{"id":14916,"date":"2014-12-23T12:02:08","date_gmt":"2014-12-23T12:02:08","guid":{"rendered":"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=14916"},"modified":"2015-12-04T19:11:41","modified_gmt":"2015-12-04T19:11:41","slug":"finalmente-auditoria-forense-sob-as-luzes-da-ribalta","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=14916","title":{"rendered":"Finalmente&#8230;Auditoria \u201cForense\u201d sob as luzes da ribalta!"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #d8070f;\"><strong>Nuno Moreira, Vis\u00e3o on line<\/strong><\/span>,<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><a href=\"http:\/\/visao.sapo.pt\/finalmente-auditoria-forense-sob-as-luzes-da-ribalta=f805293\" target=\"_blank\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-19 alignleft\" title=\"Liga\u00e7\u00e3o \u00e0 Publica\u00e7\u00e3o\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/go2.png\" alt=\"\" width=\"16\" height=\"16\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><a href=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/VisaoE310.pdf\" target=\"_blank\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-2032 alignleft\" title=\"Ficheiro PDF\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/pdf_button.png\" alt=\"\" width=\"14\" height=\"14\" \/><\/a><\/p>\n<div>\n<p>Seriam verdadeiros falhan\u00e7os se a auditoria tradicional tivesse como responsabilidade prim\u00e1ria a dete\u00e7\u00e3o da fraude<\/p>\n<p>...<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p><span style=\"font-size: 0.75rem; line-height: 1.25rem;\"><!--more--><\/span><\/p>\n<p>O caso BES est\u00e1 a ter seguramente um m\u00e9rito...<\/p>\n<p>Nunca se falou tanto Auditoria Forense como agora. Aproveitando o esp\u00edrito Natal\u00edcio, Aleluia, Aleluia!!<\/p>\n<p>Finalmente come\u00e7a a perceber-se que a auditoria tradicional, quando confrontada com situa\u00e7\u00f5es de risco de fraude, tem limita\u00e7\u00f5es que decorrem dos seus pr\u00f3prios pressupostos e metodologia. E, s\u00f3 com um \u201cinstrumento complementar\u201d, pode ver a sua efic\u00e1cia significamente aumentada quando, no horizonte est\u00e1 o fen\u00f3meno da fraude, potencial ou efetivo.<\/p>\n<p>O pr\u00f3prio Banco de Portugal afirmou recentemente que <em>\"As auditorias forenses s\u00e3o um instrumento complementar de supervis\u00e3o que visam confirmar o cumprimento rigoroso das mat\u00e9rias que se inscrevam nas compet\u00eancias do Banco de Portugal\"<\/em>,<\/p>\n<p>Tenho vindo a defender h\u00e1 algum tempo que, sempre que estiver em causa um trabalho de auditoria (auditor externo e\/ou supervisor) a desenvolver, nas denominadas Entidades de Interesse P\u00fablico, a equipa de auditoria deveria obrigatoriamente integrar cumulativamente um especialista em fraude, devidamente reconhecido e certificado (<em>Certified Fraud Examiner ou Forensic Accountant<\/em>). A auditoria tradicional j\u00e1 est\u00e1 devidamente \u201cautorizada\u201d e recomendada a faz\u00ea-lo, desde logo no seu pr\u00f3prio normativo, a integrar nas suas equipas, sempre que aplic\u00e1vel, estes especialistas (<em>Forensics<\/em>). No essencial, o trabalho desenvolvido por estes especialistas representa uma extens\u00e3o ou complemento do trabalho de auditoria, colmatando significativamente as limita\u00e7\u00f5es que uma auditoria \"tradicional\" apresenta perante situa\u00e7\u00f5es de risco de fraude. Esta op\u00e7\u00e3o, seria um elemento-chave para aumentar a efic\u00e1cia de uma auditoria nestas entidades e, consequentemente, restabelecer a confian\u00e7a nos e dos mercados, reduzindo tamb\u00e9m o <em>gap<\/em> de expectativas entre os diferentes <em>stakeholders<\/em>.<\/p>\n<p>Entre a auditoria externa \/revis\u00e3o de contas tradicional e uma auditoria forense existem diferen\u00e7as muito relevantes, nomeadamente, no perfil e compet\u00eancias exigidos aos seus profissionais, no objeto e objetivo do trabalho, na metodologia usada, pressupostos, etc.<\/p>\n<p>Vejamos o seguinte quadro:<\/p>\n<table border=\"1\" width=\"500\" align=\"center\">\n<tbody>\n<tr>\n<td width=\"136\"><\/td>\n<td width=\"136\">\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Auditoria Externa \/Revis\u00e3o Oficial de Contas<\/strong><\/p>\n<\/td>\n<td width=\"136\">\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Auditoria \u201cForense\u201d<\/strong><\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"136\"><strong>Objectivo<\/strong><\/td>\n<td width=\"136\">\n<p style=\"text-align: center;\">Opini\u00e3o sobre o relato financeiro, aferindo acerca da sua \u201cimagem verdadeira e apropriada\u201d e Sistema de Controlo Interno de suporte<\/p>\n<\/td>\n<td width=\"136\">\n<p style=\"text-align: center;\">Provar a ocorr\u00eancia ou n\u00e3o de uma fraude e, em caso afirmativo, identificar os perpetradores<\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"136\"><strong>Abordagem\/Metodologia<\/strong><\/td>\n<td width=\"136\">\n<p style=\"text-align: center;\">Governada pela \u201cmaterialidade\u201d, t\u00e9cnicas de \u201camostragem\u201d e seguran\u00e7a razo\u00e1vel<\/p>\n<\/td>\n<td width=\"136\">\n<p style=\"text-align: center;\">Exame a 100% de tudo o que possa suportar a investiga\u00e7\u00e3o da fraude<\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"136\"><strong>\u00c2mbito<\/strong><\/td>\n<td width=\"136\">\n<p style=\"text-align: center;\">Relato Financeiro \/ \u201cContas\u201d<\/p>\n<\/td>\n<td width=\"136\">\n<p style=\"text-align: center;\">Relato Financeiro, Apropria\u00e7\u00e3o Indevida de Ativos e Corrup\u00e7\u00e3o<\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"136\"><strong>Rela\u00e7\u00e3o<\/strong><\/td>\n<td width=\"136\">\n<p style=\"text-align: center;\">N\u00e3o contradit\u00f3ria<\/p>\n<\/td>\n<td width=\"136\">\n<p style=\"text-align: center;\">Contradit\u00f3ria<\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"136\"><strong>Presun\u00e7\u00e3o<\/strong><\/td>\n<td style=\"text-align: center;\" width=\"136\">Ceticismo profissional<\/td>\n<td style=\"text-align: center;\" width=\"136\">Prova<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"136\"><strong>Produto Final<\/strong><\/td>\n<td style=\"text-align: center;\" width=\"136\">Relat\u00f3rio \/ Opini\u00e3o sobre o relato financeiro e Sistema de Controlo Interno de suporte<\/td>\n<td style=\"text-align: center;\" width=\"136\">Relat\u00f3rio de Investiga\u00e7\u00e3o, preparado no sentido de poder servir de prova (criminal) em tribunal<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p><strong><span style=\"text-decoration: underline;\">Fonte:<\/span><\/strong> <em>Adaptado de Rittenberg, L., Johnstone, K., &amp; Gramling, A. (2012). Auditing 8th. Cengage Learning.<\/em><\/p>\n<p>Olhando aos esc\u00e2ndalos que t\u00eam vindo a suceder-se, quer a n\u00edvel nacional quer a n\u00edvel internacional, tendo presente o resumo das principais diferen\u00e7as apresentadas no quadro anterior, ser\u00e1 mais acertado falarmos em \"falhan\u00e7os\" da fun\u00e7\u00e3o de auditoria ou t\u00eam sido situa\u00e7\u00f5es onde a auditoria \"tradicional\", pela sua pr\u00f3pria voca\u00e7\u00e3o e orienta\u00e7\u00e3o, n\u00e3o chegou l\u00e1? Parece mais correto optar pela segunda hip\u00f3tese.<\/p>\n<p>Seriam verdadeiros falhan\u00e7os se a auditoria tradicional tivesse como responsabilidade prim\u00e1ria a dete\u00e7\u00e3o da fraude e se estivesse vocacionada e orientada para este objetivo, o que n\u00e3o acontece.<\/p>\n<p>\u00c9 inequ\u00edvoco que, esc\u00e2ndalo ap\u00f3s esc\u00e2ndalo, a press\u00e3o sobre a auditoria tem vindo a aumentar e que tem estado sob escrut\u00ednio h\u00e1 j\u00e1 algum tempo. Em 2010, o livro verde que encetou uma verdadeira reforma da fun\u00e7\u00e3o de auditoria no mercado europeu referia:<\/p>\n<p><em>\"\u00c9 chegada a altura de avaliar o real desempenho desse mandato social\"<br \/>\n<\/em>\u00a0(<em>GREEN PAPER - Audit Policy: Lessons from the Crisis)<\/em><\/p>\n<p>Ou seja, entende-se que a auditoria tem um mandato atribu\u00eddo pela sociedade, estando cada vez mais dif\u00edcil dissociar este mandato do fen\u00f3meno da fraude. A auditoria, desde logo no seu normativo n\u00e3o assume esta responsabilidade (fraude) mas a sociedade gostaria ( e muito!) que a auditoria a assumisse.<\/p>\n<p>No mesmo livro verde de 2010, no \u00e2mbito do referido \"Papel do Auditor\", tamb\u00e9m \u00e9 assumido expressamente que a auditoria tem limita\u00e7\u00f5es e que as partes interessadas poder\u00e3o n\u00e3o ter conhecimento delas, a saber, a materialidade, o uso de t\u00e9cnicas de amostragem e a seguran\u00e7a razo\u00e1vel que alicer\u00e7a a sua opini\u00e3o.<\/p>\n<p>Havendo um <em>gap <\/em>de expetactivas entre as partes interessadas no produto \u201cauditoria\u201d e entre o que a auditoria tradicional efetivamente proporciona, em termos de produto e objetivo final, parece incontorn\u00e1vel optar, em determinadas realidades e perante um risco de fraude, por equipas de auditoria mais robustas e multidisciplinares. Isto s\u00f3 pode ser conseguido complementando a auditoria tradicional com a auditoria forense!<\/p>\n<p>No \u00e2mbito da reforma do mercado europeu de auditoria que tem estado em curso e que o referido livro verde de 2010 representou o ponto de partida, foram feitas as seguintes publica\u00e7\u00f5es em 2014, no Jornal Oficial da Uni\u00e3o Europeia:<\/p>\n<ul>\n<li>\u00a0Regulamento (UE) n.\u00ba 537\/2014 do Parlamento Europeu e do Conselho, de 16 de abril de 2014, relativo aos requisitos espec\u00edficos para a revis\u00e3o legal de contas das entidades de interesse p\u00fablico e que revoga a Decis\u00e3o 2008\/909\/CE da Comiss\u00e3o;<\/li>\n<li>\u00a0Diretiva 2014\/56\/UE do Parlamento Europeu e do Conselho, de 16 de abril de 2014, que altera a Diretiva 2006\/43\/CE relativa \u00e0 revis\u00e3o legal das contas anuais e consolidadas.<\/li>\n<\/ul>\n<p>Apesar de o conte\u00fado destas publica\u00e7\u00f5es representar um importante avan\u00e7o no que respeita \u00e0 fun\u00e7\u00e3o da auditoria e ao papel do auditor, faltam ainda avan\u00e7os claros no que se refere a uma maior integra\u00e7\u00e3o da filosofia da auditoria forense na auditoria tradicional, perspetivando uma efetiva mitiga\u00e7\u00e3o do risco de fraude nas organiza\u00e7\u00f5es; sobretudo, quando o risco de efeitos sist\u00e9micos associados \u00e9 real.<\/p>\n<p>Contudo, tamb\u00e9m \u00e9 verdade que a auditoria tradicional s\u00f3 tem a ganhar com a auditoria forense se esta estiver num estado de maturidade interessante.<\/p>\n<p>Em Portugal, infelizmente, a auditoria forense tem ainda um significativo caminho a percorrer; desde a sua integra\u00e7\u00e3o como disciplina nos pr\u00f3prios sistemas de ensino at\u00e9 ao seu reconhecimento oficial, regulamenta\u00e7\u00e3o e certifica\u00e7\u00e3o profissional.<\/p>\n<p>Por outro lado, estando a auditoria forense ainda na sua inf\u00e2ncia em Portugal, tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 menos verdade que o caso BES acabou por lhe dar \u201cvitaminas\u201d essenciais a um crescimento futuro que se deseja muito saud\u00e1vel e sustent\u00e1vel!<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nuno Moreira, Vis\u00e3o on line, Seriam verdadeiros falhan\u00e7os se a auditoria tradicional tivesse como responsabilidade prim\u00e1ria a dete\u00e7\u00e3o da fraude &#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_bbp_topic_count":0,"_bbp_reply_count":0,"_bbp_total_topic_count":0,"_bbp_total_reply_count":0,"_bbp_voice_count":0,"_bbp_anonymous_reply_count":0,"_bbp_topic_count_hidden":0,"_bbp_reply_count_hidden":0,"_bbp_forum_subforum_count":0,"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[72,123],"tags":[],"class_list":["post-14916","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-cronicas","category-visao-online"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/14916","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=14916"}],"version-history":[{"count":7,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/14916\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":14924,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/14916\/revisions\/14924"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=14916"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=14916"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=14916"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}