{"id":1086,"date":"2012-09-27T00:00:00","date_gmt":"2012-09-27T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=1086"},"modified":"2015-12-04T19:14:30","modified_gmt":"2015-12-04T19:14:30","slug":"accountability","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=1086","title":{"rendered":"Accountability"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #d8070f;\"><strong>Pedro Santos Moura, <\/strong><\/span><span style=\"color: #d8070f;\"><strong>Vis\u00e3o on line<\/strong><\/span>,<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><a style=\"font-size: 0.75rem; line-height: 1.25rem;\" href=\"http:\/\/visao.sapo.pt\/accountability=f688246\" target=\"_blank\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-19 alignleft\" title=\"Liga\u00e7\u00e3o \u00e0 Publica\u00e7\u00e3o\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/go2.png\" alt=\"\" width=\"16\" height=\"16\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><a href=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2012\/10\/VisaoE193.pdf\" target=\"_blank\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-2032 alignleft\" title=\"Ficheiro PDF\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/pdf_button.png\" alt=\"\" width=\"14\" height=\"14\" \/><\/a><\/p>\n<p>Accountability \u00e9 um termo que n\u00e3o tem uma tradu\u00e7\u00e3o directa para portugu\u00eas. A tradu\u00e7\u00e3o comum para \u201cResponsabilidade\u201d soa a pouco, pois o termo accountability subentende uma responsabiliza\u00e7\u00e3o do sujeito perante outrem, enquanto \u201cresponsabilidade\u201d\u2019 pode prescindir desta rela\u00e7\u00e3o eu-outro. Tenho no\u00e7\u00e3o que em Portugal se gosta mais de \u2018responsabilidade\u2019 que de accountability, pois uma pessoa pode ser respons\u00e1vel somente perante ela pr\u00f3pria e segundo as suas medidas, e mesmo assim ser \u201crespons\u00e1vel\u201d.<!--more--><br \/>\nEu prefiro o termo angl\u00f3fono, visto obrigar a uma vigil\u00e2ncia permanente entre pelo menos duas partes, com interesses e perspectivas diferentes, o que leva a uma \u00e9tica pessoal mais consistente e transparente.<br \/>\nMuitos autores apontam a falta de \u201cresponsabiliza\u00e7\u00e3o\u201d t\u00edpica da cultura portuguesa como um dos nossos piores males enquanto sociedade. Na pr\u00e1tica o exerc\u00edcio passa muitas das vezes por sacudir a responsabilidade (em linguagem mais comum, a \u201cculpa\u201d) dos ombros para outro poiso qualquer. E isto de forma sequencial, cont\u00ednua e tendente ao ponto em que se torna realmente imposs\u00edvel apurar todo e qualquer tipo de responsabilidades. Para al\u00e9m de termos esta tend\u00eancia cultural enquanto pessoas e povo, albergamos tamb\u00e9m o enorme privil\u00e9gio e uma enorme tend\u00eancia para a burocracia extrema e leis, regulamenta\u00e7\u00f5es e directrizes labir\u00ednticas. Em suma, um belo conjunto de afluentes, percebendo-se bem que tipo de rio v\u00e3o urdir.<br \/>\nFazendo a ponte para o fen\u00f3meno da fraude (pode-se aqui tamb\u00e9m juntar corrup\u00e7\u00e3o e neglig\u00eancia), n\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio ter um curso superior em jardinagem para se perceber a rela\u00e7\u00e3o entre a falta de accountability e o aparecimento de terrenos lamacentos e p\u00e2ntanos esconsos propensos \u00e0 apari\u00e7\u00e3o e crescimento de t\u00e3o nefastas (e comuns) pr\u00e1ticas.<br \/>\nJ\u00e1 que os nossos costumes e leis s\u00e3o poucos dados \u00e0 tal accountability, deixo aqui de seguida uma sugest\u00e3o. Come\u00e7ando por \u201ccima\u201d<\/p>\n<p>How to promote higher \u2018accountability\u2019 levels in the political body<br \/>\nContinuo com os t\u00edtulos em ingl\u00eas. Em duas penas, a minha sugest\u00e3o passa pela cria\u00e7\u00e3o de um Observat\u00f3rio Activo de Respons\u00e1veis Pol\u00edticos. Pode-se, por exemplo, come\u00e7ar pelos deputados, agarrando nalgumas not\u00edcias interessantes que apareceram com o retomar do ano pol\u00edtico na AR (e.g., http:\/\/www.inverbis.pt\/2012\/politico\/metade-deputados-acumula-privado).<br \/>\nMuito se fala sobre rela\u00e7\u00f5es estranhas entre deputados e outros interesses, situa\u00e7\u00f5es profissionais incompat\u00edveis, falta de transpar\u00eancia nos sentidos de vota\u00e7\u00e3o dos grupos parlamentares, etc. Mesmo havendo a presun\u00e7\u00e3o da inoc\u00eancia (at\u00e9 prova em contr\u00e1rio), \u00e9 generalizada a no\u00e7\u00e3o que h\u00e1 muito fumo pelas bandas de S. Bento. E com o flagelo apocal\u00edptico da recente \u00e9poca de fogos estivais (porque n\u00e3o chamar \u201c\u00e9poca de fogos estivais\u201d?) \u00e9 de bom tom estar bem alerta para poss\u00edveis fogos debaixo destes fumos.<br \/>\nNuma perspectiva mais objectiva, o Observat\u00f3rio que aqui proponho deveria ter um funcionamento similar a uma Wiki (http:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Wiki) sem estar debaixo da al\u00e7ada directa de nenhuma entidade. Deveriam ser os cidad\u00e3os e entidades colectivas, em conjunto, que introduziriam e geririam colaborativamente os conte\u00fados.<br \/>\nEste Observat\u00f3rio deveria ser de livre acesso, f\u00e1cil de usar, e deveria conter pelo menos a seguinte informa\u00e7\u00e3o:<br \/>\n\u2022 Dados pessoais de cada Deputado (e porque n\u00e3o candidato a Deputado), percurso profissional (p\u00fablico e privado), declara\u00e7\u00f5es de interesses, iniciativas legislativas, declara\u00e7\u00f5es de Impostos (esta \u00e9 forte, eu sei), etc.;<br \/>\n\u2022 Mapa hist\u00f3rico de rela\u00e7\u00f5es de cada Deputado a partidos pol\u00edticos, organiza\u00e7\u00f5es pol\u00edticas, cargos profissionais p\u00fablicos e privados, outras institui\u00e7\u00f5es, empresas, funda\u00e7\u00f5es, etc., etc.;<br \/>\n\u2022 Not\u00edcias que envolvessem cada Deputado, com tags que permitissem correlacionar dados de rela\u00e7\u00f5es e envolvimentos em temas;<br \/>\n\u2022 Outro tipo de informa\u00e7\u00f5es, que sem entrar no dom\u00ednio da esfera privada de cada Deputado, permitisse aumentar bastante o n\u00edvel de transpar\u00eancia envolvendo a AR, os respectivos Deputados e o trabalho a\u00ed desenvolvido, proporcionando assim uma melhor capacidade colectiva de escrut\u00ednio.<br \/>\nA defini\u00e7\u00e3o exacta da informa\u00e7\u00e3o a estar dispon\u00edvel poderia ser definida sob o patroc\u00ednio de entidades totalmente independentes do Estado ou outro tipo de poderes pol\u00edticos como o OBEGEF (Observat\u00f3rio de Economia e Gest\u00e3o de Fraude) ou a Transpar\u00eancia Internacional, sempre com a colabora\u00e7\u00e3o da sociedade civil. O desenvolvimento do site poderia ser feito por volunt\u00e1rios. Aposto que h\u00e1 por a\u00ed muito inform\u00e1tico que gostaria de participar na sua constru\u00e7\u00e3o (volunt\u00e1rios?!)<br \/>\nImagino que muitos ver\u00e3o numa proposta deste tipo o \u201cpap\u00e3o da PIDE\u201d ou algo ainda mais dram\u00e1tico. Haja honestidade intelectual e c\u00edvica para se perceber que quem \u00e9 Deputado tem de se sujeitar ao escrut\u00ednio cont\u00ednuo do povo, n\u00e3o somente no dia das elei\u00e7\u00f5es para a AR (a\u00ed j\u00e1 est\u00e1 tudo mais que cozinhado, excepto pequenas surpresas*).<br \/>\nSe queremos, enquanto pessoas, povo e na\u00e7\u00e3o realmente mudar algo, temos de ir ao cerne das quest\u00f5es. E o cerne n\u00e3o s\u00e3o o d\u00e9fice, ou o desemprego, ou as ag\u00eancias de rating: somos n\u00f3s, a nossa base moral, os nossos valores, a nossa coragem (ou cobardia) de nos olharmos de frente, de reconhecermos o que temos estragado e de refazer aspectos fundamentais da nossa conduta.<br \/>\nS\u00f3 vencendo-nos, ultrapassando-nos, conseguirmos vencer o futuro.<\/p>\n<p>OBEGEF goes International<br \/>\nContinuando a invas\u00e3o angl\u00f3fona de headlines, \u00e9 imperioso referir aqui a confer\u00eancia Interdisciplinary Insights on Fraud and Corruption (Percep\u00e7\u00e3o Interdisciplinar da Fraude e Corrup\u00e7\u00e3o), organizada pelo OBEGEF e decorrida no Porto de 13 a 15 de Setembro passados. \u00c9 um marco da maior import\u00e2ncia para o OBEGEF, servindo definitivamente para colocar Portugal no mapa (e rede) mundial do combate a fen\u00f3menos como a Fraude, Lavagem de Dinheiro, Corrup\u00e7\u00e3o e Economia Paralela. Desta vez por boas raz\u00f5es.<br \/>\nO OBEGEF e esta confer\u00eancia s\u00e3o uma iniciativa participada da Sociedade Civil. S\u00e3o o exemplo de que \u00e9 poss\u00edvel. Somente isso: poss\u00edvel. Basta vontade, voluntarismo e um forte desejo por um futuro melhor. Basta deixar de falar mal de tudo e tentar fazer algum bem a tudo. Basta saber que mesmo com dificuldades, haja cora\u00e7\u00e3o que o pior se enfrenta. E com bons resultados.<br \/>\nParab\u00e9ns OBEGEF!<\/p>\n<p>Nota:<br \/>\n*Aproveitando o momento: para quando podermos votar directamente num Deputado e n\u00e3o num Partido? N\u00e3o h\u00e1 nem uma real escolha quando se vota num Partido (\u00e9 o Partido quem realmente escolhe quem \u00e9 eleito), nem a m\u00ednima capacidade de se ir pedir contas a um dado Deputado, visto serem apenas \u2018mais um\u2019 num mar de disciplina partid\u00e1ria. N\u00e3o \u00e9 esta a democracia que quero. C\u00edrculos uninominais, por favor. E j\u00e1 agora um caf\u00e9 e uma \u00e1gua das pedras, para ver se conseguimos realmente acordar para outro dia.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pedro Santos Moura, Vis\u00e3o on line, Accountability \u00e9 um termo que n\u00e3o tem uma tradu\u00e7\u00e3o directa para portugu\u00eas. A tradu\u00e7\u00e3o comum para \u201cResponsabilidade\u201d soa a pouco, pois o termo accountability subentende uma responsabiliza\u00e7\u00e3o do sujeito perante outrem, enquanto \u201cresponsabilidade\u201d\u2019 pode prescindir desta rela\u00e7\u00e3o eu-outro. 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