{"id":15004,"date":"2014-12-30T18:22:41","date_gmt":"2014-12-30T18:22:41","guid":{"rendered":"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=15004"},"modified":"2015-12-04T19:11:41","modified_gmt":"2015-12-04T19:11:41","slug":"2014-o-ano-dos-inimputaveis","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=15004","title":{"rendered":"2014: o ano dos inimput\u00e1veis"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #d8070f;\"><strong>Aurora Teixeira, Vis\u00e3o on line<\/strong><\/span>,<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><a href=\"http:\/\/visao.sapo.pt\/2014-o-ano-dos-inimputaveis=f805706\" target=\"_blank\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-19 alignleft\" title=\"Liga\u00e7\u00e3o \u00e0 Publica\u00e7\u00e3o\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/go2.png\" alt=\"\" width=\"16\" height=\"16\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><a href=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/VisaoE311.pdf\" target=\"_blank\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-2032 alignleft\" title=\"Ficheiro PDF\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/pdf_button.png\" alt=\"\" width=\"14\" height=\"14\" \/><\/a><\/p>\n<div>\n<p>a pior forma de tirania \u00e9 a do fraco sobre o forte<\/p>\n<p>...<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p><span style=\"font-size: 0.75rem; line-height: 1.25rem;\"><!--more--><\/span><\/p>\n<p>2014 foi um ano inesquec\u00edvel, embora por raz\u00f5es pouco\/nada apreci\u00e1veis. Durante este ano v\u00e1rios foram os processos de fraude e\/ou corrup\u00e7\u00e3o trazidos a p\u00fablico. N\u00e3o obstante, tal traduziu fielmente a c\u00e9lebre m\u00e1xima: \u201c<em>Muita parra e pouca uva\u201d<\/em>. De facto, entre arquivamentos, prescri\u00e7\u00f5es, esquecimentos e afins, quase ningu\u00e9m, entre os direta ou indiretamente envolvidos, foi, at\u00e9 \u00e0 data, formalmente, ou mesmo \u2018moralmente\u2019, condenados. Bom, algumas \u2018honrosas\u2019 excep\u00e7\u00f5es incluem o \u2018sucateiro\u2019, Manuel Godinho, e Duarte Lima, um defraudador em s\u00e9rie retardat\u00e1rio. Jos\u00e9 S\u00f3crates ainda est\u00e1 no limbo (suspeito de\u2026), mas a arriscar-se a fazer cumprir uma outra m\u00e1xima: \u201c<em>Tanta vez vai o rato ao moinho, que um dia fica l\u00e1 com o focinho<\/em>\u201d.<\/p>\n<p>Recorde-se que em 2012 a ent\u00e3o procuradora-geral Adjunta C\u00e2ndida Almeida dizia (sem rir, note-se!) que Portugal \u201cn\u00e3o \u00e9 um pa\u00eds corrupto, os nossos pol\u00edticos n\u00e3o s\u00e3o pol\u00edticos corruptos, os nossos dirigentes n\u00e3o s\u00e3o dirigentes corruptos.\u201d. Quando muito, segundo a procuradora, o que temos em Portugal s\u00e3o um n\u00famero consider\u00e1vel de casos de \u201cfraude fiscal\u201d.<\/p>\n<p>\u00c9 certo que para o comum dos mortais a fraude e a corrup\u00e7\u00e3o, estando muito vezes umbilicalmente ligadas, s\u00e3o no\u00e7\u00f5es dif\u00edceis de distinguir sendo, por isso, mais habitual designar por corrup\u00e7\u00e3o atos que incluem a <em>corrup\u00e7\u00e3o propriamente dita<\/em> (i.e., oferecer, dar, receber ou solicitar, direta ou indiretamente, qualquer coisa de valor para influenciar as a\u00e7\u00f5es de outra parte \u2013 e.g., \u2018luvas\u2019, \u2018favores\u2019) e <em>fraude<\/em> (a\u00e7\u00e3o ou omiss\u00e3o que, consciente ou inconscientemente, engane ou tente enganar uma parte para obter uma compensa\u00e7\u00e3o financeira ou para evitar uma obriga\u00e7\u00e3o \u2013 a fraude surge, frequentemente, associada ao crime de branqueamento de capitais).<\/p>\n<p>Qualquer que seja o ato \u2013 corrup\u00e7\u00e3o ou fraude \u2013 a percep\u00e7\u00e3o que um portugu\u00eas comum tem \u00e9 a de que os (\u2018alegadamente\u2019) corruptos\/defraudadores \u2018safam-se\u2019 sempre. Se d\u00favidas existirem \u00e9 recomendado vivamente alguns minutos de autoflagelo no Youtube a assistir \u00e0s interven\u00e7\u00f5es das \u2018individualidades\u2019 chamadas no \u00e2mbito da mais recente Comiss\u00e3o Parlamentar de Inqu\u00e9rito \u00e0 gest\u00e3o do BES (Banco Mau)\/GES, que os nossos \u2018zelosos\u2019 deputados teimaram em realizar\u2026<\/p>\n<p>Como expect\u00e1vel, nenhum dos \u2018solid\u00e1rios\u2019 (ex) administradores\/ gestores do BES\/GES conseguiu produzir um discurso minimamente intelig\u00edvel\/esclarecedor: \u201cn\u00e3o sabia\", \"n\u00e3o me lembro\", \"nunca imaginei\", \"n\u00e3o sei\", \"n\u00e3o acompanhei\", \"nunca tive qualquer informa\u00e7\u00e3o\", \"n\u00e3o estava no meu \u00e2mbito\", \"n\u00e3o era da minha compet\u00eancia ou responsabilidade\"\u2026 Tal aliena\u00e7\u00e3o parece dar raz\u00e3o \u00e0s palavras do fil\u00f3sofo Friedrich Nietzsche: \u201c<em>\u00c9 mais f\u00e1cil lidar com uma m\u00e1 consci\u00eancia do que com uma m\u00e1 reputa\u00e7\u00e3o.\u201d<\/em><\/p>\n<p>Para quem auferia t\u00e3o chorudas remunera\u00e7\u00f5es os \u2018discursos\u2019 dos ex-administradores e afins reflectem, na melhor das hip\u00f3teses, muita incompet\u00eancia\/neglig\u00eancia\/ignor\u00e2ncia ou, qui\u00e7\u00e1 (?), mais pr\u00f3ximo da realidade dos factos, desfa\u00e7atez.<\/p>\n<p>A triste sina dos portugueses \u00e9 que esta \u2018nata\u2019 da sociedade, pela evidente (ainda que tempor\u00e1ria) \u201caus\u00eancia de faculdades mentais e liberdade necess\u00e1rias para avaliar o ato quando o praticou\u201d, \u00e9 bem capaz de n\u00e3o poder ser responsabilizada por um facto pun\u00edvel. Ou seja, o mais certo \u00e9 que, no fim de todo este traumatizante processo (para os contribuintes, diga-se), sejam considerados inimput\u00e1veis!<\/p>\n<p>Outras \u2018altas individualidades\u2019, n\u00e3o obstante a (ou por causa da) inimputabilidade foram \u2018recompensadas\u2019 com progress\u00f5es profissionais assinal\u00e1veis. Recorde-se o caso dos submarinos Tridente (reportado a 2004). Na Gr\u00e9cia e na Alemanha as investiga\u00e7\u00f5es ao caso deram como provada a exist\u00eancia de corrup\u00e7\u00e3o (e outros il\u00edcitos): a justi\u00e7a alem\u00e3 condenou dois ex-executivos da Ferrostaal a dois anos de pris\u00e3o, com pena suspensa, e ao pagamento de coimas por suborno de funcion\u00e1rios p\u00fablicos estrangeiros, na venda de submarinos a Portugal e \u00e0 Gr\u00e9cia; na Gr\u00e9cia, o ex-ministro grego da Defesa, Akis Tsohatzopoulos, foi condenado a 20 anos de pris\u00e3o. Em Portugal, apesar dos \u2018senhores\u2019 Procuradores terem afirmado que Paulo Portas (\u00e0 \u00e9poca Ministro da Defesa de Dur\u00e3o Barroso) havia \u201cexcedido o seu mandato\u201d no neg\u00f3cio \u201copaco\u201d dos submarinos, o processo foi arquivado \u201cpor n\u00e3o terem sido encontradas provas de crimes\u201d. Mas, mesmo que estes \u00faltimos (crimes) tivessem ocorrido, j\u00e1 estariam prescritos... Fant\u00e1stico melga!<\/p>\n<p>Como sublimemente referia Oscar Wilde \u201c<em>[a] pior forma de tirania que o mundo sempre viu \u00e9 a tirania do fraco sobre o forte. Esta \u00e9 a \u00fanica forma de tirania que dura<\/em>.\u201d<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Aurora Teixeira, Vis\u00e3o on line, a pior forma de tirania \u00e9 a do fraco sobre o forte &#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_bbp_topic_count":0,"_bbp_reply_count":0,"_bbp_total_topic_count":0,"_bbp_total_reply_count":0,"_bbp_voice_count":0,"_bbp_anonymous_reply_count":0,"_bbp_topic_count_hidden":0,"_bbp_reply_count_hidden":0,"_bbp_forum_subforum_count":0,"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[72,123],"tags":[],"class_list":["post-15004","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-cronicas","category-visao-online"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/15004","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=15004"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/15004\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":15006,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/15004\/revisions\/15006"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=15004"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=15004"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=15004"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}