{"id":14014,"date":"2014-11-20T14:29:22","date_gmt":"2014-11-20T14:29:22","guid":{"rendered":"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=14014"},"modified":"2015-12-04T19:11:42","modified_gmt":"2015-12-04T19:11:42","slug":"por-uma-economia-mais-justa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=14014","title":{"rendered":"Por uma Economia mais justa"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #d8070f;\"><strong>\u00d3scar Afonso, Vis\u00e3o on line<\/strong><\/span>,<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><a href=\"http:\/\/visao.sapo.pt\/por-uma-economia-mais-justa=f802031\" target=\"_blank\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-19 alignleft\" title=\"Liga\u00e7\u00e3o \u00e0 Publica\u00e7\u00e3o\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/go2.png\" alt=\"\" width=\"16\" height=\"16\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><a href=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/VisaoE305.pdf\" target=\"_blank\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-2032 alignleft\" title=\"Ficheiro PDF\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/pdf_button.png\" alt=\"\" width=\"14\" height=\"14\" \/><\/a><\/p>\n<div>\n<p>A coerente e sensata an\u00e1lise do Papa Francisco...<\/p>\n<p>...<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p><span style=\"font-size: 0.75rem; line-height: 1.25rem;\"><!--more--><\/span><\/p>\n<p>Qual \u00e9 o melhor tipo de Economia? Genericamente falando, a Economia (ci\u00eancia e actividade) tem o poder de melhorar ou prejudicar significativamente a vida de muita gente, e a resposta a esta recorrente quest\u00e3o depende naturalmente de quem faz a pergunta. Um empres\u00e1rio desejar\u00e1 uma Economia que garanta a maximiza\u00e7\u00e3o do lucro e, se poss\u00edvel, logo no curto prazo. Um governo pretender\u00e1 uma Economia que ajude na manuten\u00e7\u00e3o do poder (reelei\u00e7\u00e3o). Um consumidor querer\u00e1 uma economia que possibilite a maximiza\u00e7\u00e3o da utilidade.<\/p>\n<p>Em termos de actividade econ\u00f3mica, h\u00e1 quem n\u00e3o entenda que, sobretudo desde o in\u00edcio dos anos 80, vivemos acorrentados a interesses que n\u00e3o s\u00e3o nossos, mas de uma estrutura pol\u00edtica e econ\u00f3mica que n\u00e3o deixa de explorar f\u00edsica, intelectual e psicologicamente muitos para que poucos, muito poucos, decidam sobre como quase todos temos de viver. Neste modelo, a maioria mal consegue o que comer e outros consomem avidamente: actualmente, um quinto da popula\u00e7\u00e3o mundial disp\u00f5e de menos de 2% da riqueza global \u2013 d\u00e1 que pensar!<\/p>\n<p>N\u00e3o admira que, ao mesmo tempo, em termos de ci\u00eancia, os economistas, mais ou menos isolados na constru\u00e7\u00e3o de modelos matem\u00e1ticos, n\u00e3o tenham conseguido satisfazer todos. Efectivamente, a frieza de racioc\u00ednio que marcou e marca essa Economia, envolvida em modelos, formas funcionais, vari\u00e1veis, par\u00e2metros, condi\u00e7\u00f5es, gr\u00e1ficos, taxas e indicadores matem\u00e1ticos precisa de ser repensada, principalmente sob a perspectiva de valorizar o cidad\u00e3o e a sociedade.<\/p>\n<p>Parte da\u00ed a coerente e sensata an\u00e1lise do Papa Francisco que, na Exorta\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica Evangelii Gaudium, analisa a Economia global e, sem ter a pretens\u00e3o de discutir teorias econ\u00f3micas, aborda, como quest\u00e3o central, a necessidade da Economia assentar na dignidade da pessoa humana. S\u00f3 nesse caso a Economia \u00e9 ent\u00e3o \u201ca arte de alcan\u00e7ar uma adequada administra\u00e7\u00e3o da casa comum, que \u00e9 o mundo inteiro\u201d.<\/p>\n<p>A concretiza\u00e7\u00e3o dessas palavras remete para um modo de fazer Economia em que os processos econ\u00f3micos, nas suas diversas manifesta\u00e7\u00f5es, n\u00e3o podem ser analisados e pensados apenas em termos economicistas, porque o objectivo central da Economia, para desespero de alguns, n\u00e3o \u00e9 mesmo o dinheiro, mas sim as pessoas, n\u00e3o \u00e9 o mercado e a mercadoria, mas sim os desejos e incentivos de cada um de n\u00f3s.<\/p>\n<p>Por isso, o interesse que deve nortear esta ci\u00eancia social, n\u00e3o exacta, \u00e9 o indiv\u00edduo e a sociedade, e n\u00e3o a acumula\u00e7\u00e3o mercantil: antes de existir o dinheiro j\u00e1 existia a vida, as necessidades sociais e os seres humanos. Deve ent\u00e3o fazer-se o melhor poss\u00edvel para todos, visando atender as necessidades humanas e de prefer\u00eancia no menor tempo poss\u00edvel.<\/p>\n<p>O tempo \u00e9 pois muito valioso, devendo a Economia responder de imediato aos interesses da sociedade. Talvez tenha sido por isso que John Maynard Keynes afirmou que \u201cno longo prazo todos estaremos mortos\u201d, chamando, creio eu, a aten\u00e7\u00e3o para a necessidade de se fazer de imediato uma Economia capaz de suprir as necessidades humanas.<\/p>\n<p>Em suma, e usando palavras recentes do Papa Francisco, h\u00e1 que \u201cn\u00e3o [...] confiar nas for\u00e7as cegas e na m\u00e3o invis\u00edvel do mercado\u201d, sendo que infelizmente \u201choje, tudo entra no jogo da competitividade e da lei do mais forte, onde o poderoso engole o mais fraco. [...] O ser humano \u00e9 considerado [...] como um bem de consumo que se pode usar e depois lan\u00e7ar fora. [...] Uma das causas desta situa\u00e7\u00e3o est\u00e1 na rela\u00e7\u00e3o [...] com o dinheiro, porque aceitamos [...] o seu dom\u00ednio sobre n\u00f3s e as nossas sociedades. A crise financeira que atravessamos faz-nos esquecer que, na sua origem, h\u00e1 uma crise antropol\u00f3gica profunda: a nega\u00e7\u00e3o da primazia do ser humano.\u201d A crise financeira \u00e9 pois o produto da desregula\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m e, sobretudo, da subtra\u00e7\u00e3o do homem do centro da actividade econ\u00f3mica.<\/p>\n<p>E, num desej\u00e1vel novo contexto, aos governos deve exigir-se uma interven\u00e7\u00e3o conjunta, dado que, com a globaliza\u00e7\u00e3o, os actos econ\u00f3micos se difundem no mundo inteiro. Por isso \u201c[...] nenhum governo pode agir \u00e0 margem de uma responsabilidade comum\u201d, porque \u201cse realmente queremos alcan\u00e7ar uma economia global saud\u00e1vel, precisamos [...] de um modo mais eficiente de interac\u00e7\u00e3o que [...] assegure o bem-estar econ\u00f3mico a todos os pa\u00edses e n\u00e3o apenas a alguns.\u201d<\/p>\n<p>Acresce que a solu\u00e7\u00e3o n\u00e3o est\u00e1 na caridade pessoal, porque \u201co crescimento equitativo [...] requer decis\u00f5es, programas, mecanismos e processos [...] orientados para uma melhor distribui\u00e7\u00e3o dos rendimentos, para a cria\u00e7\u00e3o de oportunidades de trabalho, para uma promo\u00e7\u00e3o integral dos pobres que supere o mero assistencialismo\u201d, exigindo-se \u201ctrabalho digno, instru\u00e7\u00e3o e cuidados de sa\u00fade para todos os cidad\u00e3os\u201d. A caridade deve pois ser \u201cprinc\u00edpio n\u00e3o s\u00f3 das microrrela\u00e7\u00f5es estabelecidas entre amigos, na fam\u00edlia, no pequeno grupo, mas tamb\u00e9m nas macrorrela\u00e7\u00f5es [...].\u201d<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00d3scar Afonso, Vis\u00e3o on line, A coerente e sensata an\u00e1lise do Papa Francisco&#8230; &#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_bbp_topic_count":0,"_bbp_reply_count":0,"_bbp_total_topic_count":0,"_bbp_total_reply_count":0,"_bbp_voice_count":0,"_bbp_anonymous_reply_count":0,"_bbp_topic_count_hidden":0,"_bbp_reply_count_hidden":0,"_bbp_forum_subforum_count":0,"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[72,123],"tags":[],"class_list":["post-14014","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-cronicas","category-visao-online"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/14014","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=14014"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/14014\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":14017,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/14014\/revisions\/14017"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=14014"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=14014"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=14014"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}