{"id":12960,"date":"2014-10-17T08:21:18","date_gmt":"2014-10-17T08:21:18","guid":{"rendered":"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=12960"},"modified":"2015-12-04T19:07:26","modified_gmt":"2015-12-04T19:07:26","slug":"propriedade-e-votos-o-espirito-santo-encoberto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=12960","title":{"rendered":"Propriedade e votos: o Esp\u00edrito Santo encoberto"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #d8070f;\"><strong>Carlos Pimenta, Jornal i<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><a title=\"Propriedade e votos: o Esp\u00edrito Santo encoberto\" href=\"http:\/\/www.ionline.pt\/iopiniao\/propriedade-votos-espirito-santo-encoberto\/pag\/-1\" target=\"_blank\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-19 size-full\" title=\"Liga\u00e7\u00e3o \u00e0 publica\u00e7\u00e3o\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/go2.png\" alt=\"\" width=\"16\" height=\"16\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><a title=\"Propriedade e votos: o Esp\u00edrito Santo Encoberto\" href=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/I-0961.pdf\" target=\"_blank\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-2032\" title=\"Ficheiro pdf\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/pdf_button.png\" alt=\"\" width=\"14\" height=\"14\" \/><b style=\"color: #000000;\"><\/b><\/a><\/p>\n<div class=\"field field-name-field-deck field-type-text field-label-hidden\">\n<div class=\"field field-name-field-deck field-type-text field-label-hidden\">\n<div class=\"field-items\">\n<div class=\"field-item even\">\n<div class=\"field field-name-field-deck field-type-text field-label-hidden\">\n<div class=\"field-items\">\n<div class=\"field-item even\">\n<div class=\"field field-name-field-deck field-type-text field-label-hidden\">\n<div class=\"field-items\">\n<div class=\"field-item even\">A subservi\u00eancia do pol\u00edtico em rela\u00e7\u00e3o ao econ\u00f3mico faz-se tanto nacional como internacionalmente. O crime organizado de colarinho branco aproveita-o sempre que pode<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p><a href=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/I-089.pdf\" target=\"_blank\"><span style=\"font-size: 0.75rem; line-height: 1.25rem;\"><!--more--><\/span><\/a><\/p>\n<p>1. Afirmar que a corrup\u00e7\u00e3o faz parte da natureza humana, ou que \u00e9 um produto cultural, engana-nos e refor\u00e7a a inoperacionalidade social. A corrup\u00e7\u00e3o envolvendo baixos recursos, a mais frequente, pode criar essa ilus\u00e3o. Contudo n\u00e3o \u00e9 ela que destr\u00f3i o nosso labor por uma vida mais digna, e impede que sejamos plenamente cidad\u00e3os.<\/p>\n<p>Muito mais preocupante \u00e9 a corrup\u00e7\u00e3o que enfraquece a autonomia relativa da pol\u00edtica perante o mundo dos neg\u00f3cios. A propriedade cria poder, a produ\u00e7\u00e3o e a apropria\u00e7\u00e3o da riqueza moldam as interac\u00e7\u00f5es sociais dominantes, os referenciais ideol\u00f3gicos. E se os economicamente poderosos sempre tiveram intensa e sistem\u00e1tica capacidade de influenciar a organiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica vigente, a fort\u00edssima concentra\u00e7\u00e3o da riqueza mundial num restrito n\u00famero de fam\u00edlias, a circula\u00e7\u00e3o dos capitais sem entraves e a desregula\u00e7\u00e3o t\u00eam diminu\u00eddo a fraca autonomia do Estado em rela\u00e7\u00e3o ao poder econ\u00f3mico. A postura social-democrata de controlo pol\u00edtico da actividade econ\u00f3mica metamorfoseou-se na depend\u00eancia do Estado do funcionamento dos mercados, espa\u00e7os invis\u00edveis e m\u00edticos de manifesta\u00e7\u00e3o do poder da propriedade.<\/p>\n<p>A corrup\u00e7\u00e3o de elevados recursos pretende quebrar os poucos la\u00e7os de autonomia que o Estado preserva.<\/p>\n<p>2. A corrup\u00e7\u00e3o pol\u00edtica continua a existir, mas uma parte dela faz-se de uma forma mais abrangente e \"racional\": pelo financiamento aos partidos pol\u00edticos, particularmente aquando das campanhas eleitorais. O partido ganhador sabe a quem deve a vit\u00f3ria. As malhas interpessoais de compromisso envolvem os principais decisores e os financiadores, e alastram-se a todos os centros de decis\u00e3o, ocupados pelas for\u00e7as vencedoras. As portas girat\u00f3rias entre o pol\u00edtico e o econ\u00f3mico rodam melhor, a viola\u00e7\u00e3o das regras da concorr\u00eancia e o favorecimento aparecem como actos espont\u00e2neos entre amigos: n\u00e3o se hostilize os \"amigo do Partido\".<\/p>\n<p>Esta arma da subservi\u00eancia do pol\u00edtico em rela\u00e7\u00e3o ao econ\u00f3mico faz-se tanto nacional como internacionalmente. O crime organizado de colarinho branco aproveita-o sempre que pode.<\/p>\n<p>O financiamento privado das campanhas eleitorais enche as contas dos pol\u00edticos e o dom\u00ednio dos senhores do dinheiro, mas diminui a confian\u00e7a das popula\u00e7\u00f5es, aumenta o absentismo, reduz a solidariedade, enfraquece a democracia, transforma progressivamente \u00abum voto, uma pessoa\u00bb em \u00abum euro, um voto\u00bb.<\/p>\n<p>3. O caso Esp\u00edrito Santo tem revelado algumas facetas deste mundo s\u00f3rdido.<\/p>\n<p>Agora que j\u00e1 saiu do \u00e1trio, a sucess\u00e3o de acontecimentos apontam o calv\u00e1rio para muitos: novas fraudes a serem descobertas, prolongado fechar de olhos da supervis\u00e3o, declara\u00e7\u00f5es pol\u00edticas de apoio a Ricardo Salgado (que participou num Conselho de Ministros sobre pol\u00edtica econ\u00f3mica!) quando j\u00e1 havia dados suficientes para se ter intervindo, subservi\u00eancia ao Banco Central Europeu, risco sist\u00e9mico sobre o d\u00e9bil e endividado sistema banc\u00e1rio portugu\u00eas, impactos de desestrutura\u00e7\u00e3o e destrui\u00e7\u00e3o da actividade produtiva do pa\u00eds.<\/p>\n<p>As declara\u00e7\u00f5es formais da primeira hora esfumam-se e a CGD, o Estado e os contribuintes pagam uma parte do que os antigos administradores e propriet\u00e1rios colocaram em contas protegidas pelo sigilo.<\/p>\n<p>A pressa de vender pode n\u00e3o ser apenas tontearia, aus\u00eancia de senso comercial e preocupa\u00e7\u00e3o or\u00e7amental. \u00c9 uma forma de arquivar investiga\u00e7\u00f5es inoportunas (veja-se, por exemplo, as comiss\u00f5es da compra dos submarinos e a chantagem impl\u00edcita de Ricardo Salgado), qui\u00e7\u00e1 render luvas e vender barato a \"amigos\", de campanhas eleitorais e circuitos financeiros internacionais previamente estabelecidos.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Carlos Pimenta, Jornal i A subservi\u00eancia do pol\u00edtico em rela\u00e7\u00e3o ao econ\u00f3mico faz-se tanto nacional como internacionalmente. 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