{"id":1075,"date":"2012-07-12T00:00:00","date_gmt":"2012-07-12T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=1075"},"modified":"2015-12-04T19:14:33","modified_gmt":"2015-12-04T19:14:33","slug":"percepcao-versus-realidade-o-caso-do-ataque-ao-euro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=1075","title":{"rendered":"Percep\u00e7\u00e3o Versus Realidade: O Caso do Ataque ao Euro"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #d8070f;\"><strong>Rui Henrique Alves, <span style=\"color: #d8070f;\"><strong>Vis\u00e3o on line<\/strong><\/span><\/strong><\/span>,<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><a style=\"font-size: 0.75rem; line-height: 1.25rem;\" href=\"http:\/\/visao.sapo.pt\/percepcao-versus-realidade-o-caso-do-ataque-ao-euro=f674709\" target=\"_blank\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-19 alignleft\" title=\"Liga\u00e7\u00e3o \u00e0 Publica\u00e7\u00e3o\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/go2.png\" alt=\"\" width=\"16\" height=\"16\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><a href=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2012\/08\/VisaoE182.pdf\" target=\"_blank\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-2032 alignleft\" title=\"Ficheiro PDF\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/pdf_button.png\" alt=\"\" width=\"14\" height=\"14\" \/><\/a><\/p>\n<p>Erle Stanley Gardner (1889-1970) foi um dos mais not\u00e1veis escritores de livros policiais do s\u00e9culo XX. Ao longo de quarenta anos, publicou quase nove dezenas de obras com o t\u00edtulo de \u201cO Caso de...\u201d. Nelas havia um crime e surgia um aparente criminoso \u201cperfeito\u201d, aquele para o qual toda a evid\u00eancia parecia apontar para que fosse o respons\u00e1vel. N\u00e3o se tratava, contudo, do \u201cverdadeiro\u201d culpado, o qual s\u00f3 era conhecido no final da obra, gra\u00e7as sempre a surpreendentes reviravoltas, lideradas por um advogado criminal de cariz excepcional, chamado Perry Mason.<!--more--><br \/>\nNos \u00faltimos dois anos, a zona euro tem estado debaixo de fogo nos mercados financeiros, num facto que, com alguma analogia, se poderia referir como um \u201ccrime\u201d, cujo criminoso \u201cperfeito\u201d tamb\u00e9m seria f\u00e1cil de descortinar. Neste caso, a culpa seria aparentemente dos especuladores, cuja actua\u00e7\u00e3o, come\u00e7ando por visar os pa\u00edses mais fr\u00e1geis (e, em particular, a sua d\u00edvida p\u00fablica), teria por finalidade \u00faltima a desintegra\u00e7\u00e3o do projecto europeu de uni\u00e3o econ\u00f3mica e monet\u00e1ria (UEM).<br \/>\nOra, tal como sucedia nos livros de Stanley Gardner, parece leg\u00edtimo questionar quem s\u00e3o os verdadeiros culpados. \u00c9 que os especuladores formulam expectativas, actuam com base nas mesmas, assumindo riscos e tentando obter lucros. Ao proceder desta forma, os especuladores apenas levam a cabo o seu trabalho normal, longe de um motivo necessariamente mais obscuro.<br \/>\nA verdade \u00e9 que a actua\u00e7\u00e3o dos especuladores nos mercados financeiros pode conduzir a resultados particularmente duros. Em particular, se muitos agentes procederem de forma id\u00eantica e\/ou envolvendo opera\u00e7\u00f5es de montante significativo, as expectativas tender\u00e3o a tornar-se realidade. A verdadeira quest\u00e3o centrar-se-\u00e1 em saber o que levou \u00e0 forma\u00e7\u00e3o de expectativas com uma credibilidade aparentemente t\u00e3o forte que tenha conduzido diversos agentes econ\u00f3micos a especular contra diversos pa\u00edses da zona euro e, em \u00faltima an\u00e1lise, contra a pr\u00f3pria moeda \u00fanica europeia.<br \/>\nOu seja, valer\u00e1 a pena questionar quais as verdadeiras raz\u00f5es que est\u00e3o por detr\u00e1s da instabilidade vivida pela zona euro, bem como para averiguar se haver\u00e1 condi\u00e7\u00f5es para uma importante reviravolta na situa\u00e7\u00e3o, liderada por personalidades pol\u00edticas e econ\u00f3micas de relevo.<br \/>\nNo que respeita \u00e0 primeira parte do problema, uma an\u00e1lise mais cuidada da curta hist\u00f3ria da moeda \u00fanica permitir-nos-\u00e1 concluir que o \u201cverdadeiro\u201d criminoso pode ser o actual enquadramento institucional da UEM. Poder\u00e3o ter sido as suas diversas debilidades, existentes desde o in\u00edcio mas s\u00f3 agora evidentes, a induzir a actua\u00e7\u00e3o dos especuladores, visando sobretudo as economias mais fr\u00e1geis e, por cont\u00e1gio, produzindo efeitos sobre a estabilidade de toda a \u00e1rea.<br \/>\nAssim, num contexto marcado pela falta de mecanismos de ajustamento alternativos ao uso da taxa de c\u00e2mbio nominal, pela insuficiente aten\u00e7\u00e3o atribu\u00edda \u00e0 coordena\u00e7\u00e3o das pol\u00edticas or\u00e7amentais nacionais e pela excessiva tend\u00eancia pr\u00f3-estabilidade dos pre\u00e7os (fruto claro do dom\u00ednio alem\u00e3o), a insuficiente import\u00e2ncia atribu\u00edda \u00e0 converg\u00eancia real como poss\u00edvel condi\u00e7\u00e3o pr\u00e9via para a participa\u00e7\u00e3o na moeda \u00fanica, junto com erros no processo de adequa\u00e7\u00e3o ao novo contexto macroecon\u00f3mico, revelou-se (quase) fatal para algumas economias.<br \/>\nO caso portugu\u00eas \u00e9, a esse n\u00edvel, bastante ilustrativo. Ap\u00f3s a cria\u00e7\u00e3o do euro, a economia voltou a divergir em termos reais da m\u00e9dia europeia. A descida das taxas de juro, o fruto mais evidente da converg\u00eancia nominal, induziu todos os agentes econ\u00f3micos a um excessivo endividamento. As pol\u00edticas or\u00e7amental e de rendimentos foram conduzidas de forma deficiente. O resultado foi um conjunto de importantes desequil\u00edbrios macroecon\u00f3micos que, num primeiro momento, incentivaram os ataques especulativos \u00e0 d\u00edvida p\u00fablica portuguesa e, numa segunda fase, acabaram por obrigar \u00e0 implementa\u00e7\u00e3o de um programa de ajustamento bastante restritivo, com custos significativos ao n\u00edvel do produto e do emprego e resultados finais incertos.<br \/>\nNo que respeita \u00e0 segunda parte do problema, no caso europeu e na clara falta de l\u00edderes pol\u00edticos excepcionais, que pudessem jogar um papel an\u00e1logo ao de Perry Mason, n\u00e3o parece expect\u00e1vel uma altera\u00e7\u00e3o decisiva nos tempos mais pr\u00f3ximos. Em todo o caso, a quebra parcial, no final da semana passada, nas ortodoxas posi\u00e7\u00f5es alem\u00e3s (para quem a austeridade parece ser a panaceia de todos os males), for\u00e7ada pela concerta\u00e7\u00e3o entre Mario Monti, Mariano Rajoy e Fran\u00e7ois Hollande, podem permitir alguma esperan\u00e7a numa mudan\u00e7a da actua\u00e7\u00e3o europeia. Esta dever\u00e1 tornar-se atempada e dar a devida import\u00e2ncia \u00e0s pol\u00edticas de crescimento e emprego e \u00e0 necessidade de uma forte converg\u00eancia real. Sem isso e sem maiores esfor\u00e7os para a concretiza\u00e7\u00e3o de uma verdadeira governa\u00e7\u00e3o econ\u00f3mica e talvez de uma real Uni\u00e3o Pol\u00edtica, dificilmente o ataque ser\u00e1 parado...<br \/>\nNOTA:<br \/>\nO presente artigo funda-se no paper \u201cEl Caso del Ataque a la Eurozona: de Qui\u00e9n es la Culpa?\u201d escrito em co-autoria com \u00d3scar Afonso, que ser\u00e1 publicado no n\u00famero especial de Setembro da Revista Galega de Economia.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Rui Henrique Alves, Vis\u00e3o on line, Erle Stanley Gardner (1889-1970) foi um dos mais not\u00e1veis escritores de livros policiais do s\u00e9culo XX. Ao longo de quarenta anos, publicou quase nove dezenas de obras com o t\u00edtulo de \u201cO Caso de&#8230;\u201d. 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