{"id":1130,"date":"2013-04-05T00:00:00","date_gmt":"2013-04-05T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=1130"},"modified":"2015-12-04T19:07:41","modified_gmt":"2015-12-04T19:07:41","slug":"multiplicacao-dos-paes-e-da-fome","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=1130","title":{"rendered":"Multiplica\u00e7\u00e3o dos p\u00e3es e da fome"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #d8070f;\"><strong>Carlos Pimenta, Jornal i<\/strong><\/span>,<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><a style=\"font-size: 0.75rem; line-height: 1.25rem;\" href=\"http:\/\/www.ionline.pt\/iopiniao\/multiplicacao-dos-paes-da-fome\" target=\"_blank\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-19 alignleft\" title=\"Liga\u00e7\u00e3o \u00e0 Publica\u00e7\u00e3o\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/go2.png\" alt=\"\" width=\"16\" height=\"16\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><a title=\"O \u201cburaco\u201d de Chipre: andam a enganar-nos\" href=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2013\/04\/I_Fraude237.pdf\" target=\"_blank\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-2032 alignleft\" title=\"Ficheiro PDF\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/pdf_button.png\" alt=\"\" width=\"14\" height=\"14\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">1. Se j\u00e1 emprestou dinheiro a um amigo sabe que ficou sem essa maquia, temporariamente se ele pagar, definitivamente se tal n\u00e3o acontecer.<!--more--><\/p>\n<p>Libertemos a imagina\u00e7\u00e3o. Para n\u00e3o ficar sem esse dinheiro imprime uns documentos que diz serem uma promessa de pagamento aos seus possuidores de um determinado montante da d\u00edvida que o seu amigo contraiu para consigo. Vende esses \u201cdocumentos financeiros\u201d prometendo uma taxa de juro compensadora. Como suspeita que ter\u00e1 dificuldades em vender, pede a um familiar que afiance aqueles \u201ct\u00edtulos\u201d, reembolsando os compradores, se alguma coisa correr mal. Ainda pode tomar uma iniciativa adicional: contrata uma empresa, pagando-lhe, para que divulgue \u201ccientificamente\u201d que aqueles t\u00edtulos s\u00e3o bons. Resultado, vendeu tudo.<\/p>\n<p>Gerou-se o milagre. Emprestou ao seu amigo, que talvez nunca pague, mas j\u00e1 recebeu mais do que lhe entregou. At\u00e9 poder\u00e1 continuar a emprestar, mesmo a quem sabe que n\u00e3o tem possibilidades de pagar. Basta mostrar-lhes que o futuro \u00e9 o melhor dos mundos. E se surgir algum entrave burocr\u00e1tico h\u00e1 sempre algum dinheiro para desenferrujar dificuldades.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">2. Eu sei. Esta hist\u00f3ria parece-lhe mal contada. Mesmo sendo empreendedor n\u00e3o o conseguiria fazer.<br \/>\nTem raz\u00e3o, mas muitas institui\u00e7\u00f5es banc\u00e1rias, seguradoras e empresas de rating o fizeram. \u201cVenderam lat\u00e3o por ouro\u201d, criaram uma imensa teia de conflitos de interesse, alimentaram a fraude e a corrup\u00e7\u00e3o. Viveram o sonho do capitalismo sem regula\u00e7\u00e3o do Estado, onde o dinheiro gerava dinheiro, sem agricultura, sem ind\u00fastria e outras actividades carentes de trabalho produtivo. Anunciava-se um futuro radioso sem crises, ao mesmo tempo que se agravavam as desigualdades sociais.<br \/>\nViveu-se acima das suas possibilidades! O leitor? O seu amigo que lhe pediu emprestado? N\u00e3o. Foi o n\u00facleo empreendedor e din\u00e2mico da elite financeira mundial que viveu acima das suas possibilidades, arrastando as sociedades para essa voragem galopante. T\u00e3o acima das suas possibilidades que, quando a crise se lhes atravessou no caminho, em 2007\/8, havia uma d\u00edvida que n\u00e3o era pag\u00e1vel, de algumas dezenas de vezes o produto mundial anual.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">3. O eticamente respons\u00e1vel seria fazer com que esse mundo da alta finan\u00e7a pagasse os desvarios que cometeu. Custasse o que lhes custasse. Mas a realidade n\u00e3o \u00e9 cor-de-rosa porque quem tem o poder econ\u00f3mico tamb\u00e9m est\u00e1 perto do poder pol\u00edtico.<br \/>\nLonge da \u00e9tica e da dignidade humana o caminho percorrido foi outro. Meteram nas nossas cabe\u00e7as que n\u00f3s \u00e9 que \u00e9ramos os culpados e precis\u00e1vamos de pagar a d\u00edvida da fraude que os outros cometeram. Depois, especularam sobre os produtos alimentares e energ\u00e9ticos, responsabilizaram os cidad\u00e3os honestos pelo pagamento da d\u00edvida dos Estados. E assim se conseguiu aumentar as desigualdades sociais j\u00e1 antes brutais.<br \/>\nComo \u00e9 que n\u00f3s, cidad\u00e3os arrastados para mais desemprego e precariza\u00e7\u00e3o poderemos pagar tais d\u00edvidas? Pagando mais impostos, n\u00e3o tendo direito a sa\u00fade e educa\u00e7\u00e3o, passando fome. Entregando-lhes as contas banc\u00e1rias e outros seus haveres. Transformando em barras de ouro exportadas as suas recorda\u00e7\u00f5es dos ancestrais. Talvez amanh\u00e3 entregando-lhes a mob\u00edlia ou algum \u00f3rg\u00e3o humano comercializ\u00e1vel.<br \/>\nPensando bem, h\u00e1 uma outra \u201csolu\u00e7\u00e3o\u201d: matar uma parte da popula\u00e7\u00e3o. S\u00f3 tem um pequeno problema: se quem trabalha nos sectores produtivos morre eles tamb\u00e9m morrem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">4. Hist\u00f3rias das ar\u00e1bias ou de \u00e1frica? De alguma tem\u00edvel ditadura?<br \/>\nN\u00e3o, das democracias e do local onde o leitor vive.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Carlos Pimenta, Jornal i, 1. 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