\u00e3o tem grandes hospitais, tem at\u00e9 poucos servi\u00e7os p\u00fablicos (at\u00e9 compreendo, sei que n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil), e pronto, somos de Tr\u00e1s-os-Montes e como tens afinidades por c\u00e1, n\u00e3o nos queres privilegiar para n\u00e3o te acusarem de favorecimento, mas sabes, a probabilidade de eu encontrar um inspetor de finan\u00e7as no Centro de Sa\u00fade (como doente), \u00e9 bem maior que um m\u00e9dico (se n\u00e3o \u00e9, n\u00e3o falta muito).<\/p>\n<p>Deves estar a rir-te todo pimp\u00e3o, pois sabes que n\u00e3o vou encontrar nenhum inspetor (como doente no Centro de Sa\u00fade), eu sei que tens raz\u00e3o, eles n\u00e3o v\u00e3o l\u00e1, t\u00eam um sistema de sa\u00fade pr\u00f3prio... J\u00e1 te estou a ver \u00e0 lareira a responderes, com os p\u00e9s no banco de madeira (a fazer de p\u00falpito), como fazias quando \u00e9ramos crian\u00e7as e a convenceres-me das tuas ideias e decis\u00f5es. E bem sabes como me davas a volta...<\/p>\n<p>Mas, olha l\u00e1 Pedro, n\u00e3o podias desviar (salvo seja) uns 10% do valor que vais dar \u00e0 inspe\u00e7\u00e3o para a forma\u00e7\u00e3o das pessoas no combate \u00e0 iliteracia financeira, \u00e0s boas pr\u00e1ticas e procedimentos \u00e9ticos, \u00e0 responsabiliza\u00e7\u00e3o, aos sentimentos de perten\u00e7a ao bem p\u00fablico, e por a\u00ed fora? Tudo sentimentos que levar\u00e3o a termos pessoas que ser\u00e3o elas as suas pr\u00f3prias inspetoras.<\/p>\n<p>Eu sei, isso demora, tem de se come\u00e7ar de pequenino e os frutos s\u00f3 aprecem daqui a 20 anos (faz lembrar o que aconteceu com a separa\u00e7\u00e3o dos lixos, demorou n\u00e3o foi?), e isso n\u00e3o ajuda nos votos. Eu sei, mas tu tamb\u00e9m sabes os sonhos que tinhas quando \u00e9ramos novos, que os outros hipotecaram por pensarem e terem feito da mesma forma. \u00c9 por isso que estamos assim.<\/p>\n<p>Eu fui-te falando disso ao longo do tempo, mas nunca to tinha dito diretamente, da import\u00e2ncia da \u00e9tica, da forma\u00e7\u00e3o das pessoas na \u00e1rea financeira para perceberam as coisas, para n\u00e3o cometerem erros ou apoiar m\u00e1s decis\u00f5es e por a\u00ed fora. Oh Pedro, eu sei que \u00e9s da \u00e1rea da economia, que percebes o que estou a dizer, anda l\u00e1, pelo menos pede ao Crato para colocar um cap\u00edtulo de uma disciplina dedicado ao tema, de forma obrigat\u00f3ria em todos os n\u00edveis de ensino. Sei que andas a apostar na forma\u00e7\u00e3o de igualdade de g\u00e9nero e por a\u00ed fora (e bem), n\u00e3o ser\u00e1 tamb\u00e9m importante pensares, com bom senso, neste problema que pode ser solucionado de forma eficaz.<\/p>\n<p>Enquanto se achar normal um funcion\u00e1rio p\u00fablico receber uma garrafita de vinho, como forma de agradecimento por ter feito um servi\u00e7o que lhe competia e \u00e9 pago para isso, n\u00e3o vamos l\u00e1. Ali\u00e1s, mandaste fazer para a\u00ed uma esp\u00e9cie de guia de boas pr\u00e1ticas, para saber o que um funcion\u00e1rio podia ou n\u00e3o receber de um utente, e que devia declarar quem foi e essas coisas... Eu achava era que simplesmente o funcion\u00e1rio devia recusar o que quer que fosse, e enquanto a \u201ceduca\u00e7\u00e3o\/forma\u00e7\u00e3o\u201d n\u00e3o estiver nesse n\u00edvel, tamb\u00e9m n\u00e3o vamos l\u00e1.<\/p>\n<p>J\u00e1 escrevi demais, mas tamb\u00e9m \u00e9 a primeira vez que o fa\u00e7o, nunca te tinha escrito desde que est\u00e1s nessas fun\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>E agora, que j\u00e1 disse o que tinha a dizer, n\u00e3o te esque\u00e7as de vir c\u00e1 cima comer um arrozinho de favas com moira. Este ano o nosso tinto ficou um espet\u00e1culo (n\u00e3o te mando nenhuma garrafa para te obrigar a vir c\u00e1). N\u00e3o te aflijas, ningu\u00e9m vai pensar que te estou a \u201ccomprar\u201d (se \u00e9 que me entendes), n\u00f3s j\u00e1 somos amigos de inf\u00e2ncia! (se o outro l\u00ea-se isto,...).<\/p>\n<p>Oh, nem me lembrava de te contar... a Matilde j\u00e1 anda e os mi\u00fados disseram que este ano s\u00e3o eles que v\u00e3o tratar dos pintainhos do galinheiro, a Esmeralda \u00e9 que n\u00e3o anda muito convencida.<\/p>\n<p>D\u00e1 c\u00e1 uma saltada, vais daqui renovado. Mas traz a samarra, que para aqui est\u00e1 tudo cheio de neve!<\/p>\n<p>Olha que isto \u00e9 uma carta nossa, escrita \u00e0 transmontado, n\u00e3o a leves para o gabinete!<\/p>\n<p>Bem, n\u00e3o te demoro mais, d\u00e1 novidades, mando-te aquele abra\u00e7o. A Esmeralda e os mi\u00fados est\u00e3o mortinhos por vos ver.<\/p>\n<p>(Assinatura ileg\u00edvel)<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Henrique Santos, Vis\u00e3o on line, \u201c&#8230;j\u00e1 te disse v\u00e1rias vezes que t\u00ednhamos de investir na educa\u00e7\u00e3o, na forma\u00e7\u00e3o e na \u00e9tica&#8230;\u201d &#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_bbp_topic_count":0,"_bbp_reply_count":0,"_bbp_total_topic_count":0,"_bbp_total_reply_count":0,"_bbp_voice_count":0,"_bbp_anonymous_reply_count":0,"_bbp_topic_count_hidden":0,"_bbp_reply_count_hidden":0,"_bbp_forum_subforum_count":0,"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[72,123],"tags":[],"class_list":["post-16377","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-cronicas","category-visao-online"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/16377","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=16377"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/16377\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":16380,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/16377\/revisions\/16380"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=16377"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=16377"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=16377"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}