{"id":1112,"date":"2013-02-01T00:00:00","date_gmt":"2013-02-01T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=1112"},"modified":"2015-12-04T19:07:42","modified_gmt":"2015-12-04T19:07:42","slug":"fraude-contabilistica-em-tempos-de-crise","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=1112","title":{"rendered":"Fraude contabil\u00edstica em tempos de crise"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #d8070f;\"><strong>Jos\u00e9 Ant\u00f3nio Moreira, Jornal i<\/strong><\/span>,<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><a style=\"font-size: 0.75rem; line-height: 1.25rem;\" href=\"http:\/\/www.ionline.pt\/iopiniao\/fraude-contabilistica-tempos-crise\" target=\"_blank\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-19 alignleft\" title=\"Liga\u00e7\u00e3o \u00e0 Publica\u00e7\u00e3o\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/go2.png\" alt=\"\" width=\"16\" height=\"16\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><a href=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2013\/02\/I_Fraude219.pdf\" target=\"_blank\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-2032 alignleft\" title=\"Ficheiro PDF\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/pdf_button.png\" alt=\"\" width=\"14\" height=\"14\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O comportamento das empresas, tal como o das pessoas, \u00e9 determinado por for\u00e7as, incentivos. No dom\u00ednio da fraude contabil\u00edstica, por exemplo, tradicionalmente a press\u00e3o da fiscalidade levava aquelas, em particular as de pequena e m\u00e9dia dimens\u00e3o, a procurarem \u201cesconder\u201d do Estado parte dos seus resultados.<!--more--><br \/>\nN\u00e3o \u00e9 preciso recuar muito no tempo. Uma d\u00e9cada, duas no m\u00e1ximo. No gabinete de um qualquer gerente banc\u00e1rio, a partir de Abril de cada ano, depois do fecho das contas das empresas, poderia escutar-se o seguinte tipo de discurso: \u201cObrigado por me ter recebido. Venho trazer-lhe a informa\u00e7\u00e3o contabil\u00edstica do ano passado. Aqui tem a declara\u00e7\u00e3o fiscal, o modelo 22. Mas, como o senhor gerente sabe, o n\u00edvel da nossa actividade \u00e9 superior ao que est\u00e1 registado na contabilidade oficial. Portanto, tomei a liberdade de lhe trazer tamb\u00e9m as contas reais da nossa actividade.\u201d E o gestor da empresa, ou um seu representante, entregava umas quantas folhas timbradas (\u00e0s vezes nem timbre tinham) com os mapas contabil\u00edsticos que, supostamente, reflectiam a actividade real da empresa. O gerente banc\u00e1rio aceitava esta informa\u00e7\u00e3o como algo perfeitamente normal.<br \/>\nOs tempos mudaram. O processo de concess\u00e3o de cr\u00e9dito do sistema banc\u00e1rio alterou-se. O elemento pessoal da rela\u00e7\u00e3o credit\u00edcia, baseado no conhecimento que o gerente banc\u00e1rio tinha do gestor-propriet\u00e1rio e do seu neg\u00f3cio, perdeu-se em grande parte em favor da \u201cobjectividade\u201d de um qualquer modelo de \u201cscoring\u201d. Como consequ\u00eancia, as empresas passaram a defrontar-se com um diferente incentivo \u00e0 fraude contabil\u00edstica, de natureza oposta \u00e0 referida anteriormente. Agora, o objectivo a atingir \u00e9 mostrar resultados \u201coficiais\u201d \u2013 mesmo quando n\u00e3o existem \u2013 que conven\u00e7am os financiadores de que a empresa est\u00e1 de boa sa\u00fade financeira.<br \/>\nH\u00e1 dias, um colega revisor de contas confidenciava-me que o principal problema com que se estava a defrontar no seu trabalho era o de evitar que as empresas n\u00e3o registassem na contabilidade todos os gastos suportados com a actividade e, por essa via, aumentassem (fraudulentamente) os resultados do per\u00edodo. \u201cElas sabem que se apresentarem resultados negativos ou muito baixos a banca lhes corta o financiamento. Portanto, preferem pagar imposto (IRC), que n\u00e3o seria devido, a \u2018sufocarem\u2019 por falta de cr\u00e9dito banc\u00e1rio.\u201d, explicou-me ele.<br \/>\nN\u00e3o \u00e9 surpresa que as empresas assim se comportem, sobretudo as de mais d\u00e9bil sa\u00fade financeira. Em tempos de crise e de restri\u00e7\u00f5es no acesso ao cr\u00e9dito, como os que se vivem, a (tradicional) fraude contabil\u00edstica de natureza fiscal, destinada a reduzir os resultados e o IRC a pagar, por via de situa\u00e7\u00f5es de subfactura\u00e7\u00e3o e ou de empolamento dos gastos, passa para segundo plano. Hoje, a fraude \u00e9 em grande parte de natureza informacional, destinada a esconder dos financiadores a real situa\u00e7\u00e3o econ\u00f3mica e financeira da empresa.<br \/>\nIronia do destino. O Estado, tradicionalmente defraudado na recolha de receita, recebe agora, em muitos casos, IRC em excesso relativamente ao que lhe seria devido.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jos\u00e9 Ant\u00f3nio Moreira, Jornal i, O comportamento das empresas, tal como o das pessoas, \u00e9 determinado por for\u00e7as, incentivos. 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