{"id":1092,"date":"2012-11-08T00:00:00","date_gmt":"2012-11-08T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=1092"},"modified":"2015-12-04T19:14:28","modified_gmt":"2015-12-04T19:14:28","slug":"do-drama-pungente-a-esperanca-renascida","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=1092","title":{"rendered":"Do drama pungente \u00e0 esperan\u00e7a renascida"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #d8070f;\"><strong>Carlos Pimenta, <\/strong><\/span><span style=\"color: #d8070f;\"><strong>Vis\u00e3o on line<\/strong><\/span>,<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><a style=\"font-size: 0.75rem; line-height: 1.25rem;\" href=\"http:\/\/visao.sapo.pt\/do-drama-pungente-a-esperanca-renascida=f695419\" target=\"_blank\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-19 alignleft\" title=\"Liga\u00e7\u00e3o \u00e0 Publica\u00e7\u00e3o\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/go2.png\" alt=\"\" width=\"16\" height=\"16\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><a href=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2012\/12\/VisaoE199.pdf\" target=\"_blank\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-2032 alignleft\" title=\"Ficheiro PDF\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/pdf_button.png\" alt=\"\" width=\"14\" height=\"14\" \/><\/a><\/p>\n<p>1. Suicidou-se.<br \/>\nDe um momento para o outro toda a sua fabulosa fortuna esfumou-se na brutal hecatombe da bolsa de Nova Iorque. Foi um entre muitos. A cota\u00e7\u00e3o das ac\u00e7\u00f5es cai. Cerca de um ter\u00e7o dos bancos s\u00e3o incapazes de satisfazer os seus compromissos e v\u00e3o \u00e0 fal\u00eancia. Muitas outras empresas, produtivas e n\u00e3o apenas negociantes com o dinheiro dos outros, seguem o mesmo caminho. O desemprego alastra-se.<!--more--><br \/>\nPoder-se-ia considerar que seria um fen\u00f3meno americano, mas n\u00e3o. A Europa entra no mesmo ciclo. Espalha-se um pouco por todo o mundo. N\u00e3o se trata apenas dos impactos econ\u00f3micos da Am\u00e9rica sobre a Europa, via com\u00e9rcio e opera\u00e7\u00f5es financeiras. Resulta das formas de organiza\u00e7\u00e3o social, pol\u00edtica e econ\u00f3mica serem comuns, reproduzirem-se na opul\u00eancia e na mis\u00e9ria.<br \/>\nAntes eram os gloriosos anos 20, onde a f\u00faria de viver, o hedonismo dos prazeres e dos divertimentos, o charleston e o foxtrot entusiasmavam os espa\u00e7os de conv\u00edvio e as modas extravagantes seduzem a juventude. Agora \u00e9 a crise de 1929\/33, prolongada durante uma d\u00e9cada em depress\u00f5es profundas.<br \/>\nEntre 1933-1945 os EUA tiveram como presidente da Rep\u00fablica Franklin Roosevelt que percebeu a import\u00e2ncia de uma pol\u00edtica activa do Estado, como o expressou no seu famoso discurso de 1936: \u201cagora sabemos que \u00e9 t\u00e3o perigoso sermos governados pelo dinheiro organizado que pelas m\u00e1fias organizadas\u201d. Radicalmente diferente foi a evolu\u00e7\u00e3o na Europa de ascenso de fascismos e fanatismos conducentes \u00e0 grande guerra de 1939\/45.<br \/>\nNum caso a crise foi resolvida por um controlo do Estado sobre a actividade econ\u00f3mica. No outro a solu\u00e7\u00e3o foi encontrada no assassinato e na dizima\u00e7\u00e3o das popula\u00e7\u00f5es.<br \/>\n2. Poderia ter sido um ensinamento para todo o sempre: as crises s\u00e3o uma realidade inerente ao capitalismo, acontecem com alguma periodicidade e na sua origem est\u00e3o uma falsa cren\u00e7a na sua capacidade de se autorregular e produzir o bem colectivo, muitas fraudes e crimes que gozaram de benevol\u00eancia e de miopia institucional, o dram\u00e1tico esquecimento de que o cr\u00e9dito tem de ser pago e que, por isso, ele tem de estar fortemente associado \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de rendimento novo.<br \/>\nMas como John Galbraith afirmou, quando da sua an\u00e1lise dessa crise e dos anos subsequentes, a mem\u00f3ria n\u00e3o dura mais de duas d\u00e9cadas e nos per\u00edodos de prosperidade n\u00e3o faltam peritos influentes que ser\u00e3o desmentidos pelas crises.<br \/>\nA destrui\u00e7\u00e3o provocada pela guerra na Europa ajudou a esse esquecimento. A sua reconstru\u00e7\u00e3o atenuou imensamente a probabilidade de crise durante um grande per\u00edodo, embora a partir do fim da d\u00e9cada de 60 se tivessem apresentado algumas vezes como uma amea\u00e7a s\u00e9ria.<br \/>\n3. Entretanto a sociedade mudou, sobretudo a partir dos anos 80 do s\u00e9culo passado.<br \/>\nA crise de 1929\/33 tinha ensinado que os bancos tinham que estar mais interligados entre si, passando o banco central de cada pa\u00eds a ser o pilar da coes\u00e3o e solidez. Banco central que funcionava como \u201cintermedi\u00e1rio\u201d entre o sistema banc\u00e1rio-financeiro e o Estado. As institui\u00e7\u00f5es de Bretton Wood funcionariam como refor\u00e7o de \u00faltima inst\u00e2ncia. Pensado como condutor das pol\u00edticas p\u00fablicas, como fiscalizador e regulador face aos \u201csuperiores interesses da na\u00e7\u00e3o\u201d transformou-se depois de Reagan e Thatcher e inverteram o sentido da sua interven\u00e7\u00e3o: o econ\u00f3mico \u00e9 que passa a comandar o pol\u00edtico.<br \/>\nPara isso se fomenta a sociedade de consumo modificando as prioridades dos cidad\u00e3os, se defende a liberdade de circula\u00e7\u00e3o do capital e a responsabilidade dos Estado pela insanidade do mesmo, se privatizam os mais elementares direitos das pessoas e das comunidades colocando a sobreviv\u00eancia de muitos nas m\u00e3os dos \u201cmercado\u201d, como se passa com as reformas e a sa\u00fade. As desigualdades sociais agravam-se entre pa\u00edses e dentro de cada um. Cria-se a ideia que um banco n\u00e3o pode ir \u00e0 fal\u00eancia mesmo que tal seja o resultado dos mais horrendos crimes.<br \/>\nSimultaneamente aumenta a economia paralela, prolifera a fraude, cresce o crime econ\u00f3mico-financeiro organizado.<br \/>\nTamb\u00e9m o Estado mudou. A sua refer\u00eancia deixou de ser a sociedade e passou a ser a \u201ceconomia\u201d. Da\u00ed resultaram diversos processos de enfraquecimento da sua autonomia relativa: foi colocado directamente ao servi\u00e7o dos interesses econ\u00f3micos dominantes, que t\u00eam maior capacidade de influenciar os mercados financeiros que o Estados; aceitou essa depend\u00eancia abdicando deliberadamente de qualquer controlo, mesmo vendo aumentar a economia paralela, e nomeadamente a economia ilegal. O Estado abandona o lema \u201cpretendemos contribuir para a constru\u00e7\u00e3o de uma sociedade melhor\u201d pela banalidade de que \u201ca fun\u00e7\u00e3o do Estado \u00e9 criar oportunidades ou cidad\u00e3os\u201d. Esta fragilidade do Estado enfraquece a pr\u00f3pria democracia e o cumprimento da Declara\u00e7\u00e3o Universal dos Direitos Humanos.<br \/>\n\u00c9 este conjunto de factores que explicam que neste s\u00e9culo n\u00e3o s\u00e3o os bancos que est\u00e3o ao servi\u00e7o da sociedade, mas esta, isto \u00e9, o Estado enquanto representante pol\u00edtico da sociedade, que serve os bancos. H\u00e1 que impedir que os bancos v\u00e3o \u00e0 fal\u00eancia, mesmo que os Estados tenham que alienar as suas responsabilidade perante os cidad\u00e3os que dizem representar, mesmo que tenham que ficar endividados.<br \/>\n4. Parece-nos desnecess\u00e1rio continuar esta narrativa, que infelizmente bem conhecemos, com o agravante de termos abdicado de uma pe\u00e7a fundamental da nossa soberania: a nossa moeda. \u00c9 um facto objectivo, que perdura para al\u00e9m da aprecia\u00e7\u00e3o de cada um de n\u00f3s sobre as justifica\u00e7\u00f5es para tal, as suas vantagens e desvantagens.<br \/>\nEssa hist\u00f3ria n\u00e3o traz nada de novo: a \u00e9tica continua a ser uma excresc\u00eancia para enfeitar os discursos, o slogan da pol\u00edtica \u00e9 o da inevitabilidade (afastando a op\u00e7\u00e3o entre certo e errado), esquece-se deliberadamente um s\u00e9culo de ensinamentos da vida em sociedade e das ci\u00eancias sociais, os chamados peritos mant\u00eam a incapacidade para reconhecer os seus erros. Continua-se a afirmar que se os modelos s\u00e3o diferentes da realidade \u00e9 esta que est\u00e1 errada: as pessoas s\u00e3o \u201cburras\u201d, \u201cirracionais\u201d e n\u00e3o se comportam como se deveriam comportar. Poder \u00e9 poder e, parafraseando de cor Brecht o sol n\u00e3o nasceria todos os dias se n\u00e3o houvesse governo.<br \/>\nSe o Estado para \u201ccumprir um contrato\u201d n\u00e3o puder cumprir outros contratos, qui\u00e7\u00e1 em muito maior n\u00famero, mais antigo, mais estruturante da identidade nacional, o contrato com o capital financeiro internacional \u00e9 sempre priorit\u00e1rio, o contrato com os cidad\u00e3os pode ser sempre rasgado. \u00c9, como dizia recentemente Freitas do Amaral, \u00e9 uma das manifesta\u00e7\u00f5es do \u00f3dio dos ricos em rela\u00e7\u00e3o aos pobres. No entanto estes continuam a eleger aqueles para fingir que os representam!<br \/>\n5. Falemos de outra coisa. Falemos de uma das mais brutais manifesta\u00e7\u00f5es da crise de 2008 num pequeno pa\u00eds e de como se encontraram vias alternativas. Falemos da Isl\u00e2ndia, come\u00e7ando por recordar um magn\u00edfico artigo publicado na Vis\u00e3o em Abril de 2011: \u201ca crise levou o dinheiro, reinventemos a democracia\u201d.<br \/>\nLancemos algumas pistas.<br \/>\nEm primeiro lugar a constata\u00e7\u00e3o da grandeza da crise.<br \/>\nSegundo v\u00e1rios autores o colapso banc\u00e1rio na Isl\u00e2ndia foi a maior crise alguma vez verificada em todo o mundo. A d\u00edvida externa, em 80% da responsabilidade dos bancos, era 7,4 vezes o produto interno bruto do pa\u00eds. No momento da crise a d\u00edvida soberana era de 28% do PIB e tinha um excedente or\u00e7amental mas 3 anos depois a d\u00edvida passou para 130% e registava um d\u00e9fice or\u00e7amental de 6%. A sua moeda (a coroa islandesa) desvalorizou-se cerca de 40% num ano e os pre\u00e7os internos aumentaram cerca de 15%. Segundo o FMI, depois de taxas de crescimento do produto de cerca de 6% ao ano, em 2008 teve o modesto crescimento de 1,3 para nos dois anos seguintes ter uma quebra de -6,8% e -4,0%<br \/>\nEm segundo lugar a constata\u00e7\u00e3o da rapidez da invers\u00e3o do processo, apesar de ainda se estar numa fase resolu\u00e7\u00e3o de problemas.<br \/>\nEm 2011 o crescimento do produto nacional j\u00e1 foi de 3,1% e prev\u00ea-se para este e pr\u00f3ximo ano um crescimento ligeiramente abaixo dos 3%. Simultaneamente reduziu-se muito o desemprego. Situa\u00e7\u00e3o que fez com que pr\u00f3prio FMI, interveniente na Isl\u00e2ndia, elogie a velocidade da recupera\u00e7\u00e3o.<br \/>\nO que tornou poss\u00edvel esta r\u00e1pida invers\u00e3o do processo foi uma multiplicidade de acontecimentos: das medidas internas assumidas \u00e0 pol\u00edtica externa de valoriza\u00e7\u00e3o do pa\u00eds, da desvaloriza\u00e7\u00e3o da sua moeda \u00e0 sobrevaloriza\u00e7\u00e3o das decis\u00f5es nacionais sobre as receitas internacionais, da determina\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o \u00e0 sua estrutura demogr\u00e1fica. Deste conjunto estrutural retiremos alguns elementos:<br \/>\n(1) Houve uma ruptura entre os interesses do sistema banc\u00e1rio internacional e o sistema pol\u00edtico island\u00eas.<br \/>\nComo afirmava o Presidente da Rep\u00fablica, \u00d3lafur Ragnar Gr\u00edmsson, em Maio de 2011 em resposta \u00e0 pergunta \u201cA Isl\u00e2ndia deixou cair os seus bancos e processou os banqueiros. Considera isto como um modelo island\u00eas de sa\u00edda da crise?\u201d. Responde \u201cTalvez n\u00e3o nos restasse outra op\u00e7\u00e3o: os bancos eram t\u00e3o grandes que n\u00e3o havia forma de os resgatar. Mas pouco importa se havia ou n\u00e3o outras op\u00e7\u00f5es: a Isl\u00e2ndia n\u00e3o aceita a ideia de o cidad\u00e3o comum ter de pagar a totalidade da factura pelas loucuras dos bancos, como aconteceu noutros pa\u00edses pela porta das traseiras. Volto ao meu argumento inicial: a solu\u00e7\u00e3o para a crise n\u00e3o \u00e9 meramente econ\u00f3mica (\u2026) esta crise \u00e9 pol\u00edtica. Os governos n\u00e3o podem continuar a humilhar-se perante os mercados\u201d.<br \/>\nNuma outra entrevista voltava \u00e0 mesma ideia, sobre a diferen\u00e7a de comportamento island\u00eas: \u201cA natureza do sistema banc\u00e1rio europeu \u00e9 esta: se os bancos t\u00eam \u00eaxito os banqueiros recebem grandes b\u00f3nus e os accionistas recebem dividendos; se falham, a conta \u00e9 apresentada aos cidad\u00e3os comuns\u201d.<br \/>\nO governo foi demitido, o primeiro-ministro investigado judicialmente. A regula\u00e7\u00e3o, nomeadamente a financeira, que tinha sido abandonada em nome da liberdade dos mercados foi reposta com muito rigor, controlando o processo de recupera\u00e7\u00e3o. A investiga\u00e7\u00e3o dos crimes cometidos iniciou-se sem hesita\u00e7\u00f5es n\u00e3o esmorecendo pelo caminho.<br \/>\n(2) O descontentamento popular contra a situa\u00e7\u00e3o e os pol\u00edticos em geral, dando lugar a grandes manifesta\u00e7\u00f5es, foi transformado num amplo debate nacional sobre o funcionamento da sociedade. Constitui\u00e7\u00e3o de assembleias populares, reflex\u00e3o colectiva sobre o futuro do pa\u00eds, esfacelamento de partidos respons\u00e1veis pela crise verificada, constitui\u00e7\u00e3o de novos partidos, por vezes visando apenas resolver alguns objectivos e com dura\u00e7\u00e3o ef\u00e9mera conhecida \u00e0 partida, elei\u00e7\u00e3o de cidad\u00e3os sem partido para alguns dos grandes debates populares.<br \/>\nA mobiliza\u00e7\u00e3o popular foi transformada em for\u00e7a criadora e mobilizadora.<br \/>\nComo tamb\u00e9m disse o Presidente da Rep\u00fablica noutra entrevista: \u201cN\u00f3s podemos ter mercados e uma economia forte, mas se n\u00e3o tivermos uma forte vontade popular n\u00e3o teremos futuro (\u2026) Diziam-me que o povo n\u00e3o podia decidir sobre estas quest\u00f5es porque n\u00e3o tinham conhecimentos. Os cidad\u00e3os tornaram-se peritos\u201d.<br \/>\n(3) Nas situa\u00e7\u00f5es de conflitos temporais entre diversos objectivos foi dada frequentemente prioridade \u00e0 resolu\u00e7\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es de vida dos islandeses.<br \/>\nO saneamento financeiro exigiu medidas restritivas, mas houve sempre a preocupa\u00e7\u00e3o de tal n\u00e3o p\u00f4r em causa a possibilidade de crescimento a curto prazo. Entre cumprir de imediato compromissos internacionais e respeitar a democracia e a popula\u00e7\u00e3o a op\u00e7\u00e3o priorit\u00e1ria foi a segunda, n\u00e3o pondo em causa o outro compromisso, certamente negociado com soberania, remetido para momento oportuno.<br \/>\nO acordo negociado com o FMI continha pontos sobre a \u201cestabilidade financeira\u201d, \u201csobre a adapta\u00e7\u00e3o das despesas do Estado\u201d, sobre a \u201creestrutura\u00e7\u00e3o do sistema financeiro\u201d mas tamb\u00e9m continha outros como \u201csalvaguarda do bem-estar (\u2026) para atenuar os impactos da recess\u00e3o\u201d e o \u201crestabelecimento da confian\u00e7a na economia\u201d. O FMI elogiou j\u00e1 este ano o empenho do pa\u00eds em cumprir o compromisso, ao mesmo tempo que n\u00e3o castigou os contribuintes com medidas de austeridade. Reconhece que a \u201cIsl\u00e2ndia atingiu grandes metas desde a crise\u201d e as previs\u00f5es por eles apresentados para o desempenho da economia, anteriormente referidos, mostram os bons resultados do caminho percorrido.<br \/>\nEnfim o discurso da inevitabilidade foi banido e a refer\u00eancia foi o que era certo ou errado.<br \/>\n6. O que \u00e9 que tudo isto tem a ver com a fraude?<br \/>\nPorque tudo isto s\u00e3o aspectos de um ambiente criminol\u00f3gico. Velado, enfeitado de s\u00e1bios e trovadores, mas criminol\u00f3gico de colarinho branco. Um ambiente criminol\u00f3gico que tem tr\u00eas pontos sens\u00edveis: a) entidades privadas e p\u00fablicas contraem sucessivas d\u00edvidas esquecendo-se que elas t\u00eam de ser pagas, ou admitindo que ser\u00e3o outros que v\u00e3o pagar; b) uma desregula\u00e7\u00e3o total em que o Estado abdica das suas fun\u00e7\u00f5es e incentiva situa\u00e7\u00f5es como a referida no ponto anterior, permite a fraude e o crime econ\u00f3mico-financeiro; c) criminosos de colarinho branco, audazes empres\u00e1rios sem sentido das responsabilidades e de \u00e9tica, pol\u00edticos encantados com o sucesso da financiariza\u00e7\u00e3o improdutiva, corruptos e ide\u00f3logos v\u00e1rios, campanhas eleitorais movimentando fortunas carecendo de financiamento il\u00edcito formam uma teia social imensa.<br \/>\nPorque toda esta promiscuidade reflete os grav\u00edssimos perigos que existem para a democracia e para os povos, de que um seu aspecto importante \u00e9 o conflito de interesses entre o privado (de alguns) e o p\u00fablico de todos. Alguns chamam-lhe promiscuidade. Outros concubinagem. N\u00f3s damos-lhe o nome t\u00e9cnico: conflito de interesses.<br \/>\nA evolu\u00e7\u00e3o recente da Isl\u00e2ndia \u00e9 uma via de transi\u00e7\u00e3o para o socialismo?<br \/>\nObviamente que n\u00e3o. \u00c9 uma transforma\u00e7\u00e3o capitalista que teve em conta duas pequenas coisas t\u00e3o esquecidas: a \u00e9tica e a dignidade humana.<br \/>\nUma transforma\u00e7\u00e3o que faz recordar que a sociedade \u00e9 mais, muito mais, que o mundo dos neg\u00f3cios.<br \/>\nA evolu\u00e7\u00e3o da Isl\u00e2ndia \u00e9 um ensinamento para toda a Europa?<br \/>\nEste pa\u00eds tem um conjunto de especificidades, mas faz parte do mundo globalizado e da Europa. Contem muitos ensinamentos para a sa\u00edda da crise e, sobretudo, na Europa. Mas aten\u00e7\u00e3o: o tempo \u00e9 irrevers\u00edvel.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Carlos Pimenta, Vis\u00e3o on line, 1. Suicidou-se. De um momento para o outro toda a sua fabulosa fortuna esfumou-se na brutal hecatombe da bolsa de Nova Iorque. Foi um entre muitos. A cota\u00e7\u00e3o das ac\u00e7\u00f5es cai. Cerca de um ter\u00e7o dos bancos s\u00e3o incapazes de satisfazer os seus compromissos e v\u00e3o \u00e0 fal\u00eancia. Muitas outras&hellip; <a href=\"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=1092\">Ler mais&#8230;<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_bbp_topic_count":0,"_bbp_reply_count":0,"_bbp_total_topic_count":0,"_bbp_total_reply_count":0,"_bbp_voice_count":0,"_bbp_anonymous_reply_count":0,"_bbp_topic_count_hidden":0,"_bbp_reply_count_hidden":0,"_bbp_forum_subforum_count":0,"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[72,123],"tags":[],"class_list":["post-1092","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-cronicas","category-visao-online"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1092","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=1092"}],"version-history":[{"count":6,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1092\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":8481,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1092\/revisions\/8481"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=1092"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=1092"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=1092"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}