{"id":1066,"date":"2012-05-10T00:00:00","date_gmt":"2012-05-10T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=1066"},"modified":"2015-12-04T19:14:36","modified_gmt":"2015-12-04T19:14:36","slug":"as-empresas-municipais-locais-e-os-recentes-criterios-de-extincao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=1066","title":{"rendered":"As empresas municipais (locais) e os recentes crit\u00e9rios de extin\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #d8070f;\"><strong>Nuno Moreira, <\/strong><\/span><span style=\"color: #d8070f;\"><strong>Vis\u00e3o on line<\/strong><\/span>,<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><a style=\"font-size: 0.75rem; line-height: 1.25rem;\" href=\"http:\/\/visao.sapo.pt\/as-empresas-municipais-locais-e-os-recentes-criterios-de-extincao=f663507\" target=\"_blank\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-19 alignleft\" title=\"Liga\u00e7\u00e3o \u00e0 Publica\u00e7\u00e3o\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/go2.png\" alt=\"\" width=\"16\" height=\"16\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><a href=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2012\/05\/VisaoE173.pdf\" target=\"_blank\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-2032 alignleft\" title=\"Ficheiro PDF\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/pdf_button.png\" alt=\"\" width=\"14\" height=\"14\" \/><\/a><\/p>\n<p>O Governo acaba de aprovar uma proposta de lei do regime jur\u00eddico da atividade empresarial local e das participa\u00e7\u00f5es locais, a qual se insere na reforma da administra\u00e7\u00e3o local em curso.<!--more--><br \/>\nSegundo o Livro Branco do Setor Empresarial Local, publicado em Novembro de 2011, existem 466 empresas municipais, de todos os tipos. Estas empresas est\u00e3o inseridas em 179 Munic\u00edpios, cerca de 58% do total e, segundo o Minist\u00e9rio das Finan\u00e7as, t\u00eam um endividamento de 1,5 mil milh\u00f5es de euros.<br \/>\nO mesmo Livro Branco reconhecia que \u201cos indicadores globais de sustentabilidade econ\u00f3mica e financeira do setor n\u00e3o revelam um problema global de insustentabilidade, mas existem claramente casos que exigem aten\u00e7\u00e3o imediata face aos n\u00edveis elevados de fragilidade financeira detetados.\u201d<br \/>\nA proposta de lei agora aprovada prev\u00ea a obrigatoriedade da extin\u00e7\u00e3o das empresas locais sempre que:<br \/>\ni. A entidade p\u00fablica contratante tenha de cumprir obriga\u00e7\u00f5es assumidas pela empresa local para as quais o respetivo capital se revele insuficiente;<br \/>\nii. As vendas e presta\u00e7\u00f5es de servi\u00e7os realizadas, durante tr\u00eas anos desde o in\u00edcio efetivo de atividade, n\u00e3o cubram, pelo menos, 50% dos gastos totais incorridos;<br \/>\niii. Quando se verificar que nos \u00faltimos tr\u00eas anos o peso contributivo dos subs\u00eddios de explora\u00e7\u00e3o tenha sido superior a 50% das suas receitas;<br \/>\niv. Quando se verificar que nos \u00faltimos tr\u00eas anos consecutivos o EBITDA (resultado operacional) \u2013 CAPEX (investimento) da empresa tenha sido negativo.<br \/>\nPode constatar-se, nomeadamente, imprecis\u00e3o na utiliza\u00e7\u00e3o de certos conceitos utilizados, bem como falta de clareza relativamente a algumas express\u00f5es utilizadas.<br \/>\nSobretudo, \u00e9 dif\u00edcil perceber que qualquer um deles seja proposto como indicador de suporte a uma eventual decis\u00e3o de extin\u00e7\u00e3o de uma empresa municipal. Olhando cada um deles de forma isolada, n\u00e3o ser\u00e1 dif\u00edcil associar a cada um, objetivos prov\u00e1veis que levaram \u00e0 sua formula\u00e7\u00e3o; mas, ao refletir sobre estes potenciais objetivos, propor algum destes crit\u00e9rios como crit\u00e9rio de extin\u00e7\u00e3o \u00e9 seguramente despropositado. Acresce ainda que tem vindo a ser divulgado que, basta que estas empresas sejam abrangidas por apenas um deles, isoladamente, para terem desde logo a extin\u00e7\u00e3o no seu horizonte.<br \/>\nCom este regime e subjacentes crit\u00e9rios, \u00e9 o pr\u00f3prio Secret\u00e1rio de Estado da Administra\u00e7\u00e3o Local e da Reforma Administrativa, no final do Conselho de Ministros do passado dia 3 de Maio a reconhecer que \u201cAproximadamente metade das empresas n\u00e3o cumpre os crit\u00e9rios agora estabelecidos\u201d. Ou seja, poder\u00e3o vir a ser extintas cerca de 200 empresas municipais.<br \/>\nE, as Assembleias Municipais, t\u00eam seis meses, ap\u00f3s a promulga\u00e7\u00e3o da lei pelo Presidente da Rep\u00fablica, para adotar os crit\u00e9rios hoje aprovados.<br \/>\nDeveremos ter presente que n\u00e3o existe nenhum crit\u00e9rio ou indicador, com um car\u00e1ter de excel\u00eancia tal, que, de forma isolada, permita suportar a extin\u00e7\u00e3o de uma determinada organiza\u00e7\u00e3o.<br \/>\nPor outro lado, com a margem de manobra que o atual normativo contabil\u00edstico continua dar, relativamente a eventuais procedimentos \u201ccriativos\u201d, \u00e9 mais f\u00e1cil adotar este tipo de \u201ccriatividades\u201d tendo por \u201calvo\u201d um indicador apenas, do que quando tencionamos faz\u00ea-lo para mais do que um.<br \/>\nA Contabilidade \u201ccriativa\u201d e mesmo a fraude contabil\u00edstica t\u00eam sempre subjacente um determinado incentivo pr\u00e9vio. Este incentivo, pode perfeitamente ser o cumprimento daquele crit\u00e9rio espec\u00edfico que poder\u00e1 levar \u00e0 extin\u00e7\u00e3o, n\u00e3o desejada, de determinada empresa municipal.<br \/>\nDiagnosticar as fragilidades destas empresas e avaliar a sua viabilidade, bem como de qualquer outra organiza\u00e7\u00e3o, nunca poder\u00e1 passar pelo resultado obtido num \u00fanico crit\u00e9rio ou indicador, durante 3 anos consecutivos.<br \/>\nSe, por hip\u00f3tese, se aplicasse este regime e crit\u00e9rios \u00e0s empresas do setor privado, em especial o IV crit\u00e9rio anteriormente referido (EBITDA \u2013 CAPEX, positivo), assistir\u00edamos a uma vaga de \u201cfechar de portas\u201d nos mais diversos setores que, em conjunto com os n\u00fameros preocupantes das insolv\u00eancias em Portugal, seria certamente incomport\u00e1vel para o pa\u00eds.<br \/>\nQual \u00e9 a empresa que atrav\u00e9s das suas atividades operacionais consegue gerar fundos suficientes aos investimentos de que necessita no \u00e2mbito do seu plano estrat\u00e9gico, sem recurso a endividamento?<br \/>\nCreio que a linha de orienta\u00e7\u00e3o que faria mais sentido, seria a constru\u00e7\u00e3o de um conjunto confort\u00e1vel e adequado de crit\u00e9rios (e nunca apenas um), devidamente ponderados com o contexto e realidade de cada munic\u00edpio que, cumulativamente, pudessem levar numa primeira fase a um diagn\u00f3stico abrangente e, subsequentemente, a uma decis\u00e3o estrat\u00e9gica alicer\u00e7ada de forma efetiva.<br \/>\nComo referia o Livro Branco \u201c\u2026 existem claramente casos que exigem aten\u00e7\u00e3o imediata face aos n\u00edveis elevados de fragilidade financeira detetados.\u201d. Contudo, o regime agora proposto pode e deve ser melhorado quer numa perspetiva mais t\u00e9cnica quer numa base de razoabilidade, perspetivando a imprescind\u00edvel reforma do Poder Local mas tendo sempre presente a manuten\u00e7\u00e3o da sua dignidade.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nuno Moreira, Vis\u00e3o on line, O Governo acaba de aprovar uma proposta de lei do regime jur\u00eddico da atividade empresarial local e das participa\u00e7\u00f5es locais, a qual se insere na reforma da administra\u00e7\u00e3o local em curso.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_bbp_topic_count":0,"_bbp_reply_count":0,"_bbp_total_topic_count":0,"_bbp_total_reply_count":0,"_bbp_voice_count":0,"_bbp_anonymous_reply_count":0,"_bbp_topic_count_hidden":0,"_bbp_reply_count_hidden":0,"_bbp_forum_subforum_count":0,"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[72,123],"tags":[],"class_list":["post-1066","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-cronicas","category-visao-online"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1066","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=1066"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1066\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":8431,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1066\/revisions\/8431"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=1066"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=1066"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=1066"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}