{"id":1073,"date":"2012-06-28T00:00:00","date_gmt":"2012-06-28T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=1073"},"modified":"2015-12-04T19:14:34","modified_gmt":"2015-12-04T19:14:34","slug":"o-raio-dos-mercados","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=1073","title":{"rendered":"O raio dos mercados"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #d8070f;\"><strong>Carlos Pimenta, <\/strong><\/span><span style=\"color: #d8070f;\"><strong>Vis\u00e3o on line<\/strong><\/span>,<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><a style=\"font-size: 0.75rem; line-height: 1.25rem;\" href=\"http:\/\/visao.sapo.pt\/o-raio-dos-mercados=f672311\" target=\"_blank\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-19 alignleft\" title=\"Liga\u00e7\u00e3o \u00e0 Publica\u00e7\u00e3o\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/go2.png\" alt=\"\" width=\"16\" height=\"16\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><a href=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2012\/07\/VisaoE180.pdf\" target=\"_blank\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-2032 alignleft\" title=\"Ficheiro PDF\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/pdf_button.png\" alt=\"\" width=\"14\" height=\"14\" \/><\/a><\/p>\n<p>1. \u00c9 preciso agradar aos mercados! \u00c9 das frases mais vendidas, embrulhadas em papel de rebu\u00e7ados. Soa bem, e parece doce.<br \/>\nSe s\u00e3o os mercados que emprestam dinheiro aos Estados, se eles est\u00e3o a usufruir de uma taxa de juro elevada, se se diz que aquela mede o risco do empr\u00e9stimo, se os mercados foram obrigados a ter esta nobre fun\u00e7\u00e3o de permitir que todos n\u00f3s vivamos -- e at\u00e9 possamos alimentar-nos e fazer sexo porque dessa forma organizaram o capitalismo altamente financiarizado e altamente desregulado pelos pr\u00f3prios Estados -- porque n\u00e3o sermos bonzinhos e mostrarmos que somos bem comportados?<!--more--><br \/>\nE ser\u00e1 isso que os mercados esperaram que fa\u00e7amos? Como qualquer padrasto deseja que o enteado se porte bem, que obede\u00e7a \u00e0s suas ordens, que n\u00e3o discuta o seu poder paternal, que fa\u00e7a os deveres de casa que ele e os professores exigem.<br \/>\nMas esta \u00e9 apenas a parte simb\u00f3lica. O principal est\u00e1 na economia, naquele florescente raio de Zeus que se chama rentabilidade do capital.<br \/>\n2. No econ\u00f3mico \u00e9 que est\u00e1 o bus\u00edlis. Para n\u00f3s, s\u00f3cio-dependentes, mas tamb\u00e9m para os mercados.<br \/>\nEstes est\u00e3o cansados de procurar novas fontes de riqueza.<br \/>\nDantes era a explora\u00e7\u00e3o do trabalho alheio exigindo-lhes doze ou quinze horas di\u00e1rias de labor. Depois porque a dignidade humana tamb\u00e9m existe e aqueles que trabalham tamb\u00e9m consomem, viraram-se para expropria\u00e7\u00e3o das mat\u00e9rias-primas de outros pa\u00edses colonizados ou pr\u00f3ximos desse estatuto. Porque estes povos tamb\u00e9m constru\u00edram e exigiram a sua dignidade tiveram que se virar, durante algumas d\u00e9cadas gloriosas para os mercados financeiros.<br \/>\nEstas catedrais de Zeus, permitiu-lhes apropriarem-se dos fundos de pens\u00f5es, da riqueza que nunca foi produzida, especular sem qualquer regula\u00e7\u00e3o, ocupar postos destacados no aparelho de Estado, gerar o maior fosso de sempre na distribui\u00e7\u00e3o do rendimento.<br \/>\nMas n\u00e3o \u00e9 que se lhes atravessou no caminho a crise, essa manifesta\u00e7\u00e3o inoportuna das incongru\u00eancias do sistema que eles pr\u00f3prios criaram? Ent\u00e3o especulou-se com o petr\u00f3leo, com os produtos alimentares -- tamb\u00e9m para isso \u00e9 que h\u00e1 os mercados de futuros! -- e, quando j\u00e1 parecia que n\u00e3o havia mais para onde se virarem surgiu, pela ordem natural da vida, os empr\u00e9stimos aos Estados. \u00c9 verdade, pela ordem natural da vida, a partir do momento em que os bancos especuladores mal geridos, roubados, t\u00eam que ser salvos pelos Estados, isto \u00e9, que o capital banc\u00e1rio pode fazer todas as tropelias porque se estiverem para falir ser\u00e3o salvos pelo dinheiro dos cidad\u00e3os, mesmo dos que nem t\u00eam dinheiro para p\u00f4r no banco, tudo parece salvo na rentabilidade do capital. Como diz William Black \"a melhor maneira de roubar um banco \u00e9 possuir um\".<br \/>\nAs d\u00edvidas soberanas s\u00e3o o \u00faltimo (ultimo porque actual, porque \u00e9 sempre poss\u00edvel encontrar novas solu\u00e7\u00f5es nem que os pobres tenham todos que morrer) reduto destes \"pobres\" mercados que tanto se t\u00eam esfor\u00e7ado para agradar a Zeus.<br \/>\n3. Retomemos o fio da meada depois deste devaneio hist\u00f3rico. O que \u00e9 que os mercados podem esperar dos Estados para garantir a rentabilidade do capital? Em primeiro lugar que a d\u00edvida seja paga. E para tal \u00e9 importante que se reduzam as despesas, que o dinheiro emprestado tenha aplica\u00e7\u00f5es que deem uma rentabilidade superior aos juros que t\u00eam que pagar, que todo o dinheiro que circule no pa\u00eds seja bem empregue, n\u00e3o seja desviado.<br \/>\nIsso mesmo, que n\u00e3o seja desviado para cofres particulares, para neg\u00f3cios il\u00edcitos, para jogos que n\u00e3o criam riqueza.<br \/>\n\u00c9 verdade a corrup\u00e7\u00e3o, todos os esquemas de fraude, o branqueamento de capitais, a fuga ao fisco, a economia paralela, legal ou ilegal, s\u00e3o elementos perigosos para a dita rentabilidade do capital. Os exemplos s\u00e3o conhecidos de todos.<br \/>\nLogo agradar aos mercados parece passar por combater a corrup\u00e7\u00e3o, atenuar a economia paralela, castigar severa e exemplarmente todos os traficantes de vilania encoberta, actuando sozinhos (o que \u00e9 raro) ou inseridos em redes criminosas internacionais.<br \/>\nEis tamb\u00e9m o que deveria ser feito para agradar aos mercados.<br \/>\n4. \u00c9 l\u00f3gico, mas parece n\u00e3o ter nada a ver com a realidade que vivemos: a parte da economia paralela associada \u00e0 fuga ao fisco aproxima-se dos 25% do produto nacional, mas as medidas tomadas pelo governo tendem a agrav\u00e1-la; o acentuar das desigualdades sociais que se tem praticado pode favorecer a economia ilegal; a corrup\u00e7\u00e3o continua a aumentar, numa tend\u00eancia que j\u00e1 vem dos anos mais recentes, e permite-se que corruptos comprovados andem \u00e0 solta e ocupem cargos p\u00fablicos. A legisla\u00e7\u00e3o existente \u00e9 frequentemente mais permissiva que repressiva da fraude.<br \/>\n5. O que est\u00e1 errado no que dissemos? Porque \u00e9 que nunca se fala em combater a corrup\u00e7\u00e3o para agradar aos mercados? Porque \u00e9 que se amplia a economia paralela em vez de a minorar? Porque \u00e9 que n\u00e3o se reprime o branqueamento de capitais e se esquece as grandes fraudes fiscais desde que sejam pagas? Porque n\u00e3o se tomam medidas firmes contra os offshores?<br \/>\nDeixem-me lan\u00e7ar um palpite. Porque os pr\u00f3prios mercados, m\u00e1scara do capital financeiro com rostos de institui\u00e7\u00f5es e pessoas, se alimentam de todas essas vilanias. Se os actores dos mercados n\u00e3o tivessem praticado tantos crimes, com o Estado contemplativo a virar as costas para n\u00e3o ver, se n\u00e3o fugissem tanto aos impostos, muita da actual situa\u00e7\u00e3o n\u00e3o seria vivida.<br \/>\n6. Como diz Gayraud (A Grande Fraude: crime, subprime e crises financeiras) \"o mau capitalismo destr\u00f3i o bom capitalismo; os maus capitalistas expulsam os bons capitalistas No curto prazo o \u00abmau\u00bb \u00e9 sempre mais rent\u00e1vel, pelo menos para os seus conceptores. A m\u00e9dio prazo \u00e9 sempre destrutiva do interesse p\u00fablico. As fraudes podem influenciar significativamente o funcionamento dos mercados\u201c<br \/>\nE porque n\u00e3o terminar recordando um presidente dos Estados Unidos da Am\u00e9rica, durante d\u00e9cadas amado e que hoje poder\u00e1 ser considerado um perigoso elemento de uma seita de esquerda? Dizia Roosevelt em 1936, ap\u00f3s \u00e0 grande crise de 1929\/33: \"Agora sabemos que \u00e9 t\u00e3o perigoso ser governado pelo dinheiro organizado como pelas m\u00e1fias organizadas\"<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Carlos Pimenta, Vis\u00e3o on line, 1. \u00c9 preciso agradar aos mercados! \u00c9 das frases mais vendidas, embrulhadas em papel de rebu\u00e7ados. Soa bem, e parece doce. 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