{"id":1101,"date":"2012-12-21T00:00:00","date_gmt":"2012-12-21T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=1101"},"modified":"2015-12-04T20:16:46","modified_gmt":"2015-12-04T20:16:46","slug":"sinais-da-criatividade-fraude-na-restauracao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=1101","title":{"rendered":"Sinais da \u201ccriatividade\u201d (fraude) na restaura\u00e7\u00e3o?"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #d8070f;\"><strong>Jos\u00e9 Ant\u00f3nio Moreira, Jornal i<\/strong><\/span>,<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><a style=\"font-size: 0.75rem; line-height: 1.25rem;\" href=\"http:\/\/www.ionline.pt\/iopiniao\/sinais-da-criatividade-fraude-na-restauracao\" target=\"_blank\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-19 alignleft\" title=\"Liga\u00e7\u00e3o \u00e0 Publica\u00e7\u00e3o\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/go2.png\" alt=\"\" width=\"16\" height=\"16\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><a href=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2012\/12\/I_Fraude208.pdf\" target=\"_blank\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-2032 alignleft\" title=\"Ficheiro PDF\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/pdf_button.png\" alt=\"\" width=\"14\" height=\"14\" \/><\/a><\/p>\n<p>No in\u00edcio do corrente ano o Governo aumentou a taxa de IVA do setor da restaura\u00e7\u00e3o, de 13% para 23%. O teor da discuss\u00e3o em torno das consequ\u00eancias desta medida \u00e9, sem exce\u00e7\u00e3o, de natureza catastrofista: ocorr\u00eancia de dezenas de milhares de desempregados, o fecho de milhares de estabelecimentos, um impacto negativo para o turismo, entre outras.<!--more--><br \/>\nPor\u00e9m, em finais de novembro, numa interven\u00e7\u00e3o na Assembleia da Rep\u00fablica, o Secret\u00e1rio de Estado dos Assuntos Fiscais informou a c\u00e2mara que o montante de IVA arrecadado de janeiro a agosto nesse setor tinha aumentado, em termos hom\u00f3logos, 122% (no regime mensal). A informa\u00e7\u00e3o apareceu nos meios de comunica\u00e7\u00e3o social sem especial destaque, rapidamente desaparecendo.<br \/>\nAdmitindo que os valores avan\u00e7ados pelo governante est\u00e3o corretos \u2013 nesta data ainda imposs\u00edveis de comprovar \u2013, um c\u00e1lculo mental muito simples parece apontar para a exist\u00eancia de um paradoxo: a taxa de imposto aumenta 77%, o clima econ\u00f3mico \u00e9 recessivo, estes dois efeitos depressivos para o n\u00edvel de neg\u00f3cios da restaura\u00e7\u00e3o; no entanto, verifica-se um aumento da receita em 122%!<br \/>\nParece haver uma explica\u00e7\u00e3o para este aparente paradoxo. Ocorreu no in\u00edcio de 2012 uma altera\u00e7\u00e3o tribut\u00e1ria aplicada ao setor da restaura\u00e7\u00e3o \u2013 passou praticamente despercebida na comunica\u00e7\u00e3o social \u2013 que obriga as empresas que faturem anualmente mais de 150000 euros a usar um programa de fatura\u00e7\u00e3o certificado que envia a informa\u00e7\u00e3o recolhida diretamente para a Administra\u00e7\u00e3o Tribut\u00e1ria (AT). Para essas empresas desapareceu, pois, qualquer flexibilidade para, na transfer\u00eancia dos valores registados para a contabilidade, subavaliarem o volume de neg\u00f3cios efetuado.<br \/>\nTendo em conta que o setor da restaura\u00e7\u00e3o foi desde sempre um foco de evas\u00e3o fiscal, tal medida tribut\u00e1ria pode ter contribu\u00eddo sobremodo para o aumento da receita fiscal, talvez at\u00e9 mais do que o aumento da taxa de imposto. Isto explicaria o mencionado (aparente) paradoxo. A comprova\u00e7\u00e3o desta (por agora) especula\u00e7\u00e3o s\u00f3 poder\u00e1 ser efetuada a partir dos valores respeitantes \u00e0 fatura\u00e7\u00e3o anual declarada pelo setor. No entanto, n\u00e3o ser\u00e1 de admirar se, apesar dos tempos de crise, esta vier a crescer.<br \/>\nAs medidas que entrar\u00e3o em vigor para a generalidade das empresas no in\u00edcio de 2013, obrigando-as \u00e0 emiss\u00e3o de fatura por cada transa\u00e7\u00e3o efetuada e \u00e0 comunica\u00e7\u00e3o di\u00e1ria \u00e0 AT dos documentos de venda emitidos, ir\u00e3o limitar sobremodo as possibilidades de evas\u00e3o fiscal por subfatura\u00e7\u00e3o. Poder\u00e3o ter efeito id\u00eantico ao referido para o setor da restaura\u00e7\u00e3o. A curto prazo, \u00e9 poss\u00edvel que haja \u201cempresas\u201d que ir\u00e3o ser \u201cempurradas\u201d para fora do mercado por efeito dessa medida, com consequ\u00eancias negativas ao n\u00edvel do emprego. Por\u00e9m, no m\u00e9dio e longo prazos, a redu\u00e7\u00e3o da evas\u00e3o fiscal trar\u00e1 ineg\u00e1veis benef\u00edcios, sendo condi\u00e7\u00e3o b\u00e1sica ao desenvolvimento e crescimento econ\u00f3mico por que tanto se anseia.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jos\u00e9 Ant\u00f3nio Moreira, Jornal i, No in\u00edcio do corrente ano o Governo aumentou a taxa de IVA do setor da restaura\u00e7\u00e3o, de 13% para 23%. 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