{"id":1125,"date":"2013-03-21T00:00:00","date_gmt":"2013-03-21T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=1125"},"modified":"2015-12-04T19:14:25","modified_gmt":"2015-12-04T19:14:25","slug":"ceteris-paribus-ii","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=1125","title":{"rendered":"Ceteris Paribus II"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #d8070f;\"><strong>Rui Henrique Alves, <\/strong><\/span><span style=\"color: #d8070f;\"><strong>Vis\u00e3o on line<\/strong><\/span>,<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><a style=\"font-size: 0.75rem; line-height: 1.25rem;\" href=\"http:\/\/visao.sapo.pt\/ceteris-paribus-ii=f719510\" target=\"_blank\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-19 alignleft\" title=\"Liga\u00e7\u00e3o \u00e0 Publica\u00e7\u00e3o\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/go2.png\" alt=\"\" width=\"16\" height=\"16\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><a href=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2013\/04\/VisaoE232.pdf\" target=\"_blank\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-2032 alignleft\" title=\"Ficheiro PDF\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/pdf_button.png\" alt=\"\" width=\"14\" height=\"14\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e1 cerca de dois anos, escrevi uma cr\u00f3nica com t\u00edtulo id\u00eantico a este. Ceteris paribus, ou \u201ccom tudo o resto constante\u201d, \u00e9 uma express\u00e3o muito usada na Economia e corresponde a um modo de an\u00e1lise comum nesta Ci\u00eancia, pelo qual se tentam encontrar e usar rela\u00e7\u00f5es de causalidade entre duas vari\u00e1veis, assumindo que as restantes se mant\u00eam.<a href=\"http:\/\/visao.sapo.pt\/ceteris-paribus-ii=f719510\"><!--more--><\/a><br \/>\nAssim, por exemplo, consideramos que quando o pre\u00e7o de um bem aumenta, a quantidade procurada do mesmo diminui. Admitimos igualmente que quando a taxa de juro diminui, o consumo e o investimento aumentam. Ou ainda que quando a taxa de imposto sobe, a receita fiscal cresce. J\u00e1 agora, determinamos tamb\u00e9m que quando a taxa de c\u00e2mbio desce (isto \u00e9, a moeda nacional perde valor), a competitividade internacional do pa\u00eds aumenta, elevando-se as exporta\u00e7\u00f5es e reduzindo as importa\u00e7\u00f5es<\/p>\n<p>O problema fundamental em todos os racioc\u00ednios anteriores \u00e9 que todos eles podem n\u00e3o se observar, conquanto as demais vari\u00e1veis venham a alterar-se. Assim, se o pre\u00e7o de um bem aumenta, \u00e9 certo que isso nos pode levar a procurar substitutos e equivale a uma situa\u00e7\u00e3o em que o nosso rendimento diminui. Mas se porventura o nosso rendimento crescer tanto ou mais que o pre\u00e7o em causa, a quantidade procurada do bem em causa pode at\u00e9 aumentar. Isso n\u00e3o significa que a rela\u00e7\u00e3o entre pre\u00e7o e quantidade procurada seja inv\u00e1lida, mas t\u00e3o s\u00f3 que n\u00e3o se observou a condi\u00e7\u00e3o ceteris paribus.<br \/>\nPor sua vez, se a taxa de juro diminui, \u00e9 verdade que o custo do acesso ao financiamento se reduz e isso incentiva a procura de fundos financeiros por fam\u00edlias e empresas para, respectivamente, despesas de consumo e de investimento. Mas se porventura estes agentes econ\u00f3micos olharem com pessimismo para o futuro, a taxa de juro poder\u00e1 reduzir-se em muito e o consumo e o investimento n\u00e3o recuperarem. Basta lembrar os famosos animal spirits keynesianos e, no concreto, os resultados de sucessivas interven\u00e7\u00f5es do Banco Central Europeu no contexto p\u00f3s-crise financeira. Mais uma vez, isto n\u00e3o significa uma rela\u00e7\u00e3o inv\u00e1lida entre a taxa de juro e o consumo e investimento, mas apenas o resultado da n\u00e3o verifica\u00e7\u00e3o da dita condi\u00e7\u00e3o ceteris paribus.<br \/>\nContinuando, \u00e9 admiss\u00edvel que uma subida na taxa de imposto conduza \u00e0 eleva\u00e7\u00e3o da receita fiscal: se o nosso rendimento for 1000 e a taxa de imposto 10%, a receita fiscal ser\u00e1 100; se o rendimento for o mesmo e a taxa de imposto 20%, a receita fiscal ser\u00e1 200... Mas se a taxa de imposto subir, o rendimento dispon\u00edvel quebra e, entre outros efeitos, poder\u00e1 registar-se uma redu\u00e7\u00e3o no consumo, que levar\u00e1 \u00e0 diminui\u00e7\u00e3o da receita fiscal (indirecta), a par com uma prov\u00e1vel eleva\u00e7\u00e3o do peso da economia n\u00e3o registada. Algo que tamb\u00e9m nos \u00e9 familiar e que justificaria certamente uma vis\u00e3o distinta por parte dos meios governamentais e europeus perante as quest\u00f5es do ajustamento... At\u00e9 porque, uma vez mais, o problema n\u00e3o \u00e9 da rela\u00e7\u00e3o inicial, mas da n\u00e3o verifica\u00e7\u00e3o da condi\u00e7\u00e3o ceteris paribus.<br \/>\nComo \u00faltimo exemplo, a rela\u00e7\u00e3o entre taxa de c\u00e2mbio e competitividade. Assim, considera-se que se a nossa moeda perder valor, as exporta\u00e7\u00f5es ficam mais baratas em moeda externa e aumentam, enquanto as importa\u00e7\u00f5es ficam mais caras em moeda nacional e diminuem. \u00c9 um dos argumentos mais frequentemente utilizados para defender a sa\u00edda de Portugal do euro, para dar margem de manobra a uma poss\u00edvel pol\u00edtica de desvaloriza\u00e7\u00e3o da moeda. Contudo, e o passado assim o mostra, para al\u00e9m do problema da infla\u00e7\u00e3o importada, o efeito nas exporta\u00e7\u00f5es depende da reac\u00e7\u00e3o de quem vende. Os exportadores podem decidir manter os pre\u00e7os em moeda externa e aumentar os pre\u00e7os em moeda nacional, realizando mais lucros, em lugar de vender mais. E a seguir tudo depende do que fazem a esses lucros. Ou seja, mais uma vez tudo depende da verifica\u00e7\u00e3o ou n\u00e3o da condi\u00e7\u00e3o ceteris paribus.<br \/>\nNada disto seria problem\u00e1tico se, nas an\u00e1lises que fazem, alguns economistas, particularmente os que lidam mais directamente com pol\u00edticas macroecon\u00f3micas, tivessem em conta o grau de incerteza que se gera a partir do uso da condi\u00e7\u00e3o ceteris paribus. N\u00e3o seria problem\u00e1tico se admitissem que a realidade muitas vezes se n\u00e3o conforma aos pressupostos te\u00f3ricos. N\u00e3o seria problem\u00e1tico se fossem ajustando as suas previs\u00f5es e medidas \u00e0 realidade e n\u00e3o se al\u00e7assem ao papel de iluminados que tudo sabem e tudo podem. H\u00e1 casos concretos? Deixo isso \u00e0 imagina\u00e7\u00e3o do leitor...<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Rui Henrique Alves, Vis\u00e3o on line, H\u00e1 cerca de dois anos, escrevi uma cr\u00f3nica com t\u00edtulo id\u00eantico a este. 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