{"id":1118,"date":"2013-02-22T00:00:00","date_gmt":"2013-02-22T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=1118"},"modified":"2015-12-04T19:07:42","modified_gmt":"2015-12-04T19:07:42","slug":"o-milagre-da-divisao-dos-sacrificios","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=1118","title":{"rendered":"O milagre da divis\u00e3o dos sacrif\u00edcios"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #d8070f;\"><strong>Jo\u00e3o Pedro Martins, Jornal i<\/strong><\/span>,<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><a style=\"font-size: 0.75rem; line-height: 1.25rem;\" href=\"http:\/\/www.ionline.pt\/iopiniao\/milagre-da-divisao-dos-sacrificios\" target=\"_blank\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-19 alignleft\" title=\"Liga\u00e7\u00e3o \u00e0 Publica\u00e7\u00e3o\" alt=\"\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/go2.png\" width=\"16\" height=\"16\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><a title=\"O \u201cburaco\u201d de Chipre: andam a enganar-nos\" href=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2013\/02\/I_Fraude225.pdf\" target=\"_blank\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-2032 alignleft\" title=\"Ficheiro PDF\" alt=\"\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/pdf_button.png\" width=\"14\" height=\"14\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Portugal e a Gr\u00e9cia insistem na prescri\u00e7\u00e3o de mais impostos para curar uma economia doente. Na pr\u00e1tica, os pa\u00edses perif\u00e9ricos da Europa foram transformados em cobaias para experi\u00eancias econ\u00f3micas proibidas nos pa\u00edses ricos.<br \/>\nN\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel recuperar um pa\u00eds mergulhado na recess\u00e3o com sucessivas pol\u00edticas de austeridade. Os nossos l\u00edderes conhecem a realidade, mas vivem outra identidade. Eles sabem que h\u00e1 um limite acima do qual n\u00e3o se pode aumentar os impostos porque diminui a receita e aumenta a fraude e a evas\u00e3o fiscal.<!--more--><br \/>\nNenhum governo com sanidade mental pode desinvestir na educa\u00e7\u00e3o quando as escolas p\u00fablicas est\u00e3o cheias de crian\u00e7as que passam fome em casa.<br \/>\nNenhum ministro com voca\u00e7\u00e3o de estadista pode exigir servi\u00e7os p\u00fablicos de qualidade quando massacra os funcion\u00e1rios do Estado e da administra\u00e7\u00e3o local com repetidos cortes salariais.<br \/>\nNenhum primeiro-ministro l\u00facido pode reduzir as pens\u00f5es dos idosos que mal t\u00eam dinheiro para comprar medicamentos.<br \/>\nNenhum presidente da Rep\u00fablica interessado em resolver os problemas dos seus concidad\u00e3os pode trocar o sal\u00e1rio do cargo para o qual foi eleito pelo valor de duas pens\u00f5es, apenas porque legalmente lhe d\u00e1 mais jeito, quando moralmente s\u00f3 as deveria receber depois de deixar Bel\u00e9m e cal\u00e7ar as pantufas da reforma.<br \/>\nUm velho prov\u00e9rbio b\u00edblico diz que \u201co rico domina os pobres e o devedor \u00e9 escravo do credor.\u201d As imposi\u00e7\u00f5es da troika transformaram-se num novo modelo de escravatura que todos os dias nos faz sentir a dor e a marca do chicote. Vivemos agrilhoados por um regime de tirania econ\u00f3mica que nos explora a carteira e enterra o futuro dos nossos filhos.<br \/>\nBasta de discursos carregados de hipocrisia. Podemos at\u00e9 ser escravos do capitalismo neoliberal, mas n\u00e3o somos est\u00fapidos. J\u00e1 todos percebemos que Portugal n\u00e3o passa de um franchising de Bruxelas dirigido por funcion\u00e1rios do FMI. Deix\u00e1mos de ter identidade nacional. Somos apenas n\u00fameros perdidos no meio das estat\u00edsticas. As pessoas deixaram de contar ou contam apenas para pagar impostos solid\u00e1rios por aqueles que fogem impunemente \u00e0s suas responsabilidades fiscais.<br \/>\nNum pa\u00eds onde o governo despeja dinheiro nos bolsos de privados para salvar bancos mal geridos e mant\u00e9m a heresia fiscal da zona franca da Madeira, ao mesmo tempo que oferece \u00e0s fam\u00edlias a guilhotina do desemprego e a forca dos impostos, ser\u00e1 que algu\u00e9m ainda acredita no milagre da divis\u00e3o dos sacrif\u00edcios?<br \/>\nAfinal, quanto vale um portugu\u00eas? Meia tonelada de austeridade? Um c\u00eantimo de \u00e9tica pol\u00edtica? Uma grama de justi\u00e7a?<br \/>\nO povo \u00e9 o tesouro da na\u00e7\u00e3o. Um governo que n\u00e3o percebe a mais valia daqueles que vivem na sua terra, nunca vai conseguir transformar a mis\u00e9ria em desenvolvimento.<br \/>\nVai chegar o dia em que os contribuintes escravos v\u00e3o morrer por excesso de tortura. Mas antes desse dia fat\u00eddico ainda pode brilhar o sol da revolta. Pode at\u00e9 acontecer que apare\u00e7a algu\u00e9m rico, mais rico do que a troika, para pagar a nossa d\u00edvida e restituir-nos a liberdade.<br \/>\nO governo at\u00e9 pode cuspir na cara dos eleitores, mas h\u00e1 uma verdade que tem de ser reconhecida - pela primeira vez na hist\u00f3ria da democracia portuguesa, existe unidade e unanimidade nacional. N\u00e3o h\u00e1 um \u00fanico portugu\u00eas que queira esta gente a governar-nos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jo\u00e3o Pedro Martins, Jornal i, Portugal e a Gr\u00e9cia insistem na prescri\u00e7\u00e3o de mais impostos para curar uma economia doente. Na pr\u00e1tica, os pa\u00edses perif\u00e9ricos da Europa foram transformados em cobaias para experi\u00eancias econ\u00f3micas proibidas nos pa\u00edses ricos. N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel recuperar um pa\u00eds mergulhado na recess\u00e3o com sucessivas pol\u00edticas de austeridade. 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