{"id":11748,"date":"2014-10-02T10:25:57","date_gmt":"2014-10-02T10:25:57","guid":{"rendered":"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=11748"},"modified":"2015-12-04T19:11:44","modified_gmt":"2015-12-04T19:11:44","slug":"o-senhor-doutor-eduarf","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=11748","title":{"rendered":"O Senhor Doutor Eduarf"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #d8070f;\"><strong>Henrique Santos, Vis\u00e3o on line<\/strong><\/span>,<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><a href=\"http:\/\/visao.sapo.pt\/o-senhor-doutor-eduarf=f797059\" target=\"_blank\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-19 alignleft\" title=\"Liga\u00e7\u00e3o \u00e0 Publica\u00e7\u00e3o\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/go2.png\" alt=\"\" width=\"16\" height=\"16\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><a href=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/VisaoE298.pdf\" target=\"_blank\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-2032 alignleft\" title=\"Ficheiro PDF\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/pdf_button.png\" alt=\"\" width=\"14\" height=\"14\" \/><\/a><\/p>\n<div>\n<p>Infelizmente ainda n\u00e3o sei o que aconteceu ao Senhor Doutor Eduarf<\/p>\n<p>...<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p><span style=\"font-size: 0.75rem; line-height: 1.25rem;\"><!--more--><\/span><\/p>\n<p><em>\u201c...<\/em>o Senhor Doutor Eduarf sabia disso, e muito mais, pois esteve muito tempo do outro lado<em>\u201d<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Como habitual, o despertador do Senhor Doutor Eduarf, tocou \u00e0s 7:30 h. Deu os bons dias \u00e0 esposa com o seu jeito muito carinhoso e foi tomar banho.<\/p>\n<p>Ainda estava no banho quando a empregada colocou um ramo de flores na mesa da sala. Esse ramo foi trazido por um estafeta a pedido do Senhor Doutor Eduarf para mimar a sua esposa no pequeno almo\u00e7o. Como era h\u00e1bito nestas ocasi\u00f5es, a empregada interna recebeu as flores, assinou o tal\u00e3o de entrega e deu uma gratifica\u00e7\u00e3o ao Miguel (o estafeta que gostava de fazer estas entregas pelas chorudas gratifica\u00e7\u00f5es que recebia). Este tinha em muita considera\u00e7\u00e3o o Senhor Doutor Eduarf, que era descendente de alem\u00e3es, sempre muito pontual e educado, e, como era not\u00f3rio pela vida que levada, extremamente rico.<\/p>\n<p>\u00c0s 8:00 h j\u00e1 o Senhor Doutor Eduarf estava a tomar o pequeno almo\u00e7o. Era um gosto olhar para a forma como se vestia e os adere\u00e7os de moda que usava, dos quais se destacava, neste dia, o rel\u00f3gio de marca conceituada no pulso, oferecido no \u00faltimo Natal pelo melhor fornecedor da empresa onde trabalhava. Ele era t\u00e3o somente o respons\u00e1vel de compras da maior unidade fabril da regi\u00e3o. A empregada dom\u00e9stica interna teria de trabalhar o ano todo para ter o equivalente ao valor daquele rel\u00f3gio. Muitas vezes naquele dia, nos seus secretos pensamentos, pensou em arrancar o bra\u00e7o ao patr\u00e3o. Mas por respeito, ou por temor a Deus, jamais lhe faria isso.<\/p>\n<p>Era domingo, e como sempre o mais belo carro da sua garagem ia passear os seus donos. De facto, o carro n\u00e3o era dele, era do stand de carros, que tinha fornecido a \u00faltima frota \u00e0 sua empresa, e que o emprestou ao Senhor Doutor Eduarf para o usar nos seus momentos pessoais, como forma de agradecimento.<\/p>\n<p>N\u00e3o era seu h\u00e1bito, mas naquele domingo foi o pr\u00f3prio a atestar o dep\u00f3sito do carro. Ia, com a esposa, ver uma pe\u00e7a de teatro na capital. Ap\u00f3s atestar o dep\u00f3sito, pediu a fatura em nome da empresa onde trabalhava (como sempre fazia) e voltou a casa para que a esposa se juntasse a ele. Sabia que seria um dia em grande. Pois al\u00e9m da pe\u00e7a de teatro, estava certo que ia encontrar um Secret\u00e1rio de Estado, que lhe ficara de dar novidades quanto \u00e0s novas adjudica\u00e7\u00f5es que iriam ser entregues \u00e0 sua empresa.<\/p>\n<p>Esqueci-me, pe\u00e7o desculpa, de dizer que o bilhete do teatro tamb\u00e9m lhe foi oferecido pela empresa onde trabalhava, a par de uma participa\u00e7\u00e3o nos resultados desta, pelos excelentes resultados anuais, e de que ele tinha sido o principal respons\u00e1vel.<\/p>\n<p>Est\u00e1vamos no dia dois de janeiro... Depois de uma enorme cavaqueira com o Senhor Secret\u00e1rio de Estado que encontrou por acaso (!), e a quem at\u00e9 acabou por oferecer o almo\u00e7o, telefonou-lhe o T\u00e9cnico de Contas da empresa (que teve de trabalhar ao domingo), a dizer-lhe que estavam a fazer o invent\u00e1rio anual e havia stock a mais na empresa, que ele n\u00e3o tinha contabilizado, mas tamb\u00e9m n\u00e3o encontrava as notas de encomenda. O Senhor Doutor Eduarf descansou-o, disse que devia ter rela\u00e7\u00e3o com o facto de j\u00e1 ter vendido uma enorme encomenda, que s\u00f3 faltava entregar ao cliente e receber. Insinuou, com o seu jeito brincalh\u00e3o, que o t\u00e9cnico j\u00e1 estaria cansado com tanta contagem, mas que at\u00e9 podia ser uma boa not\u00edcia, pois era sinal que ainda tinham mais em stock do que pensavam (continuou a ironizar como s\u00f3 ele sabia fazer, mas que todos assumiam como sendo perspic\u00e1cia e aten\u00e7\u00e3o).<\/p>\n<p>No dia tr\u00eas de janeiro o Senhor Doutor Eduarf foi convidado para assessorar o Senhor Secret\u00e1rio de Estado com quem havia almo\u00e7ado no dia anterior. Quando o Ministro da pasta perguntou ao Secret\u00e1rio de Estado o motivo da contrata\u00e7\u00e3o, este frisou-lhe a capacidade de gest\u00e3o e os conhecimentos que possu\u00eda na \u00e1rea da negocia\u00e7\u00e3o, que podiam ganhar muito com isso, e que ele, ainda por cima era l\u00edder do partido na sua terra, e que era muito respeitado por todos.<\/p>\n<p>Na verdade o Senhor Doutor Eduarf iria ficar respons\u00e1vel pelas compras e adjudica\u00e7\u00f5es daquela Secretaria de Estado, e ele sabia muito, mesmo muito, at\u00e9 o n\u00famero de conta banc\u00e1ria da esposa num para\u00edso fiscal, um homem mesmo muito informado. O pior \u00e9 que esse n\u00famero de conta n\u00e3o serviu para que este novo Assessor depositasse nela algum dinheiro, nada disso. Foi o conhecimento dessa conta que convenceu o Senhor Secret\u00e1rio de Estado a contratar o seu assessor. Afinal a esposa n\u00e3o trabalhava, n\u00e3o tinha rendimentos, n\u00e3o era herdeira de profiss\u00e3o, e o Senhor Doutor Eduarf sabia disso, e muito mais, pois esteve muito tempo do outro lado.<\/p>\n<p>Infelizmente ainda n\u00e3o sei o que aconteceu ao Senhor Doutor Eduarf, ele parece um camale\u00e3o, e a sua hist\u00f3ria de vida vai-me chegando por pe\u00e7as retalhadas, mas ele vai aparecer, n\u00e3o tarda...<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Henrique Santos, Vis\u00e3o on line, Infelizmente ainda n\u00e3o sei o que aconteceu ao Senhor Doutor Eduarf &#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_bbp_topic_count":0,"_bbp_reply_count":0,"_bbp_total_topic_count":0,"_bbp_total_reply_count":0,"_bbp_voice_count":0,"_bbp_anonymous_reply_count":0,"_bbp_topic_count_hidden":0,"_bbp_reply_count_hidden":0,"_bbp_forum_subforum_count":0,"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[72,123],"tags":[],"class_list":["post-11748","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-cronicas","category-visao-online"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/11748","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=11748"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/11748\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":11750,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/11748\/revisions\/11750"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=11748"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=11748"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=11748"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}