{"id":1102,"date":"2012-12-27T00:00:00","date_gmt":"2012-12-27T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=1102"},"modified":"2015-12-04T19:14:27","modified_gmt":"2015-12-04T19:14:27","slug":"criatividade-ou-fraude-pode-a-escolha-da-palavra-afetar-o-consciente-coletivo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=1102","title":{"rendered":"Criatividade ou fraude: pode a escolha da palavra afetar o consciente coletivo?"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #d8070f;\"><strong>Jos\u00e9 Ant\u00f3nio Moreira, <\/strong><\/span><span style=\"color: #d8070f;\"><strong>Vis\u00e3o on line<\/strong><\/span>,<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><a style=\"font-size: 0.75rem; line-height: 1.25rem;\" href=\"http:\/\/visao.sapo.pt\/criatividade-ou-fraude-pode-a-escolha-da-palavra-afetar-o-consciente-coletivo=f703940\" target=\"_blank\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-19 alignleft\" title=\"Liga\u00e7\u00e3o \u00e0 Publica\u00e7\u00e3o\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/go2.png\" alt=\"\" width=\"16\" height=\"16\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><a title=\"O \u201cburaco\u201d de Chipre: andam a enganar-nos\" href=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/VisaoE209.pdf\" target=\"_blank\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-2032 alignleft\" title=\"Ficheiro PDF\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/pdf_button.png\" alt=\"\" width=\"14\" height=\"14\" \/><\/a><\/p>\n<p>Para o gigante alem\u00e3o Deutsche Bank (DB) o ano de 2012 \u00e9, e ser\u00e1 por muito tempo, um \u201cannus horribilis\u201d. A institui\u00e7\u00e3o comprovou em toda a sua plenitude a denominada Lei de Murphy: \"Se alguma coisa pode dar errado, com certeza dar\u00e1\".<!--more--><br \/>\nAs situa\u00e7\u00f5es sucederam-se: entre outras, condena\u00e7\u00e3o ao pagamento de avultadas indemniza\u00e7\u00f5es por comportamentos negociais menos corretos; acusa\u00e7\u00e3o de evas\u00e3o fiscal, com \u201cassalto\u201d das suas instala\u00e7\u00f5es pela pol\u00edcia; fraude contabil\u00edstica no montante de quase 10000 milh\u00f5es de euros nos anos de 2007 a 2009.<br \/>\nQualquer um destes casos poderia ser discutido nesta cr\u00f3nica. Por\u00e9m, ser\u00e1 sobre o \u00faltimo dos referidos que me deterei de modo particular. Os contornos gen\u00e9ricos da situa\u00e7\u00e3o descrevem-se em poucas palavras: no \u00e2mbito de contratos de produtos financeiros derivados em que era interveniente, o banco acumulou nesses anos as referidas perdas, que \u201cocultou\u201d, ao n\u00e3o reportar no seu relat\u00f3rio, para evitar receber ajuda p\u00fablica e ser intervencionado pelo Estado alem\u00e3o. A partir da den\u00fancia de ex-funcion\u00e1rios, a situa\u00e7\u00e3o veio a lume, primeiro negada pelo banco, depois reconhecida como tendo ocorrido.<br \/>\nNesses anos a informa\u00e7\u00e3o financeira do banco foi (e ainda \u00e9) auditada por uma das denominadas \u201cBig 4\u201d da auditoria, a KPMG. O parecer por esta emitido, em cada um dos per\u00edodos, tem uma constante: nenhuma reserva a fazer (a denominada \u201copini\u00e3o limpa\u201d). O Conselho Fiscal do banco tamb\u00e9m n\u00e3o fez qualquer reserva, aparentemente por n\u00e3o ter detetado a situa\u00e7\u00e3o. Mais grave ainda, o \u201cpol\u00edcia da bolsa alem\u00e3\u201d (correspondente \u00e0 CMVM portuguesa) teria detetado a situa\u00e7\u00e3o em 2009, no \u00e2mbito de auditorias de rotina, mas n\u00e3o a divulgou publicamente.<br \/>\nDuas notas de coment\u00e1rio. A primeira, e j\u00e1 em anteriores cr\u00f3nicas discutida ou latente, tem a ver com a impot\u00eancia do cidad\u00e3o comum, dos pequenos acionistas em particular, para perceberem a situa\u00e7\u00e3o real das institui\u00e7\u00f5es onde depositam ou investem as suas poupan\u00e7as. Se os organismos de fiscaliza\u00e7\u00e3o, que t\u00eam acesso ao interior da organiza\u00e7\u00e3o auditada e a toda a sua documenta\u00e7\u00e3o n\u00e3o detetam as anomalias \u2013 ou detetando n\u00e3o as referem \u2013, como podem esses cidad\u00e3os saber que algo n\u00e3o est\u00e1 bem? Dever\u00e1 a dimens\u00e3o e complexidade crescente das organiza\u00e7\u00f5es ser objeto de discuss\u00e3o p\u00fablica, antes que a sociedade seja confrontada, novamente, com \u201csitua\u00e7\u00f5es de facto consumado\u201d, onde o \u00faltimo recurso \u00e9 usar os impostos dos contribuintes para salvar organiza\u00e7\u00f5es \u201cdemasiado grandes\u201d para falir?<br \/>\nA segunda nota, tem a ver com a terminologia usada pelos meios de comunica\u00e7\u00e3o para reportar estes casos. Neste particular, em geral, a situa\u00e7\u00e3o foi apresentada como sendo de \u201ccriatividade contabil\u00edstica\u201d, ou como consubstanciando um caso de \u201cmaquilhagem das contas\u201d. Em qualquer destas titula\u00e7\u00f5es, a ideia que est\u00e1 subliminar \u00e9 de algo leve, um \u201cjeitinho\u201d para dar um \u201clook\u201d mais bonito aos resultados da empresa. Por\u00e9m, o correto teria sido titular a not\u00edcia por aquilo que ela \u00e9: uma fraude contabil\u00edstica. Com efeito, a express\u00e3o \u201ccriatividade contabil\u00edstica\u201d \u2013 adapta\u00e7\u00e3o para o portugu\u00eas da express\u00e3o inglesa \u201cearnings management\u201d \u2013 deveria aplicar-se apenas a casos em que de entre as solu\u00e7\u00f5es contabil\u00edsticas previstas nas normas a gest\u00e3o da empresa adotou aquela que, em seu entender, produzia um impacte nos resultados mais pr\u00f3ximo do desejado. N\u00e3o foi o que aconteceu neste caso: houve adultera\u00e7\u00e3o da verdade, houve sonega\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00e3o materialmente relevante para se aferir a real situa\u00e7\u00e3o da institui\u00e7\u00e3o, houve um atropelo ostensivo das normas contabil\u00edsticas. Esteve em causa uma atua\u00e7\u00e3o da gest\u00e3o da empresa que \u00e9 pass\u00edvel de sancionamento criminal.<br \/>\nAcredito que os jornalistas n\u00e3o t\u00eam um segundo sentido quando fazem uso dessas express\u00f5es \u201cmais suaves\u201d na carateriza\u00e7\u00e3o de casos como o referido. Por\u00e9m, cada palavra conta e, como tal, devem ser escolhidas para se adequarem \u00e0 real descri\u00e7\u00e3o da situa\u00e7\u00e3o. Em minha opini\u00e3o, quando se usam express\u00f5es mais \u201csuaves\u201d \u2013 como o caso da \u201ccriatividade\u201d \u2013, o subconsciente coletivo, a sociedade, n\u00e3o interioriza em toda a sua profundidade a gravidade das situa\u00e7\u00f5es. Ora, de modo particular quando se trata de institui\u00e7\u00f5es com a dimens\u00e3o da agora tratada, isso \u00e9 grave, pois subestimam-se os riscos corridos pela sociedade. Ou seja, dito de outro modo, os jornalistas, os meios de comunica\u00e7\u00e3o social para quem trabalham, ainda que sem o quererem, est\u00e3o a deturpar a informa\u00e7\u00e3o que produzem. Numa vers\u00e3o mais suave, est\u00e3o a usar de \u201ccriatividade\u201d informativa.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jos\u00e9 Ant\u00f3nio Moreira, Vis\u00e3o on line, Para o gigante alem\u00e3o Deutsche Bank (DB) o ano de 2012 \u00e9, e ser\u00e1 por muito tempo, um \u201cannus horribilis\u201d. 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