{"id":1097,"date":"2012-12-07T00:00:00","date_gmt":"2012-12-07T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=1097"},"modified":"2015-12-04T20:17:23","modified_gmt":"2015-12-04T20:17:23","slug":"fraude-a-hidra","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=1097","title":{"rendered":"Fraude, a hidra"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #d8070f;\"><strong>Carlos Pimenta, Jornal i<\/strong><\/span>,<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><a style=\"font-size: 0.75rem; line-height: 1.25rem;\" href=\"http:\/\/www.ionline.pt\/iopiniao\/fraude-hidra\" target=\"_blank\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-19 alignleft\" title=\"Liga\u00e7\u00e3o \u00e0 Publica\u00e7\u00e3o\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/go2.png\" alt=\"\" width=\"16\" height=\"16\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><a href=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2012\/12\/I_Fraude204.pdf\" target=\"_blank\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-2032 alignleft\" title=\"Ficheiro PDF\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/pdf_button.png\" alt=\"\" width=\"14\" height=\"14\" \/><\/a><\/p>\n<p>1. A fraude \u00e9 uma hidra, que em vez de encontrar um H\u00e9rcules capaz de degolar as suas sete cabe\u00e7as, pavoneia-se entre os humanos, reproduzindo-se no consumismo, numa exist\u00eancia utilitarista alicer\u00e7ada na convic\u00e7\u00e3o que at\u00e9 os valores mais sagrados do humanismo s\u00e3o transacion\u00e1veis, no turbilh\u00e3o dos neg\u00f3cios, num enfraquecimento da honra e da coes\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es sociais, na degeneresc\u00eancia \u00e9tica.<!--more--><br \/>\nAlimenta-se na organiza\u00e7\u00e3o social da globaliza\u00e7\u00e3o, no abandono do longo prazo e no encantamento pelo imediato e ef\u00e9mero, no aumento das desigualdades econ\u00f3mico-sociais, na transforma\u00e7\u00e3o do Estado-na\u00e7\u00e3o no Estado-mercado, na degrada\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es de confian\u00e7a entre os cidad\u00e3os e os seus representantes pol\u00edticos. Uma degrada\u00e7\u00e3o que resulta do folclorismo e clubismo irracional dos atos eleitorais, do aumento das desigualdades econ\u00f3mico-sociais, da sobredetermina\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica pelos interesses econ\u00f3micos. Autoalimenta-se nas rela\u00e7\u00f5es sociais criadas, na propaga\u00e7\u00e3o do exemplo, nos processos autom\u00e1ticos de exclus\u00e3o progressiva das boas pelas m\u00e1s pr\u00e1ticas econ\u00f3micas, de afastamento dos referenciais \u00e9ticos e ascens\u00e3o dos seus contr\u00e1rios.<br \/>\nOs centros de decis\u00e3o chafurdam em conflitos de interesses. Quem gere e representa os outros tem como primado a op\u00edpara beneficia\u00e7\u00e3o pessoal; quem deve regular, controlar e fiscalizar \u00e9 comandado por aqueles que deve supervisionar. Um conflito de teias complexas, globalizadas, entrela\u00e7ando as mais diversas rela\u00e7\u00f5es sociais.<br \/>\n2. A fraude \u00e9 mim\u00e9tica, com capacidade de se ajustar ao ambiente, e tamb\u00e9m assumindo formas diversas. \u00c9 a fraude cometida contra as empresas que sangra a sua capacidade de exist\u00eancia, \u00e9 a fraude manipulada pelos conselhos de administra\u00e7\u00e3o em seu benef\u00edcio pr\u00f3prio ou angariando vantagens il\u00edcitas para as suas institui\u00e7\u00f5es. \u00c9 a corrup\u00e7\u00e3o nos mais diversos sectores de funcionamento social, nomeadamente os pol\u00edticos. \u00c9 o financiamento informal das campanhas eleitorais como \u201cinvestimento\u201d dos favores passados ou para obten\u00e7\u00e3o de futuros. \u00c9 a manipula\u00e7\u00e3o de rendimento e riqueza para encobrir a sua origem defraudadora ou criminosa. S\u00e3o os para\u00edsos fiscais com a sua opacidade que funcionam como basti\u00f5es fortificados de qualquer investiga\u00e7\u00e3o criminal e espa\u00e7o de debochante manipula\u00e7\u00e3o contabil\u00edstica. \u00c9 o aproveitamento das redes inform\u00e1ticas para transformar o conto do vig\u00e1rio numa actividade massificada \u00e0 escala mundial contra a qual n\u00e3o h\u00e1 vacina eficaz devido \u00e0 mutabilidade dos procedimentos.<br \/>\nA fraude econ\u00f3mico-financeira \u00e9 mim\u00e9tica e a criminalidade econ\u00f3mica internacional acompanha-a e aproveita-se para refor\u00e7ar o seu poder, para aumentar o seu controlo sobre as actividades econ\u00f3micas legais, para se apropriar da capacidade de decis\u00e3o dos Estados.<br \/>\nA situa\u00e7\u00e3o de crise e a falta de liquidez das institui\u00e7\u00f5es, a depend\u00eancia estatal do funcionamento dos mercados de capital de cr\u00e9dito (e usura), as privatiza\u00e7\u00f5es e a forma como s\u00e3o realizadas s\u00e3o man\u00e1s para o seu expansionismo, para a propaga\u00e7\u00e3o da sua ditadura sob a capa dos formalismos democr\u00e1ticos.<br \/>\n3. \u00c9 certo, fraudes sempre existiram. Mas a realidade forjada nos \u00faltimos trinta anos \u00e9 quantitativa e qualitativamente nova.<br \/>\n\u00c9 urgente e imperioso inverter a situa\u00e7\u00e3o.<br \/>\n\u00c9 sobre essas desventuras e epopeias que falaremos um pouco nestes artigos semanais.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Carlos Pimenta, Jornal i, 1. A fraude \u00e9 uma hidra, que em vez de encontrar um H\u00e9rcules capaz de degolar as suas sete cabe\u00e7as, pavoneia-se entre os humanos, reproduzindo-se no consumismo, numa exist\u00eancia utilitarista alicer\u00e7ada na convic\u00e7\u00e3o que at\u00e9 os valores mais sagrados do humanismo s\u00e3o transacion\u00e1veis, no turbilh\u00e3o dos neg\u00f3cios, num enfraquecimento da honra&hellip; <a href=\"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=1097\">Ler mais&#8230;<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_bbp_topic_count":0,"_bbp_reply_count":0,"_bbp_total_topic_count":0,"_bbp_total_reply_count":0,"_bbp_voice_count":0,"_bbp_anonymous_reply_count":0,"_bbp_topic_count_hidden":0,"_bbp_reply_count_hidden":0,"_bbp_forum_subforum_count":0,"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[72,124],"tags":[],"class_list":["post-1097","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-cronicas","category-jornal-i"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1097","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=1097"}],"version-history":[{"count":9,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1097\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":8491,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1097\/revisions\/8491"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=1097"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=1097"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=1097"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}