{"id":1110,"date":"2013-01-25T00:00:00","date_gmt":"2013-01-25T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=1110"},"modified":"2015-12-04T19:07:42","modified_gmt":"2015-12-04T19:07:42","slug":"crise-criminavel-e-criminogenetica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=1110","title":{"rendered":"Crise crimin\u00e1vel e criminogen\u00e9tica"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #d8070f;\"><strong>Carlos Pimenta, Jornal i<\/strong><\/span>,<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><a style=\"font-size: 0.75rem; line-height: 1.25rem;\" href=\"http:\/\/www.ionline.pt\/iopiniao\/crise-criminavel-criminogenetica\" target=\"_blank\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-19 alignleft\" title=\"Liga\u00e7\u00e3o \u00e0 Publica\u00e7\u00e3o\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/go2.png\" alt=\"\" width=\"16\" height=\"16\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><a href=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/I_Fraude217.pdf\" target=\"_blank\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-2032 alignleft\" title=\"Ficheiro PDF\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/pdf_button.png\" alt=\"\" width=\"14\" height=\"14\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">1. As crises, fases do ciclo econ\u00f3mico, fazem parte do ap\u00f3s Revolu\u00e7\u00e3o Industrial (XVIII), espalhada \u00e0 escala mundial durante o s\u00e9culo seguinte. \u00c0 medida que o capitalismo submetia os anteriores modos de produ\u00e7\u00e3o e abrangia mais pa\u00edses as crises passaram a ser mais frequentes, mais amplas e tendencialmente peri\u00f3dicas. Sendo cada uma diferente das restantes, todas apresentam caracter\u00edsticas comuns. Antecipada, numa aparente contradi\u00e7\u00e3o, por um aumento das cota\u00e7\u00f5es na bolsa, revela-se na diminui\u00e7\u00e3o do investimento privado, na quebra da procura agregada, no aumento dos estoques e dificuldade de venda, na diminui\u00e7\u00e3o do emprego e na subocupa\u00e7\u00e3o das m\u00e1quinas e equipamentos. Esta situa\u00e7\u00e3o altera a din\u00e2mica social e pol\u00edtica pela inseguran\u00e7a e revolta, pela subservi\u00eancia e ruptura, pela leitura clara do encoberto.<!--more--><br \/>\n2. Estas crises s\u00e3o radicalmente diferentes das anteriores (at\u00e9 s\u00e9c. XVIII). Antes as crises representavam fome porque a produ\u00e7\u00e3o era insuficiente. Actualmente a fome resulta de haver produ\u00e7\u00e3o a mais em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s possibilidades de venda. \u00c9 a mis\u00e9ria nascida na, e da, opul\u00eancia. Alguns chamam-lhes crises de subconsumo, outros designam-nas por crises de sobreprodu\u00e7\u00e3o. H\u00e1 capital a mais em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s possibilidades da sua rentabiliza\u00e7\u00e3o. A supera\u00e7\u00e3o da crise passa pela n\u00e3o utiliza\u00e7\u00e3o, destrui\u00e7\u00e3o, do capital e dos recursos: o capital fixo \u00e9 destru\u00eddo pela paralisa\u00e7\u00e3o das m\u00e1quinas e encerramento das institui\u00e7\u00f5es produtivas; o capital mercadoria \u00e9-o pela acumula\u00e7\u00e3o sem venda; o capital humano \u00e9-o pelo desemprego e pela deteriora\u00e7\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es de vida; o capital monet\u00e1rio-financeiro desvaloriza-se e muitas das d\u00edvidas n\u00e3o s\u00e3o pagas.<br \/>\n3. Numa crise n\u00e3o est\u00e1 apenas em jogo a efic\u00e1cia econ\u00f3mica. A economia n\u00e3o \u00e9 mais do que uma parte da sociedade em que outros valores s\u00e3o fundamentais e ajudam \u00e0 resolu\u00e7\u00e3o dos pr\u00f3prios desmandos da actividade econ\u00f3mica. A vida humana e a preserva\u00e7\u00e3o do nosso habitat s\u00e3o alguns desses valores fundamentais. Valores que exigiriam uma actua\u00e7\u00e3o adequada do Estado que tivesse em conta os princ\u00edpios \u00e9ticos fundamentais da sociedade contempor\u00e2nea, indicados na Declara\u00e7\u00e3o Universal dos Direitos do Homem.<br \/>\nContudo n\u00e3o t\u00eam sido essas as refer\u00eancias fundamentais da Uni\u00e3o Europeia. A concubinagem entre o poder pol\u00edtico e o capital financeiro, manifestada atrav\u00e9s da socializa\u00e7\u00e3o dos preju\u00edzos e privatiza\u00e7\u00e3o dos lucros dos bancos \u00e9 a principal causa do actual prolongamento da crise. Salva-se o capital fict\u00edcio gerado na loucura e na fraude da bolsa, profusamente acumulado nos bancos, mas matam-se muitos que empenharam todas as suas energias num neg\u00f3cio ou dependem do sal\u00e1rio para viver.<br \/>\n4. A crise em que vivemos foi fortissimamente ampliada por fraudes e outros crimes econ\u00f3micos, muitos j\u00e1 investigados e julgados. Muitos dos que estiveram na origem de tal ambiente continuam a ser politicamente apoiados e salvaguardados, em detrimento de todos os demais.<br \/>\nE tudo isto acontece numa Europa onde existe uma poderosa criminalidade econ\u00f3mica organizada em condi\u00e7\u00f5es de aproveitar as debilidades dos Estados e as dificuldades das empresas para entrela\u00e7ar mais o legal com o ilegal, para aumentar a sua influ\u00eancia pol\u00edtica.<br \/>\nVivemos numa sociedade criminogen\u00e9tica, em crise, que tende a refor\u00e7ar a sua toxidade, para o que contribui o neoliberalismo.<br \/>\n\u00c9 um imperativo social, legal e \u00e9tico promover uma pol\u00edtica que beneficie tanto o capital produtivo como o trabalho, s\u00f3 vi\u00e1vel numa l\u00f3gica de combate \u00e0 crise, de crescimento e de defesa da democracia.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Carlos Pimenta, Jornal i, 1. As crises, fases do ciclo econ\u00f3mico, fazem parte do ap\u00f3s Revolu\u00e7\u00e3o Industrial (XVIII), espalhada \u00e0 escala mundial durante o s\u00e9culo seguinte. \u00c0 medida que o capitalismo submetia os anteriores modos de produ\u00e7\u00e3o e abrangia mais pa\u00edses as crises passaram a ser mais frequentes, mais amplas e tendencialmente peri\u00f3dicas. Sendo cada&hellip; <a href=\"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=1110\">Ler mais&#8230;<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_bbp_topic_count":0,"_bbp_reply_count":0,"_bbp_total_topic_count":0,"_bbp_total_reply_count":0,"_bbp_voice_count":0,"_bbp_anonymous_reply_count":0,"_bbp_topic_count_hidden":0,"_bbp_reply_count_hidden":0,"_bbp_forum_subforum_count":0,"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[72,124],"tags":[],"class_list":["post-1110","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-cronicas","category-jornal-i"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1110","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=1110"}],"version-history":[{"count":10,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1110\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":8517,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1110\/revisions\/8517"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=1110"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=1110"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=1110"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}