{"id":1098,"date":"2012-12-13T00:00:00","date_gmt":"2012-12-13T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=1098"},"modified":"2015-12-04T19:14:27","modified_gmt":"2015-12-04T19:14:27","slug":"os-politicos-ou-nos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=1098","title":{"rendered":"Os pol\u00edticos\u2026 Ou n\u00f3s?"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #d8070f;\"><strong>Rui Henrique Alves, <\/strong><\/span><span style=\"color: #d8070f;\"><strong>Vis\u00e3o on line<\/strong><\/span>,<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><a style=\"font-size: 0.75rem; line-height: 1.25rem;\" href=\"http:\/\/visao.sapo.pt\/os-politicos-ou-nos=f701925\" target=\"_blank\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-19 alignleft\" title=\"Liga\u00e7\u00e3o \u00e0 Publica\u00e7\u00e3o\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/go2.png\" alt=\"\" width=\"16\" height=\"16\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><a href=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2012\/12\/VisaoE205.pdf\" target=\"_blank\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-2032 alignleft\" title=\"Ficheiro PDF\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/pdf_button.png\" alt=\"\" width=\"14\" height=\"14\" \/><\/a><\/p>\n<p>H\u00e1 dias, tinha eu no carro um exemplar do mais recente n\u00famero da Revista Galega de Economia, onde, conforme referi em cr\u00f3nica anterior, tinha publicado um artigo com um colega da Faculdade de Economia do Porto, quando a minha filha, de 9 anos, a descobriu e percebeu que o pai tinha l\u00e1 publicado alguma coisa. Leu o t\u00edtulo (em galego): \u201cO extra\u00f1o caso do ataque \u00e1 eurozona: de quen \u00e9 a culpa?\u201d. E perguntou: \u201cPap\u00e1, quem s\u00e3o os culpados?\u201d. Respondi, sorrindo: \u201cO que achas\u201d. Confesso que n\u00e3o esperava a resposta... Pois esta veio assim: \u201cTer\u00e1 sido dos pol\u00edticos?\u201d.<!--more--><br \/>\nComo \u00e9 poss\u00edvel depreender, os pol\u00edticos n\u00e3o gozam claramente de grande reputa\u00e7\u00e3o, quando at\u00e9 as crian\u00e7as acreditam que a culpa das desgra\u00e7as por que vamos passando \u00e9 deles. E, \u00e0 primeira vista, t\u00eam raz\u00e3o. Mesmo que aceitemos, como se refere no artigo mencionado, que, em grande medida, o problema est\u00e1 no inadequado enquadramento institucional da uni\u00e3o monet\u00e1ria europeia, este foi criado pelos pol\u00edticos e a sua manuten\u00e7\u00e3o ao longo dos anos, apesar de a realidade evidenciar cada vez mais a necessidade de transforma\u00e7\u00e3o, tamb\u00e9m \u00e9 responsabilidade dos pol\u00edticos.<br \/>\nPor outro lado, como tamb\u00e9m se refere no artigo, em casos como o portugu\u00eas verificaram-se comportamentos desajustados e insustent\u00e1veis no longo prazo, de que o agravamento da d\u00edvida p\u00fablica e da d\u00edvida externa constituem os melhores indicadores, e que se tornaram nos motores da actual necessidade de ajustamento dif\u00edcil. Contudo, tamb\u00e9m a\u00ed, pelas decis\u00f5es erradas frequentemente tomadas e pelas inverdades (ou oculta\u00e7\u00f5es deliberadas da verdade) prestadas aos portugueses, h\u00e1 uma responsabilidade essencial dos pol\u00edticos.<br \/>\nPor falar no caso portugu\u00eas e na mesma linha do coment\u00e1rio da minha filha, n\u00e3o posso deixar de citar a situa\u00e7\u00e3o que, v\u00e1rias vezes nos \u00faltimos anos, tem ocorrido quando falo da evolu\u00e7\u00e3o da nossa pol\u00edtica macroecon\u00f3mica, sobretudo em aulas dirigidas a pessoais com forma\u00e7\u00e3o exterior \u00e0 Economia. Costumo come\u00e7ar por evidenciar que a pol\u00edtica de estabiliza\u00e7\u00e3o, por defini\u00e7\u00e3o, deve ser contra-c\u00edclica: se a ideia \u00e9 ajudar a economia a estabilizar, a pol\u00edtica deve ser expansionista em tempos de recess\u00e3o e restritiva em tempos de expans\u00e3o. E costumo prosseguir com um coment\u00e1rio, em jeito de ironia, dizendo que, a este n\u00edvel, a pol\u00edtica macroecon\u00f3mica portuguesa (particularmente a or\u00e7amental, pois que da outra j\u00e1 n\u00e3o somos respons\u00e1veis) na \u00faltima vintena de anos poderia constituir um bom case study sobre o que n\u00e3o se deve fazer.<br \/>\nInvariavelmente, a quest\u00e3o que os estudantes levantam a seguir \u00e9: \u201cMas como \u00e9 isso poss\u00edvel? Os Ministros das Finan\u00e7as n\u00e3o foram alguns dos mais reputados economistas nacionais?\u201d. E eu vejo-me obrigado a concordar. De facto, olhando para os \u00faltimos 20 anos, alguns dos nossos melhores economistas ocuparam o lugar principal da condu\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica macroecon\u00f3mica em Portugal. Mas vejo-me tamb\u00e9m obrigado a recordar que h\u00e1 diferen\u00e7as substanciais entre os modelos te\u00f3ricos que estudamos e o contexto concreto em que a pol\u00edtica \u00e9 praticada. Nos primeiros, para al\u00e9m de a realidade ser simplificada, os pol\u00edticos n\u00e3o dominam as decis\u00f5es econ\u00f3micas, ao sabor de interesses pol\u00edticos e particulares e da necessidade de vencer as pr\u00f3ximas elei\u00e7\u00f5es. Ou seja, que acredito que, com alguma frequ\u00eancia, os nossos Ministros n\u00e3o puderam tomar as decis\u00f5es que pretendiam e\/ou que se impunham.<br \/>\nQuer tamb\u00e9m isto dizer que a minha filha tinha raz\u00e3o, que a culpa \u00e9 dos pol\u00edticos? Em parte, sim. Mas numa outra parte, nada negligenci\u00e1vel, a verdadeira culpa \u00e9 de todos n\u00f3s, afinal aqueles que elegem os pol\u00edticos e a quem cabe pedir escrutinar a sua a\u00e7\u00e3o.<br \/>\nA culpa \u00e9 nossa, quando desprestigiamos a pol\u00edtica, confundindo os bons pol\u00edticos com os maus pol\u00edticos e admitindo que todos eles pensam apenas na satisfa\u00e7\u00e3o dos seus interesses. A culpa \u00e9 nossa, quando nos alheamos da pol\u00edtica e deixamos que o palco seja assumido por pol\u00edticos incompetentes, sem for\u00e7a ou car\u00e1cter, muitas vezes profissionais que, na vida quotidiana, n\u00e3o teriam grandes oportunidades. A culpa \u00e9 nossa, quando esquecemos que devem ser criadas condi\u00e7\u00f5es para que os potenciais bons pol\u00edticos venham cuidar da \u201ccoisa p\u00fablica\u201d. A culpa<br \/>\n\u00e9 nossa, quando n\u00e3o percebemos que, mais que as reformas da sa\u00fade, da educa\u00e7\u00e3o ou da justi\u00e7a, a reforma estrutural mais necess\u00e1ria \u00e9 a do sistema pol\u00edtico.<br \/>\nComo h\u00e1 poucos dias sustentava Rui Rio, numa confer\u00eancia na FEP, sem uma reforma que recoloque o primado da pol\u00edtica no centro do sistema, dificilmente o bem comum ser\u00e1 o principal foco das decis\u00f5es. E, nessas circunst\u00e2ncias, como j\u00e1 uma vez aqui sugeri, a nossa democracia poderia assemelhar-se a uma fraude... \u00c9 hora de lutar por ela!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Rui Henrique Alves, Vis\u00e3o on line, H\u00e1 dias, tinha eu no carro um exemplar do mais recente n\u00famero da Revista Galega de Economia, onde, conforme referi em cr\u00f3nica anterior, tinha publicado um artigo com um colega da Faculdade de Economia do Porto, quando a minha filha, de 9 anos, a descobriu e percebeu que o&hellip; <a href=\"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=1098\">Ler mais&#8230;<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_bbp_topic_count":0,"_bbp_reply_count":0,"_bbp_total_topic_count":0,"_bbp_total_reply_count":0,"_bbp_voice_count":0,"_bbp_anonymous_reply_count":0,"_bbp_topic_count_hidden":0,"_bbp_reply_count_hidden":0,"_bbp_forum_subforum_count":0,"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[72,123],"tags":[],"class_list":["post-1098","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-cronicas","category-visao-online"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1098","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=1098"}],"version-history":[{"count":8,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1098\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":8493,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1098\/revisions\/8493"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=1098"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=1098"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=1098"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}