{"id":1071,"date":"2012-06-14T00:00:00","date_gmt":"2012-06-14T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=1071"},"modified":"2015-12-04T19:14:34","modified_gmt":"2015-12-04T19:14:34","slug":"coitadinho-do-doente","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=1071","title":{"rendered":"Coitadinho do doente"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #d8070f;\"><strong>Lu\u00eds Torgo, <\/strong><\/span><span style=\"color: #d8070f;\"><strong>Vis\u00e3o on line<\/strong><\/span>,<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><a style=\"font-size: 0.75rem; line-height: 1.25rem;\" href=\"http:\/\/visao.sapo.pt\/coitadinho-do-doente=f669972\" target=\"_blank\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-19 alignleft\" title=\"Liga\u00e7\u00e3o \u00e0 Publica\u00e7\u00e3o\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/go2.png\" alt=\"\" width=\"16\" height=\"16\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><a href=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2012\/07\/VisaoE178.pdf\" target=\"_blank\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-2032 alignleft\" title=\"Ficheiro PDF\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/pdf_button.png\" alt=\"\" width=\"14\" height=\"14\" \/><\/a><\/p>\n<p>\u00c9 sobejamente conhecida a vertigem legisladora das nossas autoridades. Descobriu-se um problema na sociedade com um potencial de atra\u00e7\u00e3o para a fraude? Solu\u00e7\u00e3o: cobrir a \"\u00e1rea\" com uma boa dezena de regulamenta\u00e7\u00f5es, novas leis, novas exig\u00eancias burocr\u00e1ticas, e por a\u00ed fora. Fiscaliza\u00e7\u00e3o da aplica\u00e7\u00e3o das mesmas? Bom, depois v\u00ea-se... Resultado? Bom, \u00e9 esse o t\u00f3pico deste pequeno texto, mas se est\u00e3o com pressa posso resumi-lo numa palavra: asfixia.<!--more--><br \/>\nEste texto encerra em si mesmo um grande perigo, pois poder\u00e1 achar-se que defendo a desregulamenta\u00e7\u00e3o e logo o facilitar da fraude. Longe disso, obviamente. Mas como diz o ditado popular, nem tanto ao mar, nem tanto \u00e0 terra. Claramente, a solu\u00e7\u00e3o atual tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 boa, ainda mais quando acompanhada de uma deficiente fiscaliza\u00e7\u00e3o. Ali\u00e1s uma das mensagens que aqui procuro fazer passar \u00e9 exatamente a de que a solu\u00e7\u00e3o atual tem um claro efeito bloqueador de quem pretende fazer o seu trabalho. De facto, cada vez mais pessoas olham para a nossa m\u00e1quina estatal como um conjunto de agentes \"dificultadores\" da nossa vida. A sensa\u00e7\u00e3o que se fica cada vez que se tem que dialogar com alguns servi\u00e7os \u00e9 a de que se houver alguma maneira de complicar a nossa vida, ent\u00e3o certamente eles tratar\u00e3o de a encontrar. Obviamente, como qualquer afirma\u00e7\u00e3o gen\u00e9rica, est\u00e1 aqui muita injusti\u00e7a para com funcion\u00e1rios que zelosamente se limitam a cumprir as suas obriga\u00e7\u00f5es. N\u00e3o s\u00e3o eles o meu alvo, embora uma cura de bom senso n\u00e3o fizesse nada mal a muitos deles. Os meus alvos s\u00e3o de facto os respons\u00e1veis que criam as normas pelas quais eles se t\u00eam que reger \u2212 s\u00e3o estes os verdadeiros \"dificultadores\". Na sua voracidade legisladora, certamente imbu\u00edda da bondade de precaver fraudes e afins, t\u00eam frequentemente o efeito perverso de causar um bloqueio da sociedade que em vez de ser \u00e1gil e din\u00e2mica, se torna numa massa amorfa atada a uma teia de regulamenta\u00e7\u00f5es e leis. Bom e qual a solu\u00e7\u00e3o ent\u00e3o? N\u00e3o sendo de todo um especialista na \u00e1rea, muito longe disso, julgo que uma melhoria significativa deste cen\u00e1rio seria conseguida se se investisse um pouco menos em legisladores e se desviasse o dinheiro para a fiscaliza\u00e7\u00e3o e forma\u00e7\u00e3o adequada dos servi\u00e7os, nomeadamente para aprenderem a usar um rem\u00e9dio milagroso de muitos problemas \u2212 bom senso. Querem um exemplo de falta de bom senso? Aqui vai uma pequena hist\u00f3ria que ilustra bem ao que chegamos.<br \/>\nNa minha atividade de doc\u00eancia e investiga\u00e7\u00e3o tenho frequentemente que comprar livros acad\u00e9micos, coisa que normalmente fa\u00e7o usando verbas atribu\u00eddas a projetos de investiga\u00e7\u00e3o que consegui conquistar como resultado do meu trabalho, e que s\u00e3o geridos pelas institui\u00e7\u00f5es a que estou associado. Como \u00e9 \u00f3bvio, sendo eu respons\u00e1vel pelos mesmos, tenho todo o interesse em gastar o m\u00ednimo de dinheiro nestas aquisi\u00e7\u00f5es, pois menos custos normalmente representam mais livros. Por raz\u00f5es econ\u00f3micas e tamb\u00e9m raz\u00f5es pr\u00e1ticas a aquisi\u00e7\u00e3o passa normalmente pela mega-livraria Amazon. Aqui quase tudo se encontra a bom pre\u00e7o e passado 2-3 dias normalmente tenho os livros em cima da minha secret\u00e1ria, prontos para o meu trabalho. A compra \u201conline\u201d nesta \u201cloja\u201d obriga \u00e0 utiliza\u00e7\u00e3o de cart\u00e3o de cr\u00e9dito. Por raz\u00f5es que a raz\u00e3o desconhece, mas talvez tenha a ver mais uma vez com alguma fobia controladora de poss\u00edveis fraudes, as institui\u00e7\u00f5es acad\u00e9micas a que estou associado n\u00e3o possuem cart\u00e3o de cr\u00e9dito. Com o objetivo de agilizar a ci\u00eancia que n\u00e3o se compadece com este mundo caracol, os investigadores frequentemente sentem-se tentados a comprar os livros usando o seu cart\u00e3o de cr\u00e9dito na expetativa de posterior reembolso. Erro crasso! Quando chega a altura do reembolso come\u00e7a tipicamente o pesadelo. Poder\u00e3o os leitores pensar que bastaria entregar o recibo da compra, mostrar o livro e adicionar o extrato do cart\u00e3o de cr\u00e9dito onde se indique o pagamento do montante \u00e0 companhia. Puro engano. Embora para qualquer comum mortal com um m\u00ednimo de bom senso, esses documentos inequivocamente provem que a despesa foi efetuada, a m\u00e1quina burocr\u00e1tica tens as suas regras e n\u00e3o quer saber de mais nada a n\u00e3o ser essas regras. Como \u00e9 l\u00f3gico e natural, a livraria emite um recibo em nome da pessoa que lhe comprou o livro. E a\u00ed come\u00e7a o problema, o recibo tem que vir em nome da institui\u00e7\u00e3o e n\u00e3o em nome do investigador. E n\u00e3o interessa que o investigador comprove o pagamento, e que o mesmo s\u00f3 tenha sido efetuado porque a institui\u00e7\u00e3o n\u00e3o tem meios para isso, ou que existam documentos a comprovar que o investigador pertence \u00e0 institui\u00e7\u00e3o \u2013 n\u00e3o tem o NIF da institui\u00e7\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 reembols\u00e1vel! Portanto, como bons portugueses, l\u00e1 vamos n\u00f3s fazer pequenas \u201cfraudes\u201d do g\u00e9nero meter o NIF da institui\u00e7\u00e3o no campo da morada do formul\u00e1rio de emiss\u00e3o do recibo. Se aparece l\u00e1 o n\u00famero m\u00e1gico, mesmo que na morada, ent\u00e3o a m\u00e1quina burocr\u00e1tica j\u00e1 pode respirar fundo, saciada com os belos algarismos que a libertam de qualquer \u00f3nus de culpa. Aos olhos de qualquer comum mortal isto s\u00f3 tem uma palavra \u2013 rid\u00edculo. O tempo e dinheiro que as organiza\u00e7\u00f5es e as pessoas perdem com estes pequenos nadas \u00e9 absurdo. E o problema \u00e9 que isto tipicamente leva ao desperd\u00edcio. Da pr\u00f3xima vez o investigador n\u00e3o est\u00e1 para se chatear e pede para ser a institui\u00e7\u00e3o a comprar ela pr\u00f3pria o livro, com todo o desperd\u00edcio de tempo e dinheiro que isso acarreta. Este \u00e9, obviamente um pequeno exemplo, mas ele ilustra muitos dos problemas com que as pessoas se deparam na sua inevit\u00e1vel coabita\u00e7\u00e3o com estas organiza\u00e7\u00f5es \u201ccontroleiras\u201d. Coisas muito semelhantes ocorrem em aquisi\u00e7\u00f5es de outros bens que tipicamente t\u00eam que ser realizadas atrav\u00e9s de empresas creditadas nas chamadas centrais de compras do estado, frequentemente por valores muito mais altos do que se conseguiria obter se se deixasse funcionar o mercado livremente, e coisas por a\u00ed fora. Tudo regras certamente criadas por raz\u00f5es muito merit\u00f3rias e destinadas a evitar fraudes. O problema \u00e9 o resultado disto tudo \u2013 desperd\u00edcio e mais desperd\u00edcio, inefici\u00eancias e mais inefici\u00eancias, e assim andamos entretidos. Dir-me-\u00e3o: \u00e9 chato o justo pagar pelo pecador, mas s\u00e3o os custos a pagar para evitar a fraude. Lamento, mas n\u00e3o compro isso assim t\u00e3o facilmente. Primeiro, n\u00e3o me parece que o pa\u00eds esteja assim t\u00e3o isento de fraude, mas depois, e principalmente, porque h\u00e1 outras formas de agir, e nem precisamos de inventar nada de novo, h\u00e1 exemplos de outros pa\u00edses que podemos copiar onde a burocracia n\u00e3o \u00e9 o pesadelo a que chegamos. Por isso digo, cuidado com os \"dificultadores\"! Mas aten\u00e7\u00e3o, do facilitismo ao laxismo e \u00e0 fraude tamb\u00e9m se vai num instante! No entanto, a solu\u00e7\u00e3o de matar o doente com a cura tamb\u00e9m n\u00e3o me parece muito boa para o Pa\u00eds, e n\u00e3o, n\u00e3o estou a mandar nenhuma indireta \u00e0s atuais pol\u00edticas econ\u00f3micas, mas se calhar at\u00e9 d\u00e1 para enfiar o barrete...<br \/>\nP.S.: J\u00e1 depois de escrita esta pequena cr\u00f3nica chegou-me um editorial da institui\u00e7\u00e3o de investiga\u00e7\u00e3o a que perten\u00e7o que ilustra de forma perfeita o que est\u00e1 a acontecer \u00e0 ci\u00eancia em Portugal com esta nova fobia \u201cdificultadora\u201d. Aqui fica o endere\u00e7o para se entreterem com uma outra vis\u00e3o do problema: http:\/\/bip.inescporto.pt\/127\/editorial.html.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Lu\u00eds Torgo, Vis\u00e3o on line, \u00c9 sobejamente conhecida a vertigem legisladora das nossas autoridades. Descobriu-se um problema na sociedade com um potencial de atra\u00e7\u00e3o para a fraude? Solu\u00e7\u00e3o: cobrir a &#8220;\u00e1rea&#8221; com uma boa dezena de regulamenta\u00e7\u00f5es, novas leis, novas exig\u00eancias burocr\u00e1ticas, e por a\u00ed fora. Fiscaliza\u00e7\u00e3o da aplica\u00e7\u00e3o das mesmas? Bom, depois v\u00ea-se&#8230; Resultado?&hellip; <a href=\"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=1071\">Ler mais&#8230;<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_bbp_topic_count":0,"_bbp_reply_count":0,"_bbp_total_topic_count":0,"_bbp_total_reply_count":0,"_bbp_voice_count":0,"_bbp_anonymous_reply_count":0,"_bbp_topic_count_hidden":0,"_bbp_reply_count_hidden":0,"_bbp_forum_subforum_count":0,"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[72,123],"tags":[],"class_list":["post-1071","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-cronicas","category-visao-online"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1071","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=1071"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1071\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":8443,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1071\/revisions\/8443"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=1071"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=1071"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=1071"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}