{"id":1103,"date":"2012-12-28T00:00:00","date_gmt":"2012-12-28T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=1103"},"modified":"2015-12-04T20:16:20","modified_gmt":"2015-12-04T20:16:20","slug":"tempos-de-incerteza","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=1103","title":{"rendered":"Tempos de incerteza"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #d8070f;\"><strong>Ant\u00f3nio Jo\u00e3o Maia, Jornal i<\/strong><\/span>,<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><a style=\"font-size: 0.75rem; line-height: 1.25rem;\" href=\"http:\/\/www.ionline.pt\/iopiniao\/tempos-incerteza\" target=\"_blank\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-19 alignleft\" title=\"Liga\u00e7\u00e3o \u00e0 Publica\u00e7\u00e3o\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/go2.png\" alt=\"\" width=\"16\" height=\"16\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><a title=\"O \u201cburaco\u201d de Chipre: andam a enganar-nos\" href=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/I_Fraude210.pdf\" target=\"_blank\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-2032 alignleft\" title=\"Ficheiro PDF\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/pdf_button.png\" alt=\"\" width=\"14\" height=\"14\" \/><\/a><\/p>\n<p>O enquadramento pol\u00edtico e econ\u00f3mico que o mundo tem vivido nos \u00faltimos anos, sobretudo na Europa e em particular nos pa\u00edses do sul, \u00e9 de profunda crise.<br \/>\nDizem-nos agora que, erradamente, and\u00e1mos a viver acima das nossas posses. Que gast\u00e1mos o que t\u00ednhamos \u2013 o que produz\u00edamos \u2013 e o que n\u00e3o t\u00ednhamos \u2013 o cr\u00e9dito que nos foi sendo concedido \u2013 e por essa via increment\u00e1mos o d\u00e9fice e hipotec\u00e1mos o futuro.<!--more-->\u00a0Dizem-nos tamb\u00e9m que este modelo foi induzido pelo Estado \u2013 atrav\u00e9s dos sucessivos governos e dos seus programas, alicer\u00e7ados nas obras p\u00fablicas e nos or\u00e7amentos para as edificar \u2013 e, numa l\u00f3gica de mimetismo, pelas empresas e pelas pr\u00f3prias fam\u00edlias, sob a miragem das baixas taxas de juro e da alegada seguran\u00e7a do Euro.<br \/>\nApesar de, aqui e acol\u00e1, terem surgido vozes de alerta para a insustentabilidade do modelo, a verdade \u00e9 que os nossos padr\u00f5es de vida se conformaram com ele at\u00e9 ao momento em que soaram os alarmes vindos de fora, primeiro pelas ag\u00eancias de rating e depois pelos nossos principais credores. Num \u00e1pice, o apoio internacional de ajuda entretanto disponibilizado tem vindo a for\u00e7ar, de forma dura, o reajustamento da d\u00edvida do pa\u00eds, o que tem provocado os efeitos sobejamente descritos e conhecidos de todos, quer ao n\u00edvel do Estado, quer sobretudo ao n\u00edvel das fam\u00edlias.<br \/>\nMas, questionar-se-\u00e1, que rela\u00e7\u00e3o apresenta este cen\u00e1rio de crise com a quest\u00e3o da fraude, associada a esta coluna?<br \/>\nToda e nenhuma, responderei.<br \/>\nToda, na medida em que a nega\u00e7\u00e3o repentina das expectativas individuais e coletivas criadas por aquele modelo, sem qualquer explica\u00e7\u00e3o conveniente sobre o porqu\u00ea e sobretudo que futuro nos espera, encontra paralelo com os pressupostos de uma situa\u00e7\u00e3o de fraude. E ser\u00e1 por esta raz\u00e3o \u2013 por se sentirem defraudadas nas suas expectativas \u2013 que as pessoas mostram indigna\u00e7\u00e3o e atiram para os pol\u00edticos a culpa de toda a situa\u00e7\u00e3o, como se resultasse de um plano urdido algures no passado com tal prop\u00f3sito.<br \/>\nNenhuma, porque, sobretudo em democracia, o modelo n\u00e3o pode ter sido tra\u00e7ado com prop\u00f3sitos que n\u00e3o fossem o de melhorar a qualidade de vida das popula\u00e7\u00f5es. Simplesmente, como tem acontecido ao longo da hist\u00f3ria da humanidade, as condi\u00e7\u00f5es de contexto alteraram-se profundamente nas \u00faltimas d\u00e9cadas. Os crescentes custos do Estado social, associados ao envelhecimento das popula\u00e7\u00f5es, ao aumento da esperan\u00e7a m\u00e9dia de vida, ao crescimento das taxas de desemprego, \u00e0 deslocaliza\u00e7\u00e3o das grandes ind\u00fastrias para pa\u00edses de m\u00e3o-de-obra barata e \u00e0 emerg\u00eancia pujante das novas economias asi\u00e1ticas e sul-americanas, contam-se entre os principais factores explicativos para o sucedido.<br \/>\nVivemos atualmente na Europa um contexto de mudan\u00e7a profunda. Realidades t\u00e3o importantes como o aumento da idade m\u00e9dia da reforma, a redu\u00e7\u00e3o dos apoios sociais e do valor das reformas, a par da redefini\u00e7\u00e3o da no\u00e7\u00e3o de estabilidade no trabalho, parecem cada vez mais prementes.<br \/>\nConcorde-se ou n\u00e3o, o modelo que come\u00e7a a desenhar-se assenta numa incerteza permanente, geradora de cen\u00e1rios de instabilidade nas expectativas de vida, sobretudo para as gera\u00e7\u00f5es futuras.<br \/>\nA finalizar, deseja-se um ano de 2013 com esperan\u00e7a em melhores dias e, pelo menos no que depender de cada um de n\u00f3s, com maior capacidade de entreajuda e coopera\u00e7\u00e3o, de modo a superarmos mais facilmente este per\u00edodo de transi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ant\u00f3nio Jo\u00e3o Maia, Jornal i, O enquadramento pol\u00edtico e econ\u00f3mico que o mundo tem vivido nos \u00faltimos anos, sobretudo na Europa e em particular nos pa\u00edses do sul, \u00e9 de profunda crise. Dizem-nos agora que, erradamente, and\u00e1mos a viver acima das nossas posses. 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