{"id":1062,"date":"2012-04-12T00:00:00","date_gmt":"2012-04-12T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=1062"},"modified":"2015-12-04T19:14:37","modified_gmt":"2015-12-04T19:14:37","slug":"as-raposas-e-as-galinhas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=1062","title":{"rendered":"As raposas e as galinhas"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #d8070f;\"><strong>Carlos Pimenta, <\/strong><\/span><span style=\"color: #d8070f;\"><strong>Vis\u00e3o on line<\/strong><\/span>,<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><a style=\"font-size: 0.75rem; line-height: 1.25rem;\" href=\"http:\/\/visao.sapo.pt\/as-raposas-e-as-galinhas=f658214\" target=\"_blank\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-19 alignleft\" title=\"Liga\u00e7\u00e3o \u00e0 Publica\u00e7\u00e3o\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/go2.png\" alt=\"\" width=\"16\" height=\"16\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><a href=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2012\/04\/VisaoE169.pdf\" target=\"_blank\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-2032 alignleft\" title=\"Ficheiro PDF\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/pdf_button.png\" alt=\"\" width=\"14\" height=\"14\" \/><\/a><\/p>\n<p>1. Quando se permite que uma raposa entre livremente no galinheiro, n\u00e3o \u00e9 de espantar que se venha a encontrar as galinhas mortas e a raposa saciada. O problema n\u00e3o est\u00e1 no comportamento da raposa ou das galinhas mas no se ter deixado a porta aberta do galinheiro e a raposa em liberdade.<!--more--><br \/>\nEsta \u00e9 a f\u00e1bula referida por Jean-Fran\u00e7ois Gayraud para ilustrar a responsabilidade da falta de regula\u00e7\u00e3o, mesmo desregula\u00e7\u00e3o, social e econ\u00f3mica em que vivemos h\u00e1 umas d\u00e9cadas, fortissimamente respons\u00e1vel pela atual crise. Ela criou o incentivo e as oportunidades para as fraudes. \u201c\u00c9 imposs\u00edvel explicar os riscos desmesurados e as fraudes cometidas apenas pela gan\u00e2ncia: esta categoria moral \u00e9 insuficiente. Os riscos e as fraudes imensas apareceram com a prote\u00e7\u00e3o da desregula\u00e7\u00e3o, pois o afrouxamento global das restri\u00e7\u00f5es cria rapidamente incentivos e oportunidades in\u00e9ditas abrindo a via \u00e0 gan\u00e2ncia. Esta \u00e9 mais uma consequ\u00eancia que uma causa\u201d (La Grande Fraude: crime, subprimes et crise financi\u00e8re, 2011, Odile Jacob, pag. 197\/8).<br \/>\nO ditado portugu\u00eas \u201ctodo o homem tem o seu pre\u00e7o\u201d \u00e9 uma forma brejeira de revelar que a honestidade n\u00e3o \u00e9 apenas um atributo pessoal, mas tamb\u00e9m um contexto social. Contexto social que est\u00e1 presente na estrutura\u00e7\u00e3o da personalidade individual. Contexto econ\u00f3mico que faz com que os maus profissionais e defraudadores afastem os competentes e \u00edntegros do mercado. O ditado portugu\u00eas pode ser utilizado para mostrar a import\u00e2ncia da vigil\u00e2ncia do Estado e da sua fun\u00e7\u00e3o reguladora.<br \/>\n2. A f\u00e1bula explicita uma ideia mas a sociedade \u00e9 mais complicada que a capoeira em terreno de raposa.<br \/>\nOs ricos e os seus funcion\u00e1rios de servi\u00e7o na pol\u00edtica podem andar \u00e0 solta. Para tal h\u00e1 liberdade de circula\u00e7\u00e3o de capitais, funcionamento opaco dos mercados de capitais, diminui\u00e7\u00e3o relativa da sua carga fiscal. \u00c0 solta com boas condi\u00e7\u00f5es de usufruto da vida selvagem, para o que lhe s\u00e3o oferecidos desde os bens inacess\u00edveis aos demais aos offshores ou para\u00edsos fiscais.<br \/>\nOs cidad\u00e3os comuns t\u00eam de estar presos. O seu campo de a\u00e7\u00e3o \u00e9 limitado, ficando subordinados a uma carga fiscal agravada, \u00e0 amea\u00e7a ou efetividade do desemprego, \u00e0 incerteza em rela\u00e7\u00e3o ao futuro. Atrav\u00e9s da precariza\u00e7\u00e3o (chamem-lhe flexibiliza\u00e7\u00e3o se querem ser enganados!) do mercado de trabalho e da desvirtua\u00e7\u00e3o da legisla\u00e7\u00e3o laboral o respons\u00e1vel por fechar a porta da capoeira deixa de ser o Estado para ser a pr\u00f3pria raposa.<br \/>\nA raposa pode controlar as fontes da sua alimenta\u00e7\u00e3o, sejam os pre\u00e7os dos bens, sejam as manipula\u00e7\u00f5es bolsistas, sejam os mercados de futuros do petr\u00f3leo e dos alimentos, seja emprestando ao Estado a juros agiotas o que antes lhe foi oferecido por aquele. \u00c0s galinhas resta-lhes serem feridas, comidas ou fugirem.<br \/>\n3. A aus\u00eancia de regula\u00e7\u00e3o \u00e9 um crime social.<br \/>\nAssistimos a isso em Portugal em diversas situa\u00e7\u00f5es, de que o BPN \u00e9 o caso mais paradigm\u00e1tico. Uns defraudaram, corromperam, roubaram (algumas raposas). Outros pagaram, viram os seus sal\u00e1rios cortados, foram lan\u00e7ados no desemprego, foram convidados a emigrar (todas as galinhas).<br \/>\nFalhou regula\u00e7\u00e3o por parte do Banco de Portugal, falhou todo um Estado moldado pelo mito do mercado. Nenhum dos respons\u00e1veis pela desregula\u00e7\u00e3o deixou de ser promovido. O administrador do Banco de Portugal de ent\u00e3o soube t\u00e3o bem ser \u00fatil \u00e0s raposas que foi fazer o mesmo numa institui\u00e7\u00e3o da Uni\u00e3o Europeia.<br \/>\n4. Tudo est\u00e1 bem no reino da Patag\u00f3nia quando acaba mal para as galinhas e bem para as raposas.<br \/>\nE se houver \u201ca fuga das galinhas\u201d? N\u00e3o convinha desertificar este jardim \u00e0 beira mar plantado. Seria mais promissora a revolta das galinhas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Carlos Pimenta, Vis\u00e3o on line, 1. 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