{"id":1090,"date":"2012-10-25T00:00:00","date_gmt":"2012-10-25T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=1090"},"modified":"2015-12-04T19:14:29","modified_gmt":"2015-12-04T19:14:29","slug":"as-funcoes-do-estado-e-a-transparencia-das-contas-publicas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=1090","title":{"rendered":"As fun\u00e7\u00f5es do Estado e a transpar\u00eancia das contas p\u00fablicas"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #d8070f;\"><strong>Gl\u00f3ria Teixeira, <\/strong><\/span><span style=\"color: #d8070f;\"><strong>Vis\u00e3o on line<\/strong><\/span>,<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><a style=\"font-size: 0.75rem; line-height: 1.25rem;\" href=\"http:\/\/visao.sapo.pt\/as-funcoes-do-estado-e-a-transparencia-das-contas-publicas=f692814\" target=\"_blank\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-19 alignleft\" title=\"Liga\u00e7\u00e3o \u00e0 Publica\u00e7\u00e3o\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/go2.png\" alt=\"\" width=\"16\" height=\"16\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><a href=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2012\/10\/VisaoE197.pdf\" target=\"_blank\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-2032 alignleft\" title=\"Ficheiro PDF\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/pdf_button.png\" alt=\"\" width=\"14\" height=\"14\" \/><\/a><\/p>\n<p>1. Os dilemas que Portugal enfrenta nos dias de hoje podem reconduzir-se \u00e0 quest\u00e3o fundamental da defini\u00e7\u00e3o das fun\u00e7\u00f5es do Estado, cuja implementa\u00e7\u00e3o exige receitas que derivam essencialmente dos impostos e taxas. Cumpre aqui notar brevemente que o problema das contribui\u00e7\u00f5es obrigat\u00f3rias se reconduz \u00e0 figura dos impostos, ainda que em Portugal as contribui\u00e7\u00f5es obrigat\u00f3rias (incluindo a vulgarmente chamada TSU) ainda se isolem dos impostos, recomendando as institui\u00e7\u00f5es internacionais (FMI e OCDE) a sua unifica\u00e7\u00e3o e integra\u00e7\u00e3o no IRS, o mais brevemente poss\u00edvel, a fim de reduzir a carga fiscal total que incide tanto sobre as entidades empregadoras como sobre os trabalhadores.<!--more--><br \/>\nO problema do peso excessivo da nossa despesa p\u00fablica tem de ser encarado de frente e n\u00e3o pela via do expediente ao aumento constante da carga fiscal que apenas atenua e n\u00e3o resolve o problema do nosso excessivo endividamento.<br \/>\nEm pa\u00edses financeiramente \u2018equilibrados\u2019, os governos definem com precis\u00e3o as pol\u00edticas a prosseguir e contabilizam os meios financeiros necess\u00e1rios para as executar.<br \/>\nIndicam-se brevemente e a t\u00edtulo exemplificativo: as pol\u00edticas de sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o, defesa, justi\u00e7a e solidariedade social. Nestes setores, estabelecem-se tamb\u00e9m hierarquias, prevalecendo as pol\u00edticas sociais sobre as pol\u00edticas de defesa. Em alguns pa\u00edses, veja-se o caso da Alemanha e dos pa\u00edses n\u00f3rdicos, os or\u00e7amentos para a defesa s\u00e3o muito reduzidos de forma a libertar receitas para outras pol\u00edticas sociais priorit\u00e1rias.<br \/>\nA Alemanha \u00e9 exemplar pelo facto de possuir um setor militar muito modesto, n\u00e3o obstante a sua capacidade exportadora ao n\u00edvel de equipamento militar. Portugal deveria seguir este bom exemplo.<br \/>\nOutros exemplos poderiam ser recolhidos ao n\u00edvel de uma boa gest\u00e3o dos recursos ao n\u00edvel da sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o, justi\u00e7a e solidariedade social mas o tempo e espa\u00e7o deste artigo n\u00e3o me permitem maior desenvolvimento.(1) Para o efeito, basta que os governantes des\u00e7am ao terreno e vejam as experi\u00eancias em curso em diferentes pa\u00edses.<br \/>\n2. As democracias saud\u00e1veis exigem aos governantes n\u00e3o s\u00f3 clareza e seguran\u00e7a na defini\u00e7\u00e3o e implementa\u00e7\u00e3o das pol\u00edticas ou fun\u00e7\u00f5es do Estado mas tamb\u00e9m transpar\u00eancia e rigor nas contas p\u00fablicas. Penso que estamos todos de acordo que as receitas dos impostos que pagamos devem contribuir para que o pa\u00eds possua hospitais e escolas decentes, seguran\u00e7a interna e apoio social condigno.<br \/>\nNum pa\u00eds como Portugal, economicamente pouco produtivo e com problemas estruturais graves(2), podemos dar-nos ao luxo de ter o Estado a assegurar fun\u00e7\u00f5es n\u00e3o vitais, nomeadamente atribui\u00e7\u00e3o de qualquer tipo de subs\u00eddio a funda\u00e7\u00f5es (e.g. Serralves, Casa da M\u00fasica, M\u00e1rio Soares, etc.) e outras entidades que desempenhem fun\u00e7\u00f5es n\u00e3o essenciais do Estado?<br \/>\nSeria excelente, de facto, o Estado financiar todas estas atividades mas a realidade \u00e9 que mesmo nos pa\u00edses mais ricos, este tipo de funda\u00e7\u00f5es (seja no \u00e2mbito da cultura, da defesa do patrim\u00f3nio, do ambiente, etc.) s\u00e3o privadas e financiadas fundamentalmente por entidades privadas e pelos cidad\u00e3os em geral. Aproveito para deixar aos leitores o excelente exemplo que constitui o National Trust em Inglaterra, entidade privada que assegura a defesa da cultura e patrim\u00f3nio ingl\u00eas, com recurso ao apoio dos seus membros e mecenas, angariados ao longo de dezenas de anos. Este exemplo, entre muitos outros, ilustra a import\u00e2ncia do sentido c\u00edvico e partilha de responsabilidades numa coletividade que sabe que n\u00e3o pode contar com o Estado para tudo porque os recursos s\u00e3o limitados.<br \/>\n3. Concluindo, cumpre fazer mais investiga\u00e7\u00e3o e indaga\u00e7\u00e3o sobre a aplica\u00e7\u00e3o das receitas dos nossos impostos e eliminar despesas n\u00e3o essenciais, nomeadamente aquelas que n\u00e3o caiam no n\u00facleo das fun\u00e7\u00f5es essenciais do Estado. O trabalho j\u00e1 desenvolvido \u00e9 muito louv\u00e1vel (e.g. levantamento dos gastos p\u00fablicos com institui\u00e7\u00f5es privadas, renegocia\u00e7\u00e3o de \u2018contratos leoninos\u2019) mas temos de ir mais longe.<br \/>\nDeixando uma quest\u00e3o (simples) desde j\u00e1 em aberto, e na sequ\u00eancia de informa\u00e7\u00e3o hoje publicada no jornal P\u00fablico onde refere que uma das metas em Espanha para 2013 \u00e9 a redu\u00e7\u00e3o em 12% (em m\u00e9dia) nos gastos dos minist\u00e9rios, que se reconduzir\u00e1 a uma poupan\u00e7a de 4 bili\u00f5es e 300 milh\u00f5es de euros, qual a meta prevista em Portugal para redu\u00e7\u00e3o dos gastos em 2013 nos diferentes minist\u00e9rios?<br \/>\nA prefer\u00eancia pela redu\u00e7\u00e3o da despesa em alternativa ao aumento da carga fiscal, conforme demonstrado num estudo de Alberto Alesina, da Universidade de Harvard, Dorian Carloni e Giampaolo Lecce da Universidade de Nova Iorque(3), aparece como socialmente mais justa, sendo melhor aceite pela sociedade em geral, n\u00e3o obstante o coro de protestos e greves generalizadas.<\/p>\n<p>NOTAS:<\/p>\n<p>Ver \u201cThe return of rationing\u201d, The Economist, June 25th, 2011.<br \/>\n2 Veja-se que quase 10% dos licenciados portugueses est\u00e3o desempregados (The Economist, March 3rd 2012, The uncertainty society).<br \/>\n3 \u201cThe Electoral Consequences of Large Fiscal Adjustments\u201d, by Alberto Alesina, Dorian Carloni and Giampaolo Lecce, October 2010, in www.economics.harvard.edu\/faculty\/alesina\/unp<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Gl\u00f3ria Teixeira, Vis\u00e3o on line, 1. 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