{"id":1121,"date":"2013-03-07T00:00:00","date_gmt":"2013-03-07T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=1121"},"modified":"2015-12-04T19:14:25","modified_gmt":"2015-12-04T19:14:25","slug":"as-elites-da-treta-que-nos-governam","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=1121","title":{"rendered":"As elites da treta que nos governam"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #d8070f;\"><strong>Oscar Afonso, <span style=\"color: #d8070f;\"><strong>Vis\u00e3o on line<\/strong><\/span><\/strong><\/span>,<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><a style=\"font-size: 0.75rem; line-height: 1.25rem;\" href=\"http:\/\/visao.sapo.pt\/as-elites-da-treta-que-nos-governam=f716815\" target=\"_blank\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-19 alignleft\" title=\"Liga\u00e7\u00e3o \u00e0 Publica\u00e7\u00e3o\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/go2.png\" alt=\"\" width=\"16\" height=\"16\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><a href=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2013\/03\/VisaoE228.pdf\" target=\"_blank\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-2032 alignleft\" title=\"Ficheiro PDF\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/pdf_button.png\" alt=\"\" width=\"14\" height=\"14\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma an\u00e1lise cuidada \u00e0 evolu\u00e7\u00e3o recente da economia portuguesa permite concluir que a culpa do ataque \u00e0 zona euro, na sequ\u00eancia dos ataques especulativos a d\u00edvidas p\u00fablicas, n\u00e3o deve ser sobretudo procurada na actua\u00e7\u00e3o dos especuladores. Na minha opini\u00e3o os grandes culpados s\u00e3o as elites que nos governam \u2013 na Uni\u00e3o Europeia e em Portugal \u2013 e cujo principal e \u00fanico objectivo parece ser a manuten\u00e7\u00e3o do poder pol\u00edtico futuro.<!--more--><br \/>\nComo sabemos a elite europeia, dominada pelo pensamento alem\u00e3o, determinou: a aus\u00eancia de mecanismos de ajustamento alternativos ao uso da taxa de c\u00e2mbio nominal; a insuficiente aten\u00e7\u00e3o \u00e0 coordena\u00e7\u00e3o das pol\u00edticas or\u00e7amentais nacionais; a excessiva tend\u00eancia pr\u00f3-estabilidade dos pre\u00e7os. A insuficiente import\u00e2ncia atribu\u00edda \u00e0 converg\u00eancia real (i.e., \u00e0 aproxima\u00e7\u00e3o em termos de vari\u00e1veis representativas do n\u00edvel de vida) como poss\u00edvel condi\u00e7\u00e3o pr\u00e9via para a participa\u00e7\u00e3o na moeda \u00fanica, junto com erros no processo de adequa\u00e7\u00e3o ao novo contexto macroecon\u00f3mico, revelou-se fatal para economias governadas por elites ego\u00edstas, sem grande amor \u00e0 p\u00e1tria e sem desejo de servir o bem comum. Tal parece ter sido o caso em Portugal onde, ap\u00f3s a entrada na moeda \u00fanica, se passou a registar um processo de diverg\u00eancia significativa em termos reais com a m\u00e9dia europeia, quando a literatura indica que a livre actua\u00e7\u00e3o dos mecanismos econ\u00f3micos determina um processo de catching up no seio de uma \u00e1rea sujeita a integra\u00e7\u00e3o econ\u00f3mica; i.e., a livre actua\u00e7\u00e3o das for\u00e7as de mercado imp\u00f5e um processo de converg\u00eancia real em que, durante algum tempo, as economias atrasadas da \u00e1rea crescem mais que as economias mais avan\u00e7adas.<br \/>\nA descida das taxas de juro, fruto mais evidente da converg\u00eancia nominal (i.e., da aproxima\u00e7\u00e3o das principais vari\u00e1veis nominais da economia), induziu quem nos governou a um excessivo endividamento e a um incentivo ao endividamento dos demais agentes econ\u00f3micos. Sem aparente motiva\u00e7\u00e3o pelo bem comum, o que custou a essa elite, sobretudo no p\u00f3s-1995, fazer brilharetes com o dinheiro de todos e assim conservar o poder? Como foi poss\u00edvel seguir uma pol\u00edtica or\u00e7amental \u201cao contr\u00e1rio\u201d (pr\u00f3-ciclica)? Como foi poss\u00edvel n\u00e3o aproveitar per\u00edodos \u201cbons\u201d para conseguir margem de manobra para interven\u00e7\u00e3o em per\u00edodos \u201cmaus\u201d? Como foi poss\u00edvel tamanho descontrolo or\u00e7amental em per\u00edodo de expans\u00e3o, que nos obriga a pol\u00edticas restritivas em per\u00edodo de recess\u00e3o? Como foi poss\u00edvel um aumento t\u00e3o significativo do peso da economia paralela, nomeadamente da economia subterr\u00e2nea motivada pela fuga fiscal?<br \/>\nNa sequ\u00eancia desse endividamento e descontrolo, a poupan\u00e7a da na\u00e7\u00e3o reduziu-se e, conjugada com a perda de competitividade (fruto da perda do instrumento taxa de c\u00e2mbio, do alargamento a leste e da maior penetra\u00e7\u00e3o no mercado europeu de pa\u00edses como a China), determinou uma deteriora\u00e7\u00e3o das contas externas. O resultado foi um conjunto de importantes desequil\u00edbrios macroecon\u00f3micos insustent\u00e1veis no longo prazo e que, num primeiro momento, incentivaram os ataques especulativos \u00e0 d\u00edvida p\u00fablica portuguesa e, numa segunda fase, acabaram por obrigar \u00e0 implementa\u00e7\u00e3o de um programa de ajustamento restritivo com custos significativos no produto e no emprego.<br \/>\nInfelizmente, a falta de uma elite excepcional sugere-nos que os efeitos econ\u00f3micos das medidas j\u00e1 implementadas s\u00e3o incertos e que n\u00e3o \u00e9 expect\u00e1vel uma altera\u00e7\u00e3o relevante nos tempos mais pr\u00f3ximos, tanto no caso gen\u00e9rico da Uni\u00e3o Europeia, como no caso particular de Portugal. Na verdade, apesar de algumas medidas importantes tomadas, por exemplo, em cimeiras europeias recentes, a actua\u00e7\u00e3o continua a caracterizar-se pela excessiva demora e pela reduzida import\u00e2ncia atribu\u00edda a pol\u00edticas de crescimento e emprego em detrimento de pol\u00edticas de forte austeridade. Creio at\u00e9 poder dizer-se que as medidas restritivas servem os interesses das elites j\u00e1 que empobrecem poss\u00edveis concorrentes. Em todo o caso, \u00e9 poss\u00edvel avan\u00e7ar algumas sugest\u00f5es para o fortalecimento da zona euro e que podem evitar a repeti\u00e7\u00e3o futura de situa\u00e7\u00f5es como as descritas, credibilizando expectativas de evolu\u00e7\u00e3o est\u00e1vel e desincentivando ataques especulativos. Entre outras, sugiro as seguintes:<br \/>\n\u2022 Refor\u00e7o da coordena\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas or\u00e7amentais de modo a reduzir a probabilidade de problemas or\u00e7amentais.<br \/>\n\u2022 Refor\u00e7o da vigil\u00e2ncia sobre a disciplina or\u00e7amental, impedindo a repeti\u00e7\u00e3o de surpresas negativas, como as registadas no caso da Gr\u00e9cia (com sucessivos dados estat\u00edsticos a revelarem-se incorrectos).<br \/>\n\u2022 Refor\u00e7o da aten\u00e7\u00e3o \u00e0s quest\u00f5es do crescimento econ\u00f3mico, essenciais para o cumprimento das obriga\u00e7\u00f5es dos pa\u00edses no m\u00e9dio-longo prazo.<br \/>\n\u2022 Cria\u00e7\u00e3o de incentivos para verdadeiras reformas estruturais, que facilitem o funcionamento de mecanismos de ajustamento face a choques econ\u00f3micos, num contexto de impossibilidade de uso do instrumento cambial.<br \/>\n\u2022 (por \u00faltimo, mas n\u00e3o menos importante) Forma\u00e7\u00e3o de uma elite capaz e motivada pelo bem comum.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Oscar Afonso, Vis\u00e3o on line, Uma an\u00e1lise cuidada \u00e0 evolu\u00e7\u00e3o recente da economia portuguesa permite concluir que a culpa do ataque \u00e0 zona euro, na sequ\u00eancia dos ataques especulativos a d\u00edvidas p\u00fablicas, n\u00e3o deve ser sobretudo procurada na actua\u00e7\u00e3o dos especuladores. 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